Biografia dos Santos

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Vida de Santa Catarina de Sena

Canonizada em 1461 por Pio II, Caterina di Iacopo di Benincasa, que não tinha aprendido a ler nem a escrever, foi em 4 de outubro de 1970, um domingo, solenemente proclamada doutora da Igreja por Paulo VI. (p.7)

Família

Catarina era a vigésima terceira de uma família de vinte e cinco irmãos. Sua irmã gêmea, Giovanna, morreu logo depois de nascer. (p.11)Seu pai, Iacopo di Benincasa, tintureiro de pisoamento, era um homem pio e caridoso…Lapa, era excelente mãe, aliás. Amava os filhos com fervor e ternura: a perfeita mamma popular, à italiana. Na velhice, a exemplo da filha Catarina, cujo gênio místico nunca compreendeu, mas que amava e admirava com toda força de seu instinto de mãe protetora, tornou-se terciária dominicana. (p.11-12)

Seu pai, Iacopo di Benincasa, tintureiro de pisoamento, era um homem pio e caridoso…Lapa, era excelente mãe, aliás. Amava os filhos com fervor e ternura: a perfeita mamma popular, à italiana. Na velhice, a exemplo da filha Catarina, cujo gênio místico nunca compreendeu, mas que amava e admirava com toda força de seu instinto de mãe protetora, tornou-se terciária dominicana. (p.11-12)

Infância

Catarina tinha então seis anos. Voltava com o irmão Stefano da casa da irmã mais velha, Bonaventura, perto da porta de Sant´ Ansano. As duas crianças subiam a ladeira, a Valle Piata,hoje denominada Il Costone. Erguendo os olhos para o cimo da Igreja de São Domingos, dos irmãos pregadores, a menina de repente viu diante de si “suspenso no ar, um trono de grande beleza, ornado com uma magnificência majestosa. Nesse trono, como um imperador ornamentado à maneira pontifical, tiara na cabeça, estava sentado o Senhor Jesus Cristo, Salvador do mundo. Perto dele estava Pedro, o príncipe dos apóstolos, Paulo e o santo evangelista João. Diante dessa visão, a menina ficou como que grudada ao solo, olhar fixo, olhando amorosamente seu Salvador e Senhor, que para mostrar seu amor assim se mostrava. Com os olhos fixados na menina, olhos cheios de majestade, e com um sorriso doce, ele ergueu a mão direita e, fazendo o sinal da cruz, como fazem os prelados, concedeu-lhes o dom de sua benção eterna. (p.13)

Tomada de um zelo ainda infantil, ela saiu pela porta de Sant’ Ansano, refugiou-se em uma gruta e pôs-se a rezar com fervor; ei-la a erguer-se “lentamente no ar, até a altura máxima permitida pela gruta”, para assim permanecer até cerca de três horas da tarde. (p.14)

De fato, escreveu frei Raimundo, “como sua mãe me contou diversas vezes, pedindo-lhe em seguida confirmação em segredo, ela não pôde negar; às vezes, ou melhor, na maior parte do tempo, ao subir ou descer a escada da casa, ela sentia erguer-se no ar, sem que seus pés tocassem os degraus. Sua mãe assegurou-me sentir-se tomada de uma grande angústia ao vê-la subir tão velozmente a escada”. (p.15)

Catarina tinha então sete anos (1354). Seu espírito amadurecera. Já nesta altura, quando tomava uma decisão, nada detinha sua vontade. Sua vocação se afirmava. Para não mais recuar, precisava engajar-se para sempre. Certo dia, em um lugar retirado, ela se ajoelhou, instalou um longo silêncio no coração e, em seguida, em voz alta, dirigindo-se à Virgem Maria, pronunciou as seguintes palavras: “Bem-aventurada e Santa Virgem, vós que sois a primeira entre todas as mulheres, que consagrastes perpetuamente vossa Virgindade ao Senhor, por graça de quem vos tornastes a Mãe de seu único Filho, suplico vossa incomparável clemência que, sem olhar meus méritos nem minha indignidade, dignai-vos conceder-me a imensa graça de me dar por Esposo Aquele que desejo com todas as forças da minha alma, vosso Santíssimo Filho, o único Senhor, Jesus Cristo. Eu vos prometo, a ele e a vós, jamais escolher nenhum outro esposo e tudo fazer para conservar intacta minha pureza. (p.15)

Depois deste voto, tudo passou a indicar o progresso feito por Catarina na via da santidade, a fim de preservar a pureza de seu corpo e de seu espírito. Seu pendor para a mortificação acentuou-se a tal ponto que atingiu proporções inquietantes: a recusa em comer carne (disfarçadamente ela repassava os pedaços a seu irmão Stefano, ou jogava-se para os gatos; as flagelações, sozinha ou com as amiguinhas; o interesse intenso pela severidade da ascese dos santos famosos. (p.15-16)

Desejo de consagração a Deus

Catarina guardava, porém, em segredo o voto de consagrar sua vida a Deus. Tinha então treze anos. Lapa, segundo o costume da época, julgava que sua filha estava na idade de pensar em casamento…Recorreu-se, então, a Bonaventura, a filha mais velha, já casada com Nicolas dei Tegliacci, um tintureiro. A contragosto, Catarina deixou-se persuadir, cuidou das vestes, tingiu os cabelos. Embora não tivesse em nada renunciado ao voto guardava em segredo, sentia atenuar-se o fervor espiritual. Passada essa breve “crise de vaidade” segundo a expressão de seus biógrafos, ela a lamentou amargamente e acusou-se severamente em confissão. A certa altura, deu-se um drama: Bonaventura, a querida irmã mais velha, morreu de parto (agosto de 1362) teria sido intervenção da Providencia para recolocar no bom caminho a jovem virgem consagrada, ou punição por ter ela pecado? Catarina não teve duvida. Sua dor foi redobrada. Consolou-se, mais tarde, do desaparecimento prematuro de Bonaventura pela confiança de que suas preces a teriam rapidamente tirado do purgatório e feito subir diretamente ao céu. (p.16-17)

A morte de Bonaventura fez redobrar o empenho da família Benincasa em encontrar um marido para Catarina. Casar-se, ter filhos e um esposo que pudesse ajudar o resto da família e juntar-se aos demais? Catarina recusava categoricamente esse destino que, aos olhos das pessoas ao redor, se impunha sem discussão a uma jovem que caminhava para seus quinze anos. (p.17)

O furor dos Benincasa ultrapassou os limites. Reprovação, invectivas, imprecações, insultos grosseiros, sarcasmos, ameaças, insultos de todo tipo…. Assim, maltratada pelos seus, feita de empregada, alvo constante de sarcasmos, Catarina, no frescor de sua imaginação, teve uma idéia preciosa que a ajudou a suportar suas desgraças. Transformada em serviçal para todo tipo de tarefas, pôs-se na cabeça que seu pai representava Jesus Cristo em pessoa, que sua mãe era a própria Maria, a gloriosa Mãe de Deus, e que as demais pessoas de casa eram apóstolos e discípulos do Senhor. Desse modo, ao servir a mesa, ela se imaginava servindo ao seu Divino Esposo, enquanto, ao cozinhar, ocupava-se dos santos mistérios. Com isso ela fazia reinar a alegria a si mesma e ao redor. (p.18-19)

Sonho confirma sua vocação

Um sonho lhe mostrou o caminho que se abria diante dela. São Domingos de Gusmão apareceu-lhe em pessoa durante o sono. Estava rodeado de outros fundadores de ordens religiosas. Cada qual fazia o melhor possível para atrair para sua congregação essa alma de elite. Mas foi Domingos quem a levou. Tendo à mão um lírio de brancura radiante e, dobrado sob o braço o hábito das Irmãs Dominicanas da Penitencia, bastante numerosas então em Sena, ele lhe disse: não deves temer nenhum obstáculo, pois, segundo teu desejo, eu te asseguro que vestiras este habito. (p.20)

Diante de toda a família reunida, Catarina revelou seu voto de virgindade e proclamou sua decisão irrevogável de se entregar a Deus. Seva junto aos seus, até o fim de seus dias, ou jogada à rua, se assim o quisessem, o Esposo “tão rico e poderoso” que ela escolhera nunca a abandonaria. (p.20)

Lapa estava horrorizada e desesperada com isso. Suspirava, arranhava o rosto, arrancava os cabelos. “Minha pobre filha”, gritava ela, “eu te vejo morta, vais acabar te matando, não há a menor dúvida! Pobre de mim! Quem roubou minha filha?! Que fiz para merecer tamanha desgraça?. Catarina privava-se do sono de um modo que alcançaria proporções assustadoras (meia hora de sono a cada duas noites). Para tentar impedi-la, Lapa a obrigava a dormir em sua própria cama. (p.23)

A enfermidade de Santa Catarina

Os desígnios do Senhor são insondáveis. Como por milagre, todos esses pretextos foram varridos. Catarina adoeceu. Coberta de pústulas, desfigurou-se. Queimou de febre. Sofreu co a decepção. Seu corpo sempre fora o palco de suas emoções ou de seus transportes espirituais. Quando tinha uma idéia em mente, nunca desistia. No caso em questão, chegou até a fazer um pouco de chantagem: “Mãe querida”, disse ela, “se quiser que eu me cure e fique bem, faça com que se realize meu desejo de receber o hábito das Irmãs da Penitência de São Domingos; temo que, do contrário, Deus e São Domingos, que me chamam a seu serviço, dêem um jeito para que a senhora não me veja nem com hábito nem sem ele! Lapa, sem dúvida perturbada diante dessas ameaças, foi correndo bater novamente à porta das irmãs da penitência. (p.28)

A morte do Pai

Por volta de meados de agosto de 1368, Iacopo adoeceu. As preces de Catarina nada puderam mudar. Estava para morrer e se resignava. Catarina, porém, não tolerava a idéia de que ele tivesse que sofrer as penas do purgatório –cuja concepção acabava de tomar formar na Igreja. “Meu Senhor bem-amado”, ela exclamou, “como poderia eu suportar a idéia de que aquele que me engendrou, alimentou e educou com tanto amor, que durante a vida toda só me fez bem, vai queimar neste fogo terrível? Em nome de tua bondade, eu te suplico e rogo que não permitas que a alma de meu pai deixe o corpo sem, algum modo, ter-se purificado da necessidade das chamas do inferno”. A questão não se resolveu logo. Foi preciso muito insistir. A justiça Divina tem suas exigências. Desanimada, a jovem então exclamou: “Se essa graça não puder ser obtida sem que de algum modo a justiça seja feita, que a justiça exerça em mim, pois por meu pai estou disposta a suportar qualquer sofrimento que seja ditado por sua bondade.” (p.43)

“O Senhor a atendeu literalmente, segundo a expressão de frei Raimundo, e disse: “Muito bem, por causa do amor que tens por mim, aceito o que me pedes, mas, enquanto viveres, deverá suportar por ele todas as tribulações que te enviarei.” Com alegria, Catarina aceitou o acordo. E “com um sorriso na flor dos lábios” foi imediatamente reconfortar o pai, ao Aldo de quem permaneceu constantemente até o último suspiro. No mesmo momento, ela sentiu uma dolorosa dor na pontada no flanco, que não a deixou um instantes equer até o fim de seus dias.” (p.43)

Os estigmas

Em 1º de abril, um domingo de Ramos, ela assistiu à missa celebrada por frei na Capela de Santa Cristina. Depois da comunhão, entrou em êxtase. Seu corpo prostrado levantou-se aos poucos, pôs-se de joelhos, os braços se abriram em cruz, o rosto se iluminou. Permaneceu assim por muito tempo, retesada, de olhos fechados; em seguida, de repente caiu como que ferida de morte, antes de recuperar logo depois as forças. “Então”, prosseguiu frei Raimundo, ela me chamou e me disse em voz baixa: Saiba, padre, que pela misericórdia do Senhor, levo no corpo esses estigmas…Vi o Senhor pregado na cruz vir até mim em meio a uma grande luz. O arrebatamento da minha alma, desejosa de ir ao Criador foi tamanho que meu corpo foi obrigado a subir. Daí essas cicatrizes de suas santas chagas; vi descer na minha direção cinco raios de sangue, dirigidos para minhas mãos, meus pés e meu coração. Compreendendo o mistério, imediatamente exclamei: “Ah, Senhor meu Deus, eu te suplico, que as cicatrizes não apareçam externamente em meu corpo”. Enquanto eu dizia isso, antes que os raios chegassem a mim, eles mudaram de cor, de início cor de sangre, em seguida de uma cor brilhante; sob a forma de pura luz chegaram a cinco pontos do meu corpo, as mãos, os pés e o coração…Então perguntei: “Sentes agora dor em todos esses lugares?. Dando um suspiro, ela respondeu: Sinto muita dor em todos esses lugares, principalmente no coração, de tal forma que, se o Senhor não fizer outro milagre, parece-me impossível nesse estado, então morrerei em poucos dias.” (p.58-59)

Morte de Santa Catarina

Depois de acusar de suas faltas, Catarina recebeu a absolvição pela segunda vez em nome da indulgência que lhe concedera o papa Urbano VI. Em seguida, rezou ardentemente, olhos detidos no crucifixo, fazendo as últimas recomendações a seus discípulos. Teve ainda forças para abençoar os que se encontravam ao redor, assim como amigos que estavam ausentes. Em meio a suas últimas palavras retornou à imagem que lhe era muito cara: o sangue, símbolo da graça do Cristo. (p.143)

Barduccio Canigiani assim relatou seus últimos instantes: “Assim ela chegava ao fim tão desejado, sempre rezando. E dizia: “Senhor, tu me chamas para que eu vá a ti, e eu vou; por certo não por causa dos meus méritos, mas graças somente a tua misericórdia. É ela que te peço em nome do sangue dulcíssimo de teu Filho. E clamou várias vezes: “O sangue, o sangue”. Em seguida, falando com grande doçura: “Pai, em tuas mãos coloco minha alma e meu espírito… Era domingo, anterior à Ascensão, 29 de abril de 1380, dia de São Pedro, por volta de meio-dia.” (p.143)

Bibliografia: Catarina de Sena. UmaBiografia. Bernard Sesé. Paulinas.

Paciência nas dificuldades da vida

Se fordes grata a Deus, alcançareis a perfeita paciência e não ficareis a fazer comparações entre sofrimentos pequenos, porque então os grandes vos parecerão um nada a ser suportado por Jesus Cristo crucificado..(Carta 1. p.9).

As ofensas nos purificam

Sabeis que o ódio cresce na proporção da ofensa. Assim, é maior o ódio em quem é ofendido na própria pessoa do que em quem é ofendido por palavras ou nos seus bens. Nada é mais precioso que a vida. Todos consideram grande injúria a ofensa à própria pessoa, e sentem maior ódio. Mas pensai bem. Não há comparação entre a ofensa que uma pessoa comete contra a outra e o prejuízo que causa a si mesma. Que comparação há entre o finito e o infinito?Nenhuma! Vede. Sou ofendido no corpo e, por tal motivo, odeio. Ao fazê-lo, atinjo minha alma e a mato(espiritualmente), retirando-lhe a graça. Dou-lhe a morte, a morte eterna, se morrer em tal pecado, coisa muito possível. Portanto, maior deveria ser meu ódio contra mim mesmo, que matei minha alma, do que contra alguém que maltratou meu corpo mortal, de qualquer modo perecível, corruptível, que subsiste apenas na medida do seu vigor. (Carta 3, p.16).

Não podemos guardar rancor

Não quero, pois, que ofendais a Deus e à vossa alma, vivendo no ódio e no rancor, por causa de uma ofensa feita ao corpo mortal. Maior motivo tendes para odiar vossos corpos, do que para odiar a Deus e vossas almas. Com ódio expulsai o ódio! Pelo ódio contra vós, expulsai o ódio contra o próximo. (Carta 3, p.16).

Aceitar os sofrimentos

Não foi por pecados seus que Jesus morreu, mas pelos nossos. Isso fará a pessoa conceber grande ódio pelas próprias culpas, eliminar o veneno do pecado mortal e não desejar vingar-se do próximo. Pelo contrário. Amará o desafeto e o ajudará a penitenciar-se de suas culpas. No que diz respeito à ofensa recebida, não a considera como proveniente de uma criatura, mas como permitida pelo Criador, ou como algo merecido pelos próprios pecados. Não a tomará como ofensa, mas como misericórdia do Senhor, que achou por bem punir nesta vida passageira em vez de fazê-lo na futura, onde o arrependimento não mais existe. (Carta 3, p.17).

O misericordioso alcançará misericórdia

O advogado constituído pelo Juiz divino é a consciência que, naquele derradeiro juízo, condena a si mesma ao considerar-se digna de morte. Julguemo-nos, então, desde agora, por amor de Jesus crucificado. Se nos acharmos pecadores, ofensores de Deus, imploremos misericórdia. Se não estamos a julgar e condenar os outros, Deus nos perdoará. Pois devo usar com o próximo a misericórdia que desejo para mim. Agindo desse modo, saboreareis realmente a Deus, vivereis seguros, sereis os próprios intercessores junto de Deus. (Carta 3, p.18).

Não cair na tristeza

Em outra ocasião o demônio vos tentará com blasfêmias, procurando perturbar vosso coração com muitas dificuldades. Ele bem sabe que a alma não vai cair nessas tentações, pois escolheu antes morrer que ofender a Deus mortalmente com um ato voluntário;mas o demônio age assim para levar a pessoa a tristeza, a julgar-se em pecado onde pecado não há; enfim, a abandonar todo exercício de oração.Quero que não mergulheis na tristeza. Ninguém deve abater-se na tristeza, qualquer que seja a dificuldade, nem abandonar a oração. No mínimo, ponha-se diante da cruz e diga: Jesus, Jesus, eu confio em Jesus! (Carta 4, p.21).

Despojar-nos do homem velho

Toda a nossa fraqueza está no queremos coisas que não conseguimos alcançar. Quando alguém procura honras, riquezas, prazeres e posições sociais com desordenado anseio e apego, e não os atinge e às vezes perde até o que possui… cai em grandíssimo sofrimento. Seu amor era por demais desordenado. Como se vê, a fonte do sofrimento é nossa vontade. Elimine-se o egoísmo e todo sofrimento cessará. Como afastá-lo?Despojando-nos do velho homem que somos e revestindo-nos do homem novo segundo o desejo do Filho de Deus(Cl 3, 9-10). E qual é a vontade de Deus? A nossa santificação(1Ts 4, 3). Tudo o que Deus nos manda ou permite – sofrimentos e doenças em todas as suas formas – tudo é mandado ou permitido em grande mistério, para a nossa santificação e de acordo com as necessidades da nossa salvação.(Carta 5, p.24).

Murmurações

Queixumes e lamúrias não aliviam dores; ao contrário, duplicam-nas, pois me fazem colocar meus desejos em coisas que nem posso alcançar. Revesti-vos, revesti-vos de Jesus Cristo(Rm 13, 14), forte escudo que nenhum demônio e nenhuma criatura conseguirão tirar da vossa vontade.(…)Tal pessoa começa a alegrar-se nas injúrias, maus tratos e ofensas e nada mais deseja senão configurar-se com Cristo na cruz. Nele, pôs seu amor e toda preocupação; alegra-se na proporção dos sofrimentos; (Carta 5, p.25).

A doença purifica o ser humano pelo pecado mortal cometido

Quero que sejais um soldado! Quero que, por Cristo, não rejeiteis a dureza da doença; Pensai como é grande a graça divina que, durante a doença, refreia os vícios e pecados, possíveis quando se tem saúde. A enfermidade desconta e purifica quanto aos pecados cometidos. Na doença, por um sofrimento passageiro, Deus misericordiosamente se satisfaz quanto a um castigo eterno, merecido. (Carta 5, p.26).

Alegrar-se em tudo

Quem é paciente alegra-se em tudo o que acontece, em tudo é feliz. Revestida de tal roupagem, a pessoa vive sempre em paz, satisfeita por enfrentar dificuldades para a glória e louvor do nome divino. (Carta 6, p.27).

Conduzir as pessoas à vida religiosa

Mas entre todos os modos de servir o próximo, o mais agradável ao Nosso Salvador é livrar alguém das mãos do demônio, é tirá-lo do ambiente secular, das vaidades do mundo, e conduzi-lo ao santo estado da vida religiosa. Quando as pessoas nos procuram com grande desejo, não se pode perdê-las ou afugentá-las. Ao contrário, a fim de afastá-las do mundo ocorre enfrentar até a morte corporal. Tal é a bebida que o Filho de Deus nos pedia sobre a cruz. (Carta 8, p.32).

Não julgar os filhos de casamentos ilegítimos

Deus não ama menos quem é concebido no pecado mortal, do que a pessoa nascida em matrimônio(legítimo). Nosso Deus ama os desejos santos e bons. (Carta 8, p.33).

Tudo o que Deus faz é por amor

Tudo qo que Deus faz é por amor, para que sua verdade se cumpra em nós. A pessoa se torna paciente, nada a perturba. Alegra-se com o que Deus permite que lhe aconteça. Com paciência verdadeira e santa, suporta enfermidades, perda de bens(materiais), de posições sociais, de parentes, de amigos. (Carta 9, p.36).

Quatro passos para ter paciência

1°. Passo: a primeira coisa é possuir a iluminação da fé. Com a luz dessa virtude conseguiremos todas as outras; sem ela,andaremos no escuro, com um cego, para quem o dia torna-se noite. Para a pessoa sem fé, tudo o que Deus faz por amor na claridade da luz, torna-se escuridão, trevas de ódio, pois a pessoa pensa que é por ódio que Deus permite os sofrimentos e as dificuldades. Vede como precisamos da luz da fé! (Carta 13, p.46).

2°.Passo: A segunda coisa é crer firmemente que Deus existe e que tudo vem dele, menos o pecado que é algo negativo. Não vem de Deusa má vontade do pecador. O restante – quer provenha do fogo, da água, da morte ou de qualquer outra coisa – vem de Deus. Diz Jesus no Evangelho que sem a providência divina não cai uma folha das árvores. E diz ainda que os cabelos da nossa cabeça estão todos contados, e que nenhum deles cai sem que Deus o saiba(Mt 10, 29). Ora, se Jesus fala assim a respeito das coisas materiais, com maior razão cuida de nós, criaturas racionais. Em tudo o que nos manda ou permite, Deus usa da sua providência. Tudo é feito por Deus com mistério e amor. Jamais por ódio! (Carta 13, p.46).

3°.Passo: ocorre entender na fé que Deus é bondade suprema e eterna, que ele somente quer nosso bem. Desejo de Deus é que nos santifiquemos. Tudo o que ele nos manda ou permite tem essa finalidade. Se duvidarmos disso, erramos. Basta pensar no sangue do humilde e imaculado Cordeiro, transpassado pela lança, sofrido, atormentado. Entenderemos que o Pai eterno nos ama. Por causa do pecado, nos tínhamos tornado inimigos de Deus. Amorosamente, o Pai nos deu o Verbo, seu Filho unigênito. Este último entregou por nós sua vida, correndo para uma vergonhosa morte de cruz. Por qual razão?Por amor à nossa salvação. Como vedes, o sangue de Jesus dissipa toda dúvida em nós, de que o Pai queira outra coisa além da nossa santificação. (Carta 13, p.47).

4°. Passo: A quarta coisa necessária para se tornar paciente é esta: refletir sobre os próprios pecados e defeitos, sobre o quanto já ofendemos a Deus. Ele é o Bem infinito.(…) Por nós mesmos,nada somos. Em tal situação e merecendo um castigo eterno. Deus nos purifica aqui na terra. Mais ainda.Se aceitamos o sofrimento purificador com paciência, alcançamos méritos. (Carta 13, p.48).

Devemos ajudar o próximo

Jamais devemos deixar de praticar o bem em favor do próximo,qualquer que seja a sua situação. Toda boa ação é recompensada, assim como toda culpa é punida. Quando a recompensa não é a vida eterna, Deus dará à pessoa mais templo de vida, para que possa corrigir-se ou ser retirada das mãos do diabo por um dos seus servidores ou então conceder-lhe riquezas. (Carta 19, p.62).

O exemplo de Jó

Não abandoneis a disciplina da fé em Deus, mas confiai(nele). Quando cessam os auxílios humanos, perto está o auxílio divino. Lembrai-vos de Jó, que perdeu os bens, os filhos, a saúde.Somente lhe ficou a mulher para atormentá-lo. Após ter posto à prova sua paciência, o Senhor lhe deu o dobro e por fim, a vida eterna. O paciente Jó não se perturbou. Praticava sempre a virtude da paciência e dizia: “Deus me deu, Deus tirou. Bendito seja o nome de Deus”(Jó 1,21). Quero que façais a mesma coisa, querido irmão. Amai a virtude, tende paciência,confessai-vos sempre. Isso vos ajudará a suportar as dificuldades. Garanto-vos: Deus usará de benignidade, misericórdia e recompensará por todo sofrimento suportado no seu amor. (Carta 20, p.65).

Devemos amar sempre

Vós sabeis que todos nós somos devedores para com Deus. Tudo o que possuímos foi-nos dado gratuitamente e por inestimável amor. Sem que pedíssemos a Deus que nos criasse, ele nos fez à sua imagem e semelhança, motivado pela chamado seu amor, e nos criou em altíssima dignidade. (…)Eis a dívida que temos com Deus! Dívida a ser paga em moedas de amor, pelo amor. É conveniente e justo que uma pessoa, amada, também ame. (Carta 21, p.66).

Confissão

Se mudardes de vida para o restante dos vossos dias, Deus vos perdoará, pois é misericordioso e benigno. Bondosamente vos receberá em seus braços(cf.Lc15, 20). E vos fará participar do prêmio, alcançado pelo sangue do Cordeiro em grande chama de amor. Ninguém é tão pecador, que não alcance misericórdia. A misericórdia divina é muito maior que nossas maldades. Mas sob a condição de que desejemos nos corrigir na santa confissão,com o propósito de preferir a morte ao vômito(Pr 26, 11). Assim fazendo, reconquistareis vossa dignidade perdida pelo pecado e pagaremos nosso débito com Deus. (Carta 21, p.68).

Nosso coração é como uma lâmpada

A lâmpada significa o coração, o qual tem a forma de uma lâmpada. Bem sabes que a lâmpada é larga no alto e estreita embaixo. Também nosso coração é assim, para indicar que devemos possuí-lo espaçoso, em cima,para os bons pensamentos, as santas imaginações e a oração contínua, retendo na memória, continuamente, os favores divinos, sobre tudo os benefícios do sangue com que fomos remidos. Minha filha!(…)Recorda-te, porém, minha filha, que tudo isso não basta se faltar óleo na lâmpada. Com a palavra “óleo” entende-se uma delicada e oculta virtude, a grande humildade. Pois a esposa de Cristo tem de ser humilde,mansa e paciente. Tão humilde quanto paciente, tão paciente quanto humilde. Mas nunca alcançaremos a humildade sem o autodomínio. Diz o evangelho(Mt 25,2) que as virgens prudentes eram cinco. Pois bem, eu te afirmo que cada um de nós há de “ser cinco”, sob pena de ficar excluído das núpcias eternas.A palavra “cinco” significa nossa obrigação de dominar os cinco sentido corporais,jamais ofendendo a Deus com eles, na procura de afeições ou prazeres desordenados com todos ou algum deles. Seremos “cinco”, dominando os cinco sentidos do corpo. Mas recorda-te: o esposo Jesus Cristo é ciumento de suas esposas; eu nem saberia dizer quanto!Se notar que tu amas outras pessoas mais do que a ele, ficará indignado contigo. E se não mudares(eu comportamento), para ti não será aberta a porta do lugar onde o Cordeiro imaculado celebra as núpcias com todas as suas esposas. Quais adúlteras, seremos rechaçadas à semelhança daquelas virgens imprudentes. Elas se gloriavam única e totalmente de sua integridade e virgindade corporal; por isso perderam a virgindade da alma, pela corrupção dos cinco sentidos do corpo. Faltava-lhes o óleo da humildade e suas lâmpadas se apagavam. Então, foi-lhes dito: “Ide comprar óleo”(Mt 25, 9). Nessa passagem o “óleo” indica os atrativos e engodos mundanos, vendidos pelos aduladores e lisonjeadores do mundo. Como se o esposo dissesse: “Não quisestes comprar a vida pela virgindade e boas obras; preferistes os galanteios humanos e por ele vivestes. Ide comprá-los. Aqui não entrareis.(Carta 23, p.74-75).

Importância da correção

Qual verdadeiro pastor, entregai se for preciso a vossa vida pelas vossas ovelhas. Corrigi os vícios, confirmai a virtude dos bons. A ausência de correção corrompe, como faz um membro infeccionado no corpo da pessoa doentia.(Carta 24, p.77).

Jesus foi manso e humilde de coração

Jesus foi humilde e manso. Jamais se ouviu um grito seu de revolta. Cristo se abriu em plenitude ao amor. Apaixonado pela nossa salvação, Jesus não pensou em si, mas na glória do Pai e na salvação dos homens. Não recusou a dor. Até a procurou. Como é impressionante ver o bondoso Jesus, que governa e sustenta o mundo inteiro, vivendo ele mesmo em grande necessidade. (Carta 29, p.98).

O pecado consiste em amar aquilo que Deus odeia

“A maior vileza ninguém poderia descer. O pecado consiste no amar aquilo que Deus odeia, e no odiar aquilo que Deus ama.”(Carta 29, p.99).

Olhar a rosa em vez dos espinhos

Por certo o caminhante verá espinhos, que são as numerosas tribulações, os enganos do demônio e a soberba do mundo. Mas não se ocupa com isso. Faz como o jardineiro que colhe a rosa perfumada e deixa os espinhos. Assim a alma colhe a flor perfumada da perfeita paciência e deixa para trás as tribulações e angústias do mundo, enquanto fica o olhar no Cordeiro, que caminha à frente de todos. (Carta 29, p.100).

Elogiar e corrigir

Como diz São Bernardo: “O amor que te elogia não te engana; o que te corrige não te quer mal.” Comportai-vos, pois, virilmente com correções e elogios, como ocorre fazer em vosso estado. Não sejais negligente em corrigiras falhas. Sejam pequenas ou grandes, puni-as de acordo com a capacidade da pessoa. Se alguém é capaz de suportar apenas dez,não lhe imponhais vinte. E diminui o que for possível.(Carta 30.p.106).

Devemos confiar plenamente em Deus

A tristeza é fruto unicamente da confiança que depositamos nas criaturas.(…) Ao se apoiar nas criaturas, nosso coração não se sente seguro. A pessoa humana hoje está viva; amanhã, morta. Se queremos repouso,temos de depositar o coração e a alma em Cristo crucificado mediante a fé e o amor. Somente assim teremos a alma repleta de alegria.( Carta 31, p.108-109).

Devemos amar a Deus sem interesses

Temos de amar a Deus unicamente por causa de Deus, bem supremo e digno de ser amado por si mesmo. Temos a obrigação de amar a Deus, também sem nada dele recebermos.(Carta 35, p.119).

Siga firme na sua vocação sacerdotal

Deus nunca imporá a vós pesos superiores à vossa capacidade. Com semelhante amor respondei ao demônio, quando vos sugerir no pensamento: “Tu não suportarás as dificuldades, os compromissos da ordem, o peso da obediência; ou “É melhor que vás embora e vivas na caridade comum(leigos)”. Ou ainda: “É melhor que passes a viver em outra ordem, menos rígida, em que seja mais fácil salvar a alma.” Nunca se deve acreditar no demônio. É preciso ter fé e perseverar na vocação até a morte.(Carta 35, p.120).

Uma cilada do mal

Sob a aparência de servir ou de desservir a Deus está somente e nossa vontade. Se tu, religioso, queres agir segundo a tua vontade, o demônio nem te procurará para sugerir coisas grandiosas, coisas já deixadas no mundo. Apenas te fará pensar: “Parece que estou sentindo mais paz e amor a Deus naquele outro lugar, que neste”. Então o religioso desobedece revoltado. Desse modo,ao procurar a paz, afasta-se dela. A melhor atitude é renunciar à vontade própria e nada procurarem benefício próprio.A melhor atitude é procurar fazer a vontade divina e a vontade da ordem, obedecendo ao prelado.(Carta 36, p.126).

Prudência

Quantas “colunas” (da vida religiosa) vimos ruir por terra, por ficarem andando e viverem fora das suas celas, em tempos proibidos e contrários à regra. Se tal coisa acontece por obediência ou por algum motivo de verdadeira e expressa caridade, a alma não sofre danos; mas sofre quando é por irreflexão ou mera vontade de cuidar dos outros, razões com que o demônio ilude o ignorante a permanecer fora da cela. A pessoa não entende que a caridade leva antes a cuidar de si, isto é, a não se prejudicar com atividade culpável, a não impedir a perfeição pessoal com a justificativa de ser útil aos outros. (Carta 37, p.128).

Pureza

A pureza da alma e do corpo decai se houver exagerado relacionamento com pessoas, se nos apegamos por afeto a pessoas e coisas em oposição à vontade divina; ouse houver em nós egoísmo e pena do nosso corpo. A pureza supõe ainda muito esforço na oração e nas vigílias, na lembrança contínua do Criador, na contínua lembrança do seu amor por nós.(Carta 40, p.145).

Quem ama o mundo, nele somente encontra sofrimento

Se a pessoa ama o mundo, nele somente encontra sofrimento, porque, pelo pecado, o faz germinar tribulações e males com grande amargura. Nossa carne somente produz mau cheiro, pecado, corrupção. Ao conformar-se com os desejos carnais e a paixão sensível, a alma se envenena e se intoxica mortalmente, pois perde a vida da graça pelo pecado mortal. Eis o que a pessoa recebe do seu amor terreno: vive triste, torna-se insuportável a si mesma. De fato, o próprio Deus permitiu que o afeto desordenado se tornasse insuportável a si mesmo.(Carta 44, p.154).

Amizade

Que vossa amizade seja com pessoas que de fato amam a Deus.(Carta 49, p.165).

Como receber os frutos da pregação

Ao recolher os frutos da pregação, oferecei-os ao Pai eterno, honrando-o e glorificando-o sem apegos e complacências pessoais. Se não agirdes assim, sereis um ladrão a roubar o que pertence a Deus. (Carta 52, p.179).

Deus deseja a nossa santificação

Algumas vezes Deus permite que sejamos perseguidos pelo mundo,que as pessoas nos injuriem ou que o superior nos imponha alguma obediência. Mas não damos valor à vontade divina, que deseja nossa santificação. Não refletimos que o Senhor permite por amor o acontecido. Julgamos a intenção das pessoas, ficamos descontentes com o próximo e pecamos, contra ele e contra Deus.(Carta 56, p.191).

Santa Catarina de Sena elogia Santa Inês

Inês possui o que toda esposa,desejosa de imitar o humilde esposo (Jesus), deve ter. Inês tinha em si a caridade incriada, fogo que ardia continuamente e consumia seu coração. Inês possuía um zelo ardente pela salvação das almas e aplicava-se à vigília de oração.

Aliás,se agisse de outro modo não seria humilde, pois sem amor não existe humildade. Uma virtude alimenta outra. Sabeis por que Inês atingiu a perfeição dessas virtudes?Pelo seu despojamento livre e voluntário,renunciando a si mesma,aos bens materiais e a qualquer posse. Aquela virgem entendeu que a posse de bens torna a pessoa orgulhosa, sem humildade, egoísta, sem amor, sem vigílias, sem oração. Qualquer coração repleto de coisas terrenas e de egoísmo não consegue encher-se de Cristo crucificado, nem saboreia a sua vida de da oração. Sabedora disso, Inês despojou-se de si e revestiu-se de Cristo crucificado.(Carta 58, p.196).

O sacerdote tem que perdoar sempre

Deveis fazer a Eucaristia, portanto, com pureza de mente e de corpo, tendo o coração em paz, sem rancor e ódio na alma.(Carta 59, p.197).

Não julgar as pessoas

Esteja na tua boca o silêncio, com uma santa reflexão sobre a virtude e o horror do vício. Quanto ao vício que te pareça notar em outra pessoa, assume-o também para ti,usando sempre uma grande humildade. Se aquele vício estiver compreendida. Então, ela mesma te falará sobre aquilo que desejavas falar-lhe. E tu te sentirás segura, cortarás o acesso do demônio, que não poderá enganar-nos ou impedir a perfeição de nossa alma.(Carta 65, p.219)

Confissão e Misericórdia

Ergue-te pois numa chama de amor, caríssima filha. Não vivas com escrúpulos, mas diz a ti mesma: “Que comparação existe entre meus pecados e a abundância do sangue de Cristo,derramado em tão grande chama de amor”? Quero que olhes para o teu nada, para a tua negligência,para a tua maldade; mas não com escrúpulos e sim conhecendo a bondade divina presente em ti. O que o demônio quer, é que só olhes para as tuas falhas,sem ver qualquer outro aspecto. Um aspecto que ocorre considerar é a esperança na misericórdia de Deus.(Carta 73, p.248-249).

Devemos amar o próximo

Seguireis, pois, o ensinamento de Cristo crucificado, que por amor de Deus Pai e pela nossa salvação ofereceu a vida e,apaixonadamente, correu ao encontro da horrível morte de cruz. Como ele não desistiu de nos salvar por causa dos sofrimentos,acusações e ingratidões nossas, o mesmo devemos fazer nós. Por nenhum motivo devemos deixar de auxiliar o próximo em suas necessidades espirituais e materiais, sem visar interesses pessoais ou procurar consolações aqui na terra. Apenas devemos amparar o próximo, e socorrê-lo, porque Deus o ama. Desse modo cumprireis o preceito do amor ao próximo e o meu desejo.(Carta 78, p.265).

Tende um único diretor espiritual

Se a pessoa procura diversos conselheiros,desejará seguir a opinião de todos e, no fim, sua alma estará vazia. Portanto, o melhor e o mais necessário é que a pessoa escolha um conselheiro e procure ser perfeita naquilo que ele disser.(Carta 82, p.279).

Obediência religiosa e tentações do demônio

Com sua maldade, o demônio quer levar-nos ao desprezo da oração e da obediência, infundindo em nós um sentimento de incapacidade de perseverar na obra começada e de suportar as exigências da ordem religiosa. Uma simples palha nos é apresentada como se fosse uma pesada trave; uma simples palavra, dita em momentos difíceis, parece um punhal. Dizem ao religioso: “Que fazes no meio de tantos sofrimentos? É melhor que procures outro modo de viver”. Mas, neste caso trata-se de uma batalha, difícil de vencer, apenas para quem não tem cabeça. O religioso sabe muito bem que lhe convém, perseverar na boa obra começada.(Carta 84, p.286).

Somente Deus é capaz de saciar-nos

Somente Deus pode saciar a pessoa humana. Nele o homem se tranqüiliza, nele repousa, pois tudo o que deseja está em Deus. (Carta 111, p.372).

Não faleis mal do próximo

Com respeito e paciência, suportai toda dificuldade, injúria, maledicência, e tudo mais. No que se refere aos servidores de Deus, dai-lhes conselhos, mas sem criticá-los. (Carta 124, p.421).

Não devemos olhar para atrás

A expressão ‘olhar pra trás’ tem dois sentidos: O primeiro, quando a pessoa deixa a podridão do mundo e volta a pensar e desejar o que abandonou. Quem faz isso não progride. Pelo contrário, volta ao que vomitou. Por isso Cristo disse que ninguém deve segurar o arado e olhar para trás(Lc 9, 62). (Carta 126, p.425).

Deus não está nas Festas frívolas

Sabeis que Deus não se encontra nos prazeres e deleites.Quando Jesus se perdeu no Templo, indo à festa(as Páscoa), Maria não o pôde achar entre os parentes, mas ocupado na casa de Deus a disputar com os doutores da lei. Ele fez isso para dar-nos o exemplo. Cristo é a norma e a vida que devemos seguir.(…)Deus não está nas festas, nos bailes, nos jogos, nos banquetes nupciais e nos folguedos. (Carta 166, p.538).

A vontade humana é invencível

A vontade humana é muito forte. Tanto o demônio, como outras criaturas não tem o poder de obrigar a vontade a consentir no pecado ou na virtude, se a pessoa não quiser.(Carta 160, p.548).

Recomendações sobre Jejum

Quando não puderes jejuar, não jejues. E quando puderes faz jejum no sábado. Quando passar este calor. Se puderes, jejua nas vigílias das festas de Maria. E nunca bebas somente água.

Evitar as más amizades

Com a iluminação divina veremos como é perigosa a convivência com pessoas que vivem sem o temor de Deus, pois tal convivência será a base da nossa ruína (espiritual). Convivência desse gênero torna insensível a consciência, diminui a vida de oração, acaba com a abstinência e o fervor, aumenta o amor pelos vãos prazeres mundanos, rouba-nos a santa humildade, elimina a honestidade, desperta os sentimentos materiais, cega nossa inteligência, como se a pessoa jamais tivesse conhecido o Criador. Dessa maneira, aos poucos a pessoa se despreocupa e se transforma de anjo terrestre em demônio infernal.

E onde ficou a pureza que costumavas ter?
Onde o desejo de sofrer por Deus?
Onde ficaram as lágrimas que costumavas derramar diante de Deus na oração humilde e contínua?
Onde a caridade fraterna, que demonstravas por todas as pessoas?
NADA RESTOU…..
Porque o diabo furtou através dos falsos amigos.

Desconfiai de vós mesmos, ao dizer: “Eu sou forte, não tenho medo de que estes me façam cair”. Por amor de Deus, não penseis assim! Com humildade reconheçamos que, se Deus não nos sustentar, seremos demônios encarnados. (Carta 190, p.617).

Procurai boas amizades

Que a vossa convivência seja com pessoas que temem e amam a Deus realmente. Elas aquecerão toda frieza dos nossos corações e, com raciocínios sobre Deus, lembrando-nos sua bondade e seu amor, amolecem a dureza deles. (Carta 190, p.618).

Lutar contra a pessoa e não contra o pecado

Uma alma não se escandaliza,nem faz guerra contra a pessoa do próximo, mas somente contra o pecado. (Carta 199, p.648).

Os ensinamentos de Cristo

“Digo-vos que abrais os ouvidos para escutar o ensinamento(de Cristo): pobreza voluntária, paciência diante das injúrias, pagar como bem o mal que nos fazem, ser pequeno, humilde, desprezado, esquecido no mundo, suportar zombarias, vexames, grosserias, difamações, críticas, tribulações e perseguições do mundo.” (Carta 226, p.745).

Devemos pedir com prudência

Procurai primeiro o reino do céu. Das coisas pequenas, o Pai sabe que tendes necessidade.”(cf. Mt 6, 33). (Carta 266, p.873).

Nunca deixar de comungar por falsa humildade

Afirmei que não devemos imitar, nem quero que imiteis muitos leigos muito imprudentes , que desprezam o mandamento da Santa Igreja dizendo:”Eu não sou digno de comungar”. E assim passam longo período de tempo com pecado mortal na consciência, sem o alimento das almas. Tola humildade! Quem não sabe que não és digno? Nem esperes ser mais digno no fim do que no começo. Com toda a nossa santidade, jamais seremos dignos de comungar. (Carta 266, p.875).

Tentações de desanimo

Porque acontece muitas vezes que alguém se cansa em determinado trabalho(apostólico) e depois vê que não é realizado na maneira planejada.Então, a pessoa se entristece, pensando interiormente:”É melhor para ti abandonar esse trabalho, que não consegues realizar.Procura viver em paz e no sossego da mente.” Em casos assim(…)deve desprezar as consolações espirituais e dizer: “Não quero abandonar esse trabalho(apostólico), nem fugir do cansaço, pois não mereço paz e sossego da mente. Quero continuar no cargo para o qual fui escolhido, quero trabalhar vigorosamente pela glória divina, quero fatigar-se em favor do próximo.às vezes o demônio, afim nos levar ao desânimo nesses trabalhos, ao notar nosso pensamento um tanto indeciso, sugere: “Neste trabalho de apostolado estou mais pecando do que tendo merecimento. Estou com vontade de abandoná-lo, não por cansaço, mas para não pecar.” Ò pai caríssimo, quando o demônio sugerir ao vosso coração e à vossa mente tais pensamentos,não deis valor nem a vós, nem ao demônio. (Carta 266, p.921).

A confissão feita te a absolvição dos pecados garantida

A subtil engano do demônio é este. Certa vez a pessoa confessou claramente seu pecado, sem esconder sua maldade. Para confundir-lhe a mente e para que a alma não receba com ardor no coração o merecimento da confissão, o demônio procura convencê-la deque não confessou bem o seu pecado, dizendo: “Tu não confessaste todos os teus pecados e não explicaste como devias aqueles que contaste”. Que fazer para que ela não caia no desespero? Só existe uma solução:fazer a alma escutar a voz da própria consciência na iluminação da fé. A consciência dirá que não ocultou voluntariamente e com malícia o veneno da culpa,deixando de contá-la na confissão. (…)Outra solução é fazer a pessoa refletir que Deus ama, inefavelmente, com amor que não desprezará o testemunho da boa consciência e não dirá que ficou na alma alguma coisa que o ofenda. (Carta 343, p.1.141).

Cilada do demônio

Outras vezes,sugerindo, o demônio que a pessoa deseje a morte do próximo, para viverem paz e tranqüilidade na mente. E o diabo apresenta tantas razões, que a pessoa termina desejando isso com grande intensidade, a tal ponto que ninguém consegue fazê-la mudar, impedida que está pela cegueira, pela sensualidade, pela raiva e pelo desgosto, que lhe impedem de ver seu erro. (Carta 354, p.1.199).

Amizades

Deixai a amizade com os amigos do mundo e deleitai-vos com a companhia dos servidores de Deus. (Carta 380, p.1.295).

Bibliografia: Cartas de Santa Catarina de Sena. Editora Paulus.


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