Biografia dos Santos

São Gaspar de Búfalo, Apóstolo do Preciosíssimo Sangue

Posted on: maio 6, 2010

Vida de São Gaspar de Búfalo

Biografia por Felipe Aquino

Vicente Strambi, que foi seu companheiro nas missões que havia nas regiões rurais do Lácio, o definiu como “terremoto espiritual”. O povo que escutava suas prédicas chamava-o de “anjo da paz”. Com as armas pacíficas da palavra e da caridade conseguiu de fato o impressionante fenômeno do banditismo que prolifera nas periferias de Roma. Peregrinos e mercados caíam inflivelmente nas emboscadas dos marginais. De nada adiantavam as expulsões, sanções e execuções capitais. O papa Leão XII recorreu então a Gaspar de Búfalo, que conseguiu amansar os bandidos mais temíveis. Porém, muitos outros méritos teve este santo, que o papa João XXIII definiu “glória toda resplandecente do clero romano, verdadeiro e maior apóstolo da devoção ao Preciosíssimo Sangue de Jesus no mundo”.

Uma produção feita por uma piedosa religiosa em 1810 dizia que em tempos de grande calamidades para a Igreja surgiria um zeloso sacerdote, que sacudiria o povo da sua indiferença, mediante a propagação de devoção ao Precioso Sangue. Naquele ano Gaspar de Búfalo, com dois anos de sacerdócio, tinha sido preso por ter rejeitado o juramento de fidelidade a Napoleão.

Gaspar nasceu em Roma a 6 de janeiro de 1786, filho de Antônio e Anunciata Quartieroni. Tinha começado às ocultas sua obra de evangelização do povo da periferia, dedicando-se aos carroceiros e aos camponeses da lavoura romana. São estas as personagens retratadas por Pinelli, que dão uma imagem sugestiva da Roma das primeiras décadas do século XIX; os carroceiros tinham transformado o Foro Romano, aos pés do Palatino, em depósito e mercado de feno.

Libertado do cárcere, após a queda de Napoleão, Gaspar de Búfalo recebeu de Pio VII a incumbência de se dedicar às missões populares pela restauração religiosa e moral do Estado Pontifício.

Ele empreendeu essa nova cruzada em nome do Precioso Sangue de Jesus, tornando-se o ardoroso apóstolo desta devoção. Fundou em 1815 a Congregação dos Missionários do preciosíssimo Sangue e em 1834, ajudado pela B. Maria de Matias, o Instituto das Irmãs Adoradoras do Preciosíssimo Sangue. Quando morreu em Roma, a 28 de dezembro de 1837, num quarto em cima do Teatro Marcelo, são Vicente Pallotti, seu contemporâneo, teve a visão de sua alma que subia ao encontro de Cristo, como uma estrela luminosa. A fama de sua santidade não demorou a atingir o mundo todo. Beatificado em 1904, foi canonizado por Pio XII em 1954.

Fonte:http://www.cleofas.com.br/virtual/texto.php?doc=SANTODIA&id=scd0163

Biografia pela Canção Nova

Gaspar nasceu em Roma a 6 de janeiro de 1786, filho de Antônio e Anunciata Quartieroni. Tinha começado às ocultas sua obra de evangelização do povo da periferia, dedicando-se aos carroceiros e aos camponeses da lavoura romana. São estas as personagens retratadas por Pinelli, que dão uma imagem sugestiva da Roma das primeiras décadas do século XIX; os carroceiros tinham transformado o Foro Romano, aos pés do Palatino, em depósito e mercado de feno.

Libertado do cárcere, após a queda de Napoleão, Gaspar de Búfalo recebeu de Pio VII a incumbência de se dedicar às missões populares pela restauração religiosa e moral do Estado Pontifício.

Ele empreendeu essa nova cruzada em nome do Precioso Sangue de Jesus, tornando-se o ardoroso apóstolo desta devoção. Fundou em 1815 a Congregação dos Missionários do preciosíssimo Sangue e em 1834, ajudado pela B. Maria de Matias, o Instituto das Irmãs Adoradoras do Preciosíssimo Sangue. Quando morreu em Roma, a 28 de dezembro de 1837, num quarto em cima do Teatro Marcelo, são Vicente Pallotti, seu contemporâneo, teve a visão de sua alma que subia ao encontro de Cristo, como uma estrela luminosa. A fama de sua santidade não demorou a atingir o mundo todo. Beatificado em 1904, foi canonizado por Pio XII em 1954.

Gaspar nasceu em Roma a 6 de janeiro de 1786, filho de Antônio e Anunciata Quarteroni. Foi companheiro de Vicente Strambi nas missões, o qual o definia como “terremoto espiritual”. O povo o chamava de “anjo da paz”, devido suas pregações serem pacíficas e caridosas. Com estas armas da paz e da caridade conseguiu conter os bandidos que proliferavam nas periferias de Roma.

O Papa Leão XII recorreu a Gaspar de Búfalo devido a proliferação do banditismo, o qual, conseguiu amansar os mais temíveis bandidos. O Papa João XXIII definiu-lhe como: “Glória toda resplandecente do clero romano, verdadeiro e maior apóstolo da devoção ao Preciosíssimo Sangue de Jesus no mundo”. Em 1810 uma piedosa religiosa dizia que surgiria um zeloso sacerdote que sacudiria o povo da sua indiferença, mediante a propagação de devoção ao Precioso Sangue. Naquele ano Gaspar de Búfalo, com dois anos de sacerdócio, tinha sido preso por ter rejeitado o juramento de fidelidade a Napoleão. Libertado do cárcere, após a queda de Napoleão, Gaspar recebeu de Pio VII a incumbência de se dedicar às missões populares pela restauração religiosa e moral do Estado Pontifício. Ele empreendeu essa nova cruzada em nome do Precioso Sangue de Jesus, tornando-se o ardoroso apóstolo desta devoção.

Faleceu em Roma a 28 de dezembro de 1837, em um quarto em cima do Teatro Marcelo, São Vicente Palloti, seu contemporâneo, teve a visão de sua alma que subia ao encontro de Cristo, como uma estrela luminosa. A fama de sua santidade não demorou a atingir o mundo todo. Beatificado em 1904, foi canonizado por Pio XII em 1954.

Fonte:http://www.cancaonova.com/portal/canais/liturgia/santo/index.php?dia=12&mes=6

JOÃO PAULO II

ANGELUS DOMINI

Domingo, 1° de Julho de 2001

Caríssimos Irmãos e Irmãs

1. Inicia-se hoje o mês de Julho, que a tradição popular dedica à contemplação do Preciosíssimo Sangue de Cristo, imperscrutável mistério de amor e de misericórdia.

Na Liturgia de hoje, o Apóstolo Paulo afirma na Carta aos Gálatas que “foi para a liberdade que Cristo nos libertou” (Gl 5, 1). Esta liberdade tem um preço alto:  é a vida, o Sangue do Redentor. Sim! O Sangue de Cristo é o preço que Deus pagou para libertar a humanidade da escravidão do pecado e da morte.

O Sangue de Cristo é a prova evidente do amor do Pai celeste por todos os homens, sem excluir ninguém.

Tudo isto foi muito bem realçado pelo Beato João XXIII, devoto do Sangue do Senhor desde a infância, quando em família ouvia falar dele nas Ladainhas especiais. Quando foi eleito Papa, escreveu uma Carta Apostólica para promover o seu culto (Inde a primis, 30 de Junho de 1959), convidando os fiéis a meditar acerca do valor infinito daquele Sangue, do qual “uma só gota pode salvar o mundo inteiro de qualquer culpa” (Hino Adoro Te devote).

Oxalá a meditação do sacrifício do Senhor, penhor de esperança e paz para o mundo, sirva de encorajamento e de estímulo para construir a paz também lá onde ela parece ser quase inatingível.

Hoje, o meu pensamento dirige-se de maneira especial para o Sri Lanka onde, por ocasião da festividade de Nossa Senhora de Madhu, a comunidade católica se reúne em oração naquele célebre Santuário para implorar o tão desejado dom da paz. As partes envolvidas no trágico conflito étnico, que há quase vinte anos semeia violências e atrocidades terríveis naquela querida Nação, têm dificuldade em encontrar o caminho do diálogo e da reconciliação. A solução negociada é o único caminho para enfrentar as graves questões que estão na base do actual conflito.

3. Maria, Mãe d’Aquele que com o seu Sangue redimiu o mundo, abençoe os esforços perseverantes de todos os que, no Sri Lanka e noutros lugares, promovem um clima de imparcialidade e de distensão, premissas indispensáveis para a consecução da concórdia e da paz.

CARTA APOSTÓLICA DO  PAPA JOÃO XXIII

INDE A PRIMIS
O CULTO DO PRECIOSÍSSIMO SANGUE
DE JESUS CRISTO

Aos veneráueis irmâos patriarcas, primazes, arcebispos, bispos
e outros ordinários do lugar em paz e comunhão com a Sé Apostólica.

Veneráveis Irmãos, saudação e Bênção Apostólica,

1. Desde os primeiros meses do nosso serviço pontifício aconteceu-nos muitas vezes – e não raro a palavra foi precursora ansiosa e inocente do nosso próprio sentir – convidar os fiéis, em matéria de devoção viva e cotidiana, a se volverem com ardente fervor para a expressão divina da misericórdia do Senhor sobre as almas individuais, sobre a sua Igreja santa e sobre o mundo inteiro, dos quais todos Jesus continua sendo o Redentor e o Salvador. Queremos dizer a devoção ao Preciosíssimo Sangue.

2. Esta devoção foi-nos instilada no próprio ambiente doméstico em que floresceu a nossa infância, e sempre recordamos com viva emoção a recitação das ladainhas do Preciosíssimo Sangue que os nossos velhos pais faziam no mês de julho.

3. Lembrados da salutar exortação do Apóstolo: “Estai atentos a vós mesmos e a todo o rebanho: nele o Espírito Santo vos constituiu guardiães, para apascentardes a Igreja de Deus, que ele adquiriu para si pelo sangue de seu próprio Filho” (At 20,28), cremos, ó Veneráveis Irmãos, que entre as solicitudes do nosso universal ministério pastoral, depois da vigilância sobre a sã doutrina deve ter um lugar privilegiado aquela que diz respeito ao reto desenvolvimento e ao incremento da piedade religiosa, nas manifestações do culto litúrgico e privado. Parece-nos, portanto, particularmente oportuno chamar a atenção dos nossos diletos filhos para o nexo indissolúvel que deve unir as duas devoções, já tão difundidas no seio do povo cristão, isto é, o ss. Nome de Jesus e o seu sacratíssimo Coração, aquela que pretende honrar o Sangue Preciosíssimo do Verbo encarnado, “derramado por muitos em remissão dos pecados” (cf. Mt 26,28).

4. Com efeito, se é de suma importância que entre o Credo católico e a ação litúrgica da Igreja reine uma salutar harmonia, visto que “a norma do acreditar define a norma de rezar”,(1) e nunca sejam consentidas formas de culto que não brotem das fontes puríssimas da verdadeira fé, é justo, outrossim, que floresça harmonia semelhante entre as várias devoções, de modo que não haja contraste ou dissociação entre as que são consideradas como fundamentais e mais santificantes, e que, ao mesmo tempo, sobre as devoções pessoais e secundárias tenham o primado na estima e na prática aquelas que melhor realizam a economia da salvação universal operada pelo “único mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus homem, aquele que deu a si mesmo em resgate por todos” (1Tm 2,5-6). Movendo-se nesta atmosfera de reta fé e de sã piedade, os féis estão seguros de sentir com a Igreja, ou seja de viverem em comunhão de oração e de caridade com Jesus Cristo, fundador e sumo sacerdote dessa sublime religião que dele recebe, com o nome, toda a sua dignidade e valor.

5. Se agora detivermos um rápido olhar aos admiráveis progressos que a Igreja católica tem operado no campo da piedade litúrgica, em salutar consonância com o desenvolvimento da sua fé na penetração das verdades divinas, indubitavelmente será consolador verificarmos que nos séculos próximos a nós não faltaram, da parte desta Sé Apostólica, claros e repetidos atestados de consentimento e de incentivo para todas as três devoções supra mencionadas; devoções que foram praticadas desde a Idade Média por muitas almas piedosas, e depois foram difundidas em várias dioceses, ordens e congregações religiosas, mas que aguardavam da Cátedra de Pedro o cunho da ortodoxia e a aprovação para a Igreja universal.

6. Baste-nos recordar que os nossos predecessores desde o século XVI enriqueceram de favores espirituais a devoção ao ss. Nome de Jesus, da qual no século precedente se fizera apóstolo infatigável, na Itália, Ss Bernardino de Sena. Em honra desse ss. Nome foram, antes de tudo, aprovados o ofício e a missa, e em seguida as Ladainhas.(2) Nem foram menos insignes os privilégios concedidos pelos pontífices romanos ao culto para com o sacratíssimo Coração de Jesus, em cuja admirável propagação (3) tamanha parte tiveram as revelações feitas pelo Sagrado Coração a Santa Margarida Maria Alacocque. E tão alta e unânime tem sido a estima dos pontífices romanos a esta devoção, que eles se comprazeram em lhe ilustrar a natureza, defender a legitimidade, e inculcar a prática com muitos atos oficiais, aos quais puseram coroamento três importantes encíclicas sobre este assunto. (4)

7. Mas também a devocão ao Preciosíssimo Sangue de Jesus, da qual foi propagador admirável no século passado o sacerdote romano s. Gaspar del Bufalo, teve o merecido consentimento e o favor desta Sé Apostólica. Com efeito, importa recordar que, por ordem de Bento XIV, foram compostos a missa e o ofício em honra do Sangue adorável do divino Salvador; e que Pio IX, em cumprimento de um voto feito em Gaeta, quis que a festa litúrgica fosse estendida à Igreja universal. (5) Finalmente, foi Pio XI, de feliz memória, quem, em lembrança do 19° centenário da redenção, elevou a sobredita festa a rito duplo de primeira classe, a fim de que, pela acrescida solenidade litúrgica, mais intensa se tornasse a própria devoção, e mais copiosos se entornassem sobre os homens os frutos do Sangue redentor.

8. Seguindo, portanto, o exemplo dos nossos predecessores, com o fim de favorecer ulteriormente o culto para com o precioso Sangue do Cordeiro imaculado, Cristo Jesus, aprovamos-lhe as ladainhas, segundo a ordem compilada pela Sacra Congregação dos ritos,(6) incentivando outrossim a reza das mesmas em todo o mundo católico, quer em particular quer em público, com a concessão de indulgências especiais.(7) Possa este novo ato do cuidado por todas as Igrejas (cf.lCor 11,28), próprio do pontificado supremo, em tempo das mais graves e urgentes necessidades espirituais, acordar no ânimo dos crentes a convicção do valor perene, universal, sumamente prático das três louvadas devoções.

9. Por isto, ao aproximar-se a festa e o mês dedicados ao culto do Sangue de Cristo, preço do nosso resgate, penhor de salvação e de vida eterna, façam-na os fiéis objeto de meditações mais devotas e de comunhões sacramentais mais freqüentes. Iluminados pelos salutares ensinamentos que promanam dos Livros sagrados e da doutrina dos padres e doutores da Igreja, reflitam no valor superabundante, infinito desse Sangue verdadeiramente preciosíssimo, do qual uma só gota pode salvar o mundo todo de toda culpa”, (8) como canta a Igreja com oAngélico Doutor, e como sabiamente confirmou o nosso predecessor Clemente VI. (9)

10. Porquanto, se infinito é o valor do Sangue do Homem-Deus, e se infinita foi a caridade que o impeliu a derramá-lo desde o oitavo dia do seu nascimento, e depois, com superabundância, na agonia do horto (cf. Lc 22,43), na flagelação e na coroação de espinhos, na subida ao Calvário e na crucifixão, e, enfim, da ampla ferida do seu lado, como símbolo desse mesmo Sangue divino que corre em todos os sacramentos da Igreja, não só é conveniente, mas é também sumamente justo que a ele sejam tributadas homenagens de adoração e de amorosa gratidão por parte de todos os que foram regenerados nas suas ondas salutares.

11. E ao culto de latria a ser prestado ao cálice do Sangue do Novo Testamento, sobretudo no momento da sua elevação no sacrifício da Missa, é sumamente conveniente e salutar que se siga a comunhão com esse mesmo Sangue, indissoluvelmente unido ao corpo do nosso Salvador no sacramento da eucaristia. Em união, então, com o sacerdote celebrante, poderão os fiéis com plena verdade repetir mentalmente as palavras que ele pronuncia no momento da comunhão; “Tomarei o cálice da salvação e invocarei o nome do Senhor… O sangue de Cristo me guarde para a vida eterna. Amém”. Desse modo os fiéis que dele se aproximarem dignamente receberão mais abundantes os frutos de redenção, de ressurreição e de vida eterna que o Sangue derramado por Cristo “por impulso do Espírito Santo” (Hb 9,14) mereceu para o mundo inteiro. E, nutridos do corpo e do sangue de Cristo, tornados participantes do seu poder divino, que fez surgir legiões de mártires, eles irão ao encontro das lutas cotidianas, dos sacrifícios, até mesmo do martírio, se preciso, em defesa da virtude e do reino de Deus, sentindo em si mesmos aquele ardor de caridade que fazia S. João Crisóstomo exclamar: “Saímos daquela mesa quais leões expirando chamas, tornados terríveis ao demônio, pensando em quem é o nosso Chefe e quanto amor teve por nós… Esse Sangue, se dignamente recebido, afasta os demônios, chama para junto de nós os anjos e o próprio Senhor dos anjos… Esse Sangue derramado purifica o mundo todo… Este é o preço do universo, com ele Cristo redime a Igreja… Tal pensamento deve refrear as nossas paixões. Até quando, com efeito, ficaremos apegados ao mundo presente?Até quando ficaremos inertes?Até quando descuraremos pensar na nossa salvação? Reflitamos sobre os bens que o Senhor se dignou de nos conceder, sejamos-lhe gratos por eles, glorifiquemo-lo não só com a fé, mas também com as obras”.(10)

12. Oh! se os cristãos refletissem mais freqüentemente no paternal aviso do primeiro papa: “Portai-vos com temor durante o tempo do vosso exílio. Pois sabeis que não foi com coisas perecíveis, isto é, com prata ou ouro que fostes resgatados…, mas pelo sangue precioso de Cristo, como de um cordeiro sem defeito e sem mácula” (1Pd 1,1719); se eles dessem mais solícito ouvido à exortação do apóstolo das gentes: “Alguém pagou alto preço pelo vosso resgate; glorificai, portanto, a Deus em vosso corpo” (l Cor 6,20). Quanto mais dignos, mais edificantes seriam os seus costumes, quanto mais salutar para a humanidade inteira seria a presença, no mundo, da Igreja de Cristo! E, se todos os homens secundassem os convites da graça de Deus, que os quer todos salvos (cf. 1Tm 2,4), porque ele quis que todos fossem remidos pelo Sangue de seu Unigênito, e chama todos a serem membros de um só corpo místico, do qual Cristo é a Cabeça, então quanto mais fraternas se tornariam as relações entre os indivíduos, os povos, as nações, e quanto mais pacífica, quanto mais digna de Deus e da natureza humana, criada a imagem e semelhança do Altíssimo (cf. Gn 1,26), se tornaria a convivência social!

13. Era a contemplação desta sublime vocação que s. Paulo convidava os fiéis provenientes do povo eleito, tentados de pensar com saudade num passado que fora apenas uma pálida figura e o prelúdio da nova aliança: “Mas vós vos aproximastes do monte Sião e da cidade de Deus vivo, a Jerusalém celestial, e de milhões de anjos reunidos em festa, e da assembléia dos primogênitos cujos nomes estão inscritos nos céus, e de Deus o juiz de todos, e dos espíritos dos justos que chegaram à perfeição, e de Jesus, mediador de uma nova aliança, e do sangue da aspersão mais eloqüente que o de Abel” (Hb 12,22-24).

14. Plenamente confiamos, ó veneráveis irmãos, que estas nossas paternais exortações, pelo modo como julgardes mais oportuno tornadas por vós conhecidas ao clero e aos fiéis a vós confiados, serão de bom grado postas em prática, não só salutarmente, mas também com fervoroso zelo, em auspício das graças celestes e em penhor da nossa particular benevolência, com efusão de coração concedemos a bênção apostólica a cada um de vós e a todos os vossos rebanhos, e de modo particular aos que generosa e piedosamente responderem ao nosso convite.

Dado em Roma, junto a S. Pedro, no dia 30 de junho de 1960, vigília da Festa do Preciosíssimo Sangue de N. S. J. C., segundo ano do nosso Pontificado.

JOÃO PP. XXIII

DISCURSO DO SANTO PADRE
AOS PARTICIPANTES NO CAPÍTULO GERAL
DA CONGREGAÇÃO DOS MISSIONÁRIOS
DO PRECIOSÍSSIMO SANGUE

Sexta-feira, 14 de setembro de 2001

Aos membros da XVII Assembleia Geral da
Congregação dos Missionários do Preciosíssimo Sangue

É com afecto no Senhor que dou as boas-vindas à Assembleia Geral da Congregação dos Missionários do Preciosíssimo Sangue, na solenidade da Exaltação da Cruz. Como é oportuno que nos encontremos no dia em que toda a Igreja entoa hinos de louvor à glória da Cruz de Cristo e rejubila no poder do sangue que foi derramado da “sua fonte nos recessos mais secretos do seu coração, para dar aos sacramentos da Igreja o poder de conferir a vida da graça” (São Boaventura, Opusc. 3, 30). Juntamente convosco, prostro-me em adoração daquele fluxo infinitamente precioso que brota do lado ferido de Cristo, e rezo para que a Assembleia Geral procure assegurar que o poder do seu sangue seja derramado ainda mais abundantemente através da vossa Congregação, em  benefício  da  Redenção  do  mundo inteiro.

O alvorecer do novo milénio é um tempo de planeamento audacioso (cf. Novo millennio ineunte, 29). Por conseguinte, é positivo o facto de terdes escolhido como tema da vossa Assembleia Geral “O futuro rosto dos Missionários do Preciosíssimo Sangue”. Trata-se de um momento em que o Espírito Santo está a chamar toda a Igreja para uma nova evangelização, e o Sucessor de Pedro espera com confiança que os Missionários do Preciosíssimo Sangue desempenhem um papel repleto de imaginação e energia nos renovados esforços da Igreja, destinados a “ensinar todas as nações” (cf. Mt 28, 19), em conformidade com o mandamento de Cristo.

Desde o início, a vossa Congregação compreendeu a importância das palavras do Senhor:  Duc in altum (Lc 5, 4). Aparentemente, a exortação dirigida a Pedro era desprovida de sentido:  ele tinha trabalhado a noite inteira, sem nada apanhar. Da mesma forma, agora a Igreja é convidada por Cristo a partir rumo a lugares e a povos em relação aos quais parece que há pouca esperança de obter qualquer êxito, e a realizar actos que parecem ter pouco sentido, segundo a lógica convencional. O Senhor pede-nos que abandonemos o nosso próprio ponto de vista e, ao contrário, confiemos na sua exortação, porque sabe que, diversamente, trabalharemos em vão.

Quando São Gaspar de Búfalo fundou a vossa Congregação em 1815, o meu Predecessor Papa Pio VII pediu que ele partisse para lugares aonde ninguém teria ido, e para empreender missões que não pareciam ser nada promissoras. Por exemplo, insistiu que enviasse missionários para evangelizar os salteadores que nessa época constituíam um perigo para a região entre Roma e Nápoles. Persuadido de que o pedido do Papa era o mandamento de Cristo, o vosso Fundador não hesitou em obedecer, embora alguns o criticassem por ser demasiado inovativo. Lançando as suas redes em águas profundas e perigosas, ele fez uma pesca extraordinária.

Dois séculos mais tarde, outro Papa exorta os filhos de São Gaspar a não serem menos audaciosos nas suas decisões e acções a irem aonde os outros não podem ou não querem ir, para empreender missões que parecem oferecer pouca esperança de bom êxito. Peço-vos que continueis os vossos esforços de edificação de uma civilização da vida, privilegiando a salvaguarda de toda a vida humana, desde a vida do nascituro até à vida das pessoas idosas e enfermas, e promovendo a dignidade de cada pessoa humana, de maneira especial dos indivíduos frágeis e despojados da sua justa participação na abundância dos recursos da terra. Exorto-vos a promover uma missão de reconciliação, enquanto trabalhais para reconstruir as sociedades dilaceradas pelos conflitos sociais, e até mesmo unindo as vítimas aos perpetradores da violência, num espírito de verdadeira reconciliação, a fim de que eles consigam descobrir que “precisamente esse sangue [o sangue de Cristo] é o motivo mais forte de esperança, ou melhor,  é  o  fundamento  da  certeza  absoluta de que, segundo o desígnio de Deus, a vitória será da vida” (Evangelium vitae, 25).

“O futuro rosto dos Missionários do Preciosíssimo Sangue” deve ser a face do Senhor crucificado, que derramou o seu sangue pela vida do mundo inteiro. Sem dúvida, a sua face é o rosto da agonia porque, “para transmitir ao homem o rosto do Pai, Jesus não só teve de assumir o rosto do homem, mas teve de assumir inclusivamente o “rosto” do pecado” (Novo millennio ineunte, 25). Todavia, o que é mais misterioso ainda, é o facto de que mesmo no meio de tanta aflição, Jesus não cessou de conhecer a alegria que provém da união com o seu Pai (cf. ibid., 26-27). E no momento da Páscoa, esta alegria chegou à sua plenitude, quando a luz da glória divina brilhou na face do Senhor ressuscitado, cujas chagas brilham eternamente como o sol. Esta é a verdade acerca da vossa identidade, queridos Irmãos; este é o rosto dos missionários do Preciosíssimo Sangue, ontem, hoje e para sempre; e este deveria ser o vosso testemunho no mundo.

Todavia, isto só se realizará se a vossa missão brotar das profundezas da contemplação, em que “o crente aprende a reconhecer e a apreciar a dignidade quase divina de cada homem, e pode exclamar com incessante e agradecida admiração:  que grande valor deve ter o homem aos olhos do Criador, se “mereceu tão grande Redentor” (Precónio Pascal)” (Evangelium vitae, 25). A contemplação do rosto de Cristo foi a primeira herança do Grande Jubileu (cf. Novo millennio ineunte, 15) e permanece para sempre o centro da missão cristã. Por conseguinte, a nova evangelização exige uma nova profundidade de oração; e exorto-vos a fazer disto uma prioridade fulcral das vossas decisões durante a Assembleia Geral, de tal maneira que nestes dias de graça nunca cesseis de dizer:  “É a vossa face, Senhor, que eu procuro!” (Sl 27 [26], 8).

Não foi por acaso que São Gaspar de Búfalo fundou a sua Congregação no dia da Solenidade da Assunção de Nossa Senhora, pois ele viu na glória da Virgem o fruto maravilhoso do sacrifício do Filho de Maria na Cruz. A Redenção de Cristo restitui extraordinariamente a humanidade àquele seu esplendor, que era a intenção do Criador desde o princípio; e este esplendor deve ser a finalidade de todos os desígnios e projectos dos Missionários do Preciosíssimo Sangue. Eis por que motivo deveis fixar o vosso olhar constantemente na Senhora “revestida de Sol, tendo a Lua debaixo dos seus pés e uma coroa de doze estrelas sobre a sua cabeça” (Ap 12, 1). Enquanto vos confio ao cuidado amoroso de Maria e à intercessão do vosso Fundador, é de bom grado que concedo a minha Bênção apostólica a toda a Congregação, como penhor da misericórdia infinita d’Aquele “que, com o seu sangue,  nos  lavou  dos  nossos  pecados” (Ibid., 1, 5).

Fonte:http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/speeches/2001/september/documents/hf_jp-ii_spe_20010914_missionaries-precious-blood_po.html

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