Biografia dos Santos

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Biografia da vida de Santa Francisca Romana

O Divino Salvador instituiu Sua Igreja sobre alicerces bem seguros: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16, 18). Mas, ao longo da História, as forças infernais não deixaram de investir contra essa rocha inabalável.

Uma dessas investidas teve início com as agitações políticas e sociais que forçaram o Papa Clemente V a transferir, em 1309, a sede do Papado para a cidade francesa de Avignon, onde os sucessores de Pedro permaneceram até 1376. Foi um longo período de conturbações que culminaram no Grande Cisma do Ocidente (1378-1417).

A eclosão do Cisma veio agravar ainda mais a situação, a ponto de a Cidade Eterna ficar reduzida a uma situação de miséria, açoitada por guerras, carestia e pestes. Nesse contexto, destacou-se como luminoso anjo da caridade uma jovem dama da alta nobreza: Santa Francisca Romana, a qual, por sua prodigiosa atividade em favor dos pobres e doentes, conquistou o honroso título de Advocata Urbis (Advogada da Cidade).

Piedade precoce

Nascida em 1384, Francisca pertencia a uma rica família de patrícios romanos. Seus pais, Paulo Bussa de Leoni e Jacovella de Broffedeschi, proporcionaram-lhe uma primorosa educação cristã. Desde a mais tenra idade, acompanhava a mãe nas práticas de piedade, como abstinências, orações, leituras espirituais e visitas a igrejas onde pudessem lucrar indulgências.

Frequentava muito a Basílica de Santa Maria Nova, a preferida de sua mãe, confiada aos monges beneditinos de Monte Olivetto. Ali, Francisca começou a receber, ainda criança, direção espiritual de Frei Antonio di Monte Savello, com quem se confessava todas as quartas-feiras.

Aos onze anos, manifestou o desejo de consagrar-se a Deus pelo voto de virgindade. Sua inclinação para a vida monástica se fez notar quando — a conselho do diretor espiritual, para provar a autenticidade de sua vocação — começou a praticar em casa algumas austeridades próprias a certas ordens religiosas femininas. Seu pai, porém, opôs-se a esses infantis projetos, pois ela estava já prometida em casamento a Lourenço Ponziani, jovem de nobre família, bom caráter e grande fortuna.

Esposa exemplar

Francisca foi sempre esposa exemplar. Por desejo do marido, apresentava-se em público com a categoria de dama romana, usando belas jóias e suntuosos trajes. Mas debaixo deles vestia uma tosca túnica de tecido ordinário. Dedicava à oração suas horas livres, e nunca negligenciava as práticas de vida interior. Transformou em oratório um salão do palácio e aí passava longas horas de vigília noturna, acompanhada por Vanozza. Era objeto de mofa das pessoas mundanas, mas sua família a considerava um “anjo da paz”.1

Os desígnios da Providência

Três anos após seu casamento, contraiu uma grave enfermidade que se prolongou por doze meses, deixando temerosos todos os membros da família. Francisca, porém, não temia, pois colocara sua vida nas mãos de Deus, com inteira resignação. Nesse período de prova, por duas vezes apareceu-lhe Santo Aleixo. Na primeira, perguntou-lhe se queria curar-se, e na segunda comunicou-lhe que “Deus queria que permanecesse neste mundo para glorificar seu nome”.2 Colocando então seu manto dourado sobre ela, restituiu-lhe a saúde.

Essa enfermidade, contudo, a fizera meditar profundamente sobre os planos da Providência a seu respeito. E uma vez restabelecida, decidiu, com Vanozza, levar uma vida mais conforme ao Evangelho, renunciando às diversões inúteis e dedicando mais tempo à oração e às obras de caridade.

Proteção do Anjo, ataques do demônio

Foi nessa época que Deus enviou-lhe um Anjo especial para guiá-la na via da purificação. Ela não o via, mas ele estava constantemente a seu lado e se manifestava por meio de sinais claros. Além de amigo e conselheiro, era vigilante admoestador, que a castigava quando ela cometia qualquer pequena falta. Certa vez em que Francisca, por respeito humano, não interrompeu uma conversa superficial e frívola, ele aplicou-lhe na face um golpe tão forte que deixou sua marca por vários dias e foi ouvido na sala inteira!

O demônio empreendia todo tipo de esforços para perturbar a vida e, sobretudo, impedir a santificação de Francisca. Como a Santa sempre triunfava de suas tentações, ele recorria com frequência a ataques diretos. Assim, em certa ocasião ela e Vanozza retornavam da Basílica de São Pedro e decidiram tomar um atalho, pois já era tarde. Chegando à margem do Tibre, inclinaram-se para tomar um pouco de água. Empurrada por uma força invisível, Francisca caiu no rio. Vanozza lançou-se para salvá-la e foi também arrastada pela correnteza. Sentindo em perigo suas vidas, recorreram a Deus e no mesmo instante se viram de novo na margem, sãs e salvas.

Modelo de mãe e de dona de casa

Quando em 1400 nasceu seu primeiro filho, João Batista, não duvidou em deixar algumas de suas mortificações e exercícios piedosos, para melhor cuidar do menino. Ao carinho materno, unia a firmeza da boa educadora, corrigindo-o em suas infantis manifestações de teimosia, obstinação e cólera, sem nunca ceder às suas lágrimas de impaciência. Foi modelo de mãe igualmente para João Evangelista e Inês, que nasceram alguns anos depois.

Seu Anjo ajudou-a a levar sua vida matrimonial com amor e dedicação, tanto para o esposo quanto para os filhos. Cumpria com perfeição seu ofício de dona de casa, compreendendo que os sacrifícios impostos pelas tarefas cotidianas fazem parte da purificação necessária nesta vida e têm prioridade sobre as mortificações particulares. Desempenhou-se de tal maneira que, em 1401, quando faleceu a esposa do velho Ponziani, seu sogro, este incumbiu-a do governo do palácio. Nessa função, a jovem senhora demonstrou grande capacidade, inteligência e, sobretudo, bondade.

Organizou os trabalhos da numerosa criadagem de modo a todos terem tempo de cumprir seus deveres religiosos. Assistia-os em suas necessidades materiais e os incentivava a levar uma vida verdadeiramente cristã. Quando algum deles adoecia, Francisca se fazia de enfermeira, mãe e irmã. E se a enfermidade acarretava perigo de vida, ela mesma ia buscar a assistência espiritual de um sacerdote, a qualquer hora do dia ou da noite.

Prodígios realizados em vida

Por volta de 1413, a fome se abateu sobre Roma. O sogro de Francisca alarmou-se ao ver que ela conti­nuava muito generosa em ajudar os necessitados… distribuindo-lhes parte das provisões que ele reservara para sustento da família, e proibiu-a de fazê-lo. Não podendo mais a caridosa dama dispor daqueles víveres para socorrer os famintos, começou a pedir esmolas para eles. E certo dia, tomada de súbita inspiração, foi com Vanozza a um celeiro vazio do palácio para procurar o que pudesse ter restado de trigo no meio da palha. À custa de paciente trabalho, conseguiram recolher alguns poucos quilos do desejado grão. Coisa admirável: logo após a saída das duas, Lourenço, seu esposo, entrou no celeiro e lá encontrou 40 sacos contendo, cada um, 100 quilos de trigo dourado e maduro!

Idêntico prodígio se deu na mesma época: querendo levar aos pobres um pouco de vinho, Francisca recolheu a escassa quantidade que restava no fundo de um tonel e no mesmo instante este encheu-se milagrosamente de um excelente vinho.

Esses prodigiosos fatos muito contribuíram para suscitar em Lourenço um temor reverencial e amoroso por sua esposa. Em consequência, ele lhe deu liberdade de dispor de seu tempo para suas obras apostólicas e lhe permitiu trocar seus belos trajes e joias — os quais ela apressou-se a vender para distribuir aos pobres o dinheiro — por roupas simples e pouco vistosas.

Guerras e provações

Muitas provações ainda a aguardavam. A situação política da Península Itálica e a crise decorrente do Grande Cisma do Ocidente acarretaram-lhe muitos sofrimentos. Roma estava dividida em dois grupos que travavam encarniçada guerra: a favor do Papa, os Orsini, de cuja facção Lourenço fazia parte; de outro lado, os Colonna, apoiando Ladislau Durazzo, rei de Nápoles, que invadiu Roma três vezes. Na primeira invasão, Lourenço foi gravemente ferido em combate, sendo curado pela fé e dedicação da esposa. Na segunda, em 1410, as tropas saquearam o palácio dos Ponziani, e os bens da família foram confiscados. Pior ainda, Francisca viu seu esposo e seu filho Batista partirem para o exílio.

Em 1413 e 1414, a capital da Cristandade ficou entregue à pilhagem e reduzida à miséria. Um novo flagelo, a peste, veio agravar essa situação. A Santa transformou o palácio em hospital e cuidava pessoalmente das vítimas da terrível doença. Era um anjo da caridade naquela infeliz cidade assolada pelo infortúnio.

Sua própria família não ficou imune a essa tragédia: em 1413 morreu Evangelista, seu filho mais novo, e no ano seguinte a pequena Inês. Por fim, ela também contraiu a doença, mas foi milagrosamente curada por Deus.

Visões e dons sobrenaturais

Ainda em 1413, apareceu-lhe seu filho falecido havia pouco, tendo a seu lado um jovem do mesmo tamanho, parecendo ser da mesma idade, mas muito mais belo.

— És realmente tu, filho do meu coração? — perguntou ela.

Ele respondeu que estava no Céu, junto com aquele esplendoroso Arcanjo que o Senhor lhe enviava para auxiliá-la em sua peregrinação terrestre.

— Dia e noite o verás ao teu lado e ele te assistirá em tudo — acrescentou.

Aquele Espírito celestial irradiava uma tal luz que Francisca podia ler ou trabalhar à noite, sem dificuldade alguma, como se fosse dia. E lhe iluminava o caminho quando precisava sair à noite.

Na luz desse Arcanjo, ela podia ver os pensamentos mais íntimos dos corações. Recebeu, ademais, o dom do discernimento dos espíritos e o de conselho, os quais usava para converter os pecadores e reconduzir os desviados ao bom caminho.

Deus a favoreceu com numerosas outras visões. As mais impressionantes foram as do inferno. Viu em pormenores os suplícios pelos quais são punidos os condenados, de acordo com os pecados cometidos. Observou a organização hierárquica dos demônios e as funções de cada um na obra de perdição das almas, uma paródia da hierarquia dos Coros Angélicos. Lúcifer é o rei do orgulho e o chefe de todos. Viu ainda como os atos de virtude praticados pelos bons atormentam essas miseráveis criaturas e prejudicam sua ação na terra.

Vida de apostolado

Tendo falecido o rei Ladislau, restabeleceu-se a paz na Cidade Eterna, seu esposo e seu filho Batista regressaram do exílio, e a família Ponziani recuperou os bens injustamente confiscados.

Por meio de orações e boas palavras, a Santa conseguiu convencer Lourenço a reconciliar-se com seus inimigos e a entregar-se a uma vida de perfeição. E após o casamento do filho, entregou à nora — convertida por ela — o governo do palácio para dedicar-se inteiramente às obras de caridade e de apostolado.

Lourenço deixou-a livre para fundar uma associação de religiosas seculares, com a condição de continuar vivendo no lar e não parar de guiá-lo no caminho da santidade. Orientada por seu diretor espiritual, fundou uma sociedade denominada Oblatas da Santíssima Virgem, segundo o modelo dos beneditinos de Monte Olivetto. Em 15 de agosto de 1425, Francisca e outras nove damas fizeram sua oblação a Deus e a Maria Santíssima, mas sem emitir votos solenes. Vivia cada qual em sua casa, seguindo os conselhos evangélicos, e se reuniam na igreja de Santa Maria Nova para ouvir as palavras de sua fundadora, que para elas era guia e modelo a imitar.

Alguns anos depois, ela recebeu a inspiração de transformar essa sociedade em congregação religiosa. Adquiriu o imóvel de nome Tor de’ Specchi e, em março de 1433, dez Oblatas de Maria foram revestidas do hábito e ali se estabeleceram, em regime de vida comunitária. Em julho desse mesmo ano, o Papa Eugenio IV erigiu a Congregação das Oblatas da Santíssima Virgem, nome mudado posteriormente para Congregação das Oblatas de Santa Francisca Romana. Era uma instituição nova e original para seu tempo: religiosas sem votos, sem clausura, mas de vida austera e dedicadas a um genuíno apostolado social.

Comprometida como estava pelo matrimônio, somente depois da morte do esposo, em 1436, Francisca pôde afinal realizar o maior desejo de sua vida: fazer-se religiosa. Entrou como mera postulante na congregação por ela fundada. Mas foi obrigada — pelo capítulo da comunidade e pelo diretor espiritual — a aceitar os encargos de superiora e fundadora.

Viu o Céu aberto e os Anjos vindos para buscá-la

Viveu no convento apenas três anos. Em 1440, viu-se forçada a retornar ao palácio Ponziani para cuidar de seu filho, gravemente enfermo. Atingida por uma forte pleurisia, ali permaneceu, por não ter mais forças. Soube então que havia chegado seu derradeiro momento. Padeceu terrivelmente durante uma semana, mas pôde dar seus últimos conselhos às suas filhas espirituais e despedir-se delas.

No dia 9 de março, depois de agradecer a seu diretor, o Padre Giovanni, em seu nome e no da comunidade, quis rezar as Vésperas do Ofício da Santíssima Virgem. Com os olhos muito brilhantes, dizia estar vendo o Céu aberto e haverem chegado os Anjos para buscá-la. Com um sorriso iluminando-lhe a face, sua alma deixou esta Terra.

Ao elevá-la às honras dos altares, em maio de 1608, o Papa Paulo V qualificou-a de “a mais romana de todas as Santas”.3 E o Cardeal São Roberto Belarmino, que contribuíra decisivamente, com seu voto, para a canonização, declarou no Consistório: “A proclamação da santidade de Francisca será de admirável proveito para classes muito diferentes de pessoas: as virgens, as mulheres casadas, as viúvas e as religiosas”.4

Quatro séculos depois, o Cardeal Angelo Sodano traçava dela este quadro: “Lendo sua vida, parece que nos deparamos com uma daquelas mulheres fortes, das quais estão repletos os Livros Sagrados e as páginas da História da Igreja. […] Mulher de ação, Francisca hauria, contudo, de uma intensa vida de oração a força necessária para seu apostolado social”.5

Precioso conselho para todos nós: é “de uma intensa vida de oração” que nos vem a força para levar avante nossas obras de apostolado. ²

1 SUÁREZ, OSB, Pe. Luis M. Pérez. Santa Francisca Romana. In: ECHEVERRÍA, L.; LLORCA, B. e BETES, J. (Org.). Año Cristiano. Madrid: BAC, 2003. p. 173.

2 Idem, ibidem.

3 Tor de’Specchi, Monastero delle Oblate di S. Francesca Romana – Venerazione e culto. Disponível em: . Acesso em: 14/01/2009.

4 SUÁREZ, OSB, Op. cit., p. 185.

5 SODANO, Card. Angelo. Homilia por ocasião da festa de Santa Francisca Romana, 05/03/2005. Disponível em: . Acesso em: 14/01/2009.

Fonte:http://revista.arautos.org.br/RAE87-Santa-Francisca-Romana-O-anjo-da-Cidade-Eterna.asp

Santidade em todos os estados de vida

Esta santa foi exemplo de donzela católica, esposa, mãe, viúva, religiosa, e um prodígio de graça e santidade. Ainda em vida teve desvendados mistérios de além-túmulo, sendo favorecida por visões do Inferno, Purgatório e Céu, bem como pela presença visível de seu Anjo da Guarda. Recebeu também a proteção de um Arcanjo, e depois de uma Potestade.

Francisca, nascida em 1384 de uma alta família do patriciado romano, recebeu a formação católica da mãe, mas foi dirigida nas vias da santidade pelo Divino Espírito Santo. De pureza virginal, não pensava senão em consagrar-se inteiramente a Deus. Aos 12 anos fez voto de ser religiosa. Mas não era esse o desígnio de Deus, pelo menos naquele momento. E assim, aconselhada pelo diretor espiritual, teve que aceitar o matrimônio proposto por seu pai com o jovem Lourenço Ponziani, também de alta estirpe e boa disposição para a virtude.

Apesar de sua pouca idade, a jovem esposa empenhou-se em estudar o gênio do marido, para com ele viver em perfeita harmonia conjugal. E o fez tão bem que, durante os 40 anos que durou seu casamento, jamais houve o menor desentendimento entre esposo e esposa.

Casando-se, Francisca foi morar no palácio do marido. Lá encontrou um tesouro na pessoa de sua cunhada Vanossa, predisposta a secundá-la em tudo, na linha da virtude e do bem. As duas passaram a visitar os pobres, assistir os doentes e praticar toda espécie de obras de misericórdia. Para tal, os respectivos maridos, reconhecendo os méritos e alta virtude das esposas, davam-lhes inteira liberdade de ação.

Assim, um dia Roma estupefata viu Francisca, a grande dama da aristocracia, arrastando pelas ruas principais da cidade um asno carregado de lenha, e ainda com um feixe sobre a cabeça, que ia distribuindo aos pobres. Também foi vista às portas das igrejas junto aos pobres, mendigando com eles para socorrer os que estavam impossibilitados de fazê-lo. Num ano de muita carestia, Francisca e Vanossa foram de porta em porta pedir esmolas para os pobres. Muitos se escandalizavam em ver duas matronas da aristocracia praticando tão modesta tarefa. Outros, pelo contrário, edificavam-se com tanta humildade e juntavam-se a elas.

Ela converteu várias mulheres perdidas; porém, a algumas que não quiseram fazer penitência e emendar-se, empenhou-se para que fossem expulsas de Roma ou de asilos a que se tinham retirado, para que não pervertessem outras.

Formando os filhos para o Céu

Sabendo que os filhos são dados para preencher os tronos tornados vazios no Céu pela queda dos demônios, Francisca os pediu a Deus. E teve três. Ao primeiro deu como patrono São João Batista, ao segundo São João Evangelista, e à terceira, uma menina, Santa Inês.

Cuidando ela mesma de sua educação, preparou-os antes para a vida que não tem fim. Assim João Evangelista, que viveu apenas nove anos, progrediu tanto na virtude, que chegou a ter o dom da profecia. No momento da morte, viu São João e Santo Onofre que vinham buscá-lo.

Tempos depois de morrer, apareceu à mãe todo resplandecente de glória, acompanhado por um jovem ainda mais brilhante, dizendo-lhe que, da parte de Deus, viria logo buscar sua irmãzinha Inês, então com cinco anos. E que Deus dava à mãe, para ajudá-la nas vicissitudes da vida, além de seu Anjo da Guarda, um Arcanjo para a proteger e iluminar no caminho da virtude.

Francisca passou a ter a presença radiante desse Arcanjo noite e dia, de modo tal que não precisava da luz material para seus afazeres, pois a do espírito celeste lhe bastava.

Estado de continência na vida conjugal

Como Santa Francisca viveu na tumultuada época em que Roma estava dividida em dois partidos _ o dos Orsini, que lutavam em favor do Papa, e em cujo serviço Lourenço tinha alto cargo, e o dos Colonas, que apoiavam Ladislau de Nápoles _, teve muito que sofrer. Seu marido foi gravemente ferido em uma das refregas e levado como prisioneiro, e seu filho como refém; teve também a casa saqueada, sendo despojada de seus bens. Como novo Jó, apenas repetia: “Deus me deu, Deus me tirou, bendito seja Ele”. Mais tarde, como o patriarca, teve seus familiares e bens restituídos.

Quando Lourenço foi gravemente ferido, Francisca tratou-o com todo amor e carinho. E aproveitou, quando este se restabeleceu, para persuadi-lo a viverem dali para a frente em perfeita continência. Ele acedeu contanto que ela não o abandonasse e continuasse dirigindo sua casa. Feliz, Francisca vendeu suas jóias e ricos vestidos, deu o dinheiro aos pobres e passou a andar com uma grosseira túnica sobre áspero cilício. Começou a tomar uma só refeição por dia, e ainda assim consistindo apenas em legumes insípidos. Aumentou as disciplinas e passou a dedicar mais tempo à oração.

Elaboração da Regra de sua Ordem: orientação de Apóstolos e grandes santos

Francisca via o perigo que corriam muitas damas de Roma entregues às frivolidades e futilidades de uma sociedade decadente, na qual já se podiam perceber os inícios funestos do Renascimento. Por isso orava e chorava diante de Deus, pedindo remédio para isso. Ouviu então uma voz que lhe dizia: “Vai, trabalha, reúne-as, infunde teu espírito e o espírito de Bento, o patriarca, espírito de paz, de oração e de trabalho” (1). A serva de Deus começou então a reunir viúvas e donzelas dispostas a viver no estado de perfeição. No princípio formou só uma associação de mulheres piedosas dedicadas ao culto da Mãe de Deus e ao trabalho da própria santificação. Mas depois, por inspiração de Deus, surgiram as “Oblatas de São Bento”. São Pedro, São Paulo, São Bento e Santa Maria Madalena apareceram-lhe diversas vezes, instruindo-a sobre os pontos da regra. “Ela a levou depois a uma tal perfeição, que se pode dizer que nela deixou a idéia mais perfeita da vida religiosa” (2).

Quando faleceu seu marido, Francisca encaminhou o futuro do filho que lhe restava, deixando-lhe toda sua herança, e pediu admissão na congregação que fundara. Por obediência a seu confessor, aceitou o cargo de superiora. E Deus bendisse seu sacrifício dando-lhe por companheiro mais um Anjo do coro das Potestades, cuja glória era muito mais esplendorosa ainda que a do Arcanjo. Era também muito maior seu poder contra os demônios, pois com um só olhar os afugentava (3).

Vítimas de violentos ataques

Se é verdade que a santa tinha contínuo comércio com os anjos, não é menos verdade que também o espírito infernal não lhe dava trégua, agredindo-a muitas vezes, até fisicamente. Assim, uma vez estava ela de joelhos junto a uma religiosa doente, quando o demônio a agarrou com fúria e a arrastou pelo quarto até a porta. Outra noite, estando ela em oração, tomou-a pelos cabelos e levou-a a um terraço, deixando-a pendurada sobre a via pública. Encomendou-se Francisca a Deus, e logo viu-se em sua cela.

Numa outra ocasião, Santa Francisca acendia uma vela benta. O espírito infernal pegou a vela, atirou-a ao solo e cuspiu em cima. A santa lhe perguntou por que profanava uma coisa santa. Ele respondeu: “Porque as bênçãos da Igreja me desagradam sobremaneira”.

Impressionantes visões do Inferno, Purgatório e Céu

Santa Francisca foi favorecida com muitas visões sobre a vida do além, tendo sido levada em espírito por seu Anjo ao Inferno, ao Purgatório e ao Paraíso celeste. Depois de testemunhar os horrores do Inferno, foi levada ao Purgatório. Sobre este lugar de expiação, diz ela: “Nele não reina nem o horror, nem a desordem, nem o desespero, nem as trevas eternas [do inferno]; lá a esperança divina difunde sua luz. ” E lhe foi dito que esse lugar de purificação era também chamado de `pousada de esperança’. Ela lá viu almas que sofriam cruelmente, mas anjos as visitavam e assistiam em seus sofrimentos” (4).

Foi levada ao Paraíso celeste, onde compreendeu algo da essência de Deus.

A Paixão de Cristo era sua meditação ordinária, sendo que algumas vezes sentia fisicamente as dores padecidas por Cristo. Era grande devota da Sagrada Eucaristia, sobre a qual fazia longas meditações diante do Sacrário. Na véspera de Natal de 1433, Francisca teve a dita de receber em seus braços o Divino Menino Jesus.

Falecimento e elogio ímpar de Doutor da Igreja

Em 9 de março de 1440, conforme havia predito, a Santa entregou a alma a Deus. Contava 56 anos de idade, dos quais havia passado doze na casa paterna, quarenta no estado de matrimônio e quatro como religiosa.

Roma chorou e exaltou aquela ilustre filha. Milagres começaram a operar-se em seu túmulo.

“Quando, em 1606, estava em andamento o processo de canonização de Francisca, o Cardeal São Roberto Belarmino, Doutor da Igreja, juntou ao seu voto favorável uma declaração que consistiu num elevado elogio da extraordinária Santa. Afirmou que tendo ela vivido primeiro em virgindade, depois, uma série de anos, em casto matrimônio, tendo suportado os incômodos da viuvez, e tendo seguido finalmente a vida de perfeição no claustro, merecia tanto mais as honras dos altares quanto mais podia ser apresentada como modelo de virtude a todas as idades e todos os estados” (5).
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Notas

1 – Fr. Justo Pérez de Urbel, O.S.B., Año Cristiano, Ediciones Fax, Madrid, 1945, tomo I, p.454.
2 – Les Petits Bollandistes, Vies des Saints, d’après le Père Giry, Paris, Bloud et Barral, Libraires-Éditeurs, 1882, tomo III, p. 314.3 – Edelvives, El Santo de Cada Día, Editorial Luis Vives, S.A., Saragoza, 1947, tomo II, p. 98.
4 – Pe. F. X. Shouppe, S.J., Purgatory _ Explained by the Lives and Legends of the Saints, TAN Books and Publishers, Inc., Rockford, Illinois, USA, 1973, p. 11.
5 – Pe. José Leite, S.J., Santos de Cada Dia, Editorial Apostolado da Oração, Braga.

Fonte:http://www.catolicismo.com.br/materia/materia.cfm?idmat=536&mes=marco2001

Biografia do Vaticano sobre Santa Francisca Romana:

SECRETARIA DE ESTADO

HOMILIA DO CARDEAL ANGELO SODANO
POR OCASIÃO DA FESTA ANUAL
DE SANTA FRANCISCA ROMANA
NA BASÍLICA DE SANTA MARIA NOVA

Roma, 5 de Março de 2005

Queridos Concelebrantes
Irmãos e irmãs no Senhor!

A festa de santa Francisca Romana celebra-se na Quaresma e a liturgia deste tempo recorda-nos a necessidade da purificação interior, através da oração, do jejum e das obras de misericórdia. Mas isto pode ser, sem dúvida, também a Mensagem que a Santa nos transmite, toda dedicada a uma vida de oração e de caridade, que suscitava admiração entre os romanos do seu tempo.

1. Cinco séculos e meio nos separam daquele longínquo 9 de Março de 1440, dia em que Francisca expirava na sua casa de Tor de’ Specchi, com 56 anos. Mas a sua fome de santidade permanece intacta até aos nossos dias.

Lendo a sua vida, parece que nos deparamos com uma daquelas mulheres fortes, das quais os Livros Sagrados e as páginas da história da Igreja estão repletos. Exemplo de mulher forte, primeiro na vida familiar e depois na monástica. Exemplo de mulher generosa, totalmente dedicada às obras de caridade, numa Roma que no início de 1400, estava provada por carestias e pestes.
Devota frequentadora desta nossa igreja de Santa Maria Nova, quantas vezes a nossa santa terá ouvido nela as palavras de Jesus que hoje o Evangelho nos repropôs: “Convertei-vos e acreditai no Evangelho” (Mc 1, 15). Sob a orientação sábia dos Padres Olivetanos que havia mais de um século estavam presentes nesta igreja, Francisca formou-se na vida da perfeição evangélica. Tendo ficado viúva, consagrou-se a uma vida religiosa mais intensa na família das Oblatas Beneditinas. Era a festa da Assunção, a 15 de Agosto de 1425, quando, com 41 anos, ela pronunciou nesta mesma igreja a sua solene fórmula de oferta ao Senhor nas mãos do Delegado do Abade de Monte Oliveto Maior, comprometendo-se a servir ainda com maior generosidade o Senhor e os irmãos, numa vida intensa de caridade.

2. Roma, no final de 1300 e início de 1400, encontrava-se deveras num estado miserável. A cidade dentro dos Muros Aurelianos estava reduzida a 25.000 habitantes, segundo alguns historiadores, dizimada pelas guerras, carestias e pestes.

Mesmo pertencendo à antiga família aristocrática dos Ponziani, a nobre mulher Francisca não desdenhou inclinar-se ao serviço dos mais humildes nos bairros de Trastevere, Campo Marzio, na periferia de Parione ou do Palatino. Desta forma, Francisca podia realizar aquele apostolado social, que também hoje permanece insubstituível, em qualquer tipo de sociedade. O fervor interior que a animava era a admoestação de Cristo: “É por isto que todos saberão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros” (Jo 13, 35). E a caridade fraterna tornou-se a regra inspiradora da sua vida.

3. Mulher de acção, Francisca hauria contudo de uma intensa vida de oração a força necessária para o seu apostolado social. O Senhor concedeu-lhe também graças extraordinárias, assim como fizera com duas outras grandes místicas daquele tempo, santa Catarina de Sena e santa Brígida da Suécia.

Permanece também típica a sua familiaridade com o Anjo da Guarda, do qual era devotíssima. Ele aparecia-lhe no seu caminho, defendendo-a dos perigos e iluminando-lhe a estrada durante a noite. Foi precisamente por isto que o Papa Pio XI em 1925 quis proclamar santa Francisca Romana Padroeira dos motoristas, para que do céu, juntamente com os Anjos da Guarda, obtivesse protecção para quem percorre as estradas da nossa cidade.

Eis a razão pela qual cada ano, na festa de santa Francisca, o Automóvel Clube de Roma convida os seus sócios a confiarem-se à protecção da Santa. E também eu, depois desta Santa Missa, irei às bancadas da “Via dei Fori Imperiali” para invocar a intercessão da nossa Santa para os motoristas de Roma.

4. Meus irmãos, antes de terminar esta recordação de santa Francisca Romana, gostaria ainda de vos convidar a receber a sua mensagem de amor pelos pobres. É uma mensagem que nos dirigem os santos de todos os tempos, de são Lourenço, o diácono de Roma que faleceu servindo os sofredores do seu tempo, até à madre Teresa de Calcutá, célebre em todo o mundo pelas suas obras de caridade. Eu mesmo tive a graça de representar o Santo Padre João Paulo II no seu funeral de 13 de Setembro de 1997 em Calcutá.

Naquela ocasião admirei uma imensa multidão de deserdados que a aclamava como a Santa da caridade. Num grande estádio daquela cidade celebrei a Santa Missa e, na homilia, recordei o seu programa de vida, que mais não era do que o programa de vida que Jesus nos ensinou: “Sempre que fizestes isto a um destes Meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes” (Mt 25, 40). Citei depois na mesma homilia uma frase típica daquela grande Santa: “Enquanto vós continuais a debater sobre as causas e os motivos da pobreza, eu ajoelhar-me-ei ao lado dos mais pobres e preocupar-me-ei pelas suas necessidades”.

A este compromisso de caridade também nos chamou recentemente o Papa Bento XVI com a sua Encíclica Deus caritas est,(1 Jo 4, 16). comentando precisamente as palavras inspiradas de são João na sua primeira carta: “Deus é amor; quem está no amor habita em Deus e Deus nele”

Neste programa de vida se inspirou s. Francisca numa Roma transtornada por calamidades profundas. A Urbe era verdadeiramente aquela cidade “de outros músculos e com os fortes arruinados”, descrita por Manzoni. Os muros e os arcos estavam “sem glória e sem louro”, como escreveu Leopardi. Mas o programa desta mulher excepcional, como foi s. Francisca Romana, foi o de todos os gigantes da santidade: “Não lamentações, mas acção”. Eis a mensagem que a nossa Santa nos deixa em herança também a nós, seis séculos após a sua partida para a casa do Pai.

A caridade fraterna se torne também para nós uma regra de vida!

Fonte:http://www.vatican.va/roman_curia/secretariat_state/2006/documents/rc_seg-st_20060305_st-maria-nova_po.html

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Vida de São João Berchmans

João Berchmans nasceu em Diest (Bélgica), em 1599. De família muito humilde, teve que trabalhar como criado para pagar os seus estudos. Não pôde realizar outra coisa em sua vida do que ser estudante, caso insólito dentro da tipologia da santidade medieval e da sua concepção de santidade “heróica”. Contudo, viveu toda a vida sob o império da santidade. Cada um dos seus actos era realizado como numa competição consigo mesmo. Foi chamado o mestre do detalhe na santidade, “Maximus in minimus” era seu lema. Assim, em Berchmans o heróico ganhou um novo sentido, ou como ele mesmo escrevia: “Minha penitência, a vida diária”. Entrou para a Companhia em 1616 e fazia a filosofia quando adoeceu e morreu em 1621. Amorosamente fiel às regras, humilde, colega sempre alegre e gentil, estudante esforçado, tornou-se padroeiro da juventude e modelo de obediência e amor à Companhia. Canonizado por Leão XIII em 1888.

http://paroquiadeamaraji.blogspot.com/2009/11/santo-do-dia.html


São João Berchmans nasceu em Diest, pequena vila de Flandes, Bélgica, em 1599. Nasceu em 13 de março e morreu em outro 13, o de agosto. Não importa. A superstição não tinha capacidade em sua vida. Todos os dias são presentes de Deus.

Seu pai João, curtidor de peles, e sua mãe Isabel eram bons cristãos. Tiveram cinco filhos, dos quais três se consagraram ao Senhor. Morreu logo a mãe, e ao final o pai foi ordenado sacerdote.

Nosso santo foi o anjo do lar, fiel ajudante de sua mãe. Iniciou seus estudos no Seminário de Malinas, em seguida entrou no Noviciado dos jesuítas da mesma cidade. Mais tarde passou a Roma. No Seminário e no Noviciado se distinguiu por sua candura, estudo e piedade.

Sua devoção à Virgem era proverbial. Sentia para com ela um carinho terno, profundo, crédulo e filial. «Se amo a Maria, dizia, tenho segura minha salvação, perseverarei na vocação, alcançarei quanto quiser, em uma palavra, serei todo-poderoso». A ela dedicou sua Coroinha das doze estrelas.

Abundavam por então os erros de Bayo, catedrático de Escritura na Lovaina, quem afirmava que Maria tinha sido concebida em pecado. Os teólogos Belarmino e Francisco de Toledo intervêm para esclarecer a verdade. É curioso notar que o grande teólogo espanhol Juan de Lugo atribui o movimento a favor da Imaculada às orações de Berchmans.

O próprio Lugo insiste que o decreto de 24 de maio de 1622 conseguiu pela influência sobrenatural de João Berchmans. Nele confirmam as constituições de Sixto VI, Alessandro VI, São Pio V e Paulo V. Manda severamente que ninguém, nem de palavra nem por escrito, atreva-se a afirmar que a Santíssima Virgem Maria foi concebida em pecado, e se soleniza a festa da Imaculada.

No último ano de sua vida João se comprometeu, assinando com seu próprio sangue, a «afirmar e defender em qualquer lugar que se encontrasse o dogma da Imaculada Concepção da Virgem Maria».

Os Santos praticaram em grau heróico todas as virtudes. Mas buscava distinguir-se em alguma delas. Qual é a virtude característica de Berchmans? Ele desejava praticá-las todas por igual. Sua obsessão, sua loucura de santo, era a fidelidade em observar perfeitamente suas obrigações, sem desculpas nem fugas. «A virtude mais eminente, é fazer simplesmente, o que temos que fazer», dizia Pemán no Divino Impaciente.

Aparentemente não tinha feito nada, nada chamativo. Mas viveu «apaixonado pela glória de Deus». «Quer trabalhar sem perder a menor parte de seu tempo». Aproveita as cruzes da vida diária: «Minha maior penitencia, a vida comum». «Quero ser santo sem espera alguma».

Fazia cada coisa em seu momento, e sobrenaturalizando a intenção. Quando há que orar, dizia, ora com todo amor. Quando há que estudar, estuda com toda ilusão. Quando há que praticar esporte, pratica-o com todo entusiasmo. E sempre com mais amor, em cada instante do programa diário, sob o doce olhar maternal da Virgem Maria. Estudava com o olhar posto no futuro apostolado, nas almas que lhe encomendariam.

Meu maior consolo, dizia ao morrer jovem, é não ter quebrado nunca, em minha vida religiosa, regra alguma nem ordem de meus superiores, sabendo, e advertidamente, e o não ter cometido nunca um pecado venial. Alta e robusta mensagem. É patrono dos que se preparam para o sacerdócio. Morreu em 13 de agosto de 1621. Suas últimas palavras foram: Jesus, Maria.

http://www.acidigital.com/santos/santo.php?n=164


Lembramos o jovem que viveu, durante apenas vinte e dois anos, numa total entrega e amor ao Cristo. São João Berchmans nasceu na Bélgica, em 1599, de família pobre, porém, rica na vida e nas virtudes cristãs.

Tocado pelo testemunho de paciência heróica da mãe diante da fatal enfermidade e, motivado pelo pai viúvo, o qual abraçou o Sacerdócio Católico, ele começou a estudar em um Colégio dos Jesuítas até entrar na Companhia. Ao ser encaminhado para os estudos de Filosofia e Teologia de Malines para Roma, João mostrou com a vida seu amor a Mãe de Deus lutando contra o pecado: “Antes, mil vezes morrer, do que cometer o mais leve pecado ou transgredir uma regra da Ordem”.

São João Berchmans que fez de sua vida comum sua maior penitência, pegou uma grave enfermidade a qual aceitou com alegria; por isso deitou-se no chão, em sinal de humildade e recebeu os últimos Sacramentos. Testemunha-se que – com o crucifixo, o livro da Regra e o terço apertados sobre o peito – disse: “São estes os meus três tesouros, em cuja companhia quero morrer”, desta maneira é que despedido de todos, foi para a Eternidade repetindo: “Jesus! Maria!”.

São João Berchmans, rogai por nós!

http://www.cancaonova.com/portal/canais/liturgia/santo/index.php?dia=12&mes=8

Biografia de São João Berchmans por Ignacio Echaniz.

Início

Diferente por completo era o mundo de João Berchmans. Diest é uma cidadezinha sonolenta e esquecida de Flanders, que já conheceu melhores dias….Em 11 de Agosto de 1603 quando João tinha apenas 4 anos a peste negra levou o avô, Adriaan….(p.35-36)….Quando completou 11 anos João fez sua primeira comunhão!

Vocação

Certo dia, durante o verão de 1612, ele disse ao filho mais velho: João, você está com 14 anos: está na hora de se sustentar. Não somos ricos, você terá que desistir dos estudos. A mãe soluçou e João implorou: “Por favor, pai querido, deixe-me estudar. Viverei a pão e água, mas deixe-me ser padre. As duas tias de João vieram em seu socorro…O cônego Van Groenendock pleiteou a causa de João com seu amigo, o Cônego Jan de Froymont…da catedral de Malines, e o encontrou propenso a aceitar João entre seus hóspedes….João era apenas um modesto criado na casa do cônego, mas aceitava esse papel com serenidade.(p.38-39).

Um dia, em agosto de 1616 ele pegou a caneta e o papel e escreveu aos pais: “respeitado pai e querida mãe, faz três ou quatro meses que Nosso Senhor bate á porta do meu coração. Até agora não o abri, mas pouco a pouco percebi que mesmo que eu estudasse, caminhasse, brincasse ou fizesse outra coisa, um único pensamento me perseguia: escolher certo estado de vida. Por isso, decidi me oferecer inteiramente a Cristo e, lutar em seus combates na Companhia de Seus Nome. Só espero que vocês não oponham seus planos ao dEle.

Filho obediente de Cristo e de vocês, João Berchmans.(p.47).

Perseguição

O Sr Berchmans foi aplacado, mas não convencido. Como Dom Ferrante, ele chamou um sacerdote, o padre guardião dos Capuchinhos. Mas João tinha uma reposta adequada para todas as perguntas e dificuldades que ele apresentou. Longe de dissuadi-lo, o guardião incentivou-o: “Não exite garoto, Deus o chama, procure ser um bom Jesuíta.(p.47-48).

João não conseguiu o consentimento irrestrito do pai. O pobre homem disse que deixava o filho livre para fazer o que queria, mas que ele não esperasse nenhuma ajuda. João respondeu em seguida: “Pai, se a roupa que visto me impedisse, eu imediatamente a tiraria e entraria para a Companhia em mangas de camisa. (p.49).

Na Companhia de Jesus

Padre Camillo Gori, encarregado dos juniores, .. disse…Acreditem-me ele é buono, buono buono…muito muito bom. Ou porque gostava de João ou porque todos o consideravam uma nova versão de Luís Gonzaga, designou-lhe o quarto que este último ocupara trinta anos antes.(p.58).

“Este colégio abriga mais de 200 padres e irmãos, quase todos alunos. Eles são de muitas nacionalidades diferentes…contudo, todos estão unidos pelos laços do amor fraterno, como filhos de uma só mãe.(p.58).

A regras de vida de João Berchmans

O perfeito desempenho de seus deveres era sua preocupação predominante…

“Preste atenção ao que faz”… “Ponha todo seu coração e suas energias em tudo que fizer.”… “Minha penitência mais importante é a vida de comunidade”… “Prefiro ser arrasado do que infringir a menor regra.(p.58-59).

Enxergava as rosas e não os espinhos

A bondade e a cortesia do padre-geral; a erudição do padre provincial; a impassibilidade do padre reitor; a deferência a todos por parte do padre Buffalo; O amor e o interesse de padre Piccolomini pelos alunos; o amor a solidão que sente Padre Cornelius…a mansidão e docilidade do irmão Oliva.(p.59).

Doença

O esforço contínuo e a tensão minaram-lhe a saúde…sentia-se tão fraco no sábado, dia 7, que nem conseguiu escrever as suas costumeiras notas breves depois da meditação matinal. Ás 3 da tarde, ele se arrastou até a sala do Reitor e informou-o que estava doente. Cepari ordenou-lhe que fosse para a enfermaria e o enfermeiro mandou-o para a cama. Domingo dia 8, recebeu a comunhão e também a visita do médico, que o encontrou um pouco melhor…dia 9…apareceram sintomas de uma pneumonia incipiente….”Realmente não sei se estou cuidando de um homem ou de um anjo”…disse o enfermeiro….Ao alvorecer da sexta-feira, 13 de agosto de 1621, João apertou o crucifixo nas mãos, juntamente com o terço e o livro de regras…e pediu que recitassem a Litânia de Nossa Senhora.

Deu o último suspiro durante as invocações. “Santa Virgem das Virgens, Mãe Castíssima(p.59-61).

Paixão e Glória – História da Companhia de Jesus em Corpo e Alma. Edições Loyola  – Tomo II.2006.


Vida da Beata Dina Belanger

Introdução

Após a Encarnação do Filho de Deus, muitas almas generosas buscaram a sublime forma de união com Jesus Cristo que consiste em procurar viver nEle para que Ele viva em nós (cf. Jo 15, 4). São Paulo, o Apóstolo dos Gentios, que convivera durante três anos com Nosso Senhor, levou essa devoção a um grau tão perfeito que pôde afirmar: “Eu vivo, mas já não sou eu, é Cristo que vive em mim” (Gal 2, 20).

Já no século XIX, um advogado de Lyon, regressando de Ars, na França, após ter ouvido apenas um sermão de São João Maria Vianney, deu testemunho da união do humilde pároco com Cristo usando expressivas palavras: “Vi Deus num homem!”.

E no início do século passado, uma alma de escol, Maria Margarida Dina Adelaide Bélanger – a primeira canadense da cidade de Quebec a ser proclamada bem-aventurada pela Igreja – procurava descrever sua disposição interior dizendo: “Jesus e eu não somos mais dois. Somos um: somente Jesus. Ele faz uso das minhas faculdades, dos meus sentidos, dos meus membros. É Ele quem pensa, age, reza, olha, fala, anda, escreve, ensina: numa palavra é Ele quem vive…”.

Dina almejou intensamente essa união. Conhecer em profundidade a Beata Dina Bélanger é, pois, descortinar novos aspectos de Cristo Jesus. Nesse íntimo convívio da criatura com o Criador, Dina desaparece e Ele refulge em toda a Sua glória. Ela passa a ser como um abajur que difunde discreta e suavemente a luz de Cristo, ou como um vitral que a tamisa e reveste de cores belamente adaptadas para a sensibilidade humana. “Meu dever agora, e minha ocupação na eternidade, até o fim dos tempos, é e será o de irradiar Jesus para todas as almas, por meio da Santíssima Virgem”.

A tal ponto ela se tornou uma com Cristo, que Ele próprio, a chamou afetuosamente de “Meu pequeno Eu mesmo”.

Jesus quer sua Autobiografia

Dina teria passado despercebida se sua superiora não tivesse discernido os favores de Deus para com ela. “Você deve escrever a sua vida, minha querida irmã”, disse-lhe. É por isso que temos sua Autobiografia, “uma das mais perfeitas joias da literatura espiritual do século XX”, segundo o teólogo carmelita, padre François-Marie Léthel.

Para Dina, escrever sobre si própria constituía um verdadeiro ato de heroísmo: “Falar continuamente de mim mesma, e repetir o pronome ‘eu’, que preferiria ver abolido para sempre… Oh!”. Mas obedeceu, a ponto de encher com sua esmerada caligrafia vários cadernos que a superiora guardava cuidadosamente.

Certa vez, Nosso Senhor lhe confidenciou: “Você fará bem por meio de seus escritos”. E assim foi. Dina falava com Cristo com familiaridade, e ao anotar Suas sagradas palavras não o fazia visando apenas o próprio benefício, mas também o dos sacerdotes, dos religiosos e de toda a humanidade.

A infância de Dina Bélanger

Os primeiros anos de Dina se desenrolaram na atmosfera tranquila de uma família franco-canadense de muita fé. Nasceu no distrito de Saint-Roch, da cidade de Quebec, e foi batizada no próprio dia de seu nascimento, a 30 de abril de 1897, com o nome de Maria Margarida Dina Adelaide.

Seu único irmão morreu aos três meses de idade. A partir desse momento, seus pais concentraram nela todo o seu afeto e cuidados. Sobre esse período de sua vida, Dina escreveu: “O que teria sido de mim se tivesse sido deixada à mercê do meu orgulho, minha obstinação, meus caprichos e minhas traquinagens injustificáveis?”.

Serafina, sua mãe, levava-a sempre à igreja e em suas visitas aos pobres. Ela gostava muito de cantar para a filha, o que levou a menina, naturalmente dotada de senso artístico, a ter paixão pela música.

O pai, Otávio, era contabilista. Talvez tenha sido dele que Dina herdou sua precisão ao expressar-se e a forma metódica de cumprir seus deveres.

Resoluções e metas de vida

Ao longo de sua vida, Dina tomou numerosas resoluções e as cumpriu eximiamente. Quando era estudante, proclamou: “Prefiro a morte a corromper- me”. No postulado, sua meta foi: “Se começar, comece com perfeição“. E na vida religiosa visava “amar e sofrer”. Como fizera Teresa de Lisieux, poucos anos antes, ela tomou a firme resolução de ser “uma santa”. E, para guiarse nesse caminho, adaptou o princípio de Santo Agostinho ama et quod vis fac (ama e faze o que queres), transformando- o no lema que caracterizou toda a sua espiritualidade: “Amar e deixar- se conduzir por Jesus e Maria”.

Com efeito, foi pelas mãos da Virgem Santíssima que aos 13 anos consagrou-se a Jesus Cristo como escrava de amor, segundo o método ensinado por São Luís Maria Grignion de Montfort.

Na oração inicial de sua Autobiografia, ela agradece a Nosso Senhor tudo quanto Ele lhe concedeu por meio de Sua Mãe Santíssima: “Sem exceção alguma, Vós me concedestes vossas graças por meio de Maria, Vossa e minha bondosa Mãe, a quem quero tanto! E é meu desejo constante deixá-La agir livremente em minha vida, para promover Vossa obra em mim”.

Lutas de alma e oferecimento como vítima

Quando chegou o tempo dos estudos, Dina entrou para o Colégio Bellevue, um internato religioso dirigido pelas irmãs de Notre Dame, no qual sua primeira oração a Jesus foi: “Que eu nunca Vos ofenda nem com o menor pecado venial voluntário, durante minha permanência aqui”. Lá começaram as lutas que, devido à sua índole tímida e reservada, teria de travar durante toda sua vida. “Eu procurava sorrir para todo mundo, mas quanto preferiria estar sozinha!” Por ocasião de uma visita da mãe, ela lhe confidenciou essa dificuldade: “Mamãe, não é brincadeira viver com outras pessoas!”.

Dina conta com toda simplicidade que na primeira sexta-feira do mês de outubro de 1911, enquanto as estudantes se dirigiam à capela para fazer uma visita ao Santíssimo Sacramento, ela consagrou sua virgindade a Nosso Senhor. Foi também por essa época que se ofereceu como vítima de amor: “Mal ouvira falar dessa doação de si mesmo, conhecida como o oferecimento heroico, eu já me ofereci; abandonei-me inteiramente à vontade de Jesus, como sua vítima”. Inflamada pelo desejo de entregar a vida, estava certa de que lhe seria dada a graça do martírio do amor.

Ainda naquela época, antes de tornar-se religiosa, adotou uma “regra de vida”, com hora certa para as orações matutina e vespertina, comunhão, rosário, meditação e confissão semanal. E deixou ao Divino Artesão de sua alma a tarefa de guiá-la em segredo.

Assim que soube do início da 1ª Guerra Mundial, em 1914, ofereceu-se uma vez mais a Nosso Senhor, de corpo e alma, em espírito de reparação e de amor: “Fiquei aflita, sobretudo, pelo perigo moral que ameaçava o mundo”.

Estudos em Nova York

Depois de ter terminado os estudos no internato, já com 16 anos, voltou a viver em sua casa. Seus pais decidiram que deveria continuar com o estudo da música, que iniciara em pequena. Esta arte lhe aproximava de Deus e oferecia-Lhe cada uma de suas notas ao piano como um ato de amor, constituindo para ela uma verdadeira oração, pois seu coração pertencia somente a Deus.

Alguns meses mais tarde, pediu ao diretor espiritual para entrar no convento das Irmãs de Notre Dame, de Villa-Maria, mas foi aconselhada a adiar sua decisão pela negativa dos pais. Cumpria as obrigações sociais com dignidade, dava concertos, apesar destes lhe custarem um esforço enorme, e chegou a ser uma pianista de certo renome. Sempre teve um verdadeiro amor ao próximo, sendo muito sensível à cortesia e ao bom trato. Mas no fundo sempre pensava em seu desejo de ser religiosa. Surgiu- lhe, então, uma boa oportunidade de aperfeiçoar, num Conservatório de Nova York, seus estudos de piano, harmonia e composição. A oferta era tentadora:”Gostei do plano, pois apreciava apaixonadamente a arte e a beleza. E sempre almejei a perfeição.”

Seus pais duvidaram, mas aconselhados pelo pároco que insistia nisso consentiram, pensando que seria uma boa experiência para sua formação e, de 1916 a 1918, ela estudou nos Estados Unidos. Sendo do Canadá francês, teve dificuldades para se comunicar em inglês, mas encontrou conforto na música, já que o piano tem o mesmo som em qualquer país… Vivia na residência Nossa Senhora da Paz, dirigida pelas religiosas de Jesus-Maria, e estudava bastante no Conservatório, sentindo forte atração pela harmonia musical, matéria que mais gostava. Ao término dessa experiência em Nova York, seu relacionamento com Nosso Senhor tinha-se aprofundado e sua consciência permanecia sem mancha alguma: “Tive de seguir a moda e seus caprichos no que dizia respeito às cores e tecidos, mas evitei vigorosamente as suas exigências extravagantes e culposas”.

Caminho de perfeição e vida religiosa

Quando Dina retornou de Nova York, contava com 21 anos. Nos quatro anos que transcorreram até sua entrada na vida religiosa, em 1921, os quais passou na casa de seus pais, rezou muito e passou por tremendas aridezes de alma.

Continuou um curso de harmonia por correspondência no Conservatório de Nova York e seguia com os concertos musicais. Gostava muito da música. Mas a vida contemplativa lhe encantava e esse contraste da vida do mundo com suas aspirações lhe provavam a alma. Às vezes podia ouvir a voz de Cristo no fundo do seu coração, mas ficava incerta, com receio de estar sendo vítima de alguma ilusão; depois, porém, se tranquilizava: “Eu notava que Jesus só me falava ao coração quando tudo estava absolutamente calmo”. Em uma ocasião, Nosso Senhor mostrou-lhe um caminho cheio de espinhos pelo qual Ele tinha passado, manifestando o desejo de que ela O seguisse. Para ajudá-la, deu-lhe Sua Mãe Santíssima.

Quando soube que Santa Margarida Maria havia feito um voto de perfeição, Dina imediatamente tomou a resolução de fazer em todas as ocasiões o que era o mais perfeito, embora não tivesse autorização para se obrigar por um voto formal. “Parecia-me que fazer algo menos perfeito seria sinal de um amor tíbio”, escreveu ela.

Diante da dúvida sobre qual comunidade religiosa deveria escolher, o próprio Jesus lhe comunicou: “Quero que você entre na Congregação das Religiosas de Jesus e Maria”. Tinha sido fundada na França, em 1818, por Santa Claudine Thévenet, dedicada à educação das jovens. Ali foi recebida como noviça em 15 de fevereiro de 1922, adotando o nome de Maria Santa Cecília de Roma. Em 15 de agosto de 1923 fez a profissão religiosa, recebendo a incumbência de ensinar a arte musical para as alunas da Congregação.

Grandes experiências místicas

Antes de entrar na plena alegria da união com Cristo, nos albores da sua vocação, ela tinha sentido o tormento da “noite escura da alma”. Entretanto, nesse período de provações fortaleceu-se sua vocação e recebeu diversas graças, entre as quais a de um rompimento tão profundo com seu passado, que ela se sentia como se tivesse morrido e nascido novamente.

Nos primeiros tempos de sua vida de religiosa, Dina recebeu por duas vezes uma singular graça de amor: numa experiência mística, ela “viu” Jesus levar seu coração e deixar o dEle em seu lugar. Depois, já professa, ela “viu” mais uma vez Jesus mostrar-lhe seu coração, que Ele havia levado para Si, queimá-lo todo no altar de Seu amor, bem como ela mesma, e soprar sobre as cinzas, fazendo- as desaparecer, e ficando Ele próprio em seu lugar.

Jesus avisou-lhe ainda que ela morreria em 15 de agosto de 1924, exatamente um ano depois de sua profissão. Quando chegou esse dia, ela não morreu fisicamente, mas Ele deu- lhe a entender que misticamente havia morrido para este mundo e sua união eterna com Ele tinha começado.

Em 3 de outubro desse mesmo ano, foi-lhe permitido fazer o tão almejado voto de perfeição. Numa linda formulação, prometeu a Jesus fazer, em qualquer circunstância, tudo do modo mais perfeito, nos pensamentos, desejos, palavras e ações. Ela se entregou a Deus com confiança e com plena consciência de sua própria fragilidade.

É Cristo que vive e fala em Dina

Depois dessa data, tendo Dina “desaparecido”, é somente a voz de Cristo que domina sua autobiografia. Ele lhe fala com uma ternura tocante e nela encontra a maior receptividade possível.

Certo dia, na festa do Nome de Jesus – que ela considerava a sua festa, uma vez que tinha sido substituída por Cristo – escrevia: “Desde o meio-dia, o meu doce Mestre me tem atraído a Si com uma ternura inefável… Depois do meu exame de consciência, notei que estava gozando da presença sensível de Jesus. E Ele me disse delicadamente: ‘Em honra da minha festa!’ Oh! Quanto eu gostaria poder pôr em palavras a doçura de Jesus!”.

Muitas vezes, antes de entregar- -lhe Seu cálice ou Sua cruz, para que ela sofresse com Ele, pedia o consentimento dela com Sua costumeira gentileza: “Aceita?”. De um modo que a deixava sem palavras de tanto amor: “O sofrimento de meu Coração é o martírio do amor; e é isto, minha pequena esposa, que estou lhe dando”.

Jesus falava-lhe da necessidade de que seus sacerdotes tenham uma perfeita vida interior: “Meus sacerdotes… Oh! Quanto os quero! Eu os chamo a serem outros Cristos, a serem réplicas minhas. […] Ofereça a meu Pai, por meus sacerdotes, o espírito de oração do Meu Coração, o Meu espírito de oração, a perfeita união do meu Coração com Ele. Isto é o que falta à maioria dos meus sacerdotes: espírito de oração e uma intensa vida interior. […] Demasiados religiosos e almas sacerdotais não compreendem que os sacrifícios que lhes peço são chamas de amor que vão se desprendendo de meu Divino Coração para os arrastar e santificar seu humano coração”.

Pela pena de Dina, Jesus se manifestava à humanidade, esquecida de seu amor: “Meu Coração está tão transbordante de amor pelas almas que já não consegue mais segurar as torrentes de graças que Eu gostaria de derramar sobre elas: mas a maioria das almas não quer ter nada a ver com o meu amor…”.

“As almas ficam tristes na medida em que se distanciam de Deus. O grande desejo do meu Pai, e o meu, é de ver todas as almas felizes, ainda nesta terra”.

Um cântico de amor

Dina faleceu no dia 4 de setembro de 1929, apenas sete meses antes de completar a “idade perfeita”, em que Cristo entregou Sua vida por nós na Cruz: 33 anos. Nos sofrimentos da enfermidade que a levou à morte – a tuberculose -, Jesus aceitou seu oferecimento como vítima, colhendo- a em tão jovem idade.

Em seus últimos escritos, de julho de 1929, num “cântico de amor”, Nosso Senhor abraça, por meio dela, a humanidade inteira:

“Nenhuma invocação responde melhor do que esta ao imenso desejo de meu Coração Eucarístico de reinar nas almas: ‘Coração Eucarístico de Jesus, venha o Vosso reino, pelo Imaculado Coração de Maria’. E ao meu infinito desejo de comunicar minhas graças às almas, nenhuma invocação responde melhor do que esta: ‘Coração Eucarístico de Jesus, abrasado de amor por nós, abrasai nossos corações de amor a Vós'”.

A Irmã Maria Santa Cecília de Roma foi beatificada em 20 de março de 1993, por João Paulo II, e seus restos mortais repousam na nova capela da comunidade de Sillery, em Quebec.

1.Todas as citações em itálico, entre aspas, foram extraídas de BÉLANGER, Dina. Autobiography. Edition revised and update. 3a. ed. Atelier Rouge: Quebec, 1997.

(Revista Arautos do Evangelho, Set/2009, n.93, p. 32 à 35)

Fonte: http://www.arautos.org/view/show/8142-beata-dina-belanger-jesus-e-eu-somos-um-

O Papa João Paulo II beatificou Dina Belanger, uma mulher canadense muito devota do Santíssimo Sacramento. Quando ela ia para a  adoração, Jesus lhe mostrava multidões de almas à beira do inferno. E depois de sua hora santa, ela via essas almas nas mãos de Deus. Jesus lhe fazia entender o valor de uma hora santa é tão grande que leva multidões de almas da beira do inferno às portas do Céu. (tradução do texto original, em espanhol, p.25-26).

Fonte:http://www.esclavasdelsantisimo.org/documentos/adoracion_perpetua.pdf

Vida de São Leonardo de Porto Maurício

São Leonardo de Porto Maurício era um frade franciscano mais sagrado que viviam no mosteiro de Saint Bonaventure, em Roma. Ele foi um dos maiores missionários na história da Igreja. Ele costumava pregar para milhares de pessoas na praça de cada cidade. Tão brilhante e santo era a sua eloquência que uma vez quando ele deu uma missão de duas semanas em Roma, o Papa e o Colégio dos Cardeais chegou a ouvi-lo. Mas o trabalho mais famoso de São Leonardo foi sua devoção à Via Sacra. Morreu… em seu septuagésimo quinto ano, após vinte e quatro anos de pregação contínua.

Um dos sermões mais famosos de São Leonardo de Porto Maurício era “o pequeno número de aqueles que são salvos.” Foi o que ele invocado para a conversão dos pecadores grande. Este sermão, como seus outros escritos, foi submetida a exame canônico durante o processo de canonização. Nele, ele examina os diversos estados de vida dos cristãos e conclui com o pequeno número daqueles que são salvos, em relação à totalidade dos homens.

“…Não é verdade que há duas estradas que levam ao céu: a inocência e arrependimento? ”

Fonte:http://www.olrl.org/snt_docs/fewness.shtml

Biografia de São Leonardo Porto Maurício por Felipe Aquino

O santo da via-sacra e da Imaculada Conceição, o frade que salvou o Coliseu de uma ruína total, o pregador inflamado da Paixão de Cristo. São esses os títulos de são Leonardo de Porto Maurício. Lígure nasceu em 1676, filho de um capitão da marinha, Domingos Casanova, que o deixou órfão em tenra idade. Levado a Roma, fez os seus estudos no Colégio Romano e depois entrou no reino de são Boaventura, sobre o Palatino, vestindo aí hábito franciscano. Desenvolveu sua atividade sacerdotal prevalecendo em Florença. As cruzes plantadas por seus confrades fora da Porta de são Miniato tornaram-se para ele outros tantos púlpitos ao aberto. Sobre a eficácia de sua palavra fundam-se alguns episódios da vida do santo. No fim de uma prédica sobre a Paixão, na Córsega, os homens, endurecidos pelo ódio secular, descarregaram seus fuzis para cima e se abraçaram em sinal de paz.

Em Florença suas pregações constituíam uma advertência para todos os cidadãos. No jubileu de 1750, proclamado por Bento XIV, o papa Lambertini de Bolonha, fez muito sucesso a via-sacra pregada por frei Leonardo aos 27 de dezembro no Coliseu. Era a primeira vez que se celebrava um rito religioso no anfiteatro Flávio. Desde aquele ano a piedosa tradição se mantém até aos nossos dias e toda a Sexta-feira Santa o papa faz pessoalmente o rito penitencial.

Aquela primeira via-sacra teve também um grande merecimento para a arte: o Coliseu até aquele ano tinha servido como pedreira, mas depois daquela memorável via-sacra foi considerado lugar sagrado, meta de devotas peregrinações, e a sua demolição parou. Frei Leonardo era um grande devoto de Nossa Senhora e um apaixonado defensor da Imaculada Conceição. Convenceu o próprio pontífice a convocar um Concílio, isto é, um referendum entre os bispos, para proceder depois a proclamação do dogma.

O papa Lambertini preparou para este fim uma Bula que por várias causas. Nunca foi publicada. Em 1751 frei Leonardo morria no predileto retiro de são Boaventura sobre o Palatino, e o próprio para foi ajoelhar-se ao lado de seu corpo. Sobre o túmulo do santo foi exposta a carta profética escrita por são Leonardo pouco antes da morte. Nela preconizava-se a proclamação do dogma da Imaculada Conceição.

http://www.cleofas.com.br/virtual/texto.php?doc=SANTODIA&id=scd0330

Segundo João Paulo II: “São Leonardo de Porto Maurício, franciscano de palavra ardente, que percorreu a Itália para admoestar e converter multidões imensas, chamando à penitência e à piedade, e vivendo em íntima união com Deus.”

http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/homilies/1980/documents/hf_jp-ii_hom_19801130_visita-parrocchia_po.html

Via-Sacra

Também chamada Via Cru­cis, é, segundo o Directório da Piedade Popular e Liturgia (DPPL 131-135), o mais apreciado exercício de piedade em louvor da Paixão de J. C., pelo que se pratica sobretudo nos tempos penitenciais. Consiste em acompanhar espiritualmente o trajecto de Jesus desde a agonia no Getsémani até à morte e se­pul­tura no Calvário, com momentos de meditação e oração em várias estações. Síntese de várias devoções, a sua prática desenvolveu-se a seguir às Cruzadas, promovida pelos Franciscanos e parti­cularmente por S. Leonardo de Porto Mau­rício (+1751). Presentemente conta 14 estações baseadas em passagens dos Evangelhos ou em tradições populares: 1) Jesus condenado à morte; 2) Toma a cruz; 3) Cai pela primeira vez; 4) En­con­tra sua Mãe; 5) O Cireneu ajuda-o a levar a cruz; 6) A Verónica enxuga-lhe o rosto; 7) Cai pela segunda vez; 8) Con­­sola as filhas de Jerusalém; 9) Cai pela terceira vez; 10) É despojado das ves­tes; 11) É pregado na cruz; 12) Mor­re na cruz; 13) É descido da cruz e en­tre­gue a sua Mãe; 14) É depositado no sepulcro. Os títulos das esta­ções podem ser criteriosamente alte­ra­dos, como o fez várias vezes João Pau­lo II na V.-S. de Sexta-Feira Santa no Coliseu, p.ex., em 1992: 1) Jesus no Horto das Oli­vei­ras; 2) Traído por Ju­das, é preso; 3) É con­denado; 4) É negado por Pedro; 5) É levado a Pilatos; 6) É flagelado e coroa­do de espinhos; 7) Carrega a cruz; 8) É ajudado pelo Cireneu; 9) Fala às mu­lheres de Jeru­sa­lém; 10) É crucifica­do; 11) Fala ao bom ladrão; 12) Tem Maria e João ao pé da cruz; 13) Morre na cruz; 14) É depos­to no sepulcro.

http://www.portal.ecclesia.pt/catolicopedia/artigo.asp?id_entrada=1962

A Via-Sacra e São Leonardo de Porto-Maurício

Uma popularização dessa devoção só se deu, efetivamente, no século XVI, quando o Papa Inocêncio XI (1686) concedeu a possibilidade de se conseguir as grandes indulgências _ já concedidas aos peregrinos que visitavam Jerusalém _ também àqueles que, nas igrejas dos Franciscanos, fizessem o exercício da Via-sacra. Mais tarde (1731), Clemente XII permitiu que, em todas as igrejas seculares, se erigissem as Estações, fixando o número em 14.

Foram os Franciscanos, fiéis guardiões dos Lugares Santos, que muito colaboraram para a difusão dessa devoção em toda a Igreja. Entre eles se destaca São Leonardo de Porto Maurício (falecido em 1751). Por sua sugestão o Papa Bento XIV, em 1750, determinou a instituição das estações no Coliseu e que ali, a cada sexta-feira, fosse praticada a Via-sacra. Daí a tradição _ a cada Sexta-feira Santa _ dos fiéis de Roma, de se juntarem ao Pontífice romano para, juntos, ali celebrarem a Via-sacra. (MZ)

Fonte:http://www.vaticanradio.org/portuguese/brasarchi/2004/RV15_2005/04_15_29.htm

São Leonardo de Porto Mauricio deu origem a esta devoção no século XIV no Coliseu de Roma, pensando nos cristãos que se viam impossibilitados de peregrinar à Terra Santa para visitar os Santos lugares da paixão e morte de Jesus Cristo. Tem um caráter penitencial e está acostumado a rezá-los dias sexta-feira, sobre tudo na Quaresma. Em muitos templos estão expostos quadros ou baixos-relevos com ilustrações que ajudam os fiéis a realizar este exercício.

Fonte:http://www.acidigital.com/fiestas/semanasanta/etimologia.htm

Nascimento

Hoje é festa na casa Granzotto; É o dia 23 de agosto de 1900. Nasceu o sétimo filho, Riccardo. Também nós o chamaremos de Riccardo, até o dia em que o encontrarmos prostrado diante de um altar para ouvir as palavras: “Não te chamarás mais Ricardo, mas frei Cláudio.(p.17).

Bondoso

Ricardo produz brinquedos em série,muito bonitos e os dá de presente a todos;(p.20).

Timidez

Sua natureza reservada e acentuada timidez impedem-lhe de traduzir os pensamentos em palavras.(p.21).

Repetiu de ano

Foram necessários para completar as quatro séries do curso elementar…Após repetir a segunda série, interrompe a terceira no meio do caminho.(p.24).

O pai morre aos 10 anos de idade

Riccardo tem 10 anos, idade suficiente para compreender o infortúnio que lhe aconteceu.(p.27)

Escultor

Riccardo tem onze anos…Na mente o ideal…pintar, esculpir, pensar.(p.29).

Sapateiro

Ricardo foi recebido na sapataria de Ernesto. Rápido e quase perfeitamente aprende a profissão.(p.30).

Marceneiro

Aos 12 anos torna-se aprendiz de marceneiro.(p.31).

Exército

Riccardo, trabalhador a serviço do exército é destacado para o serviço paramilitar da engenharia(p.42).

Escola de arte

Conegliano é uma cidade rica…nela existe uma escola de arte. Ricardo inscreve-se em 1921.

Oração

No dia a dia..reza enquanto maneja o formão.(p.121)

São Francisco o inspira

Estava lendo algo sobre São Francisco. Ele costumava dormir sobre uma pedra. Certamente não poderei ser como São Francisco.(p.127).

Sabedoria

A beleza dos santos está na alma e não na roupa.(p.129);

Decisão de ser frade e perseguições

Na mente de Riccardo apresenta-se uma decisão:-vou ser frade. A decisão foi tomada e já aparece uma montanha de obstáculos. As estátuas recebidas com favor pela crítica e pelas pessoas, os numerosos projetos em via de execução, os amigos sinceramente afeiçoados, os parentes que o amam, todos expressam desilusão e incredubilidade. Decididamente todos o desaconselham e o convidam, ao menos,  a esperar até que a crise tenha passado. – Você está louco – diz-lhe um amigo. – Quer sepultar-se num convento, agora que vê abrir-se um brilhante futuro? O que está acontecendo, pensa Riccardo…Mas Cristo está em toda parte. Não é necessário fugir do mundo para encontrá-lo – insistem os amigos. (p.132);

Missa diária

Ricardo vai à missa todas as manhãs(p.134)

Continuam as perseguições para sair da vocação

Riccardo, você tem trinta e dois anos completos e não passa de um incorrigível sonhador.Está na hora de cair na realidade. Você abriu o caminho da arte, está vencendo, um futuro invejável o espera. Falta-lhe apenas um matrimônio feliz.(p.137).

Recusa de trabalho

Espero – acrescenta o arquiteto – que você dê o passo sem pressa. Enquanto isso, gostaria de confiar-lhe a execução de três conjuntos de mármore para o palácio de Bucarest. É uma ocasião de noventa mil liras. – Professor , agradeço-lhe a oferta, mas não posso mais aceitar o trabalho para o rei da Romênia, já que me decidi trabalhar imediatamente para outro Rei que não é deste mundo(p.140-141).

Entrada na Ordem dos Frades Menores

O Frei Camilo Nervo o recebe na Ordem dos Frades Menores a 7 de dezembro de 1933.(p.149);

Otimismo

No convento não encontrarás só espinhos. Há muitas flores que espalham alegria.(p.174).

8 de dezembro de 1936 – profissão dos votos religiosos.(p.175)

Mansidão que muda o próximo

Frei Riggero confessa:-Se a providência não tivesse colocado frei Cláudio em meu caminho, não faria parte desta…Foi ele que amansou o leão. Sou uma Conquista dele.(p.187).

Pedia esmolas

“Vou esmolar”(p.193).

Paciência

Frei Cláudio jamais realiza um trabalho com pressa.(p.219).

Otimismo – perfeita alegria

-Isto é demais -diz-lhe frei Clemente com embaraço – Durante o dia somos consumidos pela fadiga e queimados pelo sol. À noite, os pernilongos nos assaltam a ferroadas.Existirá alguma penitência a acrescentar? Frei Cláudio responde com doçura:Frei Clemente, acrescente também: nisto consiste a perfeita alegria.(p.225).

Zelo com a casa de Deus – Não conversava na Igreja

O pequeno grupo dos coroinhas…após terminar o serviço litúrgico…descobrem mil motivos para se divertir e fazer barulho. Frei Cláudio passa por ali e diz, com um sorriso:-Talvez vocês gostem de tagarelar, mas aqui não é bem lugar para isso.(p.242).

Sabedoria

Jesus era, certamente, um mestre de Teologia; no entanto, preferiu bater pregos até os trinta anos. Depois disse: “Aprendei de mim, que sou humilde de coração”. Isso significa que a humildade pode ser escola de Teologia e também de contemplação.(p.250).

Distribuição de pães

Quanto mais aumenta a distribuição de pão e de outros bens, mais numerosa se faz a fila de pedintes.(p.255).

Choveram denuncias à autoridade judicial por infração à leis especiais em assuntos de inscrição…No convento nasce um pouco de pânico e se decide suspender a distribuição de sopa.(p.257).

O superior..vítima de uma terrível nevralgia, manifesta ao servo de Deus seu sofrimento;

-Suspenda a proibição de distribuir pão aos pobres – sugere Frei Cláudio – e talvez Deus lhe suspenderá a dor de dentes.(p.258). No mesmo instante a dor desaparece.

Em 1943, um destacamento militar alemão está acampado na praça da igreja de Pieve. Cláudio distribui pão aos pobres, que chegam em número à porta do convento. Alguns militares alemães se unem a eles, estendendo a mão como os outros famintos. O religiosos oferece a todos o pão e um belo sorriso. O seminarista Diuseppe, que está ajudando Freiu Claudio…protesta: Este pão é italiano e não me parece justo ser dado aos alemães; – Este é o pão da Providência, não tem pátria, foi feito para saciar a fome de todos. (p.263).

De vez em quando apresenta-se um ex-padre que, tendo abandonado o ministério, reduziu-se à miséria e chega a porta do convento para pedir pão para si e para os filhos. Todos conhecem sua triste história. Às vezes alguns ousam tecer malévolos …comentários. Frei Cláudio intervém com firmeza…-A pessoa que sofre é sagrada. Ai de quem a toca, porque Deus vem em sua defesa. (p.265).

Êxtase

Giuseppe Erle, também seminarista…uma noite vai até a igreja, observa o homem de Deus em oração…com surpresa o vê erguido do chão…(p.274).

Sabedoria

Quantos livros é preciso ler para descobrir o segredo da oração? Frei Cláudio responde sem hesitar:-Um só: o Crucificado…Contemplar o Crucificado, tê-lo no coração, eis a oração. Na eucaristia está a fonte da verdadeira paz. Quanta alegria dariam a Jesus os sacerdotes, os religiosos, os fiéis se ficassem com freqüência em adoração diante do tabernáculo? Que felicidade teriam. Que poder divino tem os homens: amar a Deus!(p.278)

Sonho

-Tive um sonho…estava numa igreja imensa. Ao lado do altar, jazia Jesus, coberto de feridas, morrendo. Corri para ajudá-lo, para cuidar de suas chagas. Não conseguia estancar o sangue. Uma multidão barulhenta, de todas as idades e de todas as camadas sociais, passava apressada à minha frente, sem nem olhar para o pobre agonizante. Experimentei parar alguém implorar ajuda. Quem fazia mais lançava um olhar fugaz, passando além. Um ou outro parava por um instante e, depois, era reabsorvido pelo rio humano.Via-me incapaz de socorrer Jesus. Fui tomado de uma angústia indizível e me faltavam as forças. Parecia-me morrer com ele.(p.281-282).

Santidade

A rígida pobreza e a áspera penitência praticadas por frei Cláudio fazem que os outros o julguem um frade de outros tempos.(p.285).

Previsão da guerra

Na primavera de 1939…diz…Logo estourará a guerra.(p.298).

Doença

Em Viscenza, os médicos diagnosticaram: esgotamento orgânico geral.(p.307).

Morte

O último olhar que frei Claúdio dirige ao mundo antes de entrar em coma, é para ver que ao redor dele não há ninguém. Em 1941…ao despontar do dia 15 de agosto, festa da Assunção,…Nossa Senhora veio buscar de madrugada essa alma eleita para acompanhá-la ao grande encontro com Jesus na eternidade.(p.316).

Fonte: Pe. Redento Fusato. Beato Claudio Granzotto – Um artista franciscano do século XX. Editora Palavra e Prece.2009.

Família

Dom Félix de Gusmão e Dona Joana de Aza formaram um casal feliz. Seus filhos Antonio, Mares e Domingos são o melhor testemunho de vida conjugal que Deus chamou a Seu santo serviço. Antonio foi sacerdote e dedicou sua vida ao serviço dos pobres e doentes num hospital. Domingos, o caçula da família, também foi escolhido por Deus para ser sacerdote da Diocese de Osma, e Pai e Fundador da grande Família Dominicana. Manes seguiu os passos de seus irmãos. Vestiu o hábito de irmão pregador e se dedicou ao anúncio da Palavra de Deus. (p.16)

A mãe tem um sonho que revela a missão de São Domingos

Dona Joana era uma mulher…muito querida por ser compassiva e generosa com os pobres e necessitados. (p.19)

Contra a tradição que Dona Joana, quando grávida de Domingos, certa noite sonhou que dava à luz um cachorro branco e preto que segurava na boca uma tocha, com a qual ia incendiando o mundo por onde passava. Preocupada com um sonho tão singular, foi visitar o mosteiro de São Domingos de Silos, próximo a Caleruga, e pediu ao monge que fizesse a interpretação daquele sonho. Na intimidade de sua oração, ouviu a seguinte resposta: “Seu filho será um fervoroso pregador do Evangelho e com sua palavra atrairá muitos à conversão e alertará os pastores da Igreja contra seus inimigos”.  (p.20)

Esta resposta tranqüilizou Dona Joana, que esperou pelo tempo em que o Senhor cumpriria o Seu desígnio. Por isso, os escultores e pintores representam São Domingos de Gusmão acompanhado de um cão com uma tocha na boca, com uma significativa legenda: “Domini canis”, isto é “Cães do Senhor”. (p.21)

O batismo

O menino do sonho misterioso nasceu a 24 de junho de 1170. Foi batizado na Igreja paroquial de São Sebastião de Caleruega e, em gratidão a São Domingos de Silos, seus pais lhe puseram o nome de Domingos. (p.22)

Durante a cerimônia do Sacramento do Batismo, sua mãe viu uma luz à frente do menino, com um resplendor extraordinário. Desde então, essa luz nunca mais deixou de iluminar seu rosto. Depois de cinqüenta anos, irmã Cecília  Romana, discípula de São Domingos, escreveu: “De sua face saía certo resplendor que seduzia a todos e arrastava-os ao seu amor e reverência”. Esta maravilhosa graça é representada por uma estrela na testa de Domingos; por isso, a liturgia dominicana canta: “Oh! luz da Igreja, doutor da verdade…pregador da graça…” (p.23)

Milagre do vinho

Joana era muito compreensiva…vendo a miséria dos pobres, doava muito de seus bens, distribuía também vinho de um certo tonel…(p.24)Nestas circunstâncias, chega Dom Félix, cansado…Dona Joana não tem uma gota de vinho para oferecer ao seu esposo, pois tinha dado tudo aos pobres. Naquele momento, lembra-se da maravilhosa passagem bíblica das Bodas de Caná da Galiléia e, tomando o menino Domingos nos braços, prostra-se em oração. Deus escuta seus pedidos e premia sua caridade, fazendo aparecer vinho no tonel…e logo veio o elogio do velho espanhol: “Dona Joana, que vinho tão saboroso!”… (p.25)

O estudo da “Lectio divina”

O estudo da “sagrada página” ou “lectio divina”, como se custumava chamar o estudo da Teologia na época, ocupava-lhe todo o dia e parte da noite. Verdadeiramente, era incansável quando se tratava de estudo. Era um estudante austero e mortificado. Abstinha-se de beber vinho e daqueles passatempos que a juventude apreciava. Domingos vivia atento às necessidades do próximo e sentia-se profundamente solidário com os sofrimentos do outro. Fez de sua casa, a “casinha de esmola”, o dispensário onde os pobres podiam encontrar alimentos, roupas e até dinheiro para comprar a liberdade de algum cristão cativo dos mouros. (p.37)

Os seus livros foram entregues parar ajudar os pobres

O método seguido na época obrigava a estudar os comentários bíblicos dos Santos Padres. As questões de difícil interpretação eram submetidas a uma disputa pública, …(que) terminava com o ditado de alguns comentários explicativos, chamados “glosas”. O aluno copiava-os em tábuas de cera e, ao voltar para casa, transcrevia cuidadosamente em seus livros de pergaminho, especialmente preparados com couro de cabra; eram, pois, muito valiosos. (p.34)

Comovido pela extrema situação dos pobres, entregou tudo o que possuía e, quando já não tinha o que repartir, não duvidou em vender os seus livros de pergaminho, escritos por seu próprio punho. Quando seus mestres e companheiros tentaram impedi-lo, Domingos respondeu: “Não quero estudar com peles mortas, enquanto os homens morrem de fome”. (p.39)

A humildade de São Domingos de Gusmão

Certo dia, uma pobre mulher apresentou-se a Domingos, suplicando-lhe, com lágrimas nos olhos, uma ajuda em dinheiro, para resgatar seu irmão, feito prisioneiro pelos mouros. Naquele momento, Domingos estava sem dinheiro e não sabia como ajudá-la. Então, “cheio do espírito de caridade, colocou-se à venda para resgatar o prisioneiro”…Assim, Domingos entendeu que o povo necessitava de outro tipo de ajuda. Oportunamente, Deus enviar-lhe-ia um mensageiro para ensiná-lo. (p.40-41)

São Domingos, Cônego Regular

Na Universidade, Domingos conheceu e fez amizade com seu professor, Diego de Acevedo, cônego e prior do Cabido de Osma. A ele abriu seu coração e manifestou o desejo de ser sacerdote…(p.44) Desde aquele dia, Domingos começou a pertencer ao Cabido de Osma. Professou e jurou observar a Regra de Santo Agostinho, vestindo o hábito dos cônegos regulares…Desse modo, Domingos, incorporou-se definitivamente nesta feliz comunidade, no ano de 1196, com apenas vinte e seis anos de idade…Por sua profissão religiosa, renunciou à posse de bens. Visto ser de uma família rica, poderia herdar muitos bens e comodidades próprias de sua condição social. Deste modo, Domingos entrou pelo caminho estreito do segmento de Cristo, “que sendo rico se fez pobre por nós, para nos enriquecer com sua pobreza”. (p.45)

De acordo com seu novo estado de vida, Domingos passava longas horas do dia e da noite em oração e em discernimento dos projetos de Deus sobre sua vida. (p.47)

Compaixão de São Domingos Gusmão

Domingos, cuja vida estava plenamente identificada com a de Cristo, “se comovia até a alma e chorava” pelos pecadores, pelos pobres, pelos doentes…

Em suas orações aos pés do sacrário, torrentes de lágrimas banhavam seu rosto, e seus irmãos podiam ouvir os gemidos de sua alma, aflita pelos sofrimentos da humanidade. (p.52)

Suplicava entre soluços: “Senhor, que será dos meus irmãos pecadores?” Este era o gemido freqüente de sua alma… (p.114)

Facilmente concede dispensa a seus irmãos, porém não se dispensa a si mesmo jamais. Tanto saudável quanto doente, observava todos os jejuns prescritos pela Regra. (p.173)

“O Prior tenha no seu convento a faculdade de dispensar os irmãos, quando achar conveniente, principalmente aquele que impede o estudo, a pregação, e a salvação das almas; portanto, nosso empenho deve dirigir-se, em primeiro lugar e com plena dedicação, que possamos ser úteis as almas do próximo”. (p.177)

Domingos não só pregava ao povo e aos hereges “quase que diariamente”, mas também aos irmãos. Queria que sua pregação fosse uma contínua conversão de todos. (p.179)

Ordenação Sacerdotal

A ordenação sacerdotal de Domingos, aos 25 anos, veio dar resposta à sua inquietude. O seu sacerdócio deu-lhe a faculdade de pregar o Evangelho. (p.55)

O dono da hospedaria convertido

Dom Diego, Domingos e sua comitiva foram acolhidos numa hospedaria, de acordo com a dignidade de uma comitiva real. O cansaço de uma longa viagem a cavalo, não foi impecilho para que Domingos dedicasse seu tempo em conversar com as pessoas que ali se encontravam. O hospedeiro, escandalizado e confuso, ao ver o..bispo cavalgando em cavalos adornados, disse a Domingos:

-Devemos evitar a riqueza, porque a matéria é má e devemos viver segundo o Espírito.

-Você parece ser um cátaro, disse Domingos.

-É verdade, disse o hospedeiro.

-Diz-me, irmão – argumentou amavelmente Domingos – se a carne é má, por que o Verbo de Deus tomou nossa carne?…

O hospedeiro refletiu alguns instantes e, não encontrando resposta, disse em meia voz:

-Talvez tenha razão…deixe-me pensar…

O dialogo se prolongou até o amanhecer…Domingos dava graças a Deus pela alegria de haver resgatado para a Igreja, um irmão que andava pelos caminhos do erro. (p.60-61)

O milagre dos escritos de São Domingos Gusmão

Naquela noite, os cátaros, sentados ao redor de uma fogueira, liam e comentavam os argumentos propostos por Domingos. De repente, surgiu a idéia de recorrer ao “Juízo de Deus”, próprio da época, para saber por meio de um milagre quem estava com a verdade. Para isso, deveriam jogar na fogueira o escrito de Domingos, juntamente com o do herege. Disseram: “aquele que saísse ileso da fogueira, seria reconhecido como portador da verdade. Havia chegado a hora em que o Senhor cumpriria sua promessa: “Ao serem julgados, não sois vós que falareis, mas o Espírito do pais que falará em vós”. (Mateus 10, 20). Sem discutir nem fazer mais preâmbulos, os cátaros lançaram ao fogo os escritos de Domingos e os seus. Para confusão de todos os presentes, o pergaminho de Domingos saiu voando aos ares…como se a maravilha que viram não os convencessem, insistiram: “Lancemos novamente ao fogo e assim comprovaremos a verdade, plenamente”. Pela segunda vez o pergaminho de Domingos foi lançado fora das chamas, sem se queimar. Não satisfeitos com o que viam, disseram: “Lancemos ao fogo pela terceira vez e então conheceremos a verdade, sem nenhuma sombra de dúvida”. E pela terceira vez o escrito de Domingos saiu intacto das chamas…No dia seguinte, os juízes cátaros se abstiveram de deliberar e ditar sentenças. Simplesmente sentiram-se derrotados e envergonhados. O pergaminho que continha os argumentos e respostas de Domingos desapareceu nas mãos do pregadores cátaros; porém, a verdade do sucedido transcendeu e impactou a muitos. O broche de ouro daquela disputa maior foi a conversão de cento e cinqüenta cátaros, que pediram para voltar ao redil da Igreja. (p.95-98)

A vivência da pobreza

Iam de lugar a lugar como os Apóstolos: a pé, descalços, pregando a Boa-Nova e mendigando o pão de porta em porta. (p.99)

A missão em Prouille

Daquela altura, contemplou a planície bem cultivada e viu oculta entre as árvores, a aldeia de Pruille,..(p.100)

Conta a tradição que, durante três dias, Domingos viu arder sobre a cidade um globo de fogo; foi então que entendeu que Prouille estava marcada com o dedo de Deus para ser o centro de seu apostolado e o berço de sua Ordem. (p.101)

A morte de seu amigo Diego

A morte de Diego, seu bispo e companheiro de pregação, longe de desanimar Domingos, reafirmou sua obra apostólica. Com perseverança e audácia, continuou pregando a Palavra de Deus em debates públicos e, no entardecer de cada dia, retornava a Prouville…(p.108)

O milagre da barca

A barca seguia sobrecarregada e, quando menos esperavam, naufragou em frente à capela de Santo Antonio Abade de Toulouse. Os náufragos, em desespero, começaram a pedir auxílio aos gritos. Domingos, que orava na capela, saiu correndo para socorrê-los. Ao ver que estavam sendo arrastados pela corrente do rio, orou suplicante. Com os braços abertos em direção aos céus, fez com que as vítimas nadassem em direção à orla, sãos e salvos. (p.117)

O exemplo de alegria de São Domingos de Gusmão

Quando tropeçava e caia, levantava-se contente, dizendo: “uma penitência a mais”. (p.124)

Sabia vencer o sono

Em qualquer estação do ano, ele se encontrava no templo orando, diante de Jesus Sacramentado, até altas horas da noite. Para não se deixar vencer pelo sono, recorria a estratégia de fazer orar todo seu corpo; de joelhos, em prostração,…com os braços em cruz, ou elevado até o infinito.Domingos não se acostumava dormir na cama; preferia deitar e descansar no chão, enquanto a comunidade dormia placidamente. (p.126)

Sofreu muitas perseguições dos cátaros

Domingos experimentou também as piadas, humilhações e maldades de seus inimigos. Nos povoados que missionava, principalmente em Carcassone, os cátaros o perseguiam constantemente. Onde o encontravam cuspiam-no, atiravam-lhe barro, o insultavam-no e jogavam palha seca pelas costas. Diante de tanto ódio, faziam tudo para ameaçá-lo de morte. Diante das ameaças, Domingos não fugia. Saía com seus passos naturais, com atitude de bondade e acolhida e respondia às suas ameaças, dando-lhes a razão de sua fé. (p.128)

Casa para acolher prostitutas

No verão de 1215, o bispo Folques de Toulouse entrega a Domingos a casa-lar de São Sernin para acolher moças pobres que haviam sido resgatadas da prostituição….se encarregou de cuidar de sua instrução e providenciar meios para que pudessem trabalhar e ganhar seu próprio pão.(p.132-133).

Nascimento da Ordem dos pregadores

No mês de abril de 1215, os padres de Toulose, Frei Pedro Seila e |Frei Tomás, eloqüentes pregadores, professaram o seguimento de Cristo vivendo o mesmo estilo de vida de Domingos….Em meados do mês de junho, do mesmo ano, a pequena comunidade, com residência em casa de Pedro Seila, recebe uma carta do bispo de Toulouse, na qual confere a Domingos a missão de pregar na sua diocese, e a autorização para fundar a Ordem dos Pregadores.(p.134-135). Inocêncio III acolhe o projeto de Domingos.(p.140).A falta de preparação adequada do clero fez com que o Concílio reservasse aos bispos o direito de pregar a Palavra de Deus….A tradição da época narra que o Papa Inocêncio III, intrigado com a posição do Concílio, que proibia a fundação de novas ordens religiosas, sonhou que a Igreja de São João de Latrão estava caindo, devido à quebra das estruturas, e que Domingos carregava nos ombros parte do edifício, evitando que a Igreja caísse por terra. O papa Inocêncio III reconheceu, neste sonho profético, que a Ordem que Domingos queria fundar seria uma coluna na Igreja. Por isso, mandou chamá-lo, aprovou sua proposta e o despediu com sua benção…Em meados de dezembro de 1215, o Papa manda chamar Domingos para comunicar-lhe que havia decidido aprovar validamente sua Ordem, como tinha feito com a Ordem de São Francisco de Assis.(p.143-146). Confirmação da ordem-Quando Domingos se dispunha a voltar a Roma, pra apresentar ao papa Inocêncio III o resultado da escolha da Regra…foi informado da morte do Pontífice, ocorrida em 16 de julho de 1216. Com a confiança no Senhor, Domingos apresentou-se ao novo Papa, Honório III…que..no dia 22 de dezembro de 1216…expedia a Bula de confirmação da ordem.(p.152). Em 11 de fevereiro de 1218, o Pontífice expedia a Bula, dando à Ordem o honroso título de “Irmãos da Ordem dos Pregadores”…com plena faculdade de exercer este ministério na Igreja e fora dela.(p.153);

Os mendicantes

O bispo Folques é consciente das limitações econômicas da nascente comunidade de irmãos pregadores; cria-se um fundo econômico, proveniente do dízimo paroquial, para o sustento dos irmãos….Domingos inicia a formação de novos irmãos pregadores, na escola da absoluta confiança na providência de Deus, vivendo na mendicância itinerante.(p.137).

Preparação teológica

Para desempenhar a missão de pregadores itinerantes, Domingos não descuidava da formação permanente de seus companheiros. Numa manhã d 1215, Domingos inscreveu seis dos seus irmãos na escola de teologia do professor inglês Alexandre Stavensby. Domingos queria que seus filhos estivessem em dia com as correntes teológicas, para o exercício da pregação… (p.139).No que diz respeito à formação espiritual, exortava os irmãos a serem: humildes…assíduos na oração, desprendimento total, sempre dispostos a renunciar a própria vontade, e executar com obediência voluntária ao que manda o prelado.(p.148).Observar o silêncio, nas horas e lugares destindos à oração e ao estudo; não falar mal nunca dos ausentes e guardar diligentemente os livros, roupas e outras coisas que estão a serviço da comunidade.(p.149).

O que deve fazer o diretor espiritual

O prior coloque, à frente dos noviços, um mestre diligente, para que os instrua nas coisas da ordem; afervore-os nas celebrações litúrgicas; corrija-os com palavras e com exemplos; proveja suas necessidades; ensine-os a serem humildes; proveja suas necessidades; ensine-os a serem humildes, a confessarem-se com freqüência e a viverem com desprendimento…Que ninguém julgue ninguém, porque o critério humano frequentemente se equivoca…Que se entreguem com empenho ao estudo…leiam e meditem algo e se esforcem para reter na memória quanto puderem.(p.150-151);

Visão dos apóstolos São Pedro e São Paulo

A aspiração missionária de Domingos era levar a Palavra de Deus a “todas as nações”, ao mundo dos crentes de Jesus Cristo. Certo dia, quando orava na Basílica de São Pedro, em Roma, teve uma visão dos apóstolos São Pedro e São Paulo. Parecia que Pedro lhe entregava o bastão e Paulo um livro, dizendo-lhe: “Vai  prega, porque Deus o escolheu para esse ministério”.

Ao mesmo tempo, parecia contemplar seus filhos espalhados por todo o mundo, indo de dois em dois, a pregar aos povos a palavra divina. De regresso a Toulouse, convoca todos os irmãos e lhes manifesta que, embora poucos em número, decidiu dispersá-los em diversas partes do mundo, bem convencido de que o grão espalhado frutifica, e que amontoado, apodrece. (p.156)

A cura de Frei Reginaldo

Estamos no ano de 1218. Domingos prega a quaresma em Roma. Entre seus ouvintes, está o cônego Reginaldo de Orleans..Sentiu-se comovido pela pregação de Domingos. Quando se dispões a visitar-lhe, cai gravemente enfermo. Domingos visita-o e anima-o. Como resposta, ouve de Reginaldo a firme decisão de renunciar à cômoda vida de cônego, para viver “como o Apóstolo”, pregando, em pobreza do Evangelho, aos povos mais necessitados da Palavra de Deus. Mais ainda, pede a Domingos que o admita em sua Ordem e faz a profissão de obediência em suas mãos. O enfermos se agrava. E é desenganado. Domingos passa a noite orando diante do sacrário e, ao amanhecer, Reginaldo está curado.

Conta a tradição que aquela noite, estando com febre. Ela apareceu-lhe Nossa Senhora ungindo-lhe com um certo bálsamo e disse: “Unjo teus pés com o óleo santo, como preparação para o Evangelho da paz”. E lhe mostrou o hábito completo da Ordem. (p.162-163)

São Domingos de Gusmão e o Rosário

Quando a tentação envolve os irmaos nas dúvidas sobre a sua vocação, Maria lhes alcança o dom da perseverança; abençoa o dormitório e cuida do sono. Quando surgem as necessidades Nossa Senhora as provê e serve; não permite nunca que lhes falte o pão de cada dia, e no ministério da pregação, assiste-lhes manifestamente…(p.164)

Domingos, em suas horas de encontro filial com a Mãe de Deus, sente a feliz inspiração de orar com o Evangelho. Assim nasceu a oração do Evangelho do Rosário, centrado no mistério do Verbo Encarnado. Para combater os cátaros, Domingos lê um determinado acontecimento do Evangelho, comenta, convida à reflexão e conclui com a recitação da Ave-Maria. Por isso, acertadamente, é chamado de Rosário: “Compêndio de todo o Evangelho”. (p.165)

Encontro de São Domingos de Gusmão com São Francisco de Assis

No final de 1220, Domingos se encontra com o cardeal Hugolino, em Toscana, e para sua sorte, tem a oportunidade de encontrar e conhecer Francisco de Assis, a quem, desde aquele momento, sente-se fraternalmente unido no amor do Senhor. (p.179)

Missão de São Domingos de Gusmão

Evangelização ardente, com o exemplo de oração e de pobreza heróica do pregador, revelam seu amor ao Salvador e às almas; uma palavra que se dirige a todos: aos bons cristãos para melhorá-los na sua vida espiritual mais profunda e uma ação mais generosa; a dos hereges para abordá-los de frente, iluminar suas mentes e conduzi-los de novo a Cristo Ressuscitado”. (p.187)

Enfermidade e morte de São Domingos de Gusmão

Domingos passa os dias e as noites em claro; entretanto, sua enfermidade avança…Domingos…pediu de imediato que ao falecer fosse levado ao convento de São Nicolau, porque queria ser sepultado junto com seus irmãos…em nenhum momento a febre e a dor mudaram a expressão de seu rosto, sempre sereno, sorridente e alegre. (p.189)

Na aflição e o pranto dos irmãos comovem Domingos e lhe arrancam palavras de consolo: “Não choreis; eu serei mais útil para vocês depois da morte, mais do que em vida”. (p.190)

Frei Rodolfo está à cabeceira de Domingos, e com uma toalha vai secando o suor mortal de seu rosto. De repente, Domingos murmura: “Comecem”. Os irmãos recitam o Credo; logo as orações rituais da encomendação da alma, e quando invocam: “Vinde em sua ajuda, Santos de Deus. Acudi-o, anjos do Senhor. Recebe a sua alma na presença do Altíssimo, Domingos morre na doce serenidade dos justos. Era tarde de 6 de agosto de 1221. (p.191)

Bibliografia: Nas pegadas de São Domingos de Gusmão. Ir. Maria Izabel Coenca. Ed. Palavra e prece. 2008.

Na noite de 23 de maio de 1233, os irmãos se reuniram em torno do túmulo…Então, em presença de uma verdadeira multidão, os Irmãos…finalmente abriram o caixão. A cada etapa, um perfume maravilhoso, misterioso se espalhava por toda a Igreja…(p.56)

Algum tempo depois, um pedido de canonização de Domingos foi apresentado pelo Bispo, pela universidade e a comunidade de Bolonha…a 3 de julho de 1234,..Gregório IX proclamou a santidade de Domingos. (p.56)

Bibliografia: São Domingos por Simon Tugwell. Editions Du signe.

Biografia de São Domingos de Gusmão pelo Vaticano

PAPA BENTO XVI

AUDIÊNCIA GERAL

Quarta-feira, 3 de Fevereiro de 2010

São Domingos de Gusmão

Caros irmãos e irmãs

Na semana passada apresentei a figura luminosa de Francisco de Assis, e hoje gostaria de vos falar de outro santo que, na mesma época, ofereceu uma contribuição fundamental para a renovação da Igreja do seu tempo. Trata-se de São Domingos, fundador da Ordem dos Pregadores, também conhecidos como Padres Pregadores.

O seu sucessor na orientação da Ordem, Beato Jordão da Saxónia, oferece um retrato completo de São Domingos no texto de uma oração famosa:  “Inflamado de zelo por Deus e de ardor sobrenatural, pela tua caridade sem confins e o fervor do espírito veemente, consagraste-te inteiramente com o voto da pobreza perpétua à observância apostólica e à pregação evangélica”. É ressaltada precisamente esta característica fundamental do testemunho de Domingos:  ele falava sempre com Deus e de Deus. Na vida dos santos, o amor pelo Senhor e pelo próximo, a busca da glória de Deus e da salvação das almas caminham sempre juntos.

Domingos nasceu em Caleruega, na Espanha, por volta de 1170. Pertencia a uma nobre família da Velha Castilha e, ajudado por um tio sacerdote, formou-se numa célebre escola de Palência. Distinguiu-se imediatamente pelo interesse no estudo da Sagrada Escritura e pelo amor aos pobres, a tal ponto que chegou a vender os livros, que na sua época constituíam um bem de grande valor, para socorrer com o lucro as vítimas de uma carestia.

Tendo sido ordenado sacerdote, foi eleito cónego do cabido da Catedral na sua Diocese de origem, Osma. Embora esta nomeação pudesse representar para ele algum motivo de prestígio na Igreja e na sociedade, ele não a interpretou como um privilégio pessoal, nem como o início de uma carreira eclesiástica brilhante, mas como um serviço a prestar com dedicação e humildade. Não é porventura uma tentação, a da carreira, do poder, uma tentação da qual não estão imunes nem sequer aqueles que desempenham um papel de animação e de governo na Igreja? Recordei-o há alguns meses, durante a consagração de alguns Bispos:  “Não procuremos o poder, o prestígio e a estima para nós mesmos… Sabemos como as coisas na sociedade civil e, com frequência, também na Igreja sofrem pelo facto de que muitos deles, aos quais foi conferida uma responsabilidade, trabalham para si mesmos e não para a comunidade” (Homilia durante a Capela Papal para a Ordenação episcopal de cinco Excelentíssimos Prelados, 12 de Setembro de 2009).

O Bispo de Osma, que se chamava Diogo, um pastor verdadeiro e zeloso, observou depressa as qualidades espirituais de Domingos, e quis valer-se da sua colaboração. Juntos, partiram para o Norte da Europa a fim de realizar missões diplomáticas que lhes eram confiadas pelo rei de Castilha. Viajando, Domingos descobriu dois desafios enormes para a Igreja do seu tempo:  a existência de povos ainda não evangelizados, nas extremidades setentrionais do continente europeu, e a laceração religiosa que debilitava a vida cristã no Sul da França, onde a acção de alguns grupos heréticos criava confusão e o afastamento da verdade da fé. A acção missionária a favor daqueles que não conheciam a luz do Evangelho e a obra de reevangelização das comunidades cristãs tornaram-se assim as metas apostólicas que Domingos se propôs alcançar.

O Papa, que o Bispo Diogo e Domingos visitaram para pedir conselho, pediu a este último que se dedicasse à pregação aos Albigenses, um grupo herético que defendia uma concepção dualista da realidade, ou seja, com dois princípios criadores igualmente poderosos, o Bem e o Mal. Por conseguinte, este grupo desprezava a matéria como proveniente do princípio do mal, rejeitando até o matrimónio, chegando mesmo a negar a encarnação de Cristo, os sacramentos em que o Senhor nos “toca” através da matéria, e a ressurreição dos corpos. Os Albigenses apreciavam a vida pobre e austera – neste sentido, eram também exemplares – e criticavam a riqueza do Clero daquela época. Domingos aceitou com entusiasmo esta missão, que realizou precisamente com o exemplo da sua existência pobre e austera, com a pregação do Evangelho e com debates públicos. A esta missão de pregar a Boa Nova ele dedicou o resto da sua vida. Os seus filhos teriam realizado inclusive os outros sonhos de São Domingos:  a missão ad gentes, ou seja, àqueles que ainda não conheciam Jesus, e a missão àqueles que viviam nas cidades, sobretudo nas universitárias, onde as novas tendências intelectuais eram um desafio para a fé dos cultos.

Este grande santo recorda-nos que no coração da Igreja deve sempre arder um fogo missionário, que impele incessantemente a fazer o primeiro anúncio do Evangelho e, onde for necessário, a uma nova evangelização:  com efeito, Cristo é o bem mais precioso que os homens e as mulheres de todos os tempos e lugares têm o direito de conhecer e de amar! E é consolador ver que até na Igreja de hoje são muitos – pastores e fiéis leigos, membros de antigas ordens religiosas e de novos movimentos eclesiais – que com alegria despendem a sua vida por este ideal supremo:  anunciar e testemunhar o Evangelho!

Depois, a Domingos de Gusmão uniram-se outros homens, atraídos pela mesma aspiração. Deste modo, progressivamente, da primeira fundação de Toulouse teve origem a Ordem dos Pregadores. Com efeito, Domingos em plena sintonia com as directrizes dos Papas do seu tempo, Inocêncio III, Honório III, adoptou a antiga Regra de Santo Agostinho, adaptando-a às exigências de vida apostólica que o levaram, bem como os seus companheiros, a pregar passando de um lugar para outro, mas depois voltando aos próprios conventos, lugares de estudo, oração e vida comunitária. De modo particular, Domingos quis dar relevo a dois valores considerados indispensáveis para o bom êxito da missão evangelizadora:  a vida comunitária na pobreza e o estudo.

Antes de tudo, Domingos e os Padres Pregadores apresentavam-se como mendicantes, isto é, sem vastas propriedades de terrenos para administrar. Este elemento tornava-os mais disponíveis ao estudo e à pregação itinerante, e constituía um testemunho concreto para as pessoas. O governo interno dos conventos e das províncias dominicanas estruturou-se segundo o sistema de cabidos, que elegiam os seus próprios Superiores, sucessivamente confirmados pelos Superiores maiores; portanto, uma organização que estimulava a vida fraterna e a responsabilidade de todos os membros da comunidade, exigindo fortes convicções pessoais. A escolha deste sistema nascia precisamente do facto que os Dominicanos, como pregadores da verdade de Deus, tinham que ser coerentes com quanto anunciavam. A verdade estudada e compartilhada na caridade com os irmãos constitui o fundamento mais profundo da alegria. O Beato Jordão da Saxónia diz de São Domingos:  “Ele acolhia cada homem no grande seio da caridade e, dado que amava todos, todos o amavam. Fez para si uma lei pessoal de se alegrar com as pessoas felizes e de chorar com aqueles que choravam” (Libellus de principiis Ordinis Praedicatorum autore Iordano de Saxonia, ed. H. C. Scheeben [Monumenta Historica Sancti Patris Nostri Dominici, Romae, 1935]).

Em segundo lugar, com um gesto intrépido, Domingos quis que os seus seguidores adquirissem uma formação teológica sólida e não hesitou em enviá-los às Universidades dessa época, embora não poucos eclesiásticos vissem com desconfiança estas instituições culturais. As Constituições da Ordem dos Pregadores atribuem muita importância ao estudo como preparação para o apostolado. Domingos queria que os seus Padres se dedicassem a isto sem poupar esforços, com diligência e piedade; um estudo fundado na alma de todo o saber teológico, ou seja, na Sagrada Escritura, e respeitador das interrogações formuladas pela razão. O desenvolvimento da cultura impõe àqueles que desempenham o ministério da Palavra, a vários níveis, que sejam bem preparados. Portanto exorto todos, pastores e leigos, a cultivar esta “dimensão cultural” da fé, a fim de que a beleza da verdade cristã possa ser melhor compreendida e a fé seja verdadeiramente alimentada, fortalecida e também defendida. Neste Ano sacerdotal, convido os seminaristas e os sacerdotes e estimar o valor espiritual do estudo. A qualidade do ministério sacerdotal depende também da generosidade com que se aplica ao estuo das verdades reveladas.

Domingos, que quis fundar uma Ordem religiosa de pregadores-teólogos, lembra-nos que a teologia tem uma dimensão espiritual e pastoral, que enriquece a alma e a vida. Os presbíteros, os consagrados e também todos os fiéis podem encontrar uma profunda “alegria interior” na contemplação da beleza da verdade que vem de Deus, verdade sempre actual e viva. O lema dos Padres Pregadores – contemplata aliis tradere – ajuda-nos a descobrir, além disso, um anseio pastoral no estudo contemplativo de tal verdade, pela exigência de comunicar aos outros o fruto da própria contemplação.

Quando Domingos faleceu, em 1221 em Bolonha, a cidade que o declarou padroeiro, a sua obra já tinha alcançado grande sucesso. A Ordem dos Pregadores, com o apoio da Santa Sé, difundiu-se em muitos países da Europa, em benefício da Igreja inteira. Domingos foi canonizado em 1234, e é ele mesmo que, com a sua santidade, nos indica dois meios indispensáveis a fim de que acção apostólica seja incisiva. Em primeiro lugar, a devoção mariana, que ele cultivou com ternura e deixou como herança preciosa aos seus filhos espirituais, que na história da Igreja tiveram o grande mérito de difundir a recitação do santo Rosário, tão querida ao povo cristão e tão rica de valores evangélicos, uma autêntica escola de fé e de piedade. Em segundo lugar Domingos, que assumiu o cuidado de alguns mosteiros femininos na França e em Roma, acreditou até ao fundo no valor da oração de intercessão pelo bom êxito do afã apostólico. Só no Paraíso compreenderemos quão eficazmente a oração das irmãs claustrais acompanham a obra apostólica! A cada uma delas dirijo o meu pensamento grato e carinhoso.

Estimados irmãos e irmãs, a vida de Domingos de Gusmão estimule todos nós a sermos fervorosos na oração, corajosos na vivência da fé e profundamente apaixonados por Jesus Cristo. Por sua intercessão, peçamos a Deus que enriqueça sempre a Igreja com autênticos pregadores do Evangelho.


Saudação

Amados peregrinos de língua portuguesa, uma cordial saudação de boas-vindas para todos, com votos de que a vossa visita ao lugar da Confissão de Pedro seja rica de graças e luzes do Alto, que vos ajude a ser sempre autênticas e incansáveis testemunhas de Cristo. Em seu Nome, dou-vos a minha Bênção, extensiva aos vossos familiares e comunidades cristãs.

Fonte: http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2010/documents/hf_ben-xvi_aud_20100203_po.html

PAPA BENTO XVI

AUDIÊNCIA GERAL

Quarta-feira, 13 de Janeiro de 2010

As Ordens Mendicantes

Caros irmãos e irmãs

No início do novo ano olhemos para a história do Cristianismo, para ver como se desenvolve uma história e como ela pode ser renovada. Nela podemos ver que os santos, guiados pela luz de Deus, são os autênticos reformadores da vida da Igreja e da sociedade. Mestres com a palavra e testemunhas com o exemplo, eles sabem promover uma renovação eclesial estável e profunda, porque eles mesmos são profundamente renovados, estão em contacto com a verdadeira novidade: a presença de Deus no mundo. Esta realidade consoladora, ou seja, que em cada geração nascem santos e trazem a criatividade da renovação, acompanha constantemente a história da Igreja no meio das tristezas e dos aspectos negativos do seu caminho. Com efeito, século após século vemos nascer também as forças da reforma e da renovação, porque a novidade de Deus é inexorável e dá sempre nova força para ir em frente. Assim aconteceu também no século XIII, com o nascimento e o desenvolvimento extraordinário das Ordens Mendicantes: um modelo de grande renovação numa nova época histórica. Elas foram chamadas assim, pela sua característica de “mendigar”, ou seja, de recorrer humildemente ao sustento económico das pessoas para viver o voto da pobreza e desempenhar a sua missão evangelizadora. Das Ordens Mendicantes que surgiram naquele período, as mais famosas e as mais importantes são os Frades Menores e os Padres Pregadores, conhecidos como Franciscanos e Dominicanos. Eles foram chamados assim pelo nome dos seus Fundadores, respectivamente Francisco de Assis e Domingos de Guzman. Estes dois grandes Santos tiveram a capacidade de ler com inteligência “os sinais dos tempos”, intuindo os desafios que a Igreja do seu tempo devia enfrentar.

Um primeiro desafio era representado pela expansão de vários grupos e movimentos de fiéis que, embora inspirados por um desejo legítimo de vida cristã autêntica, se punham com frequência fora da comunhão eclesial. Estavam em profunda oposição com a Igreja rica e bonita que se tinha desenvolvido precisamente com o florescimento do monaquismo. Nas recentes Catequeses reflecti sobre a comunidade monástica de Cluny, que atraía cada vez mais jovens e portanto forças vitais, assim como bens e riquezas. Logicamente, num primeiro momento desenvolveu-se assim uma Igreja rica de propriedades e inclusive de imóveis. A esta Igreja opôs-se a ideia de que Cristo veio à terra pobre e que a verdadeira Igreja deveria ser precisamente a Igreja dos pobres; assim, o desejo de uma verdadeira autenticidade cristã opôs-se à realidade da Igreja empírica. Trata-se dos chamados movimentos pauperistas da Idade Média. Eles contestavam asperamente o modo de viver dos sacerdotes e dos monges dessa época, acusados de ter traído o Evangelho e de não praticar a pobreza como os primeiros cristãos, e estes movimentos opuseram ao ministério dos Bispos uma sua “hierarquia paralela”. Além disso, para justificar as próprias escolhas, difundiram doutrinas incompatíveis com a fé católica. Por exemplo, o movimento dos Cátaros ou Albigenses voltou a propor antigas heresias, como a desvalorização e o desprezo do mundo material – a oposição contra a riqueza torna-se rapidamente oposição contra a realidade material enquanto tal – a negação da vontade livre, e depois o dualismo, a existência de um segundo princípio do mal equiparado com Deus. Estes movimentos tiveram sucesso, especialmente na França e na Itália, não só pela sua organização sólida, mas também porque denunciavam uma desordem real na Igreja, causada pelo comportamento pouco exemplar de vários representantes do clero.

Na esteira dos seus Fundadores, os Franciscanos e os Dominicanos mostraram, ao contrário, a verdade do Evangelho como tal, sem se separar da Igreja; mostraram que a Igreja permanece o verdadeiro e autêntico lugar do Evangelho e da Escritura. Aliás, Domingos e Francisco hauriram a força do seu testemunho precisamente da sua comunhão com a Igreja e com o papado. Com uma escolha totalmente original na história da vida consagrada, os Membros destas Ordens não só renunciavam à posse de bens pessoais, como faziam os mongens desde a antiguidade, mas nem sequer queriam que terrenos e bens imóveis passassem para o nome da comunidade. Assim tencionavam dar testemunho de uma vida extremamente sóbria, para ser solidários com os pobres e confiar apenas na Providência, viver todos os dias da Providência, da confiança de se colocar nas mãos de Deus. Este estilo pessoal e comunitário das Ordens Mendicantes, unido à adesão total ao ensinamento da Igreja e à sua autoridade, foi muito apreciado pelos Pontífices dessa época, como Inocêncio III e Honório III, que ofereceram o seu pleno apoio a estas novas experiências eclesiais, reconhecendo nelas a voz do Espírito. E os frutos não faltaram: os grupos pauperistas que se tinham separado da Igreja voltaram a entrar na comunhão eclesial ou, lentamente, redimensionaram-se até desaparecer. Também hoje, embora vivamos numa sociedade em que muitas vezes prevalece o “ter” sobre o “ser”, somos muito sensíveis aos exemplos de pobreza e de solidariedade, que os crentes oferecem com opções intrépidas. Também hoje não faltam iniciativas semelhantes: os movimentos, que começam realmente a partir da novidade do Evangelho e vivem-no com radicalidade no hoje, colocando-se nas mãos de Deus, para servir o próximo. O mundo, como recordava Paulo VI na Evangelii nuntiandi, ouve de bom grado os mestres, quando eles são também testemunhas. Trata-se de uma lição que nunca pode ser esquecida na obra de difusão do Evangelho: viver primeiro aquilo que se anuncia, ser espelho da caridade divina.

Franciscanos e Dominicanos foram testemunhas, mas inclusive mestres. Com efeito, outra exigência difundida na sua época era a da educação religiosa. Não poucos fiéis leigos, que habitavam nas cidades em vias de grande expansão, desejavam praticar uma vida cristã espiritualmente intensa. Portanto, procuravam aprofundar o conhecimento da fé e ser orientados no árduo mas entusiasmante caminho da santidade. Felizmente, as Ordens Mendicantes souberam ir ao encontro também desta necessidade: o anúncio do Evangelho na simplicidade e na sua profundidade e grandeza erra uma finalidade, talvez a finalidade principal deste movimento. Efectivamente, dedicaram-se à pregação com grande zelo. Os fiéis eram muito numerosos, com frequência verdadeiras multidões, que se congregavam para ouvir os pregadores nas igrejas e nos lugares ao ar livre, pensemos por exemplo em Santo Agostinho. Tratavam-se temas próximos da vida das pessoas, sobretudo a prática das virtudes teologais e morais, com exemplos concretos, facilmente compreensíveis. Além disso, ensinavam-se formas para alimentar a vida de oração e de piedade. Por exemplo, os Franciscanos difundiram muito a devoção à humanidade de Cristo, com o compromisso de imitar o Senhor. Então, não surpreende o facto de que os fiéis eram numerosos, homens e mulheres que escolhiam fazer-se acompanhar no caminho cristão por frades Franciscanos e Dominicanos, directores espirituais e confessores procurados e estimados. Assim nasceram associações de fiéis leigos que se inspiravam na espiritualidade de São Francisco e de São Domingos, adaptada à sua condição de vida. Trata-se da Terceira Ordem, tanto franciscana como dominicana. Por outros termos, a proposta de uma “santidade laica” conquistou muitas pessoas. Como recordou o Concílio Ecuménico Vaticano II, o chamamento à santidade não está reservado a alguns, mas é universal (cf. Lumen gentium, 40). Em todas as condições de vida, segundo as exigências de cada uma delas, encontra-se a possibilidade de viver o Evangelho. Também hoje cada cristão deve tender para a “medida alta da vida cristã”, seja qual for a condição de vida a que pertence!

A importância das Ordens Mendicantes aumentou tanto na Idade Média, que Instituições laicas, com as organizações do trabalho, as antigas corporações e as próprias autoridades civis recorriam com frequência aos conselhos espirituais dos Membros de tais Ordens para a redacção dos seus regulamentos e, às vezes, para a solução de contrastes internos ou externos. Os Franciscanos e os Dominicanos tornaram-se os animadores espirituais da cidade medieval. Com grande intuição, eles puseram em acção uma estratégia pastoral adequada às transformações da sociedade. Dado que muitas pessoas se transferiam dos campos para as cidades, eles construíram os seus conventos já não em áreas rurais, mas urbanas. Além disso, para desempenhar a sua actividade em benefício das almas, era necessário deslocar-se em conformidade com as exigências pastorais. Com outra escolha totalmente inovativa, as Ordens Mendicantes abandonaram o princípio de estabilidade, clássico do monaquismo antigo, para escolher outro modo. Menores e Pregadores viajavam de um lugar para outro, com fervor missionário. Por conseguinte, organizaram-se de modo diverso em relação à maior parte das Ordens monásticas. No lugar da autonomia tradicional de que gozava cada mosteiro, eles deram mais importância à Ordem enquanto tal e ao Superior-Geral, bem como à estrutura das províncias. Assim os Mendicantes estavam mais dispostos às exigências da Igreja Universal. Esta flexibilidade tornou possível o envio dos frades mais preparados para o cumprimento de missões específicas e as Ordens Mendicantes chegaram à África setentrional, ao Médio Oriente e ao Norte da Europa. Com esta flexibilidade, o dinamismo missionário foi renovado.

Outro grande desafio era representado pelas transformações culturais em curso naquele período. Novas questões estimularam o debate nas universidades, que nasceram no final do século XII. Menores e Pregadores não hesitaram em assumir também este compromisso e, como estudantes e professores, entraram nas universidades mais famosas dessa época, erigiram centros de estudos, produziram textos de grande valor, deram vida a verdadeiras escolas de pensamento, foram protagonistas da teologia escolástica no seu período melhor e incidiram significativamente no desenvolvimento do pensamento. Os maiores pensadores, S. Tomás de Aquino e São Boaventura, eram mendicantes e trabalharam precisamente com este dinamismo na nova evangelização, que renovou também a coragem do pensamento, do diálogo entre razão e fé. Também hoje existe uma “caridade da e na verdade”, uma “caridade intelectual” a exercer, para iluminar as inteligências e conjugar a fé com a cultura. Caros fiéis, o compromisso assumido pelos Franciscanos e pelos Dominicanos nas universidades medievais é um convite a tornar-se presente nos lugares de elaboração do saber, para propor, com respeito e convicção, a luz do Evangelho sobre as questões fundamentais que se referem ao homem, à sua dignidade e ao seu destino eterno. Pensando no papel dos Franciscanos e Dominicanos na Idade Média, na renovação espiritual que suscitaram, no sopro de vida nova que comunicaram no mundo, um monge disse: “Naquela época o mundo envelhecia. Surgiram duas Ordens na Igreja, cuja juventude renovaram, como a de uma águia” (Burchard d’Ursperg, Chronicon).

Estimados irmãos e irmãs, invoquemos precisamente no início deste ano o Espírito Santo, eterna juventude da Igreja: ele faça com que todos sintam a urgência de oferecer um testemunho coerente e corajoso do Evangelho, a fim de que nunca faltem santos, que façam resplandecer a Igreja como esposa sempre pura e bela, sem manchas nem rugas, capaz de atrair irresistivelmente o mundo para Cristo, para a sua salvação.


Saudação

Queridos peregrinos de língua portuguesa, possa o Espírito Santo suscitar no coração de cada um a urgência de oferecer ao mundo um testemunho coerente e corajoso do Evangelho. Que Deus abençoe cada um de vós e vossas famílias. Ide em Paz!

Fonte:http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2010/documents/hf_ben-xvi_aud_20100113_po.html

Maria, cetro da verdadeira fé

6. Além disto, consoante o louvor do mesmo Doutor, ela foi vigorosíssimo “cetro da verdadeira fé” (S. Cirilo de Alexandria, Homilia contra Nestorium), pelo contínuo cuidado que teve de manter firme, intacta e fecunda, entre os povos, a fé católica. E disto existem provas numerosíssimas e assaz conhecidas, confirmadas às vezes por acontecimentos prodigiosos. Sobretudo nas épocas e nas regiões em que se houve de deplorar a fé esmorecida por causa da indiferença, ou atacada pelo pernicioso contágio dos erros, foi que o clemente socorro da Virgem se fez particularmente sentir.

Foi então que, graças ao seu impulso e ao seu apoio, surgiram homens, eminentes por santidade e por zelo apostólico, prontos a repelir os ataques dos perversos, a reconduzir as almas à prática e ao fervor da vida cristã. Sozinho, mas poderoso como muitos juntos, Domingos de Gusmão consagrou-se a esta dupla tarefa, tendo posto com êxito a sua confiança no Rosário de Maria.

E ninguém poderá pôr em dúvida que grande parte tenha a Mãe de Deus nos serviços prestados pelos veneráveis Padres e Doutores da Igreja, que tão notavelmente trabalharam em defender e ilustrar a doutrina católica. De fato, é a ela, sede da divina sabedoria, que eles atribuem com gratidão a fecunda inspiração dos seus escritos; foi por obra da Virgem Santíssima, e não pelo mérito deles, conforme eles mesmos atestam, que a malícia dos erros foi debelada. Enfim, príncipes e Pontífices Romanos, guardas e defensores da fé tiveram o costume de recorrer sempre ao nome da divina Mãe: uns na direção das suas guerras sagradas, outros na promulgação dos seus solenes decretos; e sempre lhe experimentaram o poder e a proteção.

7. Por isto a Igreja e os Padres dirigem a Maria estas expressões não menos verdadeiras do que esplêndidas: “Ave, ó boca sempre eloqüente dos Apóstolos; ó sólido fundamento da fé; ó rocha inabalável da Igreja” (Do hino dos Gregos Theotokion). “Ave: por ti nós fomos computados entre os cidadãos da Igreja, una, santa, católica e apostólica” (S. João Damasceno, Oratio in Annunciatione Dei Genitricis, n. 9). “Ave, ó divina fonte da qual os rios da eterna sabedoria, correndo com as puríssimas e limpidíssimas águas da ortodoxia, prostram a multidão dos erros” (S. Germano Constantinopolitano, Oratione in Dei Praesentatione, n. 4). “Alegra-te, já que só tu conseguiste destruir todas as heresias no mundo inteiro!” (no Ofício da B. V. M.).

Fonte:http://www.vatican.va/holy_father/leo_xiii/encyclicals/documents/hf_l-xiii_enc_05091895_adiutricem_po.html

Louvava a Deus em todas as situações

Uma ocasião, antes da cruzada, ele e seu grupo se perderam pelo, quando se dirigiam a um debate público. Um herege (que pensavam ser católico), ofereceu-se para guiá-los. Maliciosamente, ele os conduziu através de espinhos e urtigas até que seus pés e pernas ficassem cobertos de sangue. Sem se desanimar, Domingos encorajava seus companheiros a louvar a Deus e a esperar a vitória no debate, precisamente quando seus pecados haviam sido lavados com seu próprio sangue. O herege comoveu-se tanto com sua atitude que confessou o que havia feito e renunciou à heresia, ali mesmo. (p.18)

São Domingos de Gusmão acreditava na conversão dos hereges

A segurança de sua sensibilidade aparecia numa admirável intervenção para salvar o membro de um grupo já conhecido à execução. Fitando seus olhos, ele diz: Eu sei, meu filho, ainda que tardiamente, você será um “bom homem” e um “santo”. O herege converteu-se após 25 anos, porém nunca se esqueceu de seu encontro com Domingos. Em 1236, de livre e espontânea vontade, dirigiu-se ao convento dominicano de Tolosa e pediu sua reconciliação com a Igreja. Inclusive ingressou na Ordem. Domingos falara em sua própria linguagem e agora, finalmente, compreendeu o que significa realmente ser “homem bom”.

A sabedoria de São Domingos de Gusmão

Conscientemente, Domingos procurou vencer os hereges com suas próprias armas. Se era a austeridade que eles valorizavam, mostrava e praticava uma austeridade que eles nunca poderiam imitar. Durante a quaresma, pediu hospedagem na casa de mulheres discípulas de hereges. Ele e seu companheiro jejuaram pão e água até a Páscoa. Recusaram as camas que lhes foram preparadas. Dormiram sobre estrados. Passavam a maior parte da noite em oração…Suas anfitriãs encheram-se de admiração e concluíram que..eram bons homens. (p.19)

…Mais de uma testemunha afirma que ele nunca dormiu na cama, mesmo quando enfermo. (p.19)

Rezava pelos doentes

Os doentes sentiam-se melhores logo que ele rezava por eles. Todos comentavam como chorava enquanto fazia oração. (p.19)

Novas conversões

Após um debate em Fanjeaux, um grupo de mulheres sentiu abalada a confiança que depositava dos hereges. Dirigiu-se a Domingos que estava rezando na igreja paroquial. Pediu-lhe que obtivesse de Deus a revelação da verdadeira fé com a qual pudessem salvar-se. O resultado de suas orações foi a visão que tiveram de um gato monstruoso, mostrando-lhes a quem tinha servido quando seguiam os albigenses. Todas essas mulheres voltaram para a Igreja Católica. Muitas dentre elas se tornaram monjas em Prouille. (p.19)

Tinha o costume de andar a pé

Deixando Paris, a pé, como de costume, Domingos tomou o caminho mais curto para Itália..(p.38)

Bibliografia: São Domingos por Simon Tugwell. Editions Du signe.

PAPA BENTO XVI

ANGELUS

Praça de São Pedro
V Domingo de Quaresma, 9 de Março de 2008

Amados irmãos e irmãs

No nosso itinerário quaresmal, chegamos ao 5º domingo, caracterizado pelo Evangelho da ressurreição de Lázaro (cf. Jo 11, 1-45). Trata-se do último grande “sinal” realizado por Jesus, depois do qual os sumos sacerdotes reuniram o Sinédrio e decidiram matá-lo; e decidiram matar também o próprio Lázaro, que era a prova viva da divindade de Cristo, Senhor da vida e da morte. Na realidade, esta página evangélica mostra Jesus como verdadeiro Homem e verdadeiro Deus. Em primeiro lugar, o evangelista insiste sobre a sua amizade com Lázaro e com as irmãs Maria e Marta. Ele ressalta o facto de que “Jesus era muito amigo” deles (Jo 11, 5), e por isso quis realizar o grande prodígio. “O nosso amigo Lázaro está a dormir, mas Eu vou acordá-lo” (Jo 11, 11) – assim disse aos discípulos, expressando com a metáfora do sono o ponto de vista de Deus sobre a morte física: Deus vê-a precisamente como um sono, do qual nos pode despertar. Jesus demonstrou um poder absoluto em relação a esta morte: vê-se isto, quando restitui a vida ao filho da viúva de Naim (cf. Lc 7, 11-17) e à menina de doze anos (cf. Mc 5, 35-43). Precisamente dela, disse: “Não morreu, está a dormir” (Mc 5, 39), atraindo sobre si o escárnio dos presentes. Mas na verdade é exactamente assim: a morte do corpo é um sono do qual Deus pode acordar-nos em qualquer momento.

Este senhorio sobre a morte não impediu que Jesus sentisse compaixão pela dor da separação. Ao ver Marta e Maria a chorar e quantos tinham vindo para as consolar, também Jesus “suspirou profundamente e comoveu-se” (Jo 11, 33.35). O Coração de Cristo é divino-humano: nele, Deus e Homem encontraram-se perfeitamente, sem separação nem confusão. Ele é a imagem, aliás, a encarnação do Deus que é amor, misericórdia e ternura paterna e materna do Deus que é Vida. Por isso, declarou solenemente a Marta: “Eu sou a Ressurreição e a Vida. Quem crê em mim, mesmo que tenha morrido, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim, não morrerá para sempre”. Depois, acrescentou: “Crês nisto?” (Jo 11, 25-26). É uma pergunta que Jesus dirige a cada um de nós; uma interrogação que certamente nos supera, ultrapassa a nossa capacidade de compreender e exige que confiemos nele, como Ele se confiou ao Pai. A resposta de Marta é exemplar: “Sim, ó Senhor; eu creio que Tu és Cristo, o Filho de Deus que havia de vir ao mundo” (Jo 11, 27). Sim, ó Senhor! Também nós acreditamos, não obstante as nossas dúvidas e as nossas obscuridades; cremos em ti, porque Tu tens palavras de vida eterna; desejamos acreditar em ti, que nos infundes uma confiável esperança de vida para além da vida, de vida autêntica e repleta no teu Reino de luz e de paz.

Confiemos esta oração a Maria Santíssima. Possa a sua intercessão revigorar a nossa fé e a nossa esperança em Jesus, especialmente nos momentos de maior provação e dificuldade.

Fonte: http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/angelus/2008/documents/hf_ben-xvi_ang_20080309_po.html


Vida de São Lázaro – Amigo de Jesus

A enfermidade de Lázaro

Lázaro caiu doente em Betânia, onde estavam Maria e sua irmã Marta. Maria era quem ungira o Senhor com o óleo perfumado e lhe enxugara os pés com os seus cabelos. E Lázaro, que estava enfermo, era seu irmão. Suas irmãs mandaram, pois, dizer a Jesus: Senhor, aquele que tu amas está enfermo. A estas palavras, disse-lhes Jesus: Esta enfermidade não causará a morte, mas tem por finalidade a glória de Deus. Por ela será glorificado o Filho de Deus. (João 11, 1-4)

O tempo certo para realizar o milagre

Ora, Jesus amava Marta, Maria, sua irmã, e Lázaro. Mas, embora tivesse ouvido que ele estava enfermo, demorou-se ainda dois dias no mesmo lugar. Depois, disse a seus discípulos: Voltemos para a Judéia. Mestre, responderam eles, há pouco os judeus te queriam apedrejar, e voltas para lá? Jesus respondeu: Não são doze as horas do dia? Quem caminha de dia não tropeça, porque vê a luz deste mundo. Mas quem anda de noite tropeça, porque lhe falta a luz. Depois destas palavras, ele acrescentou: Lázaro, nosso amigo, dorme, mas vou despertá-lo. Disseram-lhe os seus discípulos: Senhor, se ele dorme, há de sarar. Jesus, entretanto, falara da sua morte, mas eles pensavam que falasse do sono como tal. Então Jesus lhes declarou abertamente: Lázaro morreu.  Alegro-me por vossa causa, por não ter estado lá, para que creiais. Mas vamos a ele. A isso Tomé, chamado Dídimo, disse aos seus condiscípulos: Vamos também nós, para morrermos com ele. (João 11, 5-16)

Morte de Lazaro

À chegada de Jesus, já havia quatro dias que Lázaro estava no sepulcro. Ora, Betânia distava de Jerusalém cerca de quinze estádios. Muitos judeus tinham vindo a Marta e a Maria, para lhes apresentar condolências pela morte de seu irmão. (João 11, 17-19)

Jesus encontra às irmãs de Lázaro

Mal soube Marta da vinda de Jesus, saiu-lhe ao encontro. Maria, porém, estava sentada em casa. Marta disse a Jesus: Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido! Mas sei também, agora, que tudo o que pedires a Deus, Deus to concederá. Disse-lhe Jesus: Teu irmão ressurgirá. Respondeu-lhe Marta: Sei que há de ressurgir na ressurreição no último dia. Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que esteja morto, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim, jamais morrerá. Crês nisto? Respondeu ela: Sim, Senhor. Eu creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus, aquele que devia vir ao mundo. A essas palavras, ela foi chamar sua irmã Maria, dizendo-lhe baixinho: O Mestre está aí e te chama.  Apenas ela o ouviu, levantou-se imediatamente e foi ao encontro dele. (Pois Jesus não tinha chegado à aldeia, mas estava ainda naquele lugar onde Marta o tinha encontrado.) Os judeus que estavam com ela em casa, em visita de pêsames, ao verem Maria levantar-se depressa e sair, seguiram-na, crendo que ela ia ao sepulcro para ali chorar. Quando, porém, Maria chegou onde Jesus estava e o viu, lançou-se aos seus pés e disse-lhe: Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido! Ao vê-la chorar assim, como também todos os judeus que a acompanhavam, Jesus ficou intensamente comovido em espírito. E, sob o impulso de profunda emoção, perguntou: Onde o pusestes? Responderam-lhe: Senhor, vinde ver. Jesus pôs-se a chorar.  Observaram por isso os judeus: Vede como ele o amava!  Mas alguns deles disseram: Não podia ele, que abriu os olhos do cego de nascença, fazer com que este não morresse? (João 11, 20-37)

Ressurreição de Lázaro

Tomado, novamente, de profunda emoção, Jesus foi ao sepulcro.  Era uma gruta, coberta por uma pedra. Jesus ordenou: Tirai a pedra. Disse-lhe Marta, irmã do morto: Senhor, já cheira mal, pois há quatro dias que ele está aí…  Respondeu-lhe Jesus: Não te disse eu: Se creres, verás a glória de Deus? Tiraram, pois, a pedra. Levantando Jesus os olhos ao alto, disse: Pai, rendo-te graças, porque me ouviste. Eu bem sei que sempre me ouves, mas falo assim por causa do povo que está em roda, para que creiam que tu me enviaste. Depois destas palavras, exclamou em alta voz: Lázaro, vem para fora! E o morto saiu, tendo os pés e as mãos ligados com faixas, e o rosto coberto por um sudário. Ordenou então Jesus: Desligai-o e deixai-o ir. Muitos dos judeus, que tinham vindo a Marta e Maria e viram o que Jesus fizera, creram nele. (João 11, 38-45)

Perseguição a Jesus por causa do milagre da Ressurreição de Lázaro

Alguns deles, porém, foram aos fariseus e lhes contaram o que Jesus realizara. Os pontífices e os fariseus convocaram o conselho e disseram: Que faremos? Esse homem multiplica os milagres. Se o deixarmos proceder assim, todos crerão nele, e os romanos virão e arruinarão a nossa cidade e toda a nação. Um deles, chamado Caifás, que era o sumo sacerdote daquele ano, disse-lhes: Vós não entendeis nada!  Nem considerais que vos convém que morra um só homem pelo povo, e que não pereça toda a nação. E ele não disse isso por si mesmo, mas, como era o sumo sacerdote daquele ano, profetizava que Jesus havia de morrer pela nação, e não somente pela nação, mas também para que fossem reconduzidos à unidade os filhos de Deus dispersos. E desde aquele momento resolveram tirar-lhe a vida. Em conseqüência disso, Jesus já não andava em público entre os judeus. Retirou-se para uma região vizinha do deserto, a uma cidade chamada Efraim, e ali se detinha com seus discípulos. Estava próxima a Páscoa dos judeus, e muita gente de todo o país subia a Jerusalém antes da Páscoa para se purificar. Procuravam Jesus e falavam uns com os outros no templo: Que vos parece? Achais que ele não virá à festa? Mas os sumos sacerdotes e os fariseus tinham dado ordem para que todo aquele que soubesse onde ele estava o denunciasse, para o prenderem. (João 11, 46-57)

A ceia na casa de Lázaro

Seis dias antes da Páscoa, foi Jesus a Betânia, onde vivia Lázaro, que ele ressuscitara. Deram ali uma ceia em sua honra. Marta servia e Lázaro era um dos convivas. Tomando Maria uma libra de bálsamo de nardo puro, de grande preço, ungiu os pés de Jesus e enxugou-os com seus cabelos. A casa encheu-se do perfume do bálsamo. Mas Judas Iscariotes, um dos seus discípulos, aquele que o havia de trair, disse: Por que não se vendeu este bálsamo por trezentos denários e não se deu aos pobres? Dizia isso não porque ele se interessasse pelos pobres, mas porque era ladrão e, tendo a bolsa, furtava o que nela lançavam. Jesus disse: Deixai-a; ela guardou este perfume para o dia da minha sepultura. Pois sempre tereis convosco os pobres, mas a mim nem sempre me tereis. Uma grande multidão de judeus veio a saber que Jesus lá estava; e chegou, não somente por causa de Jesus, mas ainda para ver Lázaro, que ele ressuscitara. Mas os príncipes dos sacerdotes resolveram tirar a vida também a Lázaro, porque muitos judeus, por causa dele, se afastavam e acreditavam em Jesus. (João 12, 1-11)


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