Biografia dos Santos

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São Pedro Julião Eymard nasceu em La Mure D´ Iseré, na França, em 4 de fevereiro de 1811. Desde a infância, sentiu grande atração pela presença real de Jesus na Eucaristia. Foi descrito pelo Papa Pio XII como “o maior herói e campeão de Cristo presente nos Tabernáculos”. Fundou a Congregação dos Padres, das Servas do Santíssimo Sacramento e a Obra da Adoração Perpétua. Deu grande incentivo aos Congressos Eucarísticos. Honrava a Virgem Santíssima com o especial título de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento. É com justa razão, chamado de “O Apóstolo da Eucaristia”.

 

Bibliografia: São Pedro Julião Eymard. Flores da Eucaristia. Ed.Palavra e Prece. São Paulo, 2005.

Pureza na fé

Ide sempre e cada vez mais a Jesus pela fé simples, ao clarão puro da estrela, tênue raio do céu, conduziu os Magos à perfeita adoração de Jesus no presépio.(cf. Mateus 2, 2.9-11)…Ah pedi com instância a Jesus oculto na Eucaristia este dom da pureza na fé, para que a vossa alma se revista de suas virtudes e de seus merecimentos. (p.9-10)

“E Jesus se manifesta gradualmente à alma, na medida de sua fé e de seu amor, e a alma encontra em Jesus alimento renovado, vida inesgotável. (p.32)

Uma pessoa pobre de espírito, convencida de que nada possui e nada pode por si mesma, faz de sua própria pobreza o título mais precioso e poderoso sobre o Coração de Deus. Quanto mais pobre mais direito se tem à bondade e misericórdia divina. E notemos bem que quanto mais o pobre se coloca em sua pobreza, mais se coloca em seu lugar natural. Somos nada, e, por conseguinte, nossa pobreza rende maior glória a Deus e o torna por assim dizer mais cheio de grandeza e de misericórdia! (p.425)

Senhorio de Jesus

Ó Jesus, sede sempre o rei de meu espírito por vossa verdade, o rei de meu coração por vosso amor, o rei de meu corpo por vossa pureza, o rei de toda minha vida pelo meu desejo de consagrá-la à vossa maior glória. (p.11)

Proclamar o nome de Jesus em público

E aquele que faz claramente profissão de fé, aquele que sabe proclamar o nome de Jesus Cristo, se fortalece na graça. Que todos, em público, conheçam a nossa fé! (p.12)

O Amor transforma o mundo

O amor porque é transformador, produz identidade de vida; torna o rei simples; os sábios, humildes, os ricos, pobres de coração. (p.14)

O amor transforma o homem num Céu em que a Santíssima Trindade se compraz em habitar. (p.247)

Eucaristia

A Eucaristia deve ser também o absoluto do nosso amor a Jesus Cristo, se quisermos alcançar, de nossa parte, o fim que Ele propôs na Comunhão: transforma-nos nEle pela união. (p.15)

A fé nos mostra não somente como Deus de majestade, mas também como Deus de bondade, fonte de toda graça, de todo dom, de todo bem. A piedade de uma alma eucarística deve ser inspirada e alimentada pela Eucaristia e, por assim dizer, concentrar-se nesse elemento divino. (p.19)

Nosso Senhor quer que nos lembremos de tudo quanto fez por nós na Terra, e que honremos sua presença no Santíssimo Sacramento pela meditação de todos os mistérios de sua vida. (p.20)

Nada é mais glorioso para Nosso Senhor que este ato de fé na sua presença eucarística, porque é honrar eminentemente sua veracidade divinal.Com efeito, a maior honra que se pode prestar a alguém é crer na sua palavra, assim como a maior injuria é suspeitá-lo de mentira, duvidar de suas afirmações, pedir-lhe provas, garantia. Ora, se o filho dá crédito à palavra de seu pai;o servo, à de seu amo; o súdito, à palavra do rei, por que não acreditarmos na palavra de Jesus Cristo quando solenemente nos afirma que está presente no Santíssimo Sacramento!(p.21)

E qual é o amor em que devemos crer? O amor de Jesus Cristo, a amor que nos testemunha na Eucaristia, amor que é Ele mesmo, amor vivo e infinito. Felizes daqueles que acreditam no amor de Jesus no Santíssimo Sacramento! Amam, pois crer no amor é amar. (p.22)

Santíssimo Sacramento

Consideremos como Nosso Senhor dedica o seu amor pessoal (cf. Gálatas 2, 20) a cada um de nós. Cada qual O torna para si todo inteiro, sem prejudicar ninguém. Por mais numerosos que sejam os que O recebem, não se divide, não se dá menos a um do que a outro, e mesmo que a Igreja esteja repleta de adoradores, cada um poderá Lhe falar, sendo ouvido, atendido, como se estivesse sozinho… (p.22)

Essa contemplação eucarística se assemelha à visão de Deus no céu,onde Ele se apresenta sempre amável, sempre grandioso, sempre belo aos olhares beatificados dos santos. Assim Jesus no Santíssimo Sacramento se revela sempre novo, mais querido, mais terno, mais amável à alma adoradora, e a contemplação eucarística se torna inesgotável, sempre nova, indo sempre a Jesus Cristo – “de claridade em claridade, de virtude em virtude, de perfeição em perfeição”. (cf. Salmos 83,8; 2 Coríntios 3, 18). (p.24)

Preparemo-nos, pela Comunhão, para o paraíso, onde receberemos Nosso Senhor perpetuamente, e viveremos de seu conhecimento e de seu amor. A Comunhão recebida com freqüência é o penhor seguro da salvação eterna. (p.26)

A falta de fé na Eucaristia jamais provém da evidencia de razões contrarias a este mistério. É as vezes uma fé adormecida pelo entorpecimento dos negócios terrenos. Venha porém a graça despertá-la – a simples graça do retorno para Deus – e o primeiro impulso da alma será instintivamente para a Eucaristia. A incredulidade pode ainda provir de paixões que dominam o coração. Uma paixão que deseja reinar é cruel; não satisfeita, desdenha; atacada, nega. Perguntai a vós mesmos: “Desde quando não creio mais na Eucaristia?” E volvendo à fonte da incredulidade, encontrareis uma fraqueza a que não tivestes coragem de resistir. (p.27)

Jesus está em cada hóstia consagrada e, se esta for partida, ficará Ele todo inteiro sob cada partícula. Em vez de dividi-lO, a fração da hóstia O multiplica. (p.31)

Finalmente, a Eucaristia, como bem supremo da vontade, faz com que a alma considere sem valor os bens e prazeres desta terra e as criaturas. (p.34)

Feliz a alma que sabe encontrar Jesus na Eucaristia, e, na Eucaristia todas as coisas! (p.40)

A Comunhão deve se tornar o eixo da vida, o pensamento dominante do espírito e do coração, a finalidade de qualquer estudo, da piedade, das virtudes. (p.115)

Comungai para amar – comungai amando -, comungai para conseguir amar ainda mais. (p.119)

A Comunhão nos prepara, portanto, para o Céu. (p.123)

Que grande graça morrer após a recepção do Santo Viático! Peçamos muitas vezes esta graça de receber a Santa Comunhão antes de morrer. (p.123)

Querendo Deus alimentar o nosso espírito, deu-lhes o seu pão, a Eucaristia, anunciada por estas palavras da Sagrada Escritura: “Hei de nutri-los com o pão da vida e de inteligência”. (Eclesiástico 15, 3) (p.124)

Lembrai-vos bem que a alma que não comunga jamais conhecerá o Coração de Jesus e a extensão de seu amor. O coração se dá a conhecer por si mesmo, é necessário senti-lo, ouvir-lhe as pulsações. Assim como é preciso provar o mel para sentir-lhe a doçura, assim também é necessário receber Jesus Cristo para conhecê-lO bem. (p.125)

A preparação do corpo requer, além do jejum, trajes que denotem a modéstia e o asseio. A preparação da alma pede, em primeiro lugar, a ausência de todo pecado mortal, e, tanto quanto possível, do pecado venial deliberado. (p.127)

No momento de comungar não vos preocupeis mais com os vossos pecados, o que, além de ser uma perigosa tentação, lançar-vos-ia na tristeza e desassossego, inimigos da piedade. (p.131)

A conversação interior depois da Comunhão não requer um estado de vida espiritual muito elevado. Tendes boa vontade? Jesus vos falará então e compreender-Lhe-eis a linguagem. (p.131)

E, durante o dia, sede como um santo que tivesse passado uma hora no Céu; não vos esqueçais da visita régia de Jesus. (p.132)

Assim, a Comunhão torna a alma feliz mesmo entre as grandes adversidades, feliz de uma felicidade serena e amável. (p.135)

Quando a alma se apresenta à Comunhão num estado de pureza em que não há sequer pecados veniais, a ação de Jesus sobre ela se opera fortemente e sem obstáculo. (p.136)

O amor verdadeiro e perfeito somente na Comunhão tem o seu pleno exercício, pois o fogo que não se alastra, extingue-se. (p.137)

A Comunhão produz a Constancia perseverante; se quereis, portanto, perseverar, recebei Nosso Senhor! (p.138)

A fome de Deus justifica a nossa temeridade. Sim, o grande motivo que nos leva à Comunhão é a fome que sentimos dela. É semelhante ao desejo do enfermo que suspira pela visita do médico, ou pelo copo com água, quando a febre o devora. (p.140)

Existe nas profundezas de nosso coração uma grande tristeza que não nos é possível extirpar. Toda alegria que gozamos nesta Terra é passageira e acaba sempre em lágrimas. É que fomos expulsos de nossos domínios, da casa de Nosso Pai, e essa tristeza faz parte integrante do patrimônio que Adão pecador legou à sua posteridade. Sentimo-la principalmente quando estamos sós e entregues a nós mesmos; está em nós e não sabemos de onde vem. E quantas vezes é terrível essa tristeza! O remédio absoluto é a Comunhão; remédio sempre novo, sempre enérgico, ao qual a tristeza não resiste. Nosso Senhor quis permanecer na Eucaristia e se dar a nós para combater diariamente a nossa tristeza. Ouso até mesmo afirmar que a tristeza se dissipa na alma que comunga com um verdadeiro desejo e uma grande fome de Jesus. A tristeza poderá reaparecer depois, porque é nossa condição de exilados, e far-se-á mesmo sentir tanto mais cedo quanto mais depressa abandonarmos o pensamento da bondade de Nosso Senhor para nos concentrarmos em nós mesmos. Jamais, porém, haveremos de senti-la no momento em que O recebemos. (p.141)

Oh! a alegria, fruto da Comunhão, é o mais belo testemunho da presença de Deus na Eucaristia. (p.142)

O Corpo de Jesus Cristo se une então ao nosso corpo, sua alma à nossa alma, e sua divindade paira sobre ambos. (p.143)

Ao se consumirem as espécies, depois da Comunhão, desaparece a presença corporal de Nosso Senhor, mas, se o pecado não o afastar, nosso corpo continuará participando da virtude do Corpo de Jesus. (p.144)

A Comunhão é o traço de união que Nosso Senhor estabelece entre o Pai Celeste e nós. (p.146)

Que a Comunhão seja, portanto, o centro de nossa vida e de nossas ações. (p.146)

A Eucaristia é o fruto do amor de Jesus Cristo, e o amor reside no coração. (p.194)

Quantos encantos apresenta a virtude na escola da Comunhão! Como se torna fácil a prática da humildade a quem comunga e vê o Deus de glória se humilhar ao ponto de descer a um coração tão pobre, a um espírito tão ignorante, a um corpo tão miserável. (p.208)

Oh! a alma que comunga sente a necessidade imperiosa de abraçar a vida de Quem a salvou e lhe deu a Eucaristia. (p.208)

Ah! Se as almas do Purgatório pudessem voltar a este mundo, o que não fariam para assistir uma única Missa! (p.259)

A primeira das maravilhas que se operam na Eucaristia é a transubstanciação. Jesus, na Ceia, e, hoje em dia, os Sacerdotes, por sua ordem e instituição, tomando o pão e o vinho pronunciam sobre esta matéria as palavras da Consagração, e no mesmo instante toda a substância do pão e a do vinho desaparecem, mudadas que foram no Corpo Sacrossanto e no Sangue adorável de Jesus Cristo! (p.262)

No momento em que o Sacerdote, cercado de legiões de anjos, se inclina profundamente em sinal de respeito para com a ação divina que vai realizar, e em que, falando e operando divinamente em lugar da pessoa de Jesus Cristo, consagra o pão e o vinho no Corpo, Sangue, Alma e Divindade do Homem Deus, e reproduz o mistério da Ceia, adorai esse poder inaudito concedido ao Sacerdote em vosso favor. (p.279)

Representai aos vossos olhos, na elevação, Jesus pendente na Cruz entre o Céu e a Terra como Vítima e Medianeiro entre Deus ofendido e os pobres pecadores. Adorai e oferecei esta Divina Vítima em expiação de vossos pecados e dos pecados de vossos parentes, amigos e de todos os homens. (p.280)

A Eucaristia nos livra de todos os males! (p.335)

Na Eucaristia encontramos o remédio para os nossos males, a satisfação de novas dívidas que contraímos diariamente com a justiça divina, por nossos pecados. Nosso Senhor se oferece cada manhã como Vítima de propiciação pelos pecados do mundo. (p.340)

Viver com coração de criança

A Eucaristia, afeto soberano do coração! O coração há de estar onde se encontra o seu tesouro, isto é, as suas alegrias, os seus desejos, a sua felicidade. (cf. Mateus 6, 21) O pensamento do coração é sempre ativo, é a chama de um fogo sempre ardente. (p.34)

Deixai-vos conduzir pelo Bom Mestre como criancinha, sem vontade própria, e sem outro amor que o seu divino amor, que tudo suaviza. (p.49)

Deus pensa por Noé. Procurai ser como criança, que apenas sente, ama e agradece; (p.54)

Com efeito, quando Deus está contente, estejamos nós também. Se Deus nos ama, que nos importa o resto? Se temos Deus a nosso favor, porque nos inquietamos e nos entristecemos com o que está contra nós? (p.58)

Observai bem esta lei: querer somente o que Deus quer, como Ele quer e quando Ele quer. O santo abandono é o mais puro, é o maior amor. (p.62)

A alma, no santo abandono, dá o coração a Deus, com toda a simplicidade, para O amar em tudo e somente a Ele, em todas as coisas e em qualquer estado. Sentir-se-á feliz se Ele quiser abrasá-la no amor, e receberá com reconhecimento uma graça de consolação, se Ele quiser conceder-lhe. Mas se Nosso Senhor lhe fizer beber algumas gotas do seu cálice de fel ou partilhar de seus desamparos, de sua tristeza, a alma, em santo abandono, sorverá com amor esse cálice, participará da agonia de Jesus, e ser-Lhe-á fiel na provação. (p.65)

A alma que vive em santo abandono entrega inteiramente a Deus a própria vontade, para que Ele a governe e a mova como quiser. (p.66)

Começai todas as vossas ações e também as vossas adorações, por um ato de amor, e abrireis assim, deliciosamente, vossa alma à ação de Jesus. O amor é a única porta do coração. (p.297)

Oh! Deus ama com predileção os pequenos e humildes que vivem a seus pés, sob a influência celeste de seu Coração. (p.194)

O Senhor se agrada do louvor que parte dos lábios das criancinhas porque provém de um coração puro. (p.304)

A ação de graças é para a alma o mais suave ato de amor, e, para Deus, o mais agradável; é a homenagem perfeita à infinita bondade. (p.315)

Eis o segredo da paz interior: a simplicidade da criança. (p.417)

Batismo

O homem recebeu no Batismo uma graça de filiação divina, de adoção de amor,…E quando ele tiver mais idade o amor lhe ensinará a obedecer, a trabalhar, a fazer sacrifícios heróicos, com a maior simplicidade. Assim, o amor de Deus se desenvolve por meio da fé, se avigora com as virtudes que ele inspira e aperfeiçoa. O amor de Deus , portanto, deve ser a primeira ciência do cristão, sua primeira virtude, tal como lhe constitui a lei e a graça soberanas. Viver de amor é o dever de todos, tanto dos que começam como dos que progridem ou dos que estão prestes a atingir o fim (p.45-46)

Providencia Divina

A Providência divina combina todos os acontecimentos, quanto ao tempo e às circunstâncias, em torno dessa alma querida, como se fosse ela o centro do movimento celeste e terrestre, a fim de que tudo sirva para o seu fim sobrenatural. (p.47)

O homem deste século vai ao encontro dos acontecimentos, provoca-os e os faz servir aos seus desejos. O homem de Deus aguarda a hora da Divina Providencia, coopera com o movimento da graça, entrega-se à vontade integral de Deus, presente e futura, com o abandono filial que confia todo o cuidado de si mesmo e reverte toda a glória a Deus Pai. (p.50)

Misericórdia de Deus

Considerando a grande paciência de Deus para com certos ímpios, somos levados a crer que é realidade o que se ouve dizer: basta ser ímpio para viver longamente. O próprio Espírito Santo assim se exprime: “O justo morre deixando por acabar as suas obras (cf.Sabedoria 4, 7), enquanto o ímpio vive muito tempo em sua malícia” (conf. Eclesiastes 8, 12) É que Deus os espera para convertê-los; (conf. Sabedoria 12, 19-20; 2 Pedro 3, 9) Cada hora vale, assim, por um novo perdão, um nova criação de misericórdia sobre nós;(p.69)

Jesus pede somente que o pecador se ponha de joelhos, e lhe diga por entre lágrimas: “Pequei, Senhor, não sou digno de ser perdoado!” Não resiste então, e perdoa tudo! (p.71)

A graça se adapta ao temperamento de cada um, porquanto Deus não quer que destruamos a nossa natureza, e sim o pecado com suas conseqüentes inclinações e maus hábitos. (p.91)

A misericórdia acompanha o homem por toda parte, jamais o abandona, mesmo depois da morte, pois o segue até o purgatório, que é o ultimo esforço da misericórdia de Deus para com o pecador. (p.224)

A misericórdia de Deus para com o homem é infinita; jamais conseguiremos esgotá-la ou abafá-la com as nossas ingratidões. (p.225)

Vida de Oração

Jesus no Santíssimo Sacramento permanece em oração contínua, contemplando se cessar a glória de seu Pai e intercedendo por nós (cf. Hebreus 7, 25), a fim de nos ensinar na oração está o segredo da vida interior; que é necessário cuidar da raiz da árvore se quisermos colher bons frutos; que a vida exterior, tão valiosa aos olhares do mundo, não passa de uma flor estéril se a caridade, que produz os frutos, não for alimentada. Sede, portanto, contempladores de Jesus, para conseguirdes êxito em vossas obras. (p.81)

É a vida de oração que constitui o valor de toda santidade, a raiz da caridade e do amor. (p.82)

Fazer silêncio, destruir o obstáculo que impede o Espírito Santo de orar em nós e nos unirmos à sua prece – eis o exercício e a virtude de oração. (p.84)

O amor provém da intensidade da oração. Sede pois, antes de tudo, uma alma de oração. (p.85)

Os santos são admiráveis em se aproveitar de tudo para excitar os afetos de oração, em toda parte. (p.88)

Sem o hábito da presença de Deus, a vaidade domina o espírito, que então se dissipa e voa de um lado para o outro como o inseto e a borboleta, enquanto o coração procura as consolações piedosas porém humanas, e a vontade se entrega à preguiça e às antipatias naturais. (p.102)

É impossível ficar sempre no campo da batalha; a alma tem necessidade de repousar em Deus. (p.102)

Amai portanto o silencio, a solidão da alma: é o santuário de Deus, onde Ele anuncia os oráculos de amor. (p.104)

Jesus intercede perpetuamente (cf. Hebreus 7, 25) por todos os membros de seu Sacerdócio, a fim de que eles sejam repletos de seu Espírito Santo e de suas virtudes, de zelo por sua glória, e totalmente devotados à salvação das almas que Ele resgatou ao preço de seu Sangue e de sua Vida. Rezai pelo vosso Bispo, a fim de que Deus o conserve, abençoe e console. Rezai pelo vosso Pastor, a fim de que Deus lhe conceda todas as graças de que ele tem necessidade para bem dirigir e santificar o rebanho confiado à sua solicitude e à sua consciência. Pedi muito a Deus que conceda à sua Igreja numerosas e santas vocações sacerdotais; um padre santo é o maior dom do Céu, pois ele pode salvar um país inteiro. (p.321)

Espírito Santo

É verdade de fé que sem o Espírito Santo não somos capazes de um só pensamento sobrenatural (cf. 1 Coríntios 12, 3; 2 Coríntios 3, 5). (p.107)

Somos verdadeiros templos do Espírito Santo(cf. 1 Coríntios 3, 16; 6, 19) e um templo é casa de oração. (p.108)

Rezemos, sim, com o Espírito Santo, e Ele nos ensinará toda a verdade. Assim é que o amor dos apóstolos somente foi perfeito quando receberam o Espírito Santo. (cf. João 16, 13) (p.108)

A pureza é necessária para que Ele habite em nós, pois que o Espírito Santo não se encontra nem opera onde há pecado, porque então estaríamos mortos e nossos membros paralisados, incapazes de prestar cooperação, sempre necessária. O Espírito Santo também não pode trabalhar com uma vontade indolente ou dominada por afeições desregradas. A presença do Espírito Santo se torna então passiva, apesar de ser Ele uma chama que, subindo sempre, quer nos levar consigo. Se tentarmos detê-la, ela se extingue, ou, melhor, o Espírito Santo em breve se afasta da alma assim paralisada e apegada à Terra, pois não tardará em cair em pecado mortal. (p.109)

A nós, adoradores, o Espírito Santo nos faz adorar em espírito e em verdade (João 4, 23). Reza em nós e rezamos nEle, que é, antes de tudo, o Mestre da adoração. Foi Ele quem comunicou aos Apóstolos a força e a graça de orar, e é chamado “Espírito de súplica e oração”. (Zacarias 12, 10) (p.111)

Quanto mais a alma é santa, mais humilde é. (p.417)

Nossa Senhora, Mãe e modelo dos adoradores

Devemos honrar e amar a Santíssima Virgem como verdadeiros filhos, visto que Nosso Senhor no-la deu por mãe. Oh! não duvideis, se os felizes eleitos da Eucaristia, deveis esta graça a Maria, foi Ela quem vos conduziu pela mão até Nosso Senhor. Colocai-vos sob a sua direção, e para serdes bons servos do Rei Jesus, sede filhos devotados de Maria, Rainha e Mãe dos servos de Nosso Senhor, cópia única, verdadeira e perfeita das virtudes de seu Divino Filho. (p.149)

Maria possui o segredo de seu amor; sua grande missão é formar Jesus em nós. Compete à mãe a educação dos filhos, e parece que Jesus, antes de morrer, disse a Nossa Senhora: Entrego em vossas mãos os frutos da Redenção, a salvação dos homens, o serviço de meu Sacramento de Amor; formai-me bons adoradores em espírito e verdade que me adorem e me sirvam como vós mesma me servistes e adorastes. (p.150)

A Santíssima Virgem é aquela mulher privilegiada que, com o calcanhar, esmagou a cabeça da serpente infernal. (cf. Gênesis 3, 15)

Nós, adoradores, devemos ainda considerar, no mistério da Imaculada Conceição, que Deus preservou assim Maria porque desejava habitar nela, e queria encontrar um santuário puro e perfeito. (p.151)

Maria nasceu com uma auréola de grandezas que ultrapassam todas as riquezas dos filhos deste mundo. (p.152)

E nós, adoradores, devemos nos alegrar porque Maria nos traz o Pão da vida (João 6, 35.48), e cumpre-nos saudá-la desde esse dia como a aurora da Eucaristia, porque sabemos que o Senhor há de tomar dela a substancia do Corpo e do Sangue que nos serão dados em alimento no Mistério de seu amor. (p.152)

Imitemos o silêncio, o recolhimento da Santíssima Virgem, e a sua vida oculta em Deus; que ela seja o modelo de nossa vida eucarística. Abraçai portanto a vida simples e desconhecida, os empregos modestos de vossa posição, alegrai-vos de não serdes conhecidos, escondei a pequenina chama de vossa lâmpada, pois o menor sopro poderia apagá-la. (p.153)

O Espírito de Amor santificou Maria para que ela se tornasse digna de ser Mãe de Deus. (p.154)

A vida de Maria é sempre igual, sempre simples e oculta; é o reinado da modéstia humilde e suave, modéstia que forma o distintivo de sua piedade, de suas virtudes e de todos os seus atos. Se quisermos, portanto, ser filhos desta Mãe amável, devemos nos revestir de sua modéstia, tomando-a por tema habitual de nossas meditações. (p.156)

Em Maria, o Verbo se uniu à natureza humana; pela Eucaristia, une-se a todos os homens. (p.157)

O Santo Evangelho proclama a Santíssima Virgem cheia de graça, e o Anjo lhe diz que o Senhor permanece com ela. (cf. Lucas 1, 28) E de que maneira? Plena e soberanamente. O Espírito Santo reina em seu espírito e em seu coração, e dirige todos e cada um de seus pensamentos e afetos. Tornou-se a personalidade de Maria, que nada mais é em si mesma toda entregue que está ao Espírito de Deus, que a cobre, a envolve, e reveste cada uma de suas potências dos raios da graça e do amor. (p.158)

Maria tornou-se sempre escrava de amor do Espírito Santo, e a sua vida toda foi manifestação de sua obediência, sujeição, e total foi a manifestação de sua obediência, sujeição, e total esquecimento de si mesma. E tudo fez por amor; daí ser chamada a Mãe do belo amor, do amor que ama a Deus por Ele mesmo, por causa de suas perfeições e belezas, e porque é o princípio e o fim de tudo. (Cf. Apocalipse 1, 8; 22, 13.) (p.159)

É que Maria não pensava em si mesma: dava amor por amor. (p.159)
Adorar Jesus presente em nossa alma em união com Maria, é o meio mais seguro de Lhe fazermos uma grata recepção, ao mesmo tempo rica de graças para nós. (p.161)

Em criatura alguma Nosso Senhor viveu tão plenamente e reinou com tanta sabedoria como em Nossa Senhora! Não era mais a Virgem, e sim Jesus quem pensava, julgava e queria: Ela se contentava em repetir por cada um de seus pensamentos, por todas as palpitações de seu coração, e particularmente por cada uma de suas ações: Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a sua santa palavra (cf. Lucas 1, 38). Em Maria, jamais houve resistência, hesitação ou divergência, nem sequer demora em cumprir a vontade de Jesus Cristo, mas ao contrário, sempre identidade de sentimentos, de vistas de querer. (p.163)

O mundo era indigno de receber o Verbo diretamente de Deus. Maria foi nossa medianeira na Encarnação e continua a desempenhar esse mister, porquanto é pelas súplicas de Maria que chegamos ao conhecimentos de Jesus Cristo, abraçamos sua Divina lei, e obtemos o dom da fé. (p.164)

A devoção à Imaculada e Santíssima Virgem é uma conseqüência rigorosa de nossa fé em Jesus Cristo. O culto de Maria acompanha o amor de Jesus, seu Divino Filho. Com efeito, como é possível adorar Jesus Cristo sem honrar aquela de quem O recebemos? Como é possível amar a Jesus sem amar Nossa Senhora, sua divina e terna Mãe, a quem Ele tanto amou? A devoção a Maria é, portanto, o dever filial de todo cristão. (p.165)

Que belo Ostensório é Maria! Ostensório fabricado com esmero pelo próprio Espírito Santo! (p.168)

Foi Maria quem conservou para nós esse Pão! Ovelha divina, nutriu com seu leite virginal o Cordeiro cuja carne vivificante seria o nosso alimento mais tarde! (p.168)

É Maria quem faz a nossa educação cristã. Jesus conquistou todos os tesouros da graça; compete a Maria recolhê-los, distribuir o Pão que Ele nos deixou e fazer observar a lei que promulgou. (p.169)

Quando sofreu Jesus Cristo para nos regenerar! Maria sofrerá com Ele, imóvel ao pé da Cruz, partilhando em seu coração os tormentos da Paixão a fim de se tornar nossa Mãe adotiva. (p.176)

Por meio da Eucaristia a vida da Santíssima Virgem era totalmente interior, silenciosa e oculta afastada do mundo, tendo Jesus por única testemunha e confidente. (p.177)

O Espírito Santo foi o agente divino da Encarnação. Preparou Maria para a dignidade de Mãe de Deus, preservando-a de toda mancha em sua Conceição Imaculada, semeando em sua alma desde esse instante as mais belas virtudes e cultivando-a depois. (p.179)

A Assunção de Maria nos autoriza a dizer: “Ó Deus, nossa miséria é grande, na verdade; esta terra é um vale de lágrimas, (cf. Salmos 79, 6; 5 Os solilóquios de Santo Agostinho, c35,6) porém vos envia o que possui de mais belo, maravilha que jamais imaginou produzir: Maria, vossa Mãe! Olhai-nos, pois, com olhares misericordiosos, em atenção a essa flor bendita de nosso vergel que hoje vos oferecemos; á a mais pura e formosa que nele floresceu.”(p.180)

Ó Maria, minha celestial Rainha e divina Mãe. (p.181)

Sagrado Coração de Jesus

A finalidade da festa do Sagrado Coração é honrar, mais fervorosa e ardentemente, o amor de Jesus Cristo sofrendo e Instituindo o Sacramento de seu Corpo e Sangue. (p.187)

Quão profundas foram as dores do Coração de Jesus! Todas as provocações convergiam para Ele. Foi cumulado de humilhações, ferido pelas mais revoltantes calúnias, que procuravam roubar-lhe a honra; foi saciado de opróbrios e coberto de desprezos. Apesar de tudo isso, porém, ofereceu-se voluntariamente, sem a mais leve queixa. Seu amor foi mais forte que a morte, e as torrentes da desolação não conseguiram arrefecer-lhe o ardor. (p.187)

E que a alma examine se não se contradiz em seu modo de agir, e que repita sem cessar: “Jesus manso e humilde de coração” (Mateus 11, 29) fazei meu coração semelhante ao vosso. (p.199)

Se quereis que Nosso Senhor vos estreite contra o seu Coração e vos cumule de seus favores, sede verdadeiramente humildes. Tender à humildade é tender à santidade, porque uma medida exata e infalível da outra. Quanto mais humilde mais santo sereis. (p.201)

É justo que encontre em nós um coração que ame o que Ele ama, segundo o que nos disse: “Aprendei de Mim que sou manso e humilde de coração”. (Mateus 11, 29).

A humildade de coração produz a doçura. Jesus é manso. A virtude da mansidão constitui o verdadeiro caráter e o espírito de sua vida. Jesus não diz: “Aprendei de Mim que sou manso” (Mateus 11, 29) (p.202)

Jesus é manso por natureza: é o Cordeiro de Deus. É manso por virtude para glorificar seu Pai nesse estado, e é manso por missão de seu mesmo Pai. (p.202)

O silencio de Jesus é paciente. Ouve os que Lhe falam sem jamais interrompê-los, se bem que saiba de antemão ao que Lhe têm a dizer; responde-lhes diretamente, admoesta, corrige com bondade, sem humilhar, sem magoar, como faz o melhor dos mestres para com o aluno. Escuta mesmo as coisas desagradáveis, alheias ao assunto, e sempre encontra ocasião para instruir e fazer o bem. Como é diferente o nosso modo de agir! Mostrando-nos impacientes em demonstrar que já compreendemos o que nos dizem, aborrecidos de escutar o que nos atrasa ou contraria, e tudo isto se revela no semblante e nas maneiras. (p.203)

Jesus é todo mel, todo doçura, todo amor! (cf. Hino do século XII: Jesu dulcis memória – 3º v.). (Brev. romano) Não foge de quem O odeia; convive com simplicidade com aqueles que hão de abandoná-lO, com a mesma simplicidade, a mesma doçura apesar de ter conhecimento de tudo. É que, não tendo chegado ainda o momento de falar, considera o futuro como se Lhe fosse desconhecido. E o que dizer da mansidão de Jesus no sofrimento? Cala-se habitualmente diante do espírito incrédulo de muitos de seus discípulos, diante do coração iníquo e ingrato de Judas, de quem conhece os pérfidos pensamentos e maquinações infames. Jesus tem a posse de si mesmo; é calmo, afetuoso com todos, como se não soubesse de coisa alguma. Entretém com eles as relações de sempre, a fim de respeitar o segredo que o Pai guarda com referência a eles. (p.204)

Jesus, mesmo na Paixão, não recebeu tantas humilhações como no Santíssimo Sacramento! A Terra é para Ele um Calvário de ignomínia. Vêem-se mesmo cristãos O desprezam, esquecendo esse Coração que lhes testemunhou tanto amor e que ainda se consome de amor por eles!… (p.213)

Ah! Jesus procurava um consolador em sua agonia, suspirava, no alto da cruz, por quem compartilhasse de sua dor profunda! Hoje em dia, porém, mais do que nunca, é necessária a reparação para com o Coração adorável de Jesus. (p.213)

Ora, no Santíssimo Sacramento, o Coração de Jesus está cheio de vida, palpitando por nós. (p.215)

Deus é Amor

Séculos e séculos antes de existirmos, Deus nos concebera em seu pensamento, nos idealizara em seus desígnios, pensamento e desígnio de amor. (cf. Efésios 1, 4) Ah! jamais O haveremos de amar como Ele nos ama. Ainda mesmo que nos esforcemos por dilatar o nosso amor, estendê-lo, fazê-lo ultrapassar os limites, estaremos sempre aquém do devido reconhecimento, sempre devedores de amor! (p.219)

Sim, Deus nos ama e não se contenta em nos amar genericamente, como parte de um todo, o que seria muito, aliás, e mais suficiente para a nossa salvação. Mas Ele quer atingir o extremo do amor infinito, e, por isto nos ama individualmente, particularmente, como se cada um de nós fosse o único a existir neste mundo. (cf. Gálatas 2, 20) (p.220)

A bondade de Deus que sobressai dentre todas é a bondade que perdoa. Deus é bom, e me ama, porque me perdoa quando O ofendo. Não tenho necessidade de outra prova de seu amor; nenhuma outra é mais convincente, nenhuma nos sensibiliza tão profundamente. (p.224)

A Santa Igreja Católica, Apostólica e Romana

Ora, é pela Eucaristia que a Igreja forma Jesus Cristo em seus filhos. A Eucaristia é o Pão Vivo (João 6, 51) com que lhes entretém a vida sobrenatural, e o meio de que se serve para educá-los, pois somente na Eucaristia as almas encontram a abundancia de luz e de vida, a força de todas as virtudes. (p.368)

A caridade maternal da Igreja nos acompanha até mesmo no Purgatório, onde ainda exerce o poder de seu sufrágio. (p.371)

A Igreja de Jesus Cristo é a Igreja Romana, que se personifica no Papa, sucessor de Pedro e Vigário de Jesus Cristo neste mundo. (p.372)

O Papa é Jesus Cristo ensinando, Jesus Cristo santificando, Jesus Cristo governando a sua Igreja. (p.372)

A Igreja é ainda o Bispo, representante do Papa, numa diocese, e que, por intermédio do mesmo Papa, recebeu de Jesus Cristo o poder e a graça de “governar a Igreja de Deus”, como diz São Paulo (cf. 2 Timóteo 1, 8)A Igreja é o Sacerdote, representante do Bispo numa paróquia, e que, no dizer do referido Apóstolo, é o Ministro de Jesus Cristo e o dispensador dos mistérios. (p.373)

O Papa é na Igreja o que o sol é para o mundo (Mateus 5, 14) e o que a alma é para o corpo. Os Bispos e os Sacerdotes recebem dele a doutrina e a regra de conduta a fim de comunicá-las a todo o povo cristão. (p.373)

É necessário em primeiro lugar honrar o Papa como o Vigário visível de Jesus Cristo. O Papa é o Doutor dos Doutores, o Pai dos Pais, o Mestre dos Mestres; (p.375)

Ah! o Sacerdócio é a maior dignidade que existe sobre a Terra; (p.378)
O Sacerdote prolonga a missão do Salvador sobre a Terra; no altar continua e remata o sacrifício do Calvário, aplicando às almas os frutos divinos de salvação. No Confessionário, purifica as almas no sangue de Jesus Cristo, gerando-as à santidade de seu amor. No púlpito, anuncia a verdade, o Evangelho de amor. Faz com que se projetem sobre as almas os raios desse Sol divino que ilumina e fecunda o homem de boa vontade. Ao pé do Tabernáculo, adora o seu Deus oculto por amor, como fazem os anjos na glória. Intercede aí por seu povo, pois é o poderoso medianeiro entre Deus e o pobre pecador. No mundo, o Sacerdote é amigo do pobre, o consolador do aflito, do enfermo, o pai de todos. É o homem de Deus. (1 Timóteo 6, 11; 2 Timóteo 3, 17) Jesus Cristo ama o seu Sacerdote e lhe prodigaliza as suas graças, os seus favores. (p.379)

O Sacerdote completa a obra da criação, elevando o homem até Deus, e refazendo-o à sua imagem e semelhança, que foram manchadas e deformadas pelo pecado. (p.380)

O Sacerdote é o filho predileto de Maria Santíssima: é Ela que o inicia na piedade desde a infância, e que lhe conserva a virtude. É Maria que sustenta seu fervor, que o conduz pela mão até os pés do altar e o apresenta ao Bispo, como fez outrora, levando Jesus ao Templo. Nossa Senhora infunde igualmente coragem nos múltiplos sacrifícios dos estudos, das lutas e responsabilidades do Sacerdócio. E o padre formado por Maria tornar-se-á de certo um santo e bom Ministro do altar, e será bem acolhido por Jesus. (p.383)

Ah! quão belo, quão divino e cheio de grandeza é o Sacerdote! Participa e completa a paternidade de Deus Pai. (p.386)

O Espírito Santo ama o Sacerdote, porque é o instrumento de que se serve para gerar nas almas a vida Divina e renovar, em suas mãos, a obra admirável da Encarnação operada no seio de Maria. (p.386)

E Nosso Senhor Jesus Cristo?! Ah! Ele ama o Sacerdócio, e o ama acima de tudo, pois que lhe concedeu todo o poder sobre a sua Pessoa, que somente pode viver com os homens, trabalhar entre eles e acercar-se dos pecadores, por intermédio do Sacerdote! Nosso Senhor não pode passar sem o seu Sacerdote! (p.386)

O Sacerdote é o homem do Coração de Nosso Senhor, que o ama sobre todas as coisas. Foi por amor que o tornou Sacerdote; é o fruto de suas mãos e de seu Coração. O Sacerdote brota das chagas de Jesus Cristo. (p.387)

O Sacerdote teria, assim, motivo de se envaidecer. Mas Deus, a fim de conservá-lo na humildade, deixa-lhe os seus defeitos, fragilidade, tentações e pecados, como contrapeso suficiente para mantê-lo no seu próprio nada. O sacerdote necessita também de misericórdia, e, ao perdoar os pecados de seu irmão, sente que, do mesmo modo, carece de perdão. (p.387)

Pedi, Sacerdotes, bons Sacerdotes. Toda família que conta entre seus membros um Sacerdote será eternamente enobrecida. Nosso Senhor a abençoa e protege com amor privilegiado. (p.389)

Desprezar o Sacerdote, pecar contra ele, seria pecar contra o próprio Jesus Cristo. “Aquele que vos despreza a Mim despreza”(Lucas 10, 16) (p.390)

Que os fiéis estejam, pois, bem precavidos contra a astucia infernal de seus inimigos que , com o intuito de destruir-lhes a fé no Sacerdote, não cessam de apontar os seus defeitos de homem, e de caluniá-lo à vontade, a fim de torná-lo desprezível e por este meio escandalizar os fracos. (p.390)

Cristão, compadecei-vos de vossos Sacerdotes! (p.392)

Família

Um pai de família deve se aplicar, portanto, antes de tudo, em dar aos seus filhos uma educação cristã, como alicerce sólido e indispensável de todo estado honesto e de futuro feliz. Deve, com grande cuidado, velar pela moralidade das escolas e das casas de educação às quais deseja confiar a inocência e fraqueza de seus filhos. (p.401)

Que o pai seja severo na proibição de livros perigosos, pois a impressão que deixam é indelével. Que seja intransigente em se tratando de más companhias, porquanto a mais sólida virtude não resiste por muito tempo a tão funesto escolho. (p.403)

A norma de sua vida, a vida de mãe de família é uma vida de dependência. Ao abraçar o seu estado, ela faz a Deus o sacrifício de sua liberdade e de sua vontade. (p.407)

Maria Santíssima jamais saiu dos limites da vocação simples e escondida que Deus Lhe havia traçado. E por isto foi tão agradável a Deus, tão perfeita em seu amor. (p.407)

A missão divina da mãe de família é missão de fé, de virtude, de oração e de sofrimento. (p.410)

A missão da mãe de família é missão de virtude. A mãe de família deve inspirar a virtude e torná-la amável a cada um dos seus. (p.411)

A mãe cristã ensinará muito cedo seus filhos a rezar, encarregando-se de fazer com que eles cumpram cada dia este dever. Há de habituá-los, sobretudo, à pratica da visita freqüente ao Santíssimo Sacramento, levando-os consigo à Igreja desde os mais tenros anos. (p.411)

Não amais por acaso a alguém neste mundo? Mães, não tendes vós um amor apaixonado pelos vossos filhos? Esposas, não amais profundamente vossos esposos? Filhos, tendes lugar em vossos corações para outra coisa além de vossos pais?

Pois bem! Revertei esse amor para Jesus. Não existem dois amores, mas apenas um. Nosso Senhor não vos pede que tenhais dois corações, um para Ele e outro para os que amais neste mundo. (p.415)

Bibliografia: São Pedro Julião Eymard. Flores da Eucaristia. Ed.Palavra e Prece. São Paulo, 2005.

O Amor de Jesus

O amor é o ponto de partida do serviço de Jesus Cristo e da perfeição evangélica. O amor, ponto de partida do serviço de Jesus Cristo. (p.14)

O amor é o ponto de partida do apostolado, do zelo pela Glória de Deus. Antes de confiar sua Igreja a Pedro, Jesus quer fazer dele o discípulo do amor;… “Simão, filho de João, tu me amas mais que estes?”, responde vivamente Pedro, “tu sabes que eu te amo”. O amor genuíno é humilde, eis por que Pedro não ousa comparar-se aos outros. “Apascenta os meus cordeiros”, trabalha por mim. Eis aí a única prova de amor, isto é, a dedicação filial.  (p.17)

O Amor de Jesus só pode ser devidamente apreciado na Sagrada Comunhão, quando a alma está dominada por esse fogo Divino. Ora, o fogo não se define, faz-se sentir. (p.49)

A caridade do adorador não se limita a este mundo. Vai visitar as almas que padecem no Purgatório, levar-lhes o socorro de seus sufrágios, de suas indulgências, do Santo Sacrifício; vai espargir algumas gotas do Sangue Divino sobre suas dores, sobre as expiações de seus pecados, a fim de consolá-las e de lhes abrir com maior brevidade as portas da Pátria Celeste. (p.58)

A vida mais longa, mais bela, mais rica, não passa de uma morte, digna de lágrimas, quando não tem a Jesus Cristo por fim. (p.164)

Fazei tudo por amor a Deus, sofrei tudo por Ele, e esse Bom Pai se agradará de nós. Ah! quão felizes seríeis se o amor fosse a regra, o motivo e a recompensa de vossos atos. Pode quem ama a Deus e é amado por Deus desejar ainda algo sobre a terra? (p.167)

É pela cruz que vamos a Jesus, que nos unimos a Jesus e que vivamos de seu Amor. Grande Graça é a Graça dos sofrimentos, e grande virtude é saber sofrer a sós em seu Amor. (p.233)

Eucaristia

A Sagrada Comunhão é a derradeira graça de amor, e nela Jesus Cristo se une espiritual e realmente ao fiel, a fim de nele produzir a perfeição de sua Vida e de sua Santidade. (p.71)

A Santa Igreja exige o máximo respeito diante do Santíssimo Sacramento, sobretudo quando exposto. Então deve reinar um silêncio ainda mais absoluto, uma atitude ainda mais respeitosa; (p.79)

O amor de Deus da Eucaristia deve ir mais longe ainda; deve preocupar-se em saber se Jesus será recebido digna e decentemente na casa do enfermo; (p.87)

Maria foi sempre a primeira adoradora de Jesus em todos os seus Mistérios. Convinha, com efeito, que coubesse a Coração tão puro e tão inflamado de amor a honra da primeira homenagem, e que recebesse a Graça inicial de no-la comunicar. Foi Maria que primeiro adorou o Verbo Encarnado em seu seio virginal; quem, ao vê-lo nascer, lhe ofereceu o primeiro dom de amor, que lhe fez a primeira profissão de fé. (p.89-90)

Em todas essas homenagens, o adorador tomará a Maria como modelo e protetora. Saberá honrá-la e amá-la como Rainha do Cenáculo e Mãe dos adoradores, os títulos mais caros ao seu Coração e mais gloriosos para Jesus. (p.94)

Mas a vida interior de Maria reside principalmente no amor que tem ao seu Divino Filho, partilhando com ele todos os seus pensamentos, todos os seus sentimentos, todos os seus desejos. Ela nunca perdia a lembrança da Presença de Jesus; unia-se incessantemente à sua oração e às suas adorações; vivia nele e para ele, recolhida na contemplação ininterrupta de sua Divindade e de sua santa Humanidade, toda submissa, toda entregue à influencia de sua Graça. (p.97)

Jesus no Santíssimo Sacramento, é sempre o Bom Mestre que, unicamente, aponta o caminho do Céu, ensina a Verdade de Deus, comunica a Vida de Amor. (p.121)

Jesus, no Santíssimo Sacramento, é sempre o Salvador em estado de imolação, oferecendo-se sem cessar ao Pai, como o fez na Cruz, pela salvação dos homens; apontando-lhe suas Chagas profundas e seu Coração aberto, para obter o perdão do gênero humano. (p.121)

O Céu se regozija, a Santíssima Trindade se compraz em ouvir a alma cristã exclamar: “Não vivo mais eu, mas Jesus vive em mim”. (p.175)

O Sacerdócio

Aos Sacerdotes, respeito religioso, honras angélicas. São eles os anjos da Nova Lei, os embaixadores celestes, os ministros de Deus. Desprezar o Padre, pecar contra ele, é pecar contra o próprio Jesus Cristo. “Aquele que vos despreza, me despreza” (Lucas 10, 16), disse o Salvador. (p.106)

Sabedoria

Desconfiai também da tentação de zelo, que nos leva a pensar nos outros e a descuidar-nos de nós mesmos. (p.181)

Amar a Deus é por Ele sofrer; amá-lO muito, é querer sofrer muito; amá-lO, perfeitamente, é morrer por Ele. (p.234)

Fomos talhados para sofrer, porque fomos criados para o Céu de Jesus Crucificado. A semente da Glória é o sofrimento. (p.235)

O sofrimento que, na intenção de Deus, se destinava a purificar-nos, a santificar-nos, a aproximar-nos dele, a levar-nos ao Céu, produz infelizmente, muitas vezes, efeito todo contrário. É que não sabemos sofrer. (p.236-237)

Coragem, o tempo esta passando, o Céu se aproximando e também Deus em seu eterno Amor. (p.239)

Em momento de provação, de sofrimento, de tentações de revolta, de irritação, entregai cuidadosamente a alma à Virgem Santíssima, vossa Mãe, a Jesus, vosso doce Salvador. (p.240)

A tempestade purifica a atmosfera, mas é passageira, e o sol surge em seguida mais belo e mais brilhante. (p.246)

Misericórdia de Deus

Oh! quanto deseja Jesus a volta do pecador e quanto sofre ao vê-lo retardá-la. (p.93)

Ao perdão, Nosso Senhor acrescenta Graças de uma doçura inefável. Afasta-nos a lembrança penosa dos nossos pecados, em vez de nos conservar um sentimento de pesar contínuo, diminui a dor, aviva a confiança, distribui a paz e alegria, a tal ponto que quem, cheio de vergonha se confessar por entre lágrimas, se erguerá absolvido e tão feliz, que a si mesmo causará admiração. No mundo, quem esteve na prisão levará sempre o vexame de um mau nome. Jesus reabilita aqueles a quem perdoa e trata-os como se nunca o tivesse ofendido. Quantas vezes os maiores pecadores não se tornam os maiores Santos! Assim São Paulo, para glorificar a Misericordia Divina, confessa ter sido um blasfemador, um perseguidor, o primeiro dos pecadores; no entanto Nosso Senhor chama-o de vaso de eleição. (p.97)

Deus nos amou desde toda eternidade, Verdade esta que devemos meditar toda a vida. Sempre existimos no Amor divino, e a Santíssima Trindade sempre nos teve presente: O Pai pensava na criatura; o Filho, naqueles que havia de remir; o Espírito Santo, nos que havia de santificar. (p.201)

A Misericordia de Deus é magnânima; perdoa generosamente e para sempre. Não sabe esquecer senão radicalmente. Restitui-nos a alegria da inocência e a honra primitiva. (p.231)

O caminho da perfeição

Ah! Que vigilância é necessária para não se tornar um sepulcro caiado! É bem mais fácil parecer perfeito aos outros quando no íntimo não se é nada, do que, sendo santo interiormente aparentá-lo exteriormente. (p.20)

Um dia, seremos amplamente recompensados de tudo quanto tivermos feito. Mas enquanto esperamos, entreguemo-nos somente ao serviço Divino. (p.45)

Mas existe uma espécie de orgulho mais perniciosa e que devemos evitar de modo particular: é o orgulho espiritual, que consiste em se gloriar das Graças Divinas, em se fazer a si o fim dos dons sobrenaturais, em se coroar com os benefícios Divinos. (p.75)

Foi na sua Agonia sangrenta que, no dizer de alguns santos, Nosso Senhor reparou sobremodo os pecados de pensamento…Agora, quanto à sensualidade da gula. O Salvador, que sempre vivera como pobre, contentando-se, a maior parte do tempo, com pão e água, nada provou no correr da Paixão. Depois de ter suado Sangue e água, de ter sido flagelado com três mil golpes, de percorrer, sob o ardente sol oriental, as ruas de Jerusalém, carregando a Cruz, cai extenuado, atormentado pela sede viva. Todavia esperará o Calvário para manifestá-la e por única resposta lhe oferecerão vinagre. A sensualidade do leito. Não é o leito da Cruz bastante duro? E o de Getsêmani? E o primeiro não foi a palha do presépio?…A palha, a terra e a Cruz, eis como Jesus satisfaz as imortificações do deitar.  (p.79-80).

Os apóstolos tornaram-se amigos e confidentes de Jesus, cujos segredos conheciam. “Chamo-vos meus amigos e não somente meus servos, porque tudo o que aprendi de meu Pai, vo-lo ensinei”. (p.102)

Se alguém vos amar em virtude de vossas qualidades, dizei-lhe: Não vos conheço! Iludi-vos afeiçoando-se a mim, que já não existo naturalmente. Dei a Jesus Cristo minha personalidade e meu coração e só Ele vive em mim. (p.114)

A cruz é antes um consolo que um suplício; assim o entenderam os Santos, ao abraçarem-na com tanto amor, com tanta alegria. (p.122)

O corpo não tem inteligência, nem fé. A vontade, por conseguinte o dominará e conduzirá; é um animal levado unicamente pela pancada. Ignora o que seja sobriedade e honra; a virtude lhe é desconhecida, é desregrado por natureza e deseja obstinadamente satisfazer seus caprichos. (p.124)

Mortifiquemos, pois, esse corpo que nos pode trair. (p.124)

Amar a Deus, rezar, tomar resoluções, é bom, é necessário, mas não basta; é preciso ainda subjugar vosso escravo. Enquanto o homem não domar o corpo, não será nem santo, nem verdadeiramente devoto; não produzirá atos bons, e sua piedade não será nem sólida nem duradoura. (p.126)

São Paulo prega em todas a suas epístolas a crucificação da carne, dos sentidos, do homem velho. É preciso reduzi-lo à escravidão, e quem não conseguir domá-lo por completo, jamais será virtuoso. Nisso consiste o exercício exterior e a prova da virtude da mortificação. (p.126-127)

Deus permitirá, por vezes, que as almas mais virtuosas vejam as coisas por um prisma turvo. Elas vos perseguirão, apesar de vossa inocência, a fim de vos purificar cada vez mais. Deus vos imporá ainda as enfermidades e os sofrimentos físicos, qual outra expiação corporal. Não os procurareis, nem às tentações e perseguições, mas se os encontrardes, aceitai-os, agradecendo à Misericordia Divina, que vos obriga desde já penitencia, para mais tarde vos poupar. (p.130-131)

A vida religiosa é um Calvário, é a escola do sofrimento, e procura-se nela um leito de preguiça. Ao faltar qualquer coisa, há impaciências, murmúrios…Viestes a vida religiosa para ser tratados melhor que em casa? Mil vezes, então, seria melhor ter ficado lá mesmo. (p.133)

Acreditai no que digo. Ninguém, nada neste mundo poderá vos tornar verdadeiramente felizes. Isso está reservado a Nosso Senhor. (p.163)

No Céu, os Santos são recompensados até do bem que fizeram às almas que, apesar dos seus socorros, se perderam. (p.165)

O retiro é a conversão real do homem natural ao homem espiritual, ou seja, da virtude imperfeita à perfeita. (p.197)

O homem, ao ser batizado, terá o seu nome inscrito no Livro da Vida; seu lugar no Céu ficará marcado, será o herdeiro da glória, com direito à herança de Jesus Cristo e nele. (p.210)

Desejar o Céu é um sentimento santo. E Deus, se difundiu em vossa vida sofrimentos, perseguições e cruzes, foi para despertar-vos este desejo. É ainda porque permite a inconstância nas amizades humanas. Não nos quer ver apegados aos bens terrenos, nem a pessoa alguma. Não fomos criados uns para os outros, mas só para Deus. (p.214)

Deus, em seu Amor, criou-nos para o Céu, que deve ser o objeto dos nossos desejos, o único e verdadeiro fim a que devemos visar. Se estamos na terra, é para nos tornarmos dignos do Céu. (p.216)

O Voto de pobreza dá os bens, o da virgindade, o coração; o da obediência, a vontade. De certo, em toda a plenitude de sua significância, mesmo interior e espiritual, esses Votos envolvem-vos completamente e consagram-vos inteiramente a Deus. (p.252)

Trabalhar naturalmente é amontoar num saco furado que nada pode conservar. Mas em que consiste essa vida natural? Consiste em trabalhar para si, em ser o fim de tudo o que se faz, em vez de tudo fazer por Deus; em obrar segundo o impulso natural e o amor-próprio, em procurar-se a si mesmo, a seu repouso, ou proveito naquilo que se faz. Sereis natural se fordes sensual de espírito, esforçando-vos por satisfazer à curiosidade; de coração, procurando expandir-se e descansar na afeição da criatura ou mesmo deixando-vos abater quando Deus vos retirar as consolações; de corpo, entregando-vos à moleza e aspirando repouso; sereis natural se não aceitardes as disposições em que Deus vos quiser, aridez, tentações, sofrimentos, ou se, em vez de aceitá-las com resignação exclamardes com impaciência: “Ah! quisera ser feliz!”…O nosso pobre eu é a raiz dessa vida natural; é o amor-próprio que almeja ser seu fim e gozar do que faz. (p.296-297)

A condição primordial à vida sobrenatural é o estado de Graça, a amizade de Deus e a fé ativa que opera pela caridade. Não fizéssemos outra coisa na vida senão nos mantermos no estado de Graça, já seria a perfeição, por subentender uma delicadeza excessiva em não ofender a Deus. O estado de Graça, então, nos faria praticar todas as virtudes, já que o Espírito Santo, estando em nós, estimularia sempre nossa vontade e nos levaria a produzir constantemente atos santos, qual terra bem semeada e adubada que produz com regularidade o seu fruto. O estado de Graça vivifica tudo e, ao se aperfeiçoar, a tudo aperfeiçoa. E certos místicos, baseados nesse motivo, afirmam que basta manter-se sempre nesse estado de Graça, porque tudo que for feito sob sua influencia será puro e sobrenatural, pois o estado santifica os atos. (p.297-298)

Que toda a nossa vida, nossas ações e nossos pensamentos nos sejam inspirados por Jesus Cristo, que se fez nossa alma e nosso corpo, nosso espírito e nosso pensamento, que se fez todo em nós, e em todos, e que deseja substituir nossa vida pela sua, nosso ser natural, o ser de adão, pelo seu Ser sobrenatural, o Ser do Filho de Deus. Numa palavra, procura substituir nossa personalidade pela Sua, a fim de nos identificar nele, de agirmos unicamente pelo Pai, para o Pai, em Jesus Cristo, seu Filho, e em seu Espírito Santo. Então seremos em verdade religiosos e santos; e Deus encontrará em nós sua gloria e em nós porá suas complacências. (p.413)

Humildade

Outro caráter da caridade de Cristo é a humildade. Ele se considerava como servo de seus apóstolos. Nunca nos coloquemos acima dos outros, nunca nos consideremos como superiores pela ciência ou pelas virtudes…Talvez vosso irmão possua, em grau menor, qualidades, ciência, virtudes, e nesse caso vos deve respeito. Mas, a vós, não vos cabe desejar um lugar superior ao dele, nem o tratar com altivez. (p.168)

Quando a alma se perturba, desanima, é porque deixou de ser simples, olhou para baixo e não para o alto. Sejamos como a criança, simples e cândida. (p.172)

Nunca invejeis a sorte dos Superiores, mas antes vos condoais deles. Tornaram-se responsáveis por vós e no dia do juízo por vós responderão. (p.173)

Amai-vos e respeita-vos como irmãos, que a crítica da vida alheia não penetre nas vossas conversações; que vossos olhos sejam simples e não vejam somente os defeitos. (p.176)

Comparai um homem piedoso, mas leviano, e um pecador que acaba de se converter, mas que é sério; ponde a ambos no caminho da perfeição e vereis que este em breve deixará aquele para traz. (p.181)

Se Deus vos conduzisse pelas veredas das humilhações, ser-vos-ia custoso? Mas é um favor! A todos inspiraríeis dó e todos viriam em socorro. Se apresentásseis maior riqueza que os outros, então todos desejariam roubar-vos. (p.191)

Queixamo-nos das dificuldades do caminho, das cruzes que encontramos. Mas são as chaves do Paraíso. (p.214)

Mas a santa pureza, qual lírio no deserto, cresce por entre espinhos; conservai-a cuidadosamente, envolvendo-vos nos espinhos da modéstia e mortificação. (p.281)

Deus sabe quão propensos somos ao orgulho, a nos comprazermos em nós mesmos…E como resultado disso temos e embora nos custe a crer…que Deus nos abaixa à medida que nos concede maiores Graças, quanto mais santo, mais humilhado; (p.314)

“Só desanima quem não tem confiança em Nosso Senhor”. (p.316)

“À medida que crescerdes na piedade e na virtude, aumentarão as tentações de desanimo”. (p.394)

Jesus Cristo manifesta sua humildade na dependência que mostra para com seu Divino Pai. Devolve-lhe toda a Glória e declara receber dele seu Ser, sua ação, sua palavra, seu pensamento. (p.415)

“A mansidão é necessária no trato com o próximo”.(p.424)

Eucaristia

Considerai a hora de adoração que vos cabe como uma hora celestial; (p.13)

Haverá algo de mais simples do que comparar o nascimento de Jesus no presépio com seu nascimento sacramental no Altar e nos corações? (p.17)

A ação de graças é, para a alma, o mais suave e, para Deus, o mais agradável ato de amor; é a homenagem perfeita prestada à sua infinita Bondade. A Eucaristia constitui, portanto, o mais excelente agradecimento. Eucaristia significa ação de graças e Jesus, agradecendo ao Pai por nós, torna-se nossa mesma ação de graças. (p.20)

…quais devem ser os efeitos da Eucaristia em nós. Em primeiro lugar deve fazer-nos morrer ao pecado e às inclinações viciosas; em segundo, morrer ao mundo, crucificando-nos com Jesus Cristo…Em terceiro, morrer a nós mesmos, aos nossos gostos, desejos, sentidos para nos revestir de Jesus Cristo de tal forma que Ele viva em nós e que nós sejamos apenas seus membros, dóceis a suas vontades. (p.72)

Nosso Senhor não quis permanecer na terra somente pela sua Graça, sua Verdade e sua Palavra, mas sim pela sua Pessoa. (p.82)

Ora, pela Eucaristia a Igreja forma a Jesus Cristo nos seus filhos. Pela Eucaristia, o Pão Vivo, alimenta sua Vida sobrenatural. (p.87)

E Jesus se manifesta gradualmente à nossa alma segundo a medida da fé e do Amor, e esta encontra em Jesus alimento renovado, Vida inesgotável. (p.94)

Em Jesus temos consolação, repouso nas horas de cansaço, nas aflições da alma, nos quebrantamentos do coração. Na Eucaristia encontramos bálsamo para os nossos males, pagamento das nossas dívidas que, em virtude dos nossos pecados, contraímos diariamente para com a Justiça Divina. Nosso Senhor oferece-se a cada manhã, qual Vítima de propiciação, pelos pecados do mundo. (p.136)

Quantos soberanos reinam pelo amor? Só Jesus Cristo não impõe seu jugo pela força, pois seu Reinado é todo doçura; (p.148)

Deus deu-nos uma capacidade intelectual que rapidamente se esgota, mas foi generoso em se tratando do coração, que pode sempre amar mais. (p.159)

Reparai os Santos e vede como o amor os transborda, os faz sofrer, os abrasa. É um fogo que os consome incessantemente. (p.169)

Tudo o que pertence à Pessoa do Filho de Deus é infinitamente digno de veneração. A menor parcela do seu Corpo, a mais leve gota de seu Sangue, merecem as adorações do Céu e da terra. (p.249)

A Eucaristia é o Céu antecipado. (p.256)

A Eucaristia deposita em nós o fermento da ressurreição, a causa de uma glória especial e mais brilhante que, semeada na carne corruptível, brotará sobre nosso corpo ressuscitado e imortal. (p.258)

Já não notaste que, ao possuir Jesus no coração desejais o Paraíso e desprezais tudo o mais? (p.259)

Humildade

E, quanto maior a perfeição, maior a humildade, porque mais se tem para dar a Deus. (p.186)

Seremos humildes de coração se recebermos de Deus, em toda situação, qualquer humilhação, qual bem, qual ato que lhe rende muita glória; de aceitarmos nosso estado e nossos deveres, quaisquer que sejam, sem nos envergonhar da nossa posição; se formos simples e naturais por entre graças divinas extraordinárias. (p.194-195)

A pobreza interior, bem entendida, torna-se o remédio às três concupiscências que trazemos em nós. Ataca a vaidade, a cobiça de tudo saber, a sensualidade do espírito. (p.212)

“É preciso que Ele cresça e que eu diminua”. (João 3, 30)..Devemos visar fazer crescer a Nosso Senhor..Então nós nos prostramos, nos diminuímos e colocamos a Nosso Senhor no seu trono. Tal idéia, na prática, nos levará longe. Por enquanto nada somos, mas talvez um dia surjam entre os adoradores, homens de mérito. (p.269)

Mansidão

A humildade de coração produz a doçura. Jesus foi doce. Essa virtude é, por assim dizer, o traço dominante de sua Vida. É seu Espírito. “Aprendei de mim que sou manso”. (p.196)

Mui necessária seria essa mansidão de coração. E não a temos. Quantas vezes, pelo contrário, irritamo-nos, e muito, quer por pensamentos, quer por juízo!…Se prevemos alguma contradição, logo fervem em nosso espírito argumentos, justificações, respostas enérgicas. Ah! quão longe estamos da mansidão do Cordeiro! É o amor-próprio que só vê a si, aos seus interesses, (p.197)

Admirável de Paciência para com o povo que o cerca, portando-se com calma encantadora no meio de muitas agitações, dos pedidos, das exigências de um povo…(p.200)

O silencio de mansidão de Jesus é paciente. Ouve até o fim aqueles que lhe falam, sem jamais os interromper, embora saiba de antemão tudo o que lhe vão dizer. Responde-lhes diretamente. Repreende, corrige com Bondade, sem humilhar, sem a ninguém ferir, procedendo qual o melhor dos mestres para com o aluno inexperiente. Contam-lhe coisas desagradáveis, estranhas ao assunto, encontrando Ele sempre ocasião de instruir, de semear o bem. (p.202)


São Pedro Julião Eymard. A Divina Eucaristia. 2002. Vol.1.4.5.Edições Loyola.

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