Biografia dos Santos

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1. O Milagre de Lanciano (sec.VIII)

Em Lanciano (Itália), por volta do ano de 750, Jesus quis dar uma prova da sua presença real na Eucaristia. Os antigos documentos e a contínua tradição, relatam que no mosteiro de São Legonciano, onde habitavam os monges de São Basílio (hoje igreja de São Francisco), vivia um monge não muito firme na fé que, embora letrado nas ciências do mundo, ignorava as de Deus. Dia após dia, andava cada vez mais incerto, se na Hóstia consagrada estava o verdadeiro Corpo de Cristo, assim como no vinho o verdadeiro Sangue de Cristo. Todavia, ele suplicava constantemente a Deus que lhe tirasse do coração aquela chaga que lhe estava envenenando a alma. O Pai de misericórdia comprazeu-Se em tirá-lo de tal obscuridade.

Uma manhã, durante a celebração da Missa, depois de ter proferido as santíssimas palavras da consagração, o monge encontrava-se mais do que nunca mergulhado nas dúvidas. De repente, viu o pão transformar-se em Carne e o vinho em Sangue. Aterrorizado e confuso, ficou bastante tempo como que em êxtase e, finalmente, como o rosto cheio de alegria, ainda banhado de lágrimas, virando-se para os circunstantes, disse: ‘O bendito Deus, para confundir minha incredulidade, quis desvelar-Se neste Santíssimo Sacramento e tornar-Se visível aos nossos olhos: Vinde irmãos, e contemplai. Eis a Carne e o Sangue do nosso diletíssimo Cristo!. As pessoas que participavam na Missa, dando-se conta do milagroso acontecimento, começaram a verter lágrimas e suplicavam misericórdia. Rapidamente se difundiu por toda a cidade a fama de tão raro e singular milagre.

O Bispo, percebendo a importância deste fato prodigioso, ordenou que aquela Carne e aquele Sangue fossem…amavelmente guardados. Ainda hoje, passados quase 1300 anos, a Carne e o Sangue conservam-se incorruptos. No ano de 1970, o bispo de Lanciano tomou a decisão de submeter estas “relíquias eucarísticas” a um exame científico. O delicado estudo foi confiado ao Prof. Linoli,livre-docente em Anatomia e Histologia Patológica e em Química e Microscopia Clínica, exercendo também o cargo de médico-chefe do Hospital de Arezzo. As conclusões a que o Prof. Linoli chegou na sua laboriosa investigação, foram oferecidas ao público no dia 4 de Março de 1971. Estas podem-se resumir nos seguintes pontos:

1)A Carne do Milagre Eucarístico é verdadeira carne e o Sangue é verdadeiro sangue;
2)O Sangue e a Carne pertencem à espécie humana;
3)A Carne é constituída por tecido muscular do coração (miocárdio);
4)O grupo sanguíneo resultou idêntico tanto na Carne, como no Sangue (grupo AB);
5)No Sangue demonstraram-se as proteínas fracionadas nas relações percentuais que apresentam aproximações ao traçado sérum-proteico do sangue fresco normal;
6)No Sangue foram encontrados os minerais: fósforo, potássio, sódio, cloretos, cálcio e magnésio.

A conservação das proteínas e dos minerais é absolutamente excepcional. É sabido que o sangue tirado de um cadáver não pode ter as características encontradas no Sangue no Milagre de Lanciano.

No ano de 1973, a Organização Mundial de Saúde (OMS) nomeou uma comissão cientifica para verificar este estudo. As conclusões coincidiram completamente com as do Prof. Linoli. Portanto, a Carne é um tecido vivo que pertence a um coração humano e o Sangue não é apenas incorrupto, mas é fresco, ou seja apresenta as características do sangue de uma pessoa viva.

2. O Milagre de Ferrara (ano de 1171)


Em Ferrara (Itália), na Basílica de Santa Maria em Vado, conservam-se os traços do milagre do sangue jorrado por uma Hóstia consagrada, acontecido no domingo de Páscoa, no dia 28 de Março de 1171.

Durante a Missa, jorrou da Hóstia fracionada, um jato de sangue que atingiu até as paredes em volta do altar. Algumas testemunhas afirmaram ter visto que a própria Hóstia assumia também uma cor sanguínea. Outras referiram ter visto de uma criança no lugar da Hóstia. De qualquer modo, a presença de traços de sangue em cima e à volta do altar é um fato inegável, como ainda hoje pode observar no interior da Basílica de Santa Maria.

3.A Hóstia transforma-Se em carne sangrenta – Roma (Sec. VI – VII)

O milagre aconteceu num domingo, enquanto o Sumo Pontífice, São Gregório Magno, celebrava a Missa na Basílica de São Pedro (Itália). No momento da Comunhão, uma senhora romana da classe alta, aproximou-se do altar. O Papa, ao colocar-lhe a Hóstia nos lábios, pronunciou as palavras do ritual: ‘O Corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo te sirva para a remissão dos pecados e te conduza à vida eterna.’ Na cara da senhora apareceu, porém, uma espécie de riso incrédulo. Então, São Gregório tirou-lhe a Hóstia e deu-A ao diácono,para que A colocasse no altar até o fim da Comunhão dos fiéis.

Quando a celebração acabou, o Pontífice voltou-se com um ar sério para aquela senhora e disse-lhe: ‘Diz-me, o que te passou pela cabeça quando te riste, enquanto eu estava a darte a Sagrada Comunhão?’ A mulher respondeu: ‘O pão…o pão que me apresentava não era o mesmo que eu própria tinha preparado e trazido para a oblação?…O Pontífice convidou então todos os presentes a rezar ao Senhor para vencer a incredulidade daquela senhora.

Depois voltou para o altar. Naquele momento, perante a indescritível emoção geral, a Hóstia que o diácono tinha colocado sobre o altar, transformou-Se, aos olhos de todos, na carne de Cristo. Quando a cética senhora constatou a presença real do Corpo do Senhor, a Hóstia voltou a assumir a aparência de pão, à excepção de uma pequena parte, a qual ficou manchada de sangue. Esta conserva-Se guardada ainda hoje, na vila de Andechs, na Baviera.

4. O Milagre de Santa Clara de Assis (ano de 1240)

Durante a tormenta que a Igreja sofreu em diversas partes do mundo sob o Imperador Frederico, o vale de Espoleto teve que beber muitas vezes o cálice da ira. Por ordem do Imperador, aí se estabeleceram, como enxames de abelhas, esquadrões de cavalaria e arqueiros sarracenos, despovoando castelos e aniquilando cidades. Quando o furor do inimigo se dirigiu uma vez contra Assis, cidade predileta do Senhor, o exército já estava chegando perto das portas, e os sarracenos, gente péssima, sedenta de sangue cristão e desavergonhadamente capaz de qualquer crime, entraram no terreno de São Damião e chegaram até dentro do próprio claustro das Irmãs. O coração das senhoras derretia-se de terror. Tremendo para falar, levaram seus prantos à madre. Corajosa, ela mandou que a levassem, doente, para a porta, diante dos inimigos, colocando à sua frente uma caixinha de prata revestida de marfim, onde guardavam com suma devoção o Corpo do Santo dos Santos. Toda prostrada em oração ao Senhor, disse a Cristo entre lágrimas: “Meu Senhor, será que quereis entregar inermes nas mãos dos pagãos as vossas servas, que criei no vosso amor? Guardai Senhor, vos rogo, estas vossas servas a quem não posso defender neste transe”.

Logo soou em seus ouvidos, do propiciatório da nova graça, uma voz de menininho:”Eu sempre vos defenderei. Ela disse: “Meu Senhor, protegei também, se vos apraz, a cidade que nos sustenta por vosso amor.” E Cristo: “Suportará padecimentos, mas será defendida por minha força.” Então a virgem ergueu o rosto em lágrimas, confortando as que choravam: “Garanto, filhinhas que não vão sofrer mal nenhum. É só confiar em Cristo.” Não demorou. De repente, a audácia daqueles cães se retraiu e assustou. Saíram rápidos pelos muros que tinham pulado, derrotados pela força da oração.

5. O Milagre de Santo Antônio em Rímini (ano de 1227)

Santo Antônio, durante uma pregação na cidade de Rimini (Itália), foi envolvido numa disputa com uns hereges, que negavam a presença real de Jesus na Eucaristia e que pretendiam ver uma prova irrefutável disso.

Um dos hereges, de nome Bonovillo, disse-lhe: ‘Não acredito que a Hóstia seja o Corpo de Cristo! Mas quero desafiar-te, ó frade: se a minha mula se ajoelhar diante da Hóstia, então acreditarei’. ‘Aceito o desafio’ – respondeu Santo Antonio – ‘Daqui a três dias, trarás a mula a esta mesma praça, diante do povo. Eu trarei a Eucaristia e o animal ajoelhar-se-á diante do Pão consagrado.’

O herético aceitou, dizendo: ‘Está bem. Vou manter a mula fechada e em jejum estes três dias. Depois trazê-la-ei aqui, à presença de todos os habitantes, e apresentar-lhe-ei a cevada.

E tu apresentar-lhe-ás a Hóstia, que dizes que é o Corpo do Homem-Deus. Se a mula ignorar a cevada e se ajoelhar diante da Hóstia, far-me-ei católico’. Santo Antônio retirou-se para o convento e durante aqueles dias dirigiu-se ao Senhor com a oração e o jejum. No dia estabelecido, Santo Antônio apresentou-se com o Santíssimo Sacramento. À vista do Santo que avançava, um profundo silêncio estendeu-se por toda aquela multidão. Então Santo Antônio, em voz alta ordenou à mula: ‘Em nome do teu Criador, que trago vivo, verdadeiro, real e substancial nas minhas mãos, embora indignamente, ordeno-te, ó mula, que venhas já ajoelhar-te diante d´Ele, a fim de que estes hereges reconheçam que toda a criação é submissa e obediente ao Cordeiro que Se imola sobre os nossos altares’. O herético suava frio, gritando com a besta e tentando-a com o seu alimento preferido. Mas o animal, recusando a cevada do patrão, aproximou-se docilmente do religioso: dobrou as patas anteriores diante da Hóstia e assim ficou. O herético veio então lançar-se aos pés de Santo Antônio, confessando publicamente o seu erro e, a partir daquele dia, tornou-se um dos mais zelosos colaboradores do Santo. Toda a sua família entrou também com ele no seio da verdadeira Igreja e ele, no ardor do seu reconhecimento para com Deus, fundou com o seu dinheiro uma igreja dedicada ao Príncipe dos Apóstolos, São Pedro.

6. O Milagre de Alatri (ano de 1228)

Na vila italiana de Alatri, na Basílica de São Paulo Apóstolo, conserva-se ainda hoje a relíquia do milagre eucarístico dito “da Hóstia Encarnada”, acontecido em 1228. A história do prodigioso acontecimento foi-nos transmitida por um documento de grande autoridade: a Bula Papal “Fraternitatis tue”, de 13 de Março de 1228, de Gregório IX: “Gregório, Bispo, servo dos servos de Deus, ao Venerável Irmão Bispo de Alatri, saúde e bênção apostólica. Recebemos a tua carta, irmão caríssimo, que nos informava de uma certa jovem que, sugestionada pelo mau conselho de uma senhora maléfica, depois de ter recebido das mãos do Sacerdote o sacratíssimo Corpo de Cristo, O reteve na boca até ao momento em que, achada a ocasião favorável, O pôde esconder num pano. Passados três dias, encontrou o mesmo Corpo, que tinha recebido em forma de pão, transformado em Carne, como ainda hoje podemos constatar com os nossos próprios olhos.

7. O Milagre de Bolsena (ano de 1263)

Na igreja de Santa Cristina, em Bolsena (Itália), aconteceu em 1263 o milagre eucarístico do corporal ensanguentado, que ainda hoje se conserva na Sé de Orvieto. No tempo em que o Papa Urbano IV residia em Orvieto, com sua Cúria, um Sacerdote alemão, que voltava de uma peregrinação em Roma, parou em Bolsena para celebrar a Santa Missa sobre o túmulo de Santa Cristina. Era um sacerdote fiel, e zeloso, mas encontrava-se atormentado por dúvidas acerca da presença real de Cristo na Eucaristia. Enquanto ele celebrava a Missa e tinha nas mãos a Hóstia sobre o cálice, aconteceu uma coisa maravilhosa, capaz de fazer espantar todas as gerações. De repente, aquela Hóstia apareceu, de modo visível, como carne viva que deixava cair gotas de sangue sobre o corporal, mas sem manchar as mãos do Sacerdote.Um purificador, que servia para a purificação do cálice, ficou também banhado por aquela profusão de sangue. Ao ver o milagre, o Sacerdote que antes duvidava, confirmado na fé, ficou espantado e guardou tudo cuidadosamente. Tinha um único desejo: contar rapidamente ao Santo Padre, tudo aquilo que se tinha passado.

O Papa ficou cheio de grande admiração. Mandou um Bispo acompanhado por eminentes teólogos até Bolsena para constatar o fato, mas antes que a delegação voltasse com os resultados da investigação, foi ele mesmo, com a corte pontifícia, ao encontro dos seus delegados. Estando na presença da Hóstia e do corporal ensangüentado, ajoelhou-se, e depois levou-os em procissão até o Orvieto, onde, no meio de uma emoção geral, mostrou ao povo o corporal manchado de sangue. O purificador, os panos e os véus que envolviam o corporal e a Hóstia foram colocados num lugar digno e seguro. Em Bolsena, ainda hoje se conservam algumas pedras sobre as quais caíram algumas gotas de sangue. Foi esta a primeira procissão do “Corpo de Deus”. De fato, a solenidade do “Corpus Dómini” foi instituída pelo Papa Urbano IV, um ano depois do milagre, em 1264.

Durante o Ano Santo de 1950, o Papa Pio XII quis venerar o Preciosíssimo corporal manchado por 83 gotas de sangue. Por isso, a relíquia foi levada a Roma e exposta solenemente na Basílica de São Pedro, e levada depois em procissão na solenidade do Corpo de Deus. (p.58-59)

8. O Santíssimo Milagre de Santarém (ano de 1274)

Em Santarém, vivia uma mulher à qual as infidelidades do marido tomavam a vida insuportável. Não agüentando mais esta situação foi consultar uma bruxa, suplicando-lhe que a ajudasse. Esta assegurou-lhe que todas as suas dificuldades iriam desaparecer, mas a condição era que a mulher lhe trouxesse uma Hóstia consagrada. Depois de muita hesitação, a mulher resignou-se a cometer o horrível sacrilégio. Foi receber a Santa Comunhão na igreja de Santo Estêvão e depois de ter recebido a Hóstia, envolveu-a discretamente no seu véu. Enquanto se afastava rapidamente da igreja para ir ao encontro da bruxa, começaram a cair gotas de sangue do véu. A mulher não se deu conta, mas as pessoas que passavam por ela pararam-na e perguntaram-lhe porque é que ela estava a perder tanto sangue. Confusa e perplexa, a mulher voltou para a sua casa e escondeu o véu e a Hóstia num cofre de madeira. O marido, ausente durante o dia, voltou no final da tarde.

Nessa mesma noite, os dois esposos foram despertados por misteriosos raios de luz que saíam do cofre e iluminavam todo o quarto, como se fosse dia. A mulher desnorteada contou tudo ao marido e confessou sua culpa. Ambos passaram a noite inteira de joelhos em adoração. Na manhã seguinte, foi informado o Prior, o qual decidiu levar em procissão até à Igreja de Santo Estêvão, a Hóstia milagrosa e o véu manchado de Sangue. Nessa igreja, “o Santíssimo Milagre” foi guardado por cem anos numa magnífica custódia de cera, que deixava entrever as relíquias do milagre. De seguida, estas foram depositadas numa âmbula de vidro, encaixada numa custódia de prata com uma entrada tão estreita que todos pensavam que tivesse sido uma mão angélica a introduzi-las lá dentro.

E os fatos prodigiosos continuam. A imagem de Jesus foi vista muitas vezes na âmbula, aparecendo em diferentes modos, segundo o estado da alma daqueles que a contemplavam. Assim as crianças e as almas fervorosas viram-nO como um menino; a outros, apareceu preso à coluna, ou como na flagelação; alguns pecadores viram-nO coroado de espinhos e vacilando debaixo da Cruz, ou então crucificado; outros ouviram-nO a dar conselhos e admoestações. A cidade de Santarém desde então é chamada a cidade do Santíssimo Milagre e tem, sem dúvida, a missão de ser uma cidade eucarística.

9. O Milagre de Cássia (ano de 1330)

A vila italiana de Cássia recorda-nos Santa Rita, a santa dos casos impossíveis. Mas poucos sabem que num mosteiro de Santa Rita está guardada uma célebre relíquia eucarística, testemunha de um milagre acontecido perto da cidade de Sena no ano de 1330. Um dia, um Sacerdote da cidade de Sena, que prestava o seu ministério também numa pequena aldeia rural, foi chamado por um camponês gravemente doente, que queria receber os sacramentos.

O Sacerdote disturbado a uma hora incômoda, arrastou-se para a igreja, abriu o Sacrário e, para não ter o trabalho de vestir as paramentações e procurar um relicário,pegou a Hóstia e colocou-A como uma pagelinha qualquer de pouco valor, entre as páginas do ser breviário (livro da liturgia das horas). Evidentemente, este foi um gesto que revelou a sua falta de respeito e talvez a sua fé enfraquecida na Eucaristia.

Junto à cabeceira do enfermo, e depois de o ter confessado, o Sacerdote abriu o breviário para tirar lá a Hóstia e dá-la a comungar. Mas para seu grande espanto, descobriu que a Hóstia Se tinha derretido, transformando-Se num coágulo de sangue. Profundamente desconcertado, fechou imediatamente o livro, meteu-o debaixo do braço e saiu a correr dizendo que voltaria depois. Foi a Sena e apresentou-se no Convento de Santo Agostinho, onde estava a pregar o Beato Simão Fidati, homem muito culto e Santo, ao qual contou o acontecimento e confessou o seu pecado.

O Beato Simão, antes de lhe dar a absolvição, quis ver o breviário manchado de sangue e pediu para ficar com ele. Uma das duas páginas manchadas de sangue foi doada pelo Beato a um Convento dos Agostinianos (hoje não se encontra esta relíquia). A segunda página, aquela à qual a Hóstia derretida e sangrenta aderiu, foi levada por ele para Cássia, a sua terra natal. É por isso que atualmente se encontra no Mosteiro de Santa Rita.

10. O Milagre de Bagno de Romagna (ano de 1412)

No anos de 1412, o Padre Lázaro de Veneza (Itália) era Prior do mosteiro dos Camaldolenses. Um dia, enquanto celebrava a Missa na igreja de Santa Maria de Bagno de Romagna,chegado o momento da consagração, pôs-se a pensar no mistério eucarístico e foi tomado pelas já conhecidas tentações: ou seja, se, sob espécies consagradas, se encontraria realmente vivo e verdadeiro Jesus, com o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade. E eis que o Vinho consagrado no cálice, perdido o aspecto de vinho, assumiu de repente as aparências do sangue, e espumando, quase como vivo, subiu até o bordo do cálice e trasbordou, banhando o corporal.

O Prior celebrante,com as lágrimas nos olhos, proclamou que aquele milagre,prova incontestável da verdade da presença real de Jesus no Sacramento do altar, tinha sido querido pela divina misericórdia para dispersara dúvidas e tentações.

Este corporal milagroso conserva-se ainda hoje na igreja de Santa Maria em Bagno de Romagna e é objeto da máxima veneração dos fiéis, que, uma vez por ano, no dia do “Corpo de Deus” o levam em procissão pela cidade. (p.64)

11. O Milagre de Turim (ano de 1453)

Entre as manifestações eucarísticas milagrosas, é célebre o milagre acontecido em Turim (Itália), a 6 de Junho de 1453. Durante uma guerra entre o Reino de França e o Ducado de Sabóia, as tropas do Duque conquistaram a vila de Exilles e saquearam-na. Alguns soldados tiveram a ousadia de roubar da igreja paroquial tudo aquilo que lhes parecia precioso e até uma Custódia que continha a Hóstia consagrada. Puseram tudo em sacos que foram carregados no dorso de uma mula e dirigiram-se para Turim.

Chegados à cidade, a mula parou perante a igreja de São Silvestre e não houve maneira nenhuma de a fazer prosseguir, apesar de muitas pancadas. Ela parecia petreficada. De repente, sem que ninguém lhes tocasse, as cordas que amarravam os sacos romperam-se e os objetos roubados saíram, mas a Custódia com a Hóstia consagrada voou, alcançando uma altura tal, que podia ser observada de qualquer ponto da praça e aí ficou imóvel, como se fosse mantida em suspenso por uma mão invisível. Da Hóstia irradiaram-se raios de luz vivíssima. Os ladrões sacrílegos ficaram espantados e confusos, enquanto a multidão se lançava de joelhos a rezar, chorar e a bater no peito, invocando e suplicando misericórdia.

A notícia do milagre difundiu-se como um relâmpago e os habitantes da cidade chegaram em massa. Chegou também o Bispo, D.Luís Romagnono, o qual foi protagonista da segunda parte do prodígio: a Custódia abriu-se,mostrando a Hóstia milagrosa, fulgurante como o Sol ao meio-dia. O Bispo mandou que lhe trouxessem um cálice e elevou-o em direção àquela Hóstia, suplicando, entre lágrimas, a Deus Sacramentado para que descesse e ficasse entre os seus filhos. A esta confiante oração, a luz enfraqueceu e a Hóstia desceu pousando no cálice, que estava nas mãos do prelado, deixando no ar um rastro luminoso, que desapareceu logo depois. Formou-se então uma solene procissão: entre orações e cânticos de júbilo, a Hóstia do milagre foi levada para a Sé da cidade, onde ficou guardada. Em seguida, no sítio onde aconteceu o milagre, à sua eterna memória, foi edificada a basílica do Corpo de Deus, uma das igrejas mais importantes de Turim.

12. O Milagre de Sena (ano de 1730)

Em Sena (Itália), na vigília do célebre “Pálio” (corrida de cavaleiros em trajes medievais que se realiza duas vezes por ano), alguns ladrões penetraram na igreja dos Franciscanos e, forçando o Sacrário, roubaram o cibório que estava cheio de Hóstias consagradas. A notícia do roubo sacrílego difundiu-se imediatamente por toda a cidade. Três dias depois, foram encontradas por um Sacerdote num caixa de esmolas, na igreja de Santa Maria de Provenzano. Foram contadas e eram 351. O número correspondia exatamente às Hóstias consagradas que tinham sido roubadas. Para ficarem mais certos disto, as Partículas foram controladas com a forma com a qual tinham sido preparadas. E verificou-se que coincidiam perfeitamente.

As Hóstias foram guardadas cuidadosamente no Sacrário da mesma igreja. No dia seguinte, foi organizada uma solene procissão que, partindo da Sé, foi até á igreja de Santa Maria de Provenzano para trazer as Hóstias para a igreja dos Franciscanos. As Hóstias não foram consumadas. Passado cerca de meio século, não ocasião de um Capítulo Provincial, o Ministro geral dos Franciscanos, indo em visita ao convento de Sena, ouviu falar daquelas Hóstias e quis vê-las. Elas estavam ainda prodigiosamente intactas. As pessoas começaram então a falar de milagre.

No ano de 1789, o Bispo de Sena interveio e mandou fazer uma perícia, que chegou à seguinte conclusão: as Hóstias estavam frescas como se estivessem sido acabadas de confeccionar. Mas o Bispo decidiu fazer uma última prova: ordenou que fechassem uma certa quantidade de hóstias não consagradas, num relicário semelhante àquele que continha as que tinham sido roubadas, para ver se se deterioravam. Dez anos depois, o relicário foi aberto e constatou-se que as hóstias consagradas não consagradas tinham sido corrompidas pelos vermes.

Segundo as leis ordinárias da natureza, as hóstias confeccionadas segundo o uso corrente, em condições favoráveis não podem conservar-se, sem apodrecer, mais de três ou quatro anos, no máximo. Naquele mesmo dia, o Bispo controlou também as Hóstias consagradas, asQuais se mantinham ainda intactas. No ano de 1914, o Bispo de Sena submeteu as Hóstias consagradas à peritagem de uma equipe de químicos (entre os quais estava o Beato José Toniolo). No dia 14 de Setembro de 1980,o Santo Padre ajoelhou-se perante este milagre eucarístico, exclamando: “É a presença de Deus!”

13.A Eucaristia e a Imaculada de Lourdes (ano de 1888)

Em Lourdes (França), trinta anos depois das aparições de Nossa Senhora a Santa Bernardette (devotíssima da Eucaristia), a 22 de Agosto de 1888, um Sacerdote francês da “Peregrinação Nacional” propôs realizar uma procissão com o Santíssimo Sacramento. Às 4 da tarde daquele dia abençoaram-se pela primeira vez, diante da gruta das aparições, todos os doentes que tinham vindo com os peregrinos. Que espetáculo aquele ato de fé na presença real de Jesus na Eucaristia, durante a procissão e a bênção dos enfermos com o Santíssimo Sacramento!

Naquela primeira procissão, aconteceu uma cura instantânea e importantíssima: o senhor Pedro Delannoy, sofrendo há anos de ataraxia (doença que impede a coordenação dos movimentos voluntários e que conduz inexoravelmente à morte), foi curado instantaneamente à passagem da Custódia contendo o Santíssimo Sacramento. Era o primeiro milagre eucarístico que acontecia em Lourdes. Desde 22 de Agosto de 1888, nunca mais se deixou de fazer a procissão Eucarística para os enfermos. Por este motivo, o Santuário de Lourdes tornou-se um dos testemunhos da fé na presença real de Jesus na Eucaristia.

A cura de Maria Luísa Horeau (ano de 1889)

Em 1889, a senhora Maria Luísa Horeau, completamente cega, fez-se conduzir a Lourdes, num comboio da “Peregrinação Nacional”; cheia de confiança, foi mergulhada dois dias seguidos, na água milagrosa das piscinas: não aconteceu nada. Cerca das 4 da tarde do segundo dia, rezava, ajoelhada perto da gruta, durante a bênção do Santíssimo Sacramento. Depois da bênção, a procissão pôs-se em movimento em direção à Basílica.

Todos os doentes lá estavam, estendidos nas suas camas com os olhos voltados para Deus, que ia passar no meio deles para consolar ou curar. Uma multidão imensa rodeava-os, de joelhos; por toda a parte erguiam-se aclamações. Maria Luísa não tinha podido aproximar-se da gruta e teve de esperar junto da piscina. Mas o seu coração estava pronto. Esperava lá, cheia de confiança, a passagem do bom Mestre; tinha pedido a uma amiga que a guiava e ajudava, para avisar no momento preciso em que Nosso Senhor passasse a seu lado: “Quando o Santíssimo Sacramento Se aproximar de mim – disse-lhe – avisa-me! Desejo dirigir-Lhe então as minhas aclamações e os meus votos ardentes.”

Quando Jesus estava prestes a passar junto a Maria Luísa, a amiga apressou-se a murmurar-lhe ao ouvido: “Ei-lO”. A pobre senhora lançou-se de joelhos e com um acento indizível de fé, começou a gritar: “Hosana, Hosana ao Filho de Deus! Ó bom Mestre, tende piedade de mim, Senhor, fazei que eu veja”. Nesse mesmo instante, enquanto uma luz ofuscante lhe passava diante dos olhos, uma dor lancinante atingiu-a, e os seus olhos abriram-se às luz. Então começou a ver a Hóstia Santa, o Bispo que levava a Custódia e toda a multidão que a circundava; e ao longe viu a gruta, de onde a branca imagem de Nossa Senhora lhe parecia sorrir. Maria Horeau tinha sido completamente curada à passagem do Santíssimo Sacramento.

A cura de Gabriel Gargam (ano de 1899)

Gabriel Gargam era um empregado dos Correios e a 17 de Dezembro de 1899, enquanto fazia serviço no comboio que partia às dez e meia da noite de Bordéus (França), sofreu um acidente ferroviário. Após o terrível impacto, Gabriel foi lançado a dez metros de distância no fundo de uma encosta, no meio da neve. Só por volta das 7 horas da manhã seguinte, foi descoberto imóvel, sem que desse o mínimo sinal de vida. Aquele choque horrível tinha provocado um tal abalo em todo o seu ser que nenhum dos seus membros era já capaz de realizar as suas funções.

Passados quase 2 anos, os seus pés começaram a ser tomados pela gangrena. Isto era, certamente, um sinal de morte iminente. Tendo tido notícia de uma peregrinação que se iria fazer a Lourdes, Gabriel Gargam inscreveu-se, motivado não pela fé,mas mais pelo desejo de deixar o hospital.

Chegado a Lourdes, enquanto decorria a procissão do Santíssimo Sacramento, foi estendido no chão mais morto que vivo. Após poucos minutos, perdeu os sentidos. Mas eis que, enquanto a Custódia de ouro contendo Jesus Eucaristia passava perto dele, ele pôs-se em pé milagrosamente e começou atrás do Santíssimo Sacramento, completamente curado.

14.O rosto em relevo na Hóstia em Santo André na Ilha da Reunião (ano de 1902)

O prodígio eucarístico da paróquia de Santo André, na Ilha da Reunião – uma esplêndida ilha africana no Oceano Índico – aconteceu a 26 de Janeiro de 1902, tendo sido testemunhado por milhares de pessoas. O próprio Prior Lacombe, pároco daquela igreja, o narrou durante o Congresso Eucarístico de Angoulême (1904).

Os fatos são os seguintes.Num domingo, o Prior Lacombe expôs o Santíssimo Sacramento e, em vez de Hóstia, viu como que em relevo o rosto de um homem, cheio de tristeza, de olhos fechados, com a cabeça um pouco inclinada para o lado direito e algumas lágrimas que escorriam pela face. Dominando a emoção, o Prior voltou para a sacristia e encontrou um paroquiano que queria que lhe benzesse uma medalha; mas ele mandou-o antes ir rezar ao Santíssimo Sacramento, dizendo-lhe para observar a Hóstia. O homem voltou imediatamente, perturbado e de mãos juntas, dizendo ter visto o rosto de um homem na Custódia. “É inacreditável!”, exclamou.

O Prior Lacombe começou a tremer: também ele tinha visto a mesma coisa. Levou consigo ainda o desenho em relevo do rosto sofredor, uma imagem quase viva, comprimida contra o vidro da Custódia. Na igreja tinham permanecido duas senhoras com uma sobrinha; convidadas a aproximarem-se, confirmaram a visão. E o mesmo fez a sobrinha, enquanto os meninos do coro corriam já gritando milagre. Esta menina dirá mais tarde: “Não posso esquecer este acontecimento; esta visão nunca se apagará em mim; marcou toda a minha vida”.

A paróquia inteira precipitou-se para a igreja, numa onda contínua: alguns fiéis chegaram da capital, munidos de lupas que, porém,logo colocaram no bolso porque a olho nu a visão era muito mais clara e nítida. O Prior usou de todos os seus escrúpulos, de todas as suas precauções.

Temendo que fosse o efeito de qualquer reflexo de luz, fez apagar todos os círios e fechar as portadas das janelas. Mas o fenômeno aparecia agora ainda mais nitidamente. Ou melhor, na escuridão os traços daquele rosto irradiavam um verdadeiro clarão. Incrédulos, pessoas de má vida e crianças, todos viam o rosto de Cristo. O presidente da Câmara, homem honesto mas não praticante, pensava que não podia ver este milagre e, por isso, conduziu à igreja as suas duas filhas para que o vissem em seu lugar; mas no final, não só elas o viram, como também ele.

No início da tarde, a imagem transformou-se: em lugar daquele rosto sofredor, apareceu um crucifixo que cobria a Hóstia de alto a baixo. Depois da Bênção Eucarística, a visão desapareceu. Portanto, o prodígio foi visível permanentemente desde as oito da manhã até às três da tarde.

O Bispo pediu que se conservasse a Hóstia do milagre e muitos viram nesta manifestação eucarística o desejo de Deus de tocar os corações, em particular dos incrédulos e pecadores.

Fonte: Pequeno Catecismo Eucarístico.2002. Ed. Brasileira preparada por Prof. Edson José Reis.pag.49-77.

15. Milagre Eucarístico – Santa Catarina Labouré

De repente na missa, a hóstia tornou-se transparente como um véu. Além da aparência do pão, Catarina viu Nosso Senhor. A visão aconteceu antes que ela tivesse tido tempo para resistir…e o fenômeno repetia-se com freqüência: “Eu via[…]Nosso Senhor no santíssimo sacramento[…] o tempo todo do meu noviciado, afora as vezes em que duvidei: isto é, na vez seguinte não via nada, porque queria aprofundar[…]Eu duvidava desse mistério e julgava me enganar.(p.25)….Em 6 de junho de 1830, dia da trindade…nova revelação…“Nosso Senhor me apareceu como um rei, com a cruz no peito[sempre], no santíssimo sacramento. Foi durante a santa missa e no momento do evangelho.”(p.25).

Fonte: Mensageira de Nossa Senhora das Graças e da Medalha Milagrosa. René Laurentin.

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