Biografia dos Santos

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Vida da Beata Madre Teresa de Calcutá

HOMILIA DO PAPA JOÃO PAULO II
DURANTE O SOLENE RITO DE BEATIFICAÇÃO
DE MADRE TERESA
NO DIA MISSIONÁRIO MUNDIAL

Domingo, 19 de Outubro de 2003

1. “Quem quiser ser o primeiro entre vós, faça-se servo de todos” (Mc 10, 44). Estas palavras de Jesus aos discípulos, que ressoaram há pouco nesta Praça, indicam qual é o caminho que leva à “grandeza” evangélica. É o caminho que o próprio Cristo percorreu até à Cruz; um itinerário de amor e de serviço, que inverte qualquer lógica humana. Ser o servo de todos!

Madre Teresa de Calcutá, Fundadora dos Missionários e das Missionárias da Caridade, que hoje tenho a alegria de inscrever no Álbum dos Beatos, deixou-se guiar por esta lógica. Estou pessoalmente grato a esta mulher corajosa, que senti sempre ao meu lado. Ícone do Bom Samaritano, ela ia a toda a parte para servir Cristo nos mais pobres entre os pobres. Nem conflitos nem guerras conseguiam ser um impedimento para ela.

De vez em quando vinha falar-me das suas experiências ao serviço dos valores evangélicos. Recordo, por exemplo, as suas intervenções a favor da vida e contra o aborto, também quando lhe foi conferido o prémio Nobel pela paz (Oslo, 10 de Dezembro de 1979). Costumava dizer:  “Se ouvirdes que alguma mulher não deseja ter o seu menino e pretende abortar, procurai convencê-la a trazer-mo. Eu amá-lo-ei, vendo nele o sinal do amor de Deus”.

2. Não é significativo que a sua beatificação se realize precisamente no dia em que a Igreja celebra o Dia Missionário Mundial? Com o testemunho da sua vida, Madre Teresa recorda a todos que a missão evangelizadora da Igreja passa através da caridade, alimentada na oração e na escuta da palavra de Deus. É emblemática deste estilo missionário a imagem que mostra a nova Beata que, com uma mão, segura uma criança e, com a outra, desfia o Rosário.

Contemplação e acção, evangelização e promoção humana:  Madre Teresa proclama o Evangelho com a sua vida inteiramente doada aos pobres mas, ao mesmo tempo, envolvida pela oração.

3. “Quem quiser ser grande entre vós faça-se Vosso servo” (Mc 10, 43). É com particular emoção que hoje recordamos Madre Teresa, grande serva dos pobres, da Igreja e do Mundo inteiro. A sua vida é um testemunho da dignidade e do privilégio do serviço humilde. Ela escolheu ser não apenas a mais pequena, mas a serva dos mais pequeninos. Como mãe autêntica dos pobres, inclinou-se diante dos que sofriam várias formas de pobreza. A sua grandeza reside na sua capacidade de doar sem calcular o custo, de se doar “até doer”. A sua vida foi uma vivência radical e uma proclamação audaciosa do Evangelho.

O brado de Jesus na cruz, “Tenho sede” (Jo 19, 28), que exprime a profundidade do desejo que o homem tem de Deus, penetrou no coração de Madre Teresa e encontrou terreno fértil no seu coração. Satisfazer a sede que Jesus tem de amor e de almas, em união com Maria, Sua Mãe, tinha-se tornado a única finalidade da existência de Madre Teresa, e a força interior que a fazia superar-se a si mesma e “ir depressa” de uma parte a outra do mundo, a fim de se comprometer pela salvação e santificação dos mais pobres.

4. “Sempre que fizestes isto a um destes Meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes” (Mt 25, 40). Este trecho do Evangelho, tão fundamental para compreender o serviço de Madre Teresa aos pobres, estava na base da sua convicção, cheia de fé, que ao tocar os corpos enfraquecidos dos pobres tocava o corpo de Cristo. O seu serviço destinava-se ao próprio Jesus, escondido sob as vestes angustiantes dos mais pobres. Madre Teresa realça o significado mais profundo do serviço:  um gesto de amor feito aos famintos, aos sequiosos, aos estrangeiros, a quem está nu, doente, preso (cf. Mt 25, 34-36), é feito ao próprio Jesus.

Ao reconhecê-l’O servia-O com grande devoção, exprimindo a delicadeza do seu amor esponsal. Assim, no dom total de si a Deus e ao próximo, Madre Teresa encontrou a sua satisfação mais nobre e viveu as qualidades mais elevadas da sua feminilidade. Desejava ser um “sinal do amor de Deus, da presença de Deus, da compaixão de Deus” e, desta forma, recordar a todos o valor e a dignidade de cada filho de Deus “criado para amar e para ser amado”. Era assim que Madre Teresa “levava as almas para Deus e Deus às almas”, aliviando a sede de Cristo, sobretudo das pessoas mais necessitadas, cuja visão de Deus tinha sido ofuscada pelo sofrimento e pela dor.

5. “Porque o Filho do Homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate por muitos” (Mc 10, 45). Madre Teresa partilhou a paixão do Crucificado, de modo especial durante longos anos de “obscuridade interior”. Aquela foi a prova, por vezes lancinante, acolhida como um singular “dom e privilégio”.

Nos momentos mais difíceis ela recorria com mais tenacidade à oração diante do Santíssimo Sacramento. Esta difícil angústia espiritual levou-a a identificar-se cada vez mais com aqueles que servia todos os dias, experimentando o sofrimento e por vezes até a recusa. Gostava de repetir que a maior pobreza é não sermos desejados, não ter ninguém que se ocupe de nós.
6. “Dai-nos, Senhor, a Vossa graça, em Vós esperamos!”. Quantas vezes, como o Salmista, também Madre Teresa, nos momentos de desolação interior, repetiu ao seu Senhor:  “Em Vós, meu Deus, em Vós espero!”.

Prestemos honra a esta pequena mulher apaixonada por Deus, humilde mensageira  do  Evangelho  e  infatigável benfeitora  da  nossa  época.  Aceitemos a  sua  mensagem  e  sigamos  o  seu exemplo.

Virgem Maria, Rainha de todos os Santos, ajuda-nos a ser mansos e humildes de coração como esta intrépida mensageira do Amor. Ajuda-nos a servir com a alegria e com o sorriso todas as pessoas que encontramos. Ajuda-nos a ser missionários de Cristo, nossa paz e nossa esperança. Amém!

Fonte:http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/homilies/2003/documents/hf_jp-ii_hom_20031019_mother-theresa_po.html

JOÃO PAULO II

ANGELUS

Domingo, 19 de Outubro de 2003

Transmito as minhas calorosas saudações aos peregrinos de língua inglesa, especialmente aos que vieram da Índia e dos Estados Unidos da América. Que o exemplo de Madre Teresa aumente em vós o amor pelo Senhor e inspire um serviço cada vez mais profundo aos necessitados.

Saúdo  os  peregrinos  de  língua  macedónia.

Saúdo  os  peregrinos  de  expressão albanesa.

Dirijo a minha saudação aos peregrinos provenientes da Itália, da Europa e do mundo inteiro, em particular as Missionárias e os Missionários da Caridade, e quantos colaboram com eles no serviço aos mais pobres.

Ao dispormo-nos agora para a recitação do Angelus, recordemos que Maria Santíssima foi sempre o modelo para Madre Teresa, tanto na oração como na acção missionária.

Graças à intercessão da nova Beata, a Virgem nos faça progredir no amor a Deus e ao próximo.

Fonte:http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/angelus/2003/documents/hf_jp-ii_ang_20031019_po.html

PALAVRAS DO PAPA JOÃO PAULO II
RECORDANDO O 1° ANIVERSÁRIO DA MORTE
DE MADRE TERESA DE CALCUTÁ

Sábado, 5 de Setembro de 1998

Exactamente há um ano, na noite de 5 de Setembro, morria em Calcutá a Madre Teresa. A sua recordação continua viva no coração de cada um de nós, em toda a Igreja e no mundo inteiro. Esta pequena mulher, que veio de uma família humilde, que maravilhosa obra soube realizar com a força da fé em Deus e do amor pelo próximo!

Na realidade, a Madre Teresa foi um dom de Deus aos mais pobres dos pobres; e ao mesmo tempo, precisamente pelo seu extraordinário amor para com os últimos, foi e continua a ser um dom singular para a Igreja e para o mundo. A sua total doação a Deus, todos os dias reconfirmada na oração, traduziu-se numa total doação ao próximo.

No sorriso, nos gestos e nas palavras da Madre Teresa, Jesus caminhou  ainda pelas estradas do mundo como Bom Samaritano, e continua a fazê-lo nas Missionárias e nos Missionários da Caridade, que formam a grande família por ela fundada. Agradecemos às filhas e aos filhos da Madre Teresa a sua radical opção evangélica e oramos por todos eles, para que sejam fiéis ao carisma que o Espírito Santo suscitou na sua Fundadora.

Não esqueçamos o grande exemplo deixado pela Madre Teresa, nem nos limitemos a comemorá-la com as palavras! Tenhamos a coragem de pôr sempre no primeiro lugar o homem e os seus direitos fundamentais. Aos Chefes das Nações, tanto ricas como pobres, digo: Não confieis no poder das armas! Procedei com decisão e lealdade pela via do desarmamento, para destinar os necessários recursos aos verdadeiros e grandes objectivos da civilização, para combater unidos contra a fome e as doenças, para que cada homem possa viver e morrer como homem. Isto quer Deus, que no-lo recordou também através do testemunho da Madre Teresa.

E ela, do Céu, nos assista e acompanhe!

Fonte:http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/speeches/1998/september/documents/hf_jp-ii_spe_19980905_madre-teresa_po.html

DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II
AOS PEREGRINOS VINDOS A ROMA PARA
A BEATIFICAÇÃO DE MADRE TERESA DE CALCUTÁ

Segunda-feira, 20 de Outubro de 2003

Venerados Irmãos no Episcopado
Queridos Missionários
e Missionárias da Caridade
Caríssimos Irmãos e Irmãs!

1. Saúdo-vos cordialmente e uno-me à vossa acção de graças a Deus com alegria pela beatificação de Madre Teresa de Calcutá. Sentia-me ligado a ela por uma grande estima e sincero afecto. Por isto sinto-me particularmente feliz por me encontrar convosco, suas filhas e filhos espirituais. Saúdo de modo especial a Irmã Nírmala, recordando o dia em que Madre Teresa veio a Roma para a apresentar pessoalmente. Faço o meu pensamento extensivo a todas as pessoas que pertencem à grande família espiritual desta nova Beata.

2. “Missionária da Caridade: Madre Teresa foi precisamente isto, de nome e de facto”. Repito hoje comovido estas palavras, que pronunciei no dia seguinte à sua morte (Angelus de 7.9.1997).
Antes de mais, missionária. Não há dúvida de que a nova Beata foi uma das maiores missionárias do século XX. Desta mulher simples, proveniente de uma das áreas mais pobres da Europa, o Senhor fez um instrumento eleito (cf. Act 9, 15) para anunciar o Evangelho a todo o mundo não com a pregação, mas com gestos quotidianos de amor em benefício dos mais pobres. Missionária com a linguagem mais universal:  a linguagem da caridade sem limites nem exclusões, sem preferências, a não ser em relação aos mais abandonados.

Missionária da caridade. Missionária de Deus que é caridade, que prefere os pequeninos e os humildes, que se inclina sobre o homem ferido no corpo e no espírito e derrama nas suas chagas “o óleo do conforto e o vinho da esperança”. Deus realizou isto na Pessoa do seu Filho feito homem, Jesus Cristo, bom Samaritano da humanidade. Ele continua a fazê-lo na Igreja, sobretudo através dos Santos da caridade. Madre Teresa brilha de modo especial no meio desta multidão.

3. Onde foi que Madre Teresa encontrou a força para se dedicar completamente ao serviço do próximo? Encontrou-a na oração e na contemplação silenciosa de Jesus Cristo, do seu Santo Rosto, do seu Sagrado Coração. Ela mesma o disse:  “O fruto do silêncio é a oração; o fruto da oração é a fé; o fruto da fé é o amor; o fruto do amor é o serviço, o fruto do serviço é a paz”. A paz, mesmo ao lado dos moribundos, nas nações em guerra, na presença de ataques e de críticas hostis. Era uma oração que enchia o seu coração com a paz de Cristo e lhe permitia irradiar essa paz aos outros.

4. Missionária da caridade, missionária da paz, missionária da vida. Madre Teresa era tudo isto. Teresa era todas estas coisas. Pronunciava-se sempre em defesa da vida humana, mesmo quando a sua mensagem não agradava. Toda a existência de Madre Teresa foi um hino à vida. Os seus encontros quotidianos com a morte, a lepra, a Sida e todos os géneros de sofrimento humano fizeram com que ela fosse uma testemunha válida do Evangelho da Vida. Até o seu sorriso era um “sim” à vida, um “sim” jubiloso, que surgia da fé e do amor profundos, um “sim” todas as manhãs, em união com Maria, aos pés da Cruz de Cristo. A “sede” de Jesus crucificado tornou-se a própria sede de Madre Teresa e a inspiração do seu caminho de santidade.

5. Teresa de Calcutá foi realmente Mãe. Mãe dos pobres, mãe das crianças. Mãe de tanta juventude que a teve como guia espiritual e partilhou a sua missão. De uma pequena semente, o Senhor fez crescer uma árvore frondosa e rica de frutos (cf. Mt 13, 31-32). E precisamente vós, filhas e filhos de Madre Teresa, sois os sinais mais eloquentes desta fecundidade profética. Mantende o seu carisma inalterado e segui os seus exemplos, e ela do Céu não deixará de vos apoiar no caminho diário.

A mensagem de Madre Teresa, agora mais do que nunca, mostra-se contudo como um convite dirigido a todos. Toda a sua existência nos recorda que ser cristãos significa ser testemunhas da caridade. Eis a recomendação da nova Beata. Fazendo eco às suas palavras, exorto cada um de vós a seguir com generosidade e coragem os passos desta autêntica discípula de Cristo. Madre Teresa caminha ao vosso lado pelas sendas da caridade.

Concedo de coração a vós e aos vossos entes queridos a Bênção apostólica.

Fonte:http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/speeches/2003/october/documents/hf_jp-ii_spe_20031020_pilgrims-mother-teresa_po.html

CARTA DO SANTO PADRE JOÃO PAULO II
POR OCASIÃO DO 50° ANIVERSÁRIO DE FUNDAÇÃO
DA CONGREGAÇÃO DAS MISSIONÁRIAS DA CARIDADE

À Irmã M. NIRMALA JOSHI, M.C.
Superiora-Geral
das Missionárias da Caridade

Neste ano do grande Jubileu, enquanto a Igreja no mundo inteiro eleva louvores à Santíssima Trindade pelo dom inefável do Verbo encarnado, a Reverenda Irmã e toda a sua família, nascida do carisma de Madre Teresa de Calcutá, sentem também a alegria de celebrar o 50º aniversário de fundação das Missionárias da Caridade.

No dia 7 de Outubro de 1950, em Calcutá, na pequena Capela situada na R. Creek Lane, 14, o Arcebispo Perier estabeleceu que a fundadora e as suas primeiras onze companheiras constituíssem uma Congregação religiosa de direito diocesano. Aquele momento de graça chegou após um longo processo de discernimento da vontade de Deus por parte de Madre Teresa, que escutou “a chamada no interior da vocação” (cf. Carta da Fundadora). Aquele pequeno início tornou-se uma forte corrente de graça no seio da Igreja, uma vez que as Missionárias da Caridade, desde há cinquenta anos, cresceram de modo inimaginável. Uno-me a vós ao dar graças ao nosso Pai celeste por este grande dom e exorto-vos com as palavras da primeira Carta de São Pedro:  “Como bons administradores das graças de Deus, cada um de vós ponha à disposição dos outros o dom que recebeu” (4, 10).

Precisamente quinze anos depois, a 1 de Fevereiro de 1965, o Papa Paulo VI concedeu o Decretum laudis que estabeleceu as Irmãs Missionárias da Caridade como Congregação de direito pontifício. A partir de então a família das Missionárias da Caridade produziu frutos abundantes, pois Deus concedeu Irmãs contemplativas, frades, sacerdotes, missionários e cooperadores de Madre Teresa, activos e contemplativos. Muitíssimas pessoas de todas as religiões, ou arreligiosas, estão comprometidas na obra de amor que se difundiu no mundo inteiro, graças à inspiração e orientação de Madre Teresa:  “Eis a obra do Senhor:  uma maravilha aos nossos olhos” (Sl 117, 23).

Desde o início, Madre Teresa e as Missionárias da Caridade desejavam “aplacar a sede infinita de Jesus Cristo na Cruz por amor das almas… trabalhando pela salvação e santificação dos mais pobres entre os pobres” (Carta da Fundadora). Estas palavras atingem o cerne quer da vossa consagração, da vossa “adesão a Jesus” com amor, da vossa sede d’Ele que tem sede de vós, quer da vossa missão de serviço alegre e sincero a Jesus nos mais pobres entre os pobres, sem esquecer as palavras do Senhor:  “Sempre que fizestes isto a um destes Meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes” (Mt 25, 40). Como disse o Papa Paulo VI, ao conferir a Madre Teresa em 1971 o prémio pela Paz “João XXIII”, “este é o motivo místico e evangélico que transfigura a expressão de uma pessoa pobre e faminta, de uma criança doente, de quem sente repulsa diante de um homem leproso ou enfermo no leito de morte, na misteriosa expressão de Cristo”.

Na Exortação Apostólica Vita consecrata, afirmei que a consagração e a missão devem ser sustentadas pela comunhão fraterna, como terceiro aspecto essencial da vida à qual sois chamadas (cf. n. 13). Ao falar da vida comunitária, Madre Teresa sublinhava sempre a necessidade de viver o “novo mandamento” do Senhor, de nos amarmos uns aos outros (cf. Jo 13, 34). Ela mesma oferecia sempre um exemplo luminoso de “disponibilidade para o serviço sem regatear energias, prontidão no acolhimento do outro tal como é, sem “o julgar” (cf. Mt 7, 1-2), capacidade de perdoar inclusive “setenta vezes sete” (Mt 18, 22)” (n. 42). Diante dos desafios do novo milénio, encorajo-vos a dar constante testemunho de amor evangélico entre vós, aquele amor que se torna “o sinal, diante da Igreja e da sociedade, do vínculo que promana da mesma chamada e da vontade comum de lhe obedecer, para além de qualquer diversidade de raça e de origem, de língua e de cultura” (Vita consecrata, 92).

Este 50º aniversário é, com certeza, uma ocasião para dar graças a Deus misericordioso pelo dom da dedicação unívoca e incondicional de Madre Teresa à chamada do Senhor, e pela abundante colheita espiritual que a Igreja e o mundo obtiveram, graças às Missionárias da Caridade.

Entretanto, rezo a fim de que este seja um momento de graça para cada um de vós, um tempo para examinar com mais atenção a vossa chamada e meditar de maneira mais intensa sobre ela e sobre o carisma da Congregação, a fim de poderdes penetrar mais profundamente no mistério da Cruz salvífica de Jesus Cristo, que a vossa Fundadora pôs no centro da vossa espiritualidade.

Ao recordar com afecto a querida Madre Teresa, confio todos os membros da Família das Missionárias da Caridade à protecção materna do Coração Imaculado de Maria:  que a Mãe do Redentor renove em cada um de vós o desejo de amar e de servir o Senhor nos mais pobres de entre os pobres! Ao invocar sobre vós as abundantes graças do Grande Jubileu do Ano 2000, concedo de coração a minha Bênção Apostólica a todas vós e a quantos vos assistem em “fazer algo de belo por Deus”.

Vaticano, 2 de Outubro de 2000.

Fonte:http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/letters/2000/documents/hf_jp-ii_let_20001017_missionaries-charity_po.html

Biografia da Beata Madre Teresa de Calcutá pelo padre Brian Kolodiejchuk

Entrada na congregação das Irmãs de Loreto

“Segure a mão Dele[Jesus], e caminhe sozinha com Ele. Siga em frente porque, se olhar para trás, irá voltar.” Estas palavras de despedida de sua mãe ficaram gravadas no coração da jovem Gonxha Agnes Bojaxhiu, futura Madre Teresa, quando, aos dezoito anos, deixava sua casa em Skopje para dar início à sua vida como missionária. Em 26 de setembro de 1928, partia para a Irlanda, para entrar no Instituto da Bem-Aventurada Virgem Maria(as Irmãs de Loreto), uma congregação não clausurada de religiosas, dedicada essencialmente à educação.(p.25)

Decisão de ser freira

Naquele tempo, tinha apenas doze anos. Foi então que percebi, pela primeira vez, que tinha vocação para os pobres, em 1922. Queria ser missionária, queria sair e dar a vida de Cristo às pessoas que viviam nos países com missões. No início, entre os doze e os dezoito anos, não queria ser freira.  Éramos uma família muito feliz. Mas, os dezoito anos, decidi deixar a minha casa e me tornar freira, e desde então, ao longo desses quarenta anos, nunca duvidei por um segundo que havia feito a coisa certa; era vontade de Deus. A escolha foi dele.(p.26).

Primeira Comunhão

Uma graça excepcional que tinha recebido no dia de sua Primeira Comunhão alimentara o desejo de dar esse ousado passo rumo ao desconhecido: “Desde os cinco anos e meio – quando O recebi[a Jesus] pela primeira vez – que o amor pelas almas tem estado dentro de mim – Foi crescendo com os anos – até eu vir para a índia – com a esperança de salvar muitas almas.”(p.27)

Chegada a Calcutá

Em 6 de janeiro, de manhã, navegamos do mar para o rio Ganges, também chamado o ‘Rio Sagrado’. Viajando por esta rota, tivemos oportunidade de dar uma boa olhada na nossa nova terra, Bengala. A natureza é maravilhosa…Quando o navio atracou, cantamos em nossas almas o “Te Deum”. Nossas irmãs indianas nos esperavam lá, e foi com elas que, com indescritível felicidade, pisamos pela primeira vez no solo de Bengala. Na capela do convento, começamos agradecendo ao nosso querido Salvador a enorme graça de nos ter conduzido sãs e salvas ao objetivo pelo qual tínhamos ansiado…Após a profissão dos votos, a Irmã Teresa foi enviada para a comunidade de Loreto de Calcutá e nomeada professora da St. Mary’s Bengali Medium School, uma escola para meninas.(p.30)

Primeira Impressão de Madre Teresa na Índia

O calor da índia é simplesmente abrasador. Quando ando pelas ruas tenho a sensação de que há fogo debaixo dos meus pés e de que todo o meu corpo arde. Quando as coisas se tornam mais difíceis, consola-me a idéia de que dessa maneira as almas são salvas e de que meu querido Jesus sofreu muito mais por elas. […] A vida de uma missionária não é um mar de rosas, na realidade é mais um mar de espinhos; mas com tudo isso, é uma vida cheia de felicidade e de alegria, quando ela compreende que está fazendo o mesmo trabalho que Jesus fez quando estava na Terra, e que está cumprindo o mandamento de Jesus: ‘Vão e façam discípulos de todas as nações.’(p.31).

Votos perpétuos

Após nove anos em Loreto, a Irmã Teresa aproximava-se de um momento muito importante de sua vida – preparava-se para fazer a profissão dos votos perpétuos. Ela raramente mencionava os sofrimentos pelos quais passava, enquanto a alegria que irradiava à sua volta encobria, eficazmente, todas as provações(p.32).

Leva alegria aos pobres

Todos os domingos, visito os pobres das favelas de Calcutá. Não posso ajudá-los, porque nada tenho, mas vou levar-lhes alegria. Da última vez, vinte pequeninos estavam ansiosamente à espera da sua ‘Ma’. Quando me viram correram ao meu encontram, até pulando com uma perna só.(p.39).

Madre Teresa faz um voto a Deus

Abril de 1942: “Fiz um voto a Deus, que me compromete sob[pema de] pecado mortal, a dar a Deus qualquer coisa que Ele possa pedir, ‘Não lhe recusarei coisa alguma’.(p.41).

A alegria

A alegria é sinal de uma pessoa generosa e mortificada que, se esquecendo de todas as coisas, incluindo de si própria, tenta agradar seu Deus em tudo o que ela faz pelas almas. A alegria é muitas vezes uma capa que esconde uma vida de sacrifício, de contínua união com Deus, de fervor e de generosidade. Uma pessoa que tem este dom da alegria, com grande freqüência atinge um elevado grau de perfeição. Porque Deus ama aquele que dá com alegria e aproxima do Seu coração a religiosa a quem ama.(p.46).

Ser fiel nas pequenas coisas

Sim, minhas queridas filhas, sejam fiéis nas pequenas práticas de amor, de pequenos sacrifícios…- de pequenas fidelidades à Regra, que construirão em vocês a vida de santidade – as tornarão semelhantes a Cristo.(p.47).

Coragem

Em agosto de 1946, explodiu em Calcutá o conflito hindu-muculmano, desencadeando uma violência em massa…Todas as atividades da cidade, incluindo a provisão de alimentos, foram suspensas. Compelida pelas necessidades de suas alunas, a Madre Teresa decidiu deixar a segurança dos muros do convento para ir à procura de comida. “Saí de St. Mary’s em Entally. Tinha trezentas garotas no internato e nada para comer. Não deveríamos sair da rua, mas eu saí. Aí eu vi os corpos nas ruas, esfaqueados, espancados…Algumas pessoas tinham saltado o muro para dentro do convento, os ajudamos a fugir com segurança. Só quando eu saí nas ruas é que vi a morte que os perseguia. Um caminhão cheio de soldados me parou e me disseram que eunão devia estar na rua.  “Ninguém devia sair’, disseram eles. Eu lhes disse que precisava sair, correr esse risco, porque tinha trezentas estudantes que não tinham nada pra comer. Os soldados tinham arroz, me levaram no caminhão para a escola e descarregaram os sacos de arroz.(p.50).

Chamado para servir aos pobres

Durante a viagem de trem, na terça-feira, 10 de setembro de 1946, teve um decisivo encontro místico com Cristo….”Era uma vocação para abandonar até mesmo Loreto, onde fui muito feliz, e ir para a sruas servir aos mais pobres dos pobres.(p.54).

Sede de amor

“ ‘Tenho sede’, disse Jesus na Cruz, quando estava privado de toda consolação, morrendo em absoluta pobreza, abandonado, desprezado, quebrado em corpo e alma. Ele falou de Sua sede – não de água – mas, de amor, de sacrifício.(p.55).

Jesus sente saudades de nós

Jesus …não só os ama, mais ainda – Ele anseia por vocês. Sente saudades quando vocês não vã para perto Dele. Ele tem sede de vocês. Ele os ama sempre, mesmo quando vocês não se sentem merecedores.(p.56).

A Boa Samaritana

“A nossa missão específica é labutar para a salvação e a santificação dos mais pobres dos pobres, não apenas nas favelas, mas também em todo o mundo, onde quer que eles se encontrem. Os pobres e aqueles que mais sofrem foram o objeto particular de amor de Madre Teresa. Ela sabia que só o amor, um amor que tem Deus como origem e como fim, daria sentido e felicidade à vida deles. Como  Bom Samaritano, através de seu serviço imediato e eficaz, ela estava determinada a tornar o amor de Deus concreto para os pobres.(p.57).

Voz interior

Nesse mesmo 10 de setembro, Madre Teresa começou a receber uma série de locuções interiores, que prosseguiram até meados do ano seguinte. Ela estava realmente ouvindo a voz de Jesus e conversando intimamente com Ele.(p.57).

…Um dia, ao receber a Sagrada Comunhão, ouvi a mesma voz com grande clareza – “Quero freiras indianas, vítimas do Meu amor, que sejam Maria e Marta. Que estejam tão unidas a mim que irradiem Meu amor por sobre as almas. Quero freiras livres, cobertas com Minha pobreza da Cruz.(p.62).

Mudança

Pouco antes de escrever a sua primeira carta ao Arcebispo Périe, a provincial de Madre Teresa a notificou de que ela seria, muito em breve, transferida de Calcutá para a comunidade de Loreto em Asansol, uma cidade situada cerca de 200 quilômetros a noroeste de Calcutá.Algumas Irmãs de sua comunidade tinham notado as conversas, longas e freqüentes, que Madre Teresa tinha quando ia se confessar com o Padre Van Exem nos meses que se seguiam ao retiro de Darjeeling. A partir desse simples fato, surgiram suspeitas quanto à natureza do relacionamento entre eles. Obviamente, as Irmãs não faziam a menor idéia dos motivos que Madre Teresa tinha para esses prolongados encontros…baseadas nessas…tomaram a decisão de transferir Madre Teresa para a comunidade de Asansol…Antes de partir de Calcutá, Madre Teresa foi informada pelo Padre Van Exem da reação inicial do Arcebispo Périer…que…se mostrou cauteloso, dizendo que precisava de tempo para rezar, refletir e fazer consultas…. (p.67)“Se uma única família – se uma única criancinha infeliz passar a ser feliz com o amor de Jesus, me diga, não valerá a pena todas nós darmos tudo por isso – e o senhor ter toda esta preocupação?(p.74).

“Dia após dia, hora após hora, Ele me faz a mesma pergunta: “Vai recusar a fazer isto por mim?”…(p.78).

Carta ao Bispo para que aprove as Irmãs da Caridade

“…Não demore, Excelência, não o adie. Há almas que estão sendo perdidas por carências de cuidados, por carência de amor….perdoe-me ser tão cansativa com o meu apelo contínuo, mas tenho de agir desta maneira. Levemos alegria ao Coração de Jesus, e tiremos do Seu Coração estes sofrimentos terríveis.(p.80).

Resposta do Bispo

“Se eu visse, após fervorosa oração e reflexão madura, que a vontade de Deus era avançar na direção para onde você deseja que eu avance imediatamente, não hesitaria…Durante a minha ausência, trabalhe no seu plano sob a orientação do Espírito Santo. O que queremos saber é, em poucas palavras, o objetivo, os meios, as regras, a forma de recrutamento, as possibilidades de sucesso.(p.83).

Resposta de Madre Teresa

(p.85-91)

…Nosso Senhor quer Freiras Indianas, vítimas do Seu Amor que estejam unidas a Ele que irradiem o Seu Amor às almas….Seu fogo de amor entre os pobres, doentes, os moribundos, os mendigos e as criancinhas de rua….Se o número de Irmãs permitir, teremos também uma casa para os aleijados, os cegos, os marginalizados da sociedade humana.

…Que tipos de pessoas recrutaria para esta obra?

Jovens dos 16 anos em diante…Devem ser capazes de fazer qualquer tipo de trabalho por mais repugnante que seja à natureza humana….Como Nosso Senhor mesmo diz: “Há muitas freiras para cuidar dos ricos e das pessoas abastadas – mas para os Meus muito pobres não há absolutamente ninguém. Eu anseio por eles – amo-os”….Deverão ser capazes de obter da horta a maior parte do seu alimento – venderão uma parte disso para poderem comprar as coutras coisas. Quanto às roupas – farão brinquedos e quadros e outros trabalhos de artesanatos – que serão vendidos – e com esse dinheiro comprarão o que for necessário….Uma coisa lhe peço, Excelência, que nos dê toda a ajuda espiritual que precisamos – Se temos Nosso Senhor no meio de nós – com a Missa diária e a Sagrada Comunhão, nada temo pelas Irmãs nem por mim.

Madre Teresa enviou esta longa carta juntamente com o primeiro conjunto de Regras escritas um dia antes, ao Padre Van Exem, para revisão e aprovação…Em 14 de junho, o Padre Van Exem deu-lhe uma resposta totalmente inesperada: ordenou-lhe que esquecesse isso[todo o empreendimento] por toda eternidade’ se nem ele e o Bispo voltassem a tocar no assunto…Essa não era a resposta que Madre Teresa antecipava…Tinha esperado pelo “Sim” do Arcebispo. Agora, se confrontava com mais uma severa prova vinda de ninguém menos do que seu diretor espiritual, em quem tanto confiava. Contudo, fiel ao seu compromisso de não recusar coisa alguma ao Senhor, optou por obedecer.

Regresso à Calcutá

Em 1947, Madre Teresa regressou à comunidade de Entally, em Calcutá. Essa alteração ocorreu através da intervenção da superiora da ordem, que acreditava que “a Madre Provincial cometeu um erro…na apreciação que fez de Madre M. Teresa. (p.93)…Ao tomar conhecimento do seu esforço heróico, o Padre Van Exem reconheceu ao Arcebispo: “Sei agora que  ela tentou realmente obedecer e que obedeceu mesmo.”(p.94).

Insistência para que o Bispo aprove as Irmãs da Caridade

Excelência, o senhor está aqui no lugar do Santo Padre. Conhece os desejos do Papa; sabe o quanto este trabalho estaria de acordo com o coração dele…Lembre-se de seu amor pelos pobres sofredores…por favor, confie todo assunto ao Imaculado Coração de Maria. – Ela está fazendo maravilhas em outras terras. – Ela fará isso pela Arquidiocese do senhor. – Ela tomará especial cuidado das Missionárias da Caridade de Vossa Excelência, pois, ao servir aos pobres, o nosso objetivo é levá-los a Jesus através de Maria, utilizando o Terço em família como arma principal. Que desejo ela expressou em Fátima sobre a conversão dos pecadores.(p.105).

Visões com Jesus

Na primeira visão, encontrou-se no meio de uma multidão de pessoas muito pobres e também havia crianças ali. Desta vez, a voz não era a de seu amado Jesus, pedimdo-lhe ‘Venha- venha-Me leve aos buracos onde vivem os pobres – Venha, seja Minha luz. Era, agora, a voz suplicante da ‘grande multidão’ chamando: ‘Venha, venha salve-nos – leve-nos a Jesus. Essse duplo convite, de Jesus e da multidão – “Venha” – continuaria ecoando no seu coração até o final de sua vida.Na segunda visão…não estava sozinha; estava na companhia de Nossa Senhora. Era agora a vez de Maria lhe pedir: “Traga-os a Jesus – Leve Jesus a eles.” Maria estava lhe encorajando a responder os pobres a rezar o Terço em família e a garantia de que Nossa Senhora estaria presente.(p.112)….Na terceira visão, o sofrimento da grande multidão intensifica-se: estão ‘cobertos pela escuridão’. Madre Teresa podia vê-los, mas também podia ver Jesus na Cruz. O papel de Maria também se intensifica: Ela é a Mãe atrás de sua ‘criança pequena’, apoiando-a enquanto ambas contemplam Jesus na Cruz. A voz era a de Jesus, recordando à Madre Teresa. “Eu lhe pedi. Eles lhe pediram, e ela, a Minha Mãe, lhe pediu. E volta a perguntar: “Vai recusar a fazer isto por Mim?(p.112).

O sim

O arcebispo tinha percebido a força do caráter e a grandeza do coração que estavam por trás da persistência de Madre Teresa…Ao regressar à Índia, pedira conselho a mais dois padres familiarizados com a situação local….segundo o conselho deles, o Arcebispo poderia ‘dar a sua autorização sem cometer uma grave imprudência… ‘Pode avançar’ foram as suas – muito esperadas – palavras…era 6 de janeiro de 1948.(p.113)

Madre Teresa espera resposta da superiora para formar as Irmãs da Caridade

Madre Teresa esperava, ansiosamente, a resposta da Madre Gertrude; e como nada tinha chegado em menos de três semanas, começou a ficar preocupada. …Tendo conversado com a Madre Provincial sobre sua inspiração, em antecipação à decisão que deveria chegar, insistiu com o Arcebispo para que acelerasse o processo(p.120)…O Arcebispo, embora apoiando, achou Madre Teresa apressada demais e encorajou-a a ser instrumento dócil e a esperar pelo tempo de Deus.(p.122).

Resposta positiva da Madre

Apenas três dias após Madre Teresa escrever para o Arcebispo, ele recebeu a resposta de Dublin…Além de dar autorização a Madre Teresa, Madre Gertrude ainda louvava o objetivo pelo qual a ordem de Loreto iria perder membro tão valioso.(p.124);

Resposta positiva do Papa

Em 8 de agosto de 1948, Madre Teresa finalmente recebeu notícias de Roma…o Papa Pio XIII tinha lhe dado autorização para deixar Loreto e dar início à sua nova missão.(p.130)…Em 17 de agosto de 1948, usando um sári branco com uma borda azul, Madre Teresa – uma freira européia, sozinha na Índia, que acabara de se tornar independente – partiu para dar início à vida de missionária da Caridade.(p.131).

Constância

Hoje aprendi uma boa lição…Quando andava por ali à procura de uma casa – caminhei e caminhei até doerem minhas pernas e meus braços…então a tentação tornou-se mais forte – os palacetes de Loreto vieram impetuosamente à minha mente – todas as coisas belas e os confortos – ‘Basta dizer uma palavra e tudo aquilo será seu novamente’ – ficou dizendo o tentador. De minha livre escolha Meu Deus e por amor a Ti – desejo permanecer e fazer o que for a Tua Santa Vontade a meu respeito – Não deixei que caísse uma só lágrima – mesmo que sofra o que agora sofro… – Esta é a noite escura do nascimento da Congregação.(p.144).

Oficial

Com a autorização da Santa Sé, em 7 de outubro de 1950 – festa de Nossa Senhora do Rosário – o Arcebispo Périer instituiu oficialmente a Congregação das Missionárias da Caridade na arquidiocese de Calcutá.(p.147).

Morrer para si mesmo

Jesus disse: “Em verdade vos digo, se o grão de trigo não cair na terra e não morrer, permanece sozinho. Mas se morrer dará muito fruto. A missionária deve morrer diariamente, se quiser levar almas a Deus. Deve estar disposta a pagar o preço que Ele pagou pelas almas, andar pelo caminho que ele andu em busca de almas.(p.149).

Importância de ser amável

Neste ano tenho sido com freqüência, impaciente a algumas vezes até mesmo ríspida nas minhas observações – e notei a cada vez que fazia menos bem às Irmãs – consigo sempre mais delas quando sou amável.(p.170).

Deus é Maravilhoso

Deus tem sido muito maravilhoso usando os pobres instrumentos pára a obra Dele. Posso dizer com todo o meu coração – que nada, absolutame3nte nada reivindico como meu em tudo isso, apenas digo que as Irmãs e eu permitimos que Deus usasse por completo.(p.171).

Propósitos de Madre Teresa

1º É seguir a Jesus de perto nas humilhações. Com as Irmãs – amável – muito amável – mas firme na obediência; Com os pobres – gentil e atenciosa; Com os doentes – extremamente amável.(p.175-176).

Aridez espiritual

Em relação ao sentimento de solidão, de abandono, de não ser querida, de escuridão na alma…é um estado desejado por Deus a fim de nos apegarmos somente a Ele, um antídoto contra as nossas atividades exteriores, e também, como qualquer tentação, uma forma de mantermos humildes em meio a aplausos, aos elogios, aos louvores, etc. e do sucesso.Sentir que nada somos, que nada podemos fazer, é perceber um fato…como escreveu a pequena Bernadette(Santa Bernadette Soubirous) no final do seu último retiro: ‘Só Deus, Deus em toda a parte, Deus em todos e em todas as coisas, Deus sempre.(p.177)

Os pobres

“Quando atravesso as favelas ou entro nos buracos escuros onde vivem os pobres – Lá Nosso Senhor está sempre verdadeiramente presente. Os buracos escuros onde vivem os pobres tinham se tornado o local privilegiado de encontro com Ele.”(p.177).

“O meu… propósito é o de tornar-me uma apóstola da alegria – consolar o Sagrado Coração de Jesus através da alegria.(p.180).”

O magnânimo desejo de ocultar a sua dor, até mesmo de Jesus, era uma expressão do seu enorme e dedicado amor. Madre Teresa fazia todo o possível para não sobrecarregar os outros com os seus sofrimentos e desejava menos ainda que seus sofrimentos fossem um fardo para seu esposo Jesus.(p.180).

Sorriso

O sorriso é uma grande capa que cobre uma multidão de dores(p.185).

Noite escura

O senhor gostará de saber que no dia em que Vossa Excelência ofereceu a sua Santa Missa pela alma do Santo Padre na Catedral – eu pedi a ele que me mandasse uma prova de que Deus está satisfeito com a Congregação. Naquele preciso momento desapareceu a prolongada escuridão, a dor da perda – da solidão – aquele estranho sofrimento de dez anos. Hoje, a minha alma está cheia de amor e de uma alegria indescritível.(p.186).

Mas esta consolação durou pouco tempo, como ela mesma conta ao Arcebispo:

Nosso Senhor achou melhor que eu me mantivesse no túnel – e aí voltou a desaparecer- deixando-me sozinha. Sinto-me muito grata pelo mês de amor que me deu.(p.196).

Temperança

De acordo com uma de suas seguidoras, “a Madre era uma pessoa muito equilibrada e ficava alegre quando as coisas corriam bem; mas, mesmo quando as coisas corriam mal, não dava mostras de depressão nem de mau-humor. A qualquer tempo era alegre.(p.196).

Ser amável

“Sejam amáveis umas com as outras. – Prefiro que cometam erros com amabilidade – do que façam milagres com indelicadeza.(p.204).

Amor

“Os sacrifícios são apenas uma forma de provar seu amor.”(p.208).

“O amor se prova com obras; quanto mais nos custam, maior é a prova do nosso amor.”(p.209);

Jejum

Insista[quando instruindo as irmãs] que na nossa Congregação Nosso Senhor não quer que usemos a nossa energia em fazer penitência – em jejuar etc. pelos nossos pecados – MS, em vez disso, em nos consumirmos dando Cristo aos Pobres e para isso precisamos de Irmãs fortes de corpo e de mente…É melhor comermos bem e termos muita energia para sorrirmos bem aos pobres e trabalharmos por eles.(p.213).

Missa e Comunhão

A Madre recebia diariamente a Sagrada Comunhão com enorme devoção. E se acontecesse de uma segunda Missa ser celebrada na Casa Mãe em determinado dia, tentava sempre assistir mesmo que tivesse muito ocupada.(p.220).

Explicações de Padre Neuner sobre a aridez de Madre Teresa

O sinal oculto da presença de Deus nessa escuridão é a sede de Deus, o anseio de um raio que seja da Sua luz. Uma pessoa não pode ansiar por Deus a não ser que Deus esteja presente em seu coração.(p.221).

Lia sobre São João da Cruz

Hoje chegou o livro sobre S;João da Cruz. Estou lendo as suas obras. Como ele escreve sobre Deus maravilhosamente.

O sofrimento é que faz o trabalho com os pobres ser virtuoso

Minhas queridas filhas – sem o nosso sofrimento, o nosso trabalho seria apenas um trabalho social, muito bom e muito útil, mas não seria a obra de Jesus Cristo, nem parte da redenção. (p.227).

Dor na garganta

A minha garganta me deu e continua me dando problemas.- Ainda bem que não dói quando falo – só quando bebo – por isso continuo dando todas as instruções.(p.248).

Aprovação pontifícia

Em 1º de fevereiro de 1965, as Missionárias da Caridade receberam a tão esperada aprovação pontifícia(Decreto de Louvor), por via da qual a congregação passava a estar sujeita à autoridade papal em vez de estar sujeita ao Bispo diocesano.(p.257).

Coração de Jesus

Desde a infância que o coração de Jesus é o meu primeiro amor.

Pequeninos

As palavras de Jesus no Evangelho de São Mateus – “o que fizestes ao mais pequenino[…] a Mim o fizestes’ – eram a rocha sobre a qual assentavam as suas convicções.(p.269).

Fidelidade na oração

A fidelidade incondicional de Madre Teresa à oração era uma virtude que as suas irmãs de Loreto já tinham observado nela e que impressionou, também, as suas primeiras seguidoras.(p.276).

Sabedoria

“Só quando percebemos o nosso nada, o nosso vazio, é que Deus pode nos encher com Ele mesmo. Quando nos tornamos cheias de Deus então podemos dar Deus aos outros, porque da plenitude do coração fala a boca.”(p.279)

Devemos nos esvaziar dos vícios e do mundo para nos enchermos de Deus

“Deus não pode encher o que está cheio”.(p.281).

Mantenha a luz da fé em Jesus acesa

Mantenha a luz, acesa em você com o óleo de sua vida. As dores que você tem nas costas – a pobreza que sente são gotas de óleo que mantêm a luz, Jesus, acesa e afastam a escuridão do pecado….Aceite com um grande sorriso o pouco que Ele lhe dá com grande amor.(p.282).

Amar sempre

Permitam que os pobres e as pessoas as devores[…] Permitam que os pobres ‘mordam’ o seu sorriso, o seu tempo. Vocês, às vezes, podem preferir nem sequer olhar para uma pessoa com quem tiveram algum desentendimento. Então, não apenas olhem, dêem um sorriso.(p.290).

Rosário

“A fidelidade ao Rosário trará muitas almas à Deus.”(p.292).

Alegria

A Madre sempre nos disse: “Deus ama aquele que dá com alegria. Se não vamos às pessoas com uma cara alegre, apenas aumentamos sua escuridão e suas misérias e aflições.”(p.294).

Deus é amor

Esse é realmente o sentido pleno da pobreza de Jesus. Ele que era rico se fez pobre. Renunciou à riqueza da companhia de Seu Pai ao tornar-se homem como nós em todas as coisas exceto no pecado.(p.295).

O amor é a verdadeira cura dos corações

A tuberculose e o câncer não são as grandes doenças. Penso que uma doença muito maior é não ser querido, não ser amado. A dor que essas pessoas sofrem é muito difícil de se compreender.(p.301).

Oração

O fruto do silêncio é a oração

O fruto da oração é a fé

O fruto da fé é o amor

O fruto do amor é o serviço

O fruto do serviço é a paz.

Aceitava todos os sofrimentos

Madre Teresa aceitava todos os sofrimentos interiores e exteriores.(p.328).

Enfermidade

Na sua última enfermidade[em 1996], ficou com freqüência no hospital. Estava literalmente pregada à cama, pregada à cruz.(p.330).

O verdadeiro amor é abandono

O verdadeiro amor é abandono. Quanto mais amamos, mais nos abandonamos. Se amamos realmente as almas, temos que estar prontas para tomar o seu lugar, a tomar sobre nós os seus pecados.(p.334).

Fonte: Madre Teresa – Venha, seja minha luz. Brian Kolodiejchuk. Editora. Tomas Nelson Brasil.


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