Biografia dos Santos

Santo Irmão Pedro de São José de Betancurt

Posted on: junho 4, 2010

Biografia do Vaticano

 Hermano Pedro de São José Betancurt 
(1626-1667)

 PEDRO DE SÃO JOSÉ BETANCUR nasceu em Villaflor de Tenerife, nas Ilhas Canárias, Espanha, no dia 19 de Março de 1626, tendo sido baptizado logo no dia 21. Seus pais, Amador González Betancur de la Rosa e Ana Garcia educaram-no cristãmente e Pedro descobriu os valores da fé e da caridade, de modo especial. E ele nunca esqueceu os ensinamentos recebidos; ouvindo falar dos trabalhos missionários que muitos homens e mulheres estavam a empreender nas terras da América, deixou-se entusiasmar pela ideia de ir anunciar o Evangelho, emigrando para a Guatemala em 1651 com esse propósito.

Ali começou a viver como se fosse essa a sua pátria, depressa captou a simpatia das famílias do lugar, que desejavam a presença de Pedro em suas casas, pela sua afabilidade e interesse pela situação de cada um; pagava a hospedagem com os trabalhos humildes que podia fazer.

Dele disse o seu biógrafo:  “Todo o tempo em que conhecemos Pedro de Betancur, conhecemo-lo como um homem virtuoso. Nele, a virtude parecia natural. Era tão amável como virtuoso e todos os que o conheciam, o estimavam e quem o estimava, gostava de comunicar com ele. Todos desejavam tê-lo em sua casa e muitos o procuravam”. Fez da pobreza sua companheira de vida, para não ter outro tesouro a não ser Jesus Cristo e não ter outra preocupação senão o amor dos pobres. Viveu em Santiago de los Caballeros, entrava livremente na casa de todos os que ali habitavam, saindo como tinha entrado:  livre de apegos materiais, alma limpa e coração desprendido, mas com a convicção firme de que tinha deixado a semente do Evangelho no seio daquelas famílias. O seu biógrafo diz, mesmo, estas palavras bem elucidativas da sua presença:  “o Irmão Pedro deixava as casas onde entrava banhadas de luz e saía delas sem detrimento da sua pureza”. Por isso, ele pode ser chamado um “mensageiro do amor de Deus na América”.

Possuía a sabedoria própria de um homem simples. Por esta razão, a sua vida se lê melhor nas suas acções do que nos seus discursos. Por dificuldades nos estudos, não conseguiu ser sacerdote, não foi membro de uma Ordem religiosa, o que o convenceu de que Deus o chamava à santidade por outro caminho; seguiu o da caridade, tornando-se um verdadeiro apaixonado pelo pobres por amor a Cristo. Sincero e humilde, mas de um singular intuição e prática na vida, soube reconhecer Deus e encontrar Cristo nas ruas da cidade. Os seus compatriotas chegavam em busca de poder e de riquezas; ele procurou as suas honras na catequese, na oração e no alívio dos sofrimentos humanos dos pobres. Essa era a sua ambição, que realizava “sempre ocupado em obras de misericórdia”, aliviando o sofrimento do seu Salvador nas cruzes dos mais pobres.

Era homem de oração; reconhecendo-se como humilde servo da Santíssima Trindade, distinguiu-se por uma vida de comunhão contínua com Deus Pai através da oração e da perseverança em fazer o bem, às vezes à custa das maiores dificuldades, incompreensões e contrariedades, mas espalhando sempre a caridade a mãos cheias, dele se podendo dizer como de Cristo:  “passou pela terra fazendo o bem” (cf. Act 10, 38). Deixando-se guiar pelo Espírito Santo, permaneceu sempre aberto à sua inspiração, para orientar os seus passos, palavras e acções.

Peregrino e contemplativo, traçou um itinerário de lugares de oração, de recolhimento e de contemplação, para que aqueles povos pudessem gozar de momentos de contacto com o Senhor.

Ainda hoje, a tradição fala desses lugares:  o Calvário, o Outeiro da Cruz, os pátios da Pousada de Belém, o Templo de S. Francisco, bem como as ruas de pedra abençoadas pela sua passagem continuam a ser sinais da sua presença permanente naqueles lugares. Soube cimentar a piedade popular na devoção aos mistérios de Cristo e da Virgem Maria, na frequência dos sacramentos e na meditação, acompanhadas pela preocupação constante da salvação da alma.

Por isso, não nos admiremos de que ele fosse um “leigo fundador de uma Ordem religiosa”. Assim se expressam os Bispos da Guatemala em Carta Pastoral, escrita a propósito da sua canonização.

Tendo vestido o hábito da terceira Ordem de penitência franciscana, continuou a sua vida na prática das obras de caridade, consolidando a sua devoção a Maria; rezava o terço na Capela da casa com os escravos, os mais simples, sem deixar de se retirar para o “seu” Calvário (tinha-o construído com as suas próprias mãos), pelos pátios da Pousada de Belém, onde, no dizer do seu biógrafo, “os pobres podiam encontrar pão material para o sustento do seu corpo e o pão da doutrina para alimento da sua alma”. Alguns deixaram-se seduzir pelo seu exemplo e congregou à sua volta os que julgou idóneos para dar cumprimento aos seus desejos. Com eles acerta uma vida regular de oração e austeridade que, ao trabalho com os pobres, uniam uma espiritualidade muito rica de fidelidade a Deus e vida comunitária. Assim nasceu a Ordem Betlemita, fundada na Guatemala e ainda hoje viva naqueles meios, ao serviço das pessoas mais humildes e sem lar.
Destacam os Bispos da Guatemala três caminhos na herança espiritual legada por Pedro de São José: 

a) Caminho espiritual, baseado na adoração do Verbo Encarnado, na meditação constante da paixão de Cristo, no amor e adoração ao Santíssimo Sacramento da Eucaristia, amor à Mãe de Deus e a devoção do santo Rosário, a que se juntava a prática da mortificação, da penitência e do jejum.
b) Caminho misericrdioso, caracterizado pelo amor aos pobres e a solidariedade para com todos. Para isto, não hesitou em escrever uma carta ao Rei de Espanha, pedindo autorização para construir um hospital para convalescentes, o primeiro do mundo para este género de doentes.

c) Um caminho profético, onde se descobrem os valores perenes de uma autêntica evangelização. Assim o evangelizador verdadeiro não deve condenar ninguém definitivamente, pois o plano de Deus quer a salvação de todos e que todos cheguem ao conhecimento da verdade (cf. 1 Tim 2, 4), o evangelizador propõe o plano de Deus a um mundo dominado pelo afã das riquezas, a ambição do poder e a indiferença orientada pelo prazer.

Beatificado por João Paulo II em Roma, no dia 22 de Junho de 1980, vai ser canonizado ainda pelo mesmo Sumo Pontífice, na Guatemala, em 30 deste mês de Julho.

Fizemos algumas referências à Carta Pastoral com que os Bispos da Guatemala quiseram preparar as suas comunidades para esta celebração. A Igreja presente neste país da América Central rejubila com esta jornada, que ficará na memória do seu povo cristão; com ele, alegrar-se-á também a Igreja no México, onde uma canonização e duas beatificações marcarão positivamente a sua vida. Sabemos bem que a santidade não tem fronteiras, para ela não há limites de tempo ou espaço. Graças a Deus!

Fonte:http://www.vatican.va/news_services/liturgy/saints/ns_lit_doc_20020730_betancurt_po.html

VIAGEM APOSTÓLICA À TORONTO,
À CIDADE DA GUATEMALA E À CIDADE DO MÉXICO

CANONIZAÇÃO DO BEATO IRMÃO PEDRO
DE SÃO JOSÉ DE BETANCUR

HOMILIA DO SANTO PADRE JOÃO PAULO II

Hipódromo da Cidade da Guatemala
Terça-feira, 30 de Julho de 2002

1. “Vinde, benditos de meu Pai… Em verdade vos digo: sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim mesmo o fizestes (Mt 25, 34.40). Como não pensar que estas palavras de Jesus, com as quais se concluirá a história da humanidade, possam ser adequadas também para o Irmão Pedro, que, com tanta generosidade, se dedicou ao serviço dos mais pobres e abandonados?

Hoje, ao inscrever no álbum dos Santos o Irmão Pedro de São José de Betancur, faço-o convencido da actualidade da sua mensagem. O novo Santo, levando como bagagem unicamente a sua fé e a sua confiança em Deus, atravessou o Atlântico para servir os pobres e os indígenas da América:  primeiro em Cuba, depois em Honduras e, por fim, neste abençoado solo da Guatemala, a sua “terra prometida”.

2. Agradeço cordialmente as palavras que me foram dirigidas por D. Rodolfo Quezada, Arcebispo da Cidade de Guatemala, apresentando-me a estas queridas comunidades eclesiais. Saúdo os Senhores Cardeais, os Bispos da Guatemala, o Bispo de Tenerife e todos os que vieram de outras partes do Continente americano.

Saúdo também com grande estima os sacerdotes, os consagrados, as consagradas e inclusive as religiosas de clausura. Dirijo uma saudação especial e afectuosa aos Irmãos da Ordem de Belém e às Irmãs Betlemitas, fruto da inspiração da Madre Encarnação Rosal, primeira Beata guatemalteca e reformadora da Comunidade que deu início a fundação, para recuperar os valores fundamentais dos seguidores do Irmão Pedro.

Agradeço particularmente a presença nesta celebração dos Presidentes das Repúblicas da Guatemala, El Salvador, Honduras, Nicarágua, Costa Rica, Panamá, República Dominicana, do Primeiro-Ministro de Belize e das outras Autoridades civis. Estimo também a participação neste acto da missão vinda da Espanha para esta feliz ocasião.

Desejo, de igual modo, exprimir o meu apreço e proximidade aos numerosos indígenas. O Papa não se esquece de vós e, ao apreciar os valores das vossas culturas, estimula-vos a superar com esperança as situações, por vezes difíceis, que estais a viver. Edificai o futuro com responsabilidade, trabalhai pelo progresso harmonioso do vosso povo! Mereceis todo o respeito e tendes direito a realizar-vos plenamente na justiça, no desenvolvimento integral e na paz.

3. “Fortalecidos pelo seu Espírito… Cristo habite pela fé nos vossos corações… de tal sorte que, arraigados e fundados na caridade, possais compreender… a profundidade do amor de Cristo” (Ef 3, 16-19). Estas palavras de São Paulo, que acabámos de escutar, manifestam como o encontro interior com Cristo transforma o ser humano, enchendo-o de misericórdia para com o próximo.
O Irmão Pedro foi homem de oração profunda, já na sua terra natal, Tenerife, e depois em todas as etapas da sua vida, até chegar aqui, onde especialmente na eremitério do Calvário, buscava assiduamente a vontade de Deus em todos os momentos.

Assim, ele é um luminoso exemplo para os cristãos de hoje, aos quais recorda que, para ser santo “há necessidade de um cristianismo que se destaque principalmente pela arte da oração” (Novo millennio ineunte, 32). Por isso, repito a minha exortação a todas as comunidades cristãs da Guatemala e de outros países, para que sejam autênticas escolas de oração, nas quais rezar seja a parte central de todas as actividades. Uma vida de piedade intensa produz sempre abundantes frutos.

Foi assim que o Irmão Pedro formou a sua espiritualidade, particularmente na contemplação dos mistérios de Belém e da Cruz. Se no nascimento e na infância de Jesus aprofundou o acontecimento fundamental da Encarnação do Verbo, que o levou a descobrir quase naturalmente o rosto de Deus no homem, na meditação sobre a Cruz encontrou a força para praticar heroicamente a misericórdia com os mais pequeninos e necessitados.

4. Hoje somos testemunhas da verdade profunda das palavras do Salmo que há pouco recitamos:  o justo “não teme. Distribui do que é seu, dá aos pobres; a sua prosperidade subsiste para sempre” (11, 8-9). A justiça que persiste é a que se pratica com humildade, partilhando cordialmente o destino dos irmãos, espalhando em toda a parte o espírito de perdão e misericórdia.

Pedro de Betancur distinguiu-se precisamente pela prática da misericórdia com espírito de humildade e vida austera. Sentia no seu coração de servidor a admoestação do Apóstolo Paulo:  “Tudo o que fizerdes, fazei-o de todo o coração como quem o faz pelo Senhor e não pelos homens” (Cl 3, 23). Por isso foi verdadeiramente irmão de todos os que viviam em situações de necessidade e empenhou-se com ternura e grande amor na sua salvação. É quanto sobressai nos acontecimentos da sua vida, como na sua dedicação aos enfermos do pequeno hospital de Nossa Senhora de Belém, berço da Ordem Betlemita.

Também hoje o novo Santo é um urgente convite a praticar a misericórdia na sociedade actual, sobretudo quando são tantos os que esperam que uma caridosa mão os socorra. Pensamos nas crianças e nos jovens sem casa ou sem educação; nas mulheres abandonadas com tantas necessidades para enfrentar; nas multidões de marginalizados nas cidades; nas vítimas do crime organizado, da prostituição e da droga; nos enfermos desprovidos de assistência ou nos idosos que vivem sozinhos.

5. O Irmão Pedro “é uma herança que não se deve perder, mas fazer frutificar num perene dever de gratidão e num renovado propósito de imitação” (Novo millennio ineunte, 7). Esta herança há-de suscitar nos cristãos e em todos os cidadãos o desejo de transformar a comunidade humana numa grande família, na qual as relações sociais, políticas e económicas sejam dignas do homem, e se promova a dignidade da pessoa com o reconhecimento efectivo dos seus direitos inalienáveis.

Gostaria de concluir recordando como a devoção à Santíssima Virgem acompanhou sempre a vida de piedade e de misericórdia do Irmão Pedro. Oxalá ela nos guie também a nós para que, iluminados pelos exemplos do “homem que foi caridade”, como Pedro de Betancur é conhecido, possamos alcançar o seu Filho Jesus.

Louvado seja Jesus Cristo!

No momento de dar a Bênção final, o Papa pronunciou ainda estas palavras: 

Antes de deixar este recinto, o lugar da Canonização do primeiro Santo da Guatemala e de Tenerife, desejo dizer-vos uma vez mais que me comovestes. Obrigado, muito obrigado, Guatemala, por esta fé, esta cordialidade e estas ruas tão maravilhosamente decoradas. Obrigado, porque sei que por detrás de cada cruz se encontra este coração. Sede fiéis a Deus, à Igreja e à vossa tradição católica, iluminados pelo exemplo do Santo Irmão Pedro. Guatemala, sê sempre fiel, sob a salvaguarda do Santo Cristo de Esquípulas! Guatemala, levo-te no meu coração!

Fonte:http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/homilies/2002/documents/hf_jp-ii_hom_20020730_canonization-guatemala_po.html

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