Biografia dos Santos

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Biografia de São Bernardino pelo Papa João Paulo II

MENSAGEM DO PAPA JOÃO PAULO II
AO BISPO E AOS FIÉIS DE MASSA MARÍTIMA (ITÁLIA)
POR OCASIÃO DO VI CENTENÁRIO
DO NASCIMENTO DE SÃO BERNARDINO

Venerado Irmão e caríssimos Filhos

1. Na minha recente peregrinação à terra de Abruzos tive a alegria de ajoelhar-me diante da urna que, em Aquila, conserva o corpo incorrupto de São Bernardino de Sena, o franciscano a quem a vossa Cidade se gloria de ter dado nascimento, precisamente há seis séculos, e recordei a figura e obra apostólica do vosso grande Concidadão.

Na presente circunstância, gostaria de retomar convosco o assunto então começado, com o desejo de melhor desenvolver a reflexão sobre o testemunho de fidelidade ao Evangelho, que este . insigne Santo nos deixou. Em Bernardino, está-se diante de um modelo acabado de homem, de religioso e de apóstolo, para quem a nossa época pode ainda olhar a fim de colher a indicação das oportunas soluções para os numerosos problemas que a afligem.

2. Primeiro que tudo, o homem. De mente aberta à fascinação da verdade e do bem, vivamente sensível às sugestões da beleza, Bernardino deu prova de singular riqueza de qualidades humanas, fundidas entre si num equilíbrio tão perfeito que despertavam a concorde admiração dos contemporâneos. Essa harmoniosa personalidade, por outro lado, não constituiu apenas fruto de um. feliz concurso de circunstâncias casuais. Estava na base um esforço, ascético, fundamentado numa clara visão antropológica.

O homem é imagem de Deus, proclama Bernardino seguindo a Bíblia. Como tal, deve-se conformar com Ele em todas as acções, mas sobretudo nas intenções profundas do coração (cf. S. Bernardini Senensis Opera Omnia, Quaracchi 1950-1959, vol. II, p. 300). “Deus criou todas as criaturas para o homem, e o homem para Si” repete o nosso Santo juntamente com Agostinho (cf. op. cit., p. 161). Todavia, sendo embora o mais nobre dos animais, é também o mais ingrato: “Grande é a ingratidão e a ignorância cega dos homens! Os outros animais são domesticados pelos benefícios; só os corações dos homens são endurecidos e cegados pelos benefícios de Deus” (Opera omnia, cit., vol. III, p. 347).

O homem é, por isso, criatura que, mais que as outras, tem necessidade de disciplina: “Os homens são incomparavelmente mais nobres e mais preciosos que os outros animais, mas são também os mais inclinados ao mal e mais nocivos pelos maus hábitos, e mais perturbam a paz civil; portanto com maior disciplina devem ser guardados, curados e enfreados pela justiça” (Opera omnia, cit., vol. III, p. 300). Todo o esforço humano, todavia, resultaria inútil sem o contínuo socorro da graça de Deus, “porque sem a Sua ajuda não se pode oferecer nenhuma resistência à batalha do demónio, do mundo e da carne” (cf. Prediche volgari, ed. do P. Ciro Cannarozzi, O.F.M., Firenze 1940, vol. III, p. 224).

Por sua felicidade o homem não está só nesta luta: ao lado dele está Deus, que não se cansa de oferecer-lhe o apoio da Sua mão salvadora: mão que, se às vezes fere, é todavia movida, sempre e só, pelo amor (cf. ibid., pp. 242-257).

Esta, na substância, a mensagem que Bernardino propõe aos seus ouvintes, explicando o seu conteúdo segundo as exigências específicas das diversas categorias. Dirige-se aos casados, aos jovens, aos adolescentes e às crianças, aos negociantes, aos estudantes, aos governantes, aos súbditos, aos leigos e ao clero. Fala recorrendo à Sagrada Escritura, aos exemplos dos Santos, aos ditos dos poetas; teólogos e juristas, filósofos e artistas estão sempre nos seus lábios, como testemunho do longo tirocínio cultural por ele suportado em preparação para o ministério. da pregação.

3. De não menos interesse é o testemunho que Bernardino nos oferece como religioso. Aos 22 anos, depois de uma experiência de trabalho social e caritativo com poucos outros jovens senenses, durante a peste que ia despovoando a cidade, pediu para entrar entre os Frades Menores. Escolheu o grupo que estava então renovando a Ordem, no regresso à observância rígida e austera, reflorescida em Brogliano com frei Pauluccio Trinci, de Foligno, e depois com frei Giovanni de Stroncone. A sua experiência heróica de caridade entre os empestados e a natural propensão para o cargo de “agente de paz” e de exemplar guarda da castidade entre os jovens de Sena, no Estudo da cidade e na Companhia de Santa Maria da Escada, foram o melhor bilhete de apresentação para conseguir ser recebido entre os Franciscanos.

Pelos biógrafos sabemos que principiou quase logo a dirigir os seus irmãos como Superior local e provincial, na Toscana e na Úmbria, até coroar o “serviço aos irmãos” como Vigário-Geral da Observância. Foram cerca de 300 os conventos por ele renovados ou aceitos entre os Observantes, aqui a acolá pela Itália.

Assim como na qualidade de leigo estimulara os amigos às obras de caridade e de heróica assistência social, assim também como religioso soube infundir nos Irmãos o ardor do seu zelo em seguia as pisadas do “Poverello” no caminho do radicalismo evangélico. A fascinação da sua personalidade conquistava todos os que se aproximavam dele. Quanto mais clara era a apresentação que fazia das exigências austeras da Regra, tanto maior era o fervor com que eles corriam atrás do mestre, no desejo de lhe emular as virtudes (cf. Holzapfel H., Manuale historiae OFM, Friburgi Brisgoviae, 1909, pp. 81-85).

Desta sorte, o movimento da Observância, iniciado com os irmãos leigos, toma-se com São Bernardino nova força, de espiritualidade e cultura, que estimula todo o franciscanismo a vencer as fraquezas humanas, os cansaços da rotina, e lhe favorece o reflorir com abundante número de jovens estudantes universitários, empenhados no estudo da teologia, da moral, do direito, e no apostolado popular em toda a Itália. Entre estes sobressaem os amigos íntimos de Bernardino: São João de Capestrano, São Tiago da Marca, o Beato Alberto de Sarteano e outros muitos, na Úmbria, na Toscana, nas Marcas, na Itália e fora da Itália. E “bernardinos” se chamarão os Observantes de algumas regiões da Europa, como por exemplo na minha pátria, a Polónia.

4. Bernardino, homem de êxito e religioso exemplar, fica na história da cristandade sobretudo como apóstolo. Pregador itinerante, como Cristo e como os Apóstolos, fez do púlpito a sua cátedra. Foi o maior pregador popular da época, tanto que o século XV foi definido “o século de Bernardino”. Em muitas partes da Itália central e setentrional surgem altares, oratórios e templos, erectos em memória das suas pregações e dos seus milagres. Admirado pelos simples como pelos doutos, pelos magistrados como pelos homens da Igreja, Bernardino foi pedido como Bispo em Sena, em Ferrara e em Urbino. Recusou sempre, para manter a liberdade de levar a sua palavra a toda a parte aonde fosse requerido, estando intimamente convencido de ter recebido de Deus a chamada a este ministério, e não a outro.

Pelo seu exemplo e pela sua palavra dita ou escrita, foi renovada a pregação italiana. Disso restam documentos nos volumes das suas “Prediche volgari”, feitas em Florença e em Sena, nos esquemas de sermões latinos, que ele mesmo e os discípulos recolheram ` para serviço dos outros pregadores, nas obras de teologia moral ou ascética, redigidas para a escola e para a vida dos seus Irmãos.

5. Bernardino de Sena fica na história da pregação, da teologia e da ascética, sobretudo como apóstolo do Nome de Jesus. Impressionado pela advertência de Cristo: “E tudo quanto pedirdes em Meu nome, Eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho” (Jo 14, 13), não pára de fazer-se eco da mesma: pedir ao Padre em nome do Filho é reconhecer o plano de Deus, que desejou servir-se do Verbo encarnado para nos salvar. Nós podemos e devemos santificar-nos por meio da invocação do Filho, cuja mediação nos abre o caminho de acesso ao Pai. O nome de Cristo, portanto, significa misericórdia para com os pecadores, força para vencer na luta, saúde para os enfermos, alegria e exultação para quem o invoca com devoção nas várias circunstâncias da vida, glória e honra para quantos nele têm fé, conversão da tibieza em fervor da caridade, certeza de ser ouvido para quem o invoca, doçura para quem devotamente o medita, suavidade inebriante para quem na contemplação lhe penetra o mistério, fecundidade de méritos para quem é ainda peregrino, glorificação e beatitude para quem já chegou à meta, o Nome de Jesus foi a bandeira, impugnando a qual São Bernardino enfrentou as situações mais difíceis, conseguindo triunfar delas: foi nesse Nome que ele obteve a pacificação das facções rivais, o melhoramento dos costumes, o reavivamento da fé e o incremento da prática cristã.

6. Tema fundamental da pregação do nosso Santo foi também a devoção à Virgem Maria, considerada sobretudo como Mãe de Deus é Medianeira de perdão e de graça. São Bernardino medita, saboreando-as, as páginas do Evangelho que falam de Nossa Senhora, comemora-lhe as festas, comenta-lhe os títulos, ilustra-lhe os mistérios, a começar da sua Conceição imaculada até à sua gloriosa Assunção ao Céu.

Os exemplos da sua vida oferecem-lhe o ponto de partida para sempre novas aplicações morais, que propõe às várias categorias de pessoas, mas em particular aos jovens e às jovens, com tal fervor de sentimento e vigor de palavras e de imagens, que suscita a adesão entusiasta do auditório. A todos pede com insistência que recorram confiadamente à maternal intercessão de Maria, cuja palavra tanto pode sobre o coração de Deus: “Portanto rogar-lhe-emos que peça ao seu doce Filho Jesus que, pelos seus méritos, nos dê graça neste mundo, para depois no outro nos dar a glória infinita” (Prediche volgari, cit., vol. II, p. 420).

Com esta exortação apraz-me concluir a presente Mensagem, uma vez que na assídua invocação da Virgem Santa e na generosa imitação das suas virtudes reside o segredo daquela profunda renovação de mentalidade e vida, que foi o ideal seguido coro zelo infatigável pelo vosso santo Concidadão.

Ao renovar a expressão dos sentimentos de paternal afecto que sinto por essa Comunidade, na qual se acendeu há seis séculos a estrela que devia brilhar imperecível no céu da Igreja, concedo de boa vontade, a cada um dos seus membros e ao seu venerado Pastor, a minha Bênção Apostólica, propiciadora de todos os desejados dons divinos.

Do Vaticano, a 7 de Setembro do ano de 1980, segundo de Pontificado.

JOÃO PAULO PP. II

Fonte:http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/speeches/1980/september/documents/hf_jp-ii_spe_19800907_massa-marittima_po.html

VISITA PASTORAL DO SANTO PADRE À REGIÃO DOS ABRUZOS

ENCONTRO COM OS JOVENS EM FRENTE
AO SANTUÁRIO DEDICADO
A NOSSA SENHORA DA CRUZ NO MONTE ROIO

DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II

Sábado, 30 de Agosto de 1980

Caríssimos jovens de Áquila, dos Abruzos e do Molise

1. Manifesto-vos antes de mais a minha grande alegria ao encontrar-me convosco, junto deste célebre Santuário dedicado a Maria Santíssima.

Preparastes-vos para a visita do Papa percorrendo esta manhã a “Via Mariana”, monumento de fé e piedade mandado construir pelo Cardeal Carlo Confalonieri, quando era Arcebispo de Áquila, e, parando nas respectivas 15 capelas, meditastes os mistérios do Rosário.

Agradeço-vos de coração esta iniciativa espiritual, como também a vossa presença tão devota, alegre e numerosa; saúdo-vos a todos com particular afecto. Pretendo também, neste momento, apresentar a minha reconhecida e fraternal saudação ao Cardeal Decano, ao Cardeal Corrado Bafile, filho desta cidade, e a todos os Bispos da Conferência Episcopal dos Abruzos, que desejaram estar presentes convosco neste significativo encontro.

Vim à vossa terra para honrar de modo especial São Bernardino de Sena, no VI centenário do nascimento. Vim para ver-vos também a vós, caros jovens, para vos falar, para vos ouvir, para travar convosco uma amizade mais cordial e concreta, para vos fixar nos olhos como fazia Jesus, e para vos deixar uma mensagem que seja para vós vincada recordação e compromisso programático.

E vós viestes de encontro ao Papa com a vossa alegria, a vossa bondade, a vossa vivacidade e também com as vossas ansiedades e as vossas interrogações: viestes para escutar a sua voz e para rezar com ele. Agradeço-vos ainda esta vossa gentileza e disponibilidade.

2. Reflectindo agora um momento convosco sobre a figura de São Bernardino, desejo propor-vos algumas indicações que vos possam servir como programa de vida, seguindo as pisadas do grande santo.

Aprendei, primeiro que tudo, de São Bernardino o valor essencial do conhecimento de Jesus.

Conheceis a vida de São Bernardino: ficando órfão desde tenra idade, foi educado em Sena numa profunda e esclarecida fé cristã, de maneira que ele, atingida a juventude, desejou consagrar-se totalmente a Jesus na vida religiosa e sacerdotal, para dedicar-se de modo essencial a tornar conhecido, ao maior número de irmãos, Cristo amigo e redentor.

Ordenado sacerdote na Ordem de São Francisco, por não menos de 12 anos quis ainda estudar e recolher material bíblico, teológico, moral, ascético e místico, para estar bem preparado a desempenhar de modo digno e satisfatório a sua missão de pregador. Em 1417, começando de Génova, partiu para a sua vasta e intensa obra, percorrendo o Norte e o Centro da Itália, anunciando a todos com ardor e com paixão o amor de Cristo e difundindo em toda a parte a devoção ao Nome de Jesus, especialmente sob o símbolo “IHS”: Iesus Hominum Salvator. São Bernardino foi grande enamorado de Jesus e gastou toda a vida a fazer conhecer e amar o Divino Salvador, como demonstram os seus ainda actuais sermões em latim e em língua vulgar.

Caríssimos! Como o jovem Bernardino, procurai conhecer Jesus de modo autêntico e completo. Aprofundai o conhecimento d’Ele para entrardes na Sua amizade. O conhecimento de Jesus, ele só, vos pode dar a verdadeira alegria, não a egoísta e superficial; é o conhecimento de Jesus que rompe a solidão, ultrapassa as tristezas e as incertezas, dá o verdadeiro significado à vida, refreia as paixões, sublima os ideais, expande as energias na caridade, e nas escolhas decisivas ilumina. Assim se lê na Imitação de Cristo: “Quando está presente Jesus, tudo é bom e nada parece difícil; quando está ausente Jesus, tudo se torna pesado. Quando Jesus não fala interiormente, a consolação de nada vale; se, pelo contrário, Jesus diz mesmo que seja uma só palavra, sente-se grande consolação… Que te pode dar o mundo sem Jesus? Estar sem Jesus é insuportável inferno, e estar com Jesus doce paraíso. Se Jesus estiver contigo, não há inimigo nenhum que te possa causar dano” (L. II, VIII, 1-2).

Também a vós digo o que disse aos jovens de Paris: “Jesus não é só irmão para nós, amigo, homem de Deus. Nós reconhecemos n’Ele o Filho unigénito de Deus, aquele que é uma coisa só com Deus Pai e que o Pai deu ao mundo… Deixai que seja para vós Cristo, o Caminho, a Verdade e a Vida. Deixai que seja a vossa salvação e a vossa felicidade. Deixai que tome conta da vossa vida inteira para que ela atinja com Ele todas as suas dimensões, de maneira que todas as vossas relações, actividades, sentimentos e pensamentos sejam integrados n’Ele, poder-se-ia dizer ‘crucificados’ ” (1° de Junho de 1980).

Como desejava São Bernardino, esteja escrito o nome de Jesus nos vossos pensamentos, torne-se palpitação do vosso coração, jorre honrado e abençoado dos vossos lábios: Jesus é o amigo que não atraiçoa, que vos ama e quer o vosso amor. Seja vosso firme propósito conhecê-1’O cada vez melhor mediante a leitura do Evangelho, o estudo de obras apropriadas, as reflexões sobre as biografias dos santos e sobre as experiências dos convertidos.

Aprendei depois de São Bernardino a viver com coerência a vossa fé cristã. De facto, não basta o conhecimento de Jesus; é necessário ser-se coerente na vida com as ideias professadas.

Esse santo teve de viver numa época difícil e até mesmo desconcertante: a Itália era então cristã sem dúvida, mas infelizmente na prática vivia-se pouco cristãmente. Eram tempos perturbados, tumultuosos, densos de inquietações e contestações na vida civil e também no interior da Igreja. Sobretudo vigorava uma penosa situação de injustiça social, de ódio e de inimizades entre família e família, entre cidade e cidade. São Bernardino não se assustou nem com os tempos nem com os homens: espírito inteligente e prudente, compreendeu logo que era necessário vencer o mal semeando o bem, e organizou a sua pregação e o seu ministério como luta encarniçada e continua contra o pecado, chamando os cristãos, leigos e sacerdotes, humildes e poderosos, patrões e trabalhadores, à coerência de vida. A sua eloquência era viva e alegre, mas também cortante e inexorável, e com intrépida coragem enfrentou o mal em toda a parte, fustigando vícios e defeitos, sem poupar ninguém, exortando à conversão e à penitência, convidando ao perdão e à paz. Sabia ser humorista e irónico quando necessário, e nos seus sermões deixou-nos saborosos e transparentes esboços da vida do tempo.

O humanista Maffeo Vegio, seu contemporâneo, narra que os fiéis se aproximavam em tão grande número dos sacramentos, que às vezes não se encontravam sacerdotes suficientes para confessar e administrar a Eucaristia.

Eis, caros jovens, a segunda insistente exortação: sede coerentes! A fé cristã, a nossa mesma dignidade e a expectativa do mundo actual exigem essencialmente este compromisso de coerência. E a primeira fundamental expressão de coerência é a luta ao pecado, isto é, o esforço constante e até heróico de viver em graça. Infelizmente vivemos numa época em que o pecado se tornou precisamente uma indústria que produz dinheiro, movimenta planos económicos e dá bem-estar. Tal situação é certamente impressionante e terrível. Todavia, é necessário não nos deixarmos nem atemorizar nem oprimir: qualquer época exige do cristão “coerência”. E por isso, mesmo na sociedade actual, envolvida por uma atmosfera laica e permissiva, que pode tentar e engodar, vós, jovens, mantende-vos coerentes com a mensagem e a amizade de Jesus; vivei na graça, permanecei no Seu amor, pondo em prática toda a lei moral, alimentando a vossa alma com o Corpo de Cristo, usufruindo periódica e seriamente do Sacramento da Penitência.

Por fim, aprendei de São Bernardino a coragem do testemunho. Na verdade, ele foi testemunha decidida e intrépida de Cristo. Mais, ainda antes, no tempo da adolescência, tinha sido exemplo entre os jovens de Sena; e em 1400, quando rebentou a terrível peste, com doze amigos não teve medo de dedicar-se a ajudar os pobres enfermos, com risco da própria vida.

Sede corajosos vós também! O mundo precisa de testemunhas, convictas e intrépidas. Não basta discutir, é preciso actuar. Transforme-se a vossa coerência em testemunho, e a primeira forma de tal esforço seja a “disponibilidade”. Senti-vos, como o Bom Samaritano, sempre disponíveis a amar, a socorrer e a ajudar, na família, no trabalho e no divertimento, com os vizinhos e com os de longe. Ajudai também os vossos sacerdotes nas várias actividades paroquiais; ajudai os vossos Bispos. Reflecti também, com seriedade e generosidade, se o Senhor não chama também algum de vós à vida sacerdotal, religiosa e missionária. O vosso Seminário espera cada ano com ansiedade e confiança que algum entre para iniciar a formação própria do Sacerdócio. No mundo de hoje, faminto de Cristo e do Seu Evangelho, há necessidade do vosso testemunho.

3. Termino confiando-vos à Virgem Maria, de quem São Bernardino de Sena foi devotíssimo e que, pode dizer-se, ele cada dia andou anunciando pela Itália. Ficando órfão de mãe, quis escolher como mãe Nossa Senhora e a ela sempre dirigiu o seu afecto, nela sempre confiou totalmente. Ele, pode afirmar-se, tornou-se o cantor da beleza de Maria e pregando com inspirado amor a sua Mediação, não receou afirmar: “Toda a graça que é dada aos homens, procede de uma tríplice ordenada causa: de Deus passa a Cristo, de Cristo passa à Virgem, pela Virgem é dada a nós” (Sermo VI in festis B. V. M. De Annun. a. 1, c. 2).

Dirigi-vos cada dia com confiança e com amor a ela, e pedi-lhe a graça da beleza da vossa alma e da vossa vida, daquilo que unicamente vos pode tornar felizes.

Com estes votos, invocando a intercessão de São Bernardino, concedo-vos a Bênção Apostólica, que sempre vos acompanhe como sinal do meu intenso afecto.

Fonte:http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/speeches/1980/august/documents/hf_jp-ii_spe_19800830_giovani-laquila_po.html

Biografia de bernardino de Sena por Felipe Aquino

Taquigrafadas com um método de sua invenção por um discípulo, as Prédicas populares de são Bernardino de Sena chegaram até nós com toda a naturalidade e o estilo rápido e colorido com que eram pronunciadas nas várias praças italianas. Relendo-as hoje percebe-se a atualidade dos temas entre os quais os mais freqüentes eram aqueles sobre a caridade, humildade, concórdia e justiça. Fustigava a avareza dos novos ricos, mercadores, banqueiros, usuários etc. Comparava-os a pássaros sem asas, incapazes de levantar o vôo um palmo acima de suas coisas: “Eu bem sei que as coisas que tu tens, não são só tuas, mas Deus tas deu para suprir as necessidades do homem: não são do homem, mas para as necessidades do homem.”

Tinhas palavras duríssimas para os que “renegam a Deus por uma cabeça de alho” e pelas “feras de garras compridas que roem os ossos dos pobres.” Se você tem bastante coisa e não tem necessidade e não a distribui e morre você irá para a casa quente.” “Ó você que tem muito agasalho mais do que tem a cebola, recubra a carne do pobre, quando o vê tão maltrapilho e nu, pois a carne dele e a sua são a mesma carne.” Recorria a exemplos familiares como o da cebola conservada com as folhas juntas para inculcar a necessidade da união e da concórdia.

Até depois de sua morte, na cidade de Áquila em 1444, são Bernardino continuou a sua obra de pacificação. De fato chegou moribundo a esta cidade e não pôde fazer o curso de prédicas que tinha programado. Persistindo a luta entre as facções, seu corpo dentro do caixão começou a sangrar como uma fonte e o fluxo parou somente quando os cidadãos de Áquila se reconciliaram. Em reconhecimento foi decretada a construção de um magnífico monumento sepulcral realizado depois por Silvestre di Giacomo.

São Bernardino, canonizado em 1450, isto é somente seis anos após a morte, tinha nascido em 1380 em Massa Marítima da nobre família senense dos Albozzeschi. Ficou órfão de pai e mãe ainda muito jovem e foi criado em Sena por duas tias. Freqüentou a universidade de Sena até aos 22 anos, quando abandonou a vida mundana para vestir o hábito franciscano. Dentro da Ordem tornou-se um dos principais propugnadores da reforma dos franciscanos observantes. Arauto da devoção ao nome de Jesus, fazia incidir o monograma “JHS” sobre tabuinhas de madeira que dava para o povo beijar no fim do discurso. São Bernardino é o patrono dos publicitários italianos.

http://www.cleofas.com.br/virtual/texto.php?doc=SANTODIA&id=scd0140

Sabedoria de Bernardino de Sena

“Toda graça que é comunicada a esta terra passa por três ordens sucessivas. De Deus é comunicada a Cristo, de Cristo à Virgem, e da Virgem a nós” (S. Bernardino de Sena, Sermo VI in Festis B. M. V., De Annunciatione, a. 1, c. 2).

Em 1417, começando de Génova, partiu para a sua vasta e intensa obra, percorrendo o Norte e o Centro da Itália, anunciando a todos com ardor e com paixão o amor de Cristo e difundindo em toda a parte a devoção ao Nome de Jesus, especialmente sob o símbolo “IHS”: Iesus Hominum Salvator. São Bernardino foi grande enamorado de Jesus e gastou toda a vida a fazer conhecer e amar o Divino Salvador, como demonstram os seus ainda actuais sermões em latim.

…Foi o inventor e o propagador do trigrama IHS (Ihesus), que mandou pintar a ouro sabre tabuletas, com a toda a volta raios, a que atribuía particulares significados simbólicos. Com este meio, Frei Bernardino difundiu, por onde quer que passou, a devoção ao Santíssimo Nome de Jesus, já praticada em mosteiros e conventos há séculos, mas que agora se tornava um bem comum do povo cristão.

Ainda hoje sobre as portas de muitas igrejas e muitas casas, como também de antigos palácios públicos, em muitas cidades da Itália, se vêem esculpidos estes brasões com o Nome de Jesus.

Quanto desejaria que a celebração do centenário bernardiniano contribuísse também, e mesmo sobretudo, para isto: para fazer voltar o Nome de Jesus, como sinal da fé e da vida cristã das famílias, à porta de casa, no interior, tanto na Itália como nos outros Países. Peço-o aos pais e às mães de família, mas também aos jovens que estimo e amo, especialmente aos jovens casais: levai de novo o Nome de Jesus às vossas casas. Repito-vo-lo com as palavras mesmas de São Bernardino: “O nome de Jesus colocai-o nas vossas casas, nos vossos quartos e conservai-o no coração” (Quaresimale di Firenze, 1425, in Le prediche volgari, Firenze 1940, II, 190 ss.).

6. São Bernardino teve, no seu tempo, a intuição de o mistério de Jesus, “Caminho, Verdade e Vida” (Jo 14, 6), encerrado no Seu Nome, que significava salvação, ser o anúncio de que tinham necessidade os homens de então, como os de sempre, e por isso se dedicou à pregação do Evangelho sob este santo sinal: “refúgio dos penitentes, bandeira dos combatentes, remédio dos fracos, conforto dos que sofrem, honra dos crentes, esplendor dos evangelizantes, mérito dos que trabalham, auxílio dos inconstantes, suspiro dos meditantes, deferimento dos orantes, gosto dos contemplativos e glória dos triunfantes”.

É a explicação dada por Frei Bernardino dos doze raios dourados que nas suas tabuletas circundam o trigrama “IHS” (cf. De glorioso nomine Jesu Christi; Sermo 49, Opera, II, N. 293-302), subdivididos segundo a tríplice classificação tradicional dos imperfeitos, dos proficientes e dos perfeitos na vida espiritual. Mas aquele sinal simbólico traduzia a descoberta que fizera de um Cristo que leva a todos os homens, em todos os tempos e em todas as condições da vida, uma mensagem salvífica de valor universal.

Assim o Nome de Jesus tornou-se assunto vivo e vivificante na sua pregação para os homens do século XV, e era chama acesa também sobre toda a auréola dos preceitos de ordem moral, para os quais o Santo chamava os indivíduos, as famílias e a sociedade.

Até a moral cristã encontrava nova força persuasiva e plasmadora, porque se tornava expressão e irradiação de Cristo, Mestre de vida.

Também para nós se trata de receber de são Bernardino a mensagem sobre Cristo da Nova e Eterna Aliança, renovador de todas as coisas (cf. Apoc. 21, 5), vivificador do homem em todas as dimensões da sua existência.

Fonte: http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/speeches/1980/august/documents/hf_jp-ii_spe_19800830_giovani-laquila_po.html

http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/speeches/1980/september/documents/hf_jp-ii_spe_19800907_massa-marittima_po.html

Fonte: http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/homilies/1980/documents/hf_jp-ii_hom_19800830_laquila_po.html


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