Biografia dos Santos

São Domingos de Gusmão

Posted on: maio 24, 2010

Família

Dom Félix de Gusmão e Dona Joana de Aza formaram um casal feliz. Seus filhos Antonio, Mares e Domingos são o melhor testemunho de vida conjugal que Deus chamou a Seu santo serviço. Antonio foi sacerdote e dedicou sua vida ao serviço dos pobres e doentes num hospital. Domingos, o caçula da família, também foi escolhido por Deus para ser sacerdote da Diocese de Osma, e Pai e Fundador da grande Família Dominicana. Manes seguiu os passos de seus irmãos. Vestiu o hábito de irmão pregador e se dedicou ao anúncio da Palavra de Deus. (p.16)

A mãe tem um sonho que revela a missão de São Domingos

Dona Joana era uma mulher…muito querida por ser compassiva e generosa com os pobres e necessitados. (p.19)

Contra a tradição que Dona Joana, quando grávida de Domingos, certa noite sonhou que dava à luz um cachorro branco e preto que segurava na boca uma tocha, com a qual ia incendiando o mundo por onde passava. Preocupada com um sonho tão singular, foi visitar o mosteiro de São Domingos de Silos, próximo a Caleruga, e pediu ao monge que fizesse a interpretação daquele sonho. Na intimidade de sua oração, ouviu a seguinte resposta: “Seu filho será um fervoroso pregador do Evangelho e com sua palavra atrairá muitos à conversão e alertará os pastores da Igreja contra seus inimigos”.  (p.20)

Esta resposta tranqüilizou Dona Joana, que esperou pelo tempo em que o Senhor cumpriria o Seu desígnio. Por isso, os escultores e pintores representam São Domingos de Gusmão acompanhado de um cão com uma tocha na boca, com uma significativa legenda: “Domini canis”, isto é “Cães do Senhor”. (p.21)

O batismo

O menino do sonho misterioso nasceu a 24 de junho de 1170. Foi batizado na Igreja paroquial de São Sebastião de Caleruega e, em gratidão a São Domingos de Silos, seus pais lhe puseram o nome de Domingos. (p.22)

Durante a cerimônia do Sacramento do Batismo, sua mãe viu uma luz à frente do menino, com um resplendor extraordinário. Desde então, essa luz nunca mais deixou de iluminar seu rosto. Depois de cinqüenta anos, irmã Cecília  Romana, discípula de São Domingos, escreveu: “De sua face saía certo resplendor que seduzia a todos e arrastava-os ao seu amor e reverência”. Esta maravilhosa graça é representada por uma estrela na testa de Domingos; por isso, a liturgia dominicana canta: “Oh! luz da Igreja, doutor da verdade…pregador da graça…” (p.23)

Milagre do vinho

Joana era muito compreensiva…vendo a miséria dos pobres, doava muito de seus bens, distribuía também vinho de um certo tonel…(p.24)Nestas circunstâncias, chega Dom Félix, cansado…Dona Joana não tem uma gota de vinho para oferecer ao seu esposo, pois tinha dado tudo aos pobres. Naquele momento, lembra-se da maravilhosa passagem bíblica das Bodas de Caná da Galiléia e, tomando o menino Domingos nos braços, prostra-se em oração. Deus escuta seus pedidos e premia sua caridade, fazendo aparecer vinho no tonel…e logo veio o elogio do velho espanhol: “Dona Joana, que vinho tão saboroso!”… (p.25)

O estudo da “Lectio divina”

O estudo da “sagrada página” ou “lectio divina”, como se custumava chamar o estudo da Teologia na época, ocupava-lhe todo o dia e parte da noite. Verdadeiramente, era incansável quando se tratava de estudo. Era um estudante austero e mortificado. Abstinha-se de beber vinho e daqueles passatempos que a juventude apreciava. Domingos vivia atento às necessidades do próximo e sentia-se profundamente solidário com os sofrimentos do outro. Fez de sua casa, a “casinha de esmola”, o dispensário onde os pobres podiam encontrar alimentos, roupas e até dinheiro para comprar a liberdade de algum cristão cativo dos mouros. (p.37)

Os seus livros foram entregues parar ajudar os pobres

O método seguido na época obrigava a estudar os comentários bíblicos dos Santos Padres. As questões de difícil interpretação eram submetidas a uma disputa pública, …(que) terminava com o ditado de alguns comentários explicativos, chamados “glosas”. O aluno copiava-os em tábuas de cera e, ao voltar para casa, transcrevia cuidadosamente em seus livros de pergaminho, especialmente preparados com couro de cabra; eram, pois, muito valiosos. (p.34)

Comovido pela extrema situação dos pobres, entregou tudo o que possuía e, quando já não tinha o que repartir, não duvidou em vender os seus livros de pergaminho, escritos por seu próprio punho. Quando seus mestres e companheiros tentaram impedi-lo, Domingos respondeu: “Não quero estudar com peles mortas, enquanto os homens morrem de fome”. (p.39)

A humildade de São Domingos de Gusmão

Certo dia, uma pobre mulher apresentou-se a Domingos, suplicando-lhe, com lágrimas nos olhos, uma ajuda em dinheiro, para resgatar seu irmão, feito prisioneiro pelos mouros. Naquele momento, Domingos estava sem dinheiro e não sabia como ajudá-la. Então, “cheio do espírito de caridade, colocou-se à venda para resgatar o prisioneiro”…Assim, Domingos entendeu que o povo necessitava de outro tipo de ajuda. Oportunamente, Deus enviar-lhe-ia um mensageiro para ensiná-lo. (p.40-41)

São Domingos, Cônego Regular

Na Universidade, Domingos conheceu e fez amizade com seu professor, Diego de Acevedo, cônego e prior do Cabido de Osma. A ele abriu seu coração e manifestou o desejo de ser sacerdote…(p.44) Desde aquele dia, Domingos começou a pertencer ao Cabido de Osma. Professou e jurou observar a Regra de Santo Agostinho, vestindo o hábito dos cônegos regulares…Desse modo, Domingos, incorporou-se definitivamente nesta feliz comunidade, no ano de 1196, com apenas vinte e seis anos de idade…Por sua profissão religiosa, renunciou à posse de bens. Visto ser de uma família rica, poderia herdar muitos bens e comodidades próprias de sua condição social. Deste modo, Domingos entrou pelo caminho estreito do segmento de Cristo, “que sendo rico se fez pobre por nós, para nos enriquecer com sua pobreza”. (p.45)

De acordo com seu novo estado de vida, Domingos passava longas horas do dia e da noite em oração e em discernimento dos projetos de Deus sobre sua vida. (p.47)

Compaixão de São Domingos Gusmão

Domingos, cuja vida estava plenamente identificada com a de Cristo, “se comovia até a alma e chorava” pelos pecadores, pelos pobres, pelos doentes…

Em suas orações aos pés do sacrário, torrentes de lágrimas banhavam seu rosto, e seus irmãos podiam ouvir os gemidos de sua alma, aflita pelos sofrimentos da humanidade. (p.52)

Suplicava entre soluços: “Senhor, que será dos meus irmãos pecadores?” Este era o gemido freqüente de sua alma… (p.114)

Facilmente concede dispensa a seus irmãos, porém não se dispensa a si mesmo jamais. Tanto saudável quanto doente, observava todos os jejuns prescritos pela Regra. (p.173)

“O Prior tenha no seu convento a faculdade de dispensar os irmãos, quando achar conveniente, principalmente aquele que impede o estudo, a pregação, e a salvação das almas; portanto, nosso empenho deve dirigir-se, em primeiro lugar e com plena dedicação, que possamos ser úteis as almas do próximo”. (p.177)

Domingos não só pregava ao povo e aos hereges “quase que diariamente”, mas também aos irmãos. Queria que sua pregação fosse uma contínua conversão de todos. (p.179)

Ordenação Sacerdotal

A ordenação sacerdotal de Domingos, aos 25 anos, veio dar resposta à sua inquietude. O seu sacerdócio deu-lhe a faculdade de pregar o Evangelho. (p.55)

O dono da hospedaria convertido

Dom Diego, Domingos e sua comitiva foram acolhidos numa hospedaria, de acordo com a dignidade de uma comitiva real. O cansaço de uma longa viagem a cavalo, não foi impecilho para que Domingos dedicasse seu tempo em conversar com as pessoas que ali se encontravam. O hospedeiro, escandalizado e confuso, ao ver o..bispo cavalgando em cavalos adornados, disse a Domingos:

-Devemos evitar a riqueza, porque a matéria é má e devemos viver segundo o Espírito.

-Você parece ser um cátaro, disse Domingos.

-É verdade, disse o hospedeiro.

-Diz-me, irmão – argumentou amavelmente Domingos – se a carne é má, por que o Verbo de Deus tomou nossa carne?…

O hospedeiro refletiu alguns instantes e, não encontrando resposta, disse em meia voz:

-Talvez tenha razão…deixe-me pensar…

O dialogo se prolongou até o amanhecer…Domingos dava graças a Deus pela alegria de haver resgatado para a Igreja, um irmão que andava pelos caminhos do erro. (p.60-61)

O milagre dos escritos de São Domingos Gusmão

Naquela noite, os cátaros, sentados ao redor de uma fogueira, liam e comentavam os argumentos propostos por Domingos. De repente, surgiu a idéia de recorrer ao “Juízo de Deus”, próprio da época, para saber por meio de um milagre quem estava com a verdade. Para isso, deveriam jogar na fogueira o escrito de Domingos, juntamente com o do herege. Disseram: “aquele que saísse ileso da fogueira, seria reconhecido como portador da verdade. Havia chegado a hora em que o Senhor cumpriria sua promessa: “Ao serem julgados, não sois vós que falareis, mas o Espírito do pais que falará em vós”. (Mateus 10, 20). Sem discutir nem fazer mais preâmbulos, os cátaros lançaram ao fogo os escritos de Domingos e os seus. Para confusão de todos os presentes, o pergaminho de Domingos saiu voando aos ares…como se a maravilha que viram não os convencessem, insistiram: “Lancemos novamente ao fogo e assim comprovaremos a verdade, plenamente”. Pela segunda vez o pergaminho de Domingos foi lançado fora das chamas, sem se queimar. Não satisfeitos com o que viam, disseram: “Lancemos ao fogo pela terceira vez e então conheceremos a verdade, sem nenhuma sombra de dúvida”. E pela terceira vez o escrito de Domingos saiu intacto das chamas…No dia seguinte, os juízes cátaros se abstiveram de deliberar e ditar sentenças. Simplesmente sentiram-se derrotados e envergonhados. O pergaminho que continha os argumentos e respostas de Domingos desapareceu nas mãos do pregadores cátaros; porém, a verdade do sucedido transcendeu e impactou a muitos. O broche de ouro daquela disputa maior foi a conversão de cento e cinqüenta cátaros, que pediram para voltar ao redil da Igreja. (p.95-98)

A vivência da pobreza

Iam de lugar a lugar como os Apóstolos: a pé, descalços, pregando a Boa-Nova e mendigando o pão de porta em porta. (p.99)

A missão em Prouille

Daquela altura, contemplou a planície bem cultivada e viu oculta entre as árvores, a aldeia de Pruille,..(p.100)

Conta a tradição que, durante três dias, Domingos viu arder sobre a cidade um globo de fogo; foi então que entendeu que Prouille estava marcada com o dedo de Deus para ser o centro de seu apostolado e o berço de sua Ordem. (p.101)

A morte de seu amigo Diego

A morte de Diego, seu bispo e companheiro de pregação, longe de desanimar Domingos, reafirmou sua obra apostólica. Com perseverança e audácia, continuou pregando a Palavra de Deus em debates públicos e, no entardecer de cada dia, retornava a Prouville…(p.108)

O milagre da barca

A barca seguia sobrecarregada e, quando menos esperavam, naufragou em frente à capela de Santo Antonio Abade de Toulouse. Os náufragos, em desespero, começaram a pedir auxílio aos gritos. Domingos, que orava na capela, saiu correndo para socorrê-los. Ao ver que estavam sendo arrastados pela corrente do rio, orou suplicante. Com os braços abertos em direção aos céus, fez com que as vítimas nadassem em direção à orla, sãos e salvos. (p.117)

O exemplo de alegria de São Domingos de Gusmão

Quando tropeçava e caia, levantava-se contente, dizendo: “uma penitência a mais”. (p.124)

Sabia vencer o sono

Em qualquer estação do ano, ele se encontrava no templo orando, diante de Jesus Sacramentado, até altas horas da noite. Para não se deixar vencer pelo sono, recorria a estratégia de fazer orar todo seu corpo; de joelhos, em prostração,…com os braços em cruz, ou elevado até o infinito.Domingos não se acostumava dormir na cama; preferia deitar e descansar no chão, enquanto a comunidade dormia placidamente. (p.126)

Sofreu muitas perseguições dos cátaros

Domingos experimentou também as piadas, humilhações e maldades de seus inimigos. Nos povoados que missionava, principalmente em Carcassone, os cátaros o perseguiam constantemente. Onde o encontravam cuspiam-no, atiravam-lhe barro, o insultavam-no e jogavam palha seca pelas costas. Diante de tanto ódio, faziam tudo para ameaçá-lo de morte. Diante das ameaças, Domingos não fugia. Saía com seus passos naturais, com atitude de bondade e acolhida e respondia às suas ameaças, dando-lhes a razão de sua fé. (p.128)

Casa para acolher prostitutas

No verão de 1215, o bispo Folques de Toulouse entrega a Domingos a casa-lar de São Sernin para acolher moças pobres que haviam sido resgatadas da prostituição….se encarregou de cuidar de sua instrução e providenciar meios para que pudessem trabalhar e ganhar seu próprio pão.(p.132-133).

Nascimento da Ordem dos pregadores

No mês de abril de 1215, os padres de Toulose, Frei Pedro Seila e |Frei Tomás, eloqüentes pregadores, professaram o seguimento de Cristo vivendo o mesmo estilo de vida de Domingos….Em meados do mês de junho, do mesmo ano, a pequena comunidade, com residência em casa de Pedro Seila, recebe uma carta do bispo de Toulouse, na qual confere a Domingos a missão de pregar na sua diocese, e a autorização para fundar a Ordem dos Pregadores.(p.134-135). Inocêncio III acolhe o projeto de Domingos.(p.140).A falta de preparação adequada do clero fez com que o Concílio reservasse aos bispos o direito de pregar a Palavra de Deus….A tradição da época narra que o Papa Inocêncio III, intrigado com a posição do Concílio, que proibia a fundação de novas ordens religiosas, sonhou que a Igreja de São João de Latrão estava caindo, devido à quebra das estruturas, e que Domingos carregava nos ombros parte do edifício, evitando que a Igreja caísse por terra. O papa Inocêncio III reconheceu, neste sonho profético, que a Ordem que Domingos queria fundar seria uma coluna na Igreja. Por isso, mandou chamá-lo, aprovou sua proposta e o despediu com sua benção…Em meados de dezembro de 1215, o Papa manda chamar Domingos para comunicar-lhe que havia decidido aprovar validamente sua Ordem, como tinha feito com a Ordem de São Francisco de Assis.(p.143-146). Confirmação da ordem-Quando Domingos se dispunha a voltar a Roma, pra apresentar ao papa Inocêncio III o resultado da escolha da Regra…foi informado da morte do Pontífice, ocorrida em 16 de julho de 1216. Com a confiança no Senhor, Domingos apresentou-se ao novo Papa, Honório III…que..no dia 22 de dezembro de 1216…expedia a Bula de confirmação da ordem.(p.152). Em 11 de fevereiro de 1218, o Pontífice expedia a Bula, dando à Ordem o honroso título de “Irmãos da Ordem dos Pregadores”…com plena faculdade de exercer este ministério na Igreja e fora dela.(p.153);

Os mendicantes

O bispo Folques é consciente das limitações econômicas da nascente comunidade de irmãos pregadores; cria-se um fundo econômico, proveniente do dízimo paroquial, para o sustento dos irmãos….Domingos inicia a formação de novos irmãos pregadores, na escola da absoluta confiança na providência de Deus, vivendo na mendicância itinerante.(p.137).

Preparação teológica

Para desempenhar a missão de pregadores itinerantes, Domingos não descuidava da formação permanente de seus companheiros. Numa manhã d 1215, Domingos inscreveu seis dos seus irmãos na escola de teologia do professor inglês Alexandre Stavensby. Domingos queria que seus filhos estivessem em dia com as correntes teológicas, para o exercício da pregação… (p.139).No que diz respeito à formação espiritual, exortava os irmãos a serem: humildes…assíduos na oração, desprendimento total, sempre dispostos a renunciar a própria vontade, e executar com obediência voluntária ao que manda o prelado.(p.148).Observar o silêncio, nas horas e lugares destindos à oração e ao estudo; não falar mal nunca dos ausentes e guardar diligentemente os livros, roupas e outras coisas que estão a serviço da comunidade.(p.149).

O que deve fazer o diretor espiritual

O prior coloque, à frente dos noviços, um mestre diligente, para que os instrua nas coisas da ordem; afervore-os nas celebrações litúrgicas; corrija-os com palavras e com exemplos; proveja suas necessidades; ensine-os a serem humildes; proveja suas necessidades; ensine-os a serem humildes, a confessarem-se com freqüência e a viverem com desprendimento…Que ninguém julgue ninguém, porque o critério humano frequentemente se equivoca…Que se entreguem com empenho ao estudo…leiam e meditem algo e se esforcem para reter na memória quanto puderem.(p.150-151);

Visão dos apóstolos São Pedro e São Paulo

A aspiração missionária de Domingos era levar a Palavra de Deus a “todas as nações”, ao mundo dos crentes de Jesus Cristo. Certo dia, quando orava na Basílica de São Pedro, em Roma, teve uma visão dos apóstolos São Pedro e São Paulo. Parecia que Pedro lhe entregava o bastão e Paulo um livro, dizendo-lhe: “Vai  prega, porque Deus o escolheu para esse ministério”.

Ao mesmo tempo, parecia contemplar seus filhos espalhados por todo o mundo, indo de dois em dois, a pregar aos povos a palavra divina. De regresso a Toulouse, convoca todos os irmãos e lhes manifesta que, embora poucos em número, decidiu dispersá-los em diversas partes do mundo, bem convencido de que o grão espalhado frutifica, e que amontoado, apodrece. (p.156)

A cura de Frei Reginaldo

Estamos no ano de 1218. Domingos prega a quaresma em Roma. Entre seus ouvintes, está o cônego Reginaldo de Orleans..Sentiu-se comovido pela pregação de Domingos. Quando se dispões a visitar-lhe, cai gravemente enfermo. Domingos visita-o e anima-o. Como resposta, ouve de Reginaldo a firme decisão de renunciar à cômoda vida de cônego, para viver “como o Apóstolo”, pregando, em pobreza do Evangelho, aos povos mais necessitados da Palavra de Deus. Mais ainda, pede a Domingos que o admita em sua Ordem e faz a profissão de obediência em suas mãos. O enfermos se agrava. E é desenganado. Domingos passa a noite orando diante do sacrário e, ao amanhecer, Reginaldo está curado.

Conta a tradição que aquela noite, estando com febre. Ela apareceu-lhe Nossa Senhora ungindo-lhe com um certo bálsamo e disse: “Unjo teus pés com o óleo santo, como preparação para o Evangelho da paz”. E lhe mostrou o hábito completo da Ordem. (p.162-163)

São Domingos de Gusmão e o Rosário

Quando a tentação envolve os irmaos nas dúvidas sobre a sua vocação, Maria lhes alcança o dom da perseverança; abençoa o dormitório e cuida do sono. Quando surgem as necessidades Nossa Senhora as provê e serve; não permite nunca que lhes falte o pão de cada dia, e no ministério da pregação, assiste-lhes manifestamente…(p.164)

Domingos, em suas horas de encontro filial com a Mãe de Deus, sente a feliz inspiração de orar com o Evangelho. Assim nasceu a oração do Evangelho do Rosário, centrado no mistério do Verbo Encarnado. Para combater os cátaros, Domingos lê um determinado acontecimento do Evangelho, comenta, convida à reflexão e conclui com a recitação da Ave-Maria. Por isso, acertadamente, é chamado de Rosário: “Compêndio de todo o Evangelho”. (p.165)

Encontro de São Domingos de Gusmão com São Francisco de Assis

No final de 1220, Domingos se encontra com o cardeal Hugolino, em Toscana, e para sua sorte, tem a oportunidade de encontrar e conhecer Francisco de Assis, a quem, desde aquele momento, sente-se fraternalmente unido no amor do Senhor. (p.179)

Missão de São Domingos de Gusmão

Evangelização ardente, com o exemplo de oração e de pobreza heróica do pregador, revelam seu amor ao Salvador e às almas; uma palavra que se dirige a todos: aos bons cristãos para melhorá-los na sua vida espiritual mais profunda e uma ação mais generosa; a dos hereges para abordá-los de frente, iluminar suas mentes e conduzi-los de novo a Cristo Ressuscitado”. (p.187)

Enfermidade e morte de São Domingos de Gusmão

Domingos passa os dias e as noites em claro; entretanto, sua enfermidade avança…Domingos…pediu de imediato que ao falecer fosse levado ao convento de São Nicolau, porque queria ser sepultado junto com seus irmãos…em nenhum momento a febre e a dor mudaram a expressão de seu rosto, sempre sereno, sorridente e alegre. (p.189)

Na aflição e o pranto dos irmãos comovem Domingos e lhe arrancam palavras de consolo: “Não choreis; eu serei mais útil para vocês depois da morte, mais do que em vida”. (p.190)

Frei Rodolfo está à cabeceira de Domingos, e com uma toalha vai secando o suor mortal de seu rosto. De repente, Domingos murmura: “Comecem”. Os irmãos recitam o Credo; logo as orações rituais da encomendação da alma, e quando invocam: “Vinde em sua ajuda, Santos de Deus. Acudi-o, anjos do Senhor. Recebe a sua alma na presença do Altíssimo, Domingos morre na doce serenidade dos justos. Era tarde de 6 de agosto de 1221. (p.191)

Bibliografia: Nas pegadas de São Domingos de Gusmão. Ir. Maria Izabel Coenca. Ed. Palavra e prece. 2008.

Na noite de 23 de maio de 1233, os irmãos se reuniram em torno do túmulo…Então, em presença de uma verdadeira multidão, os Irmãos…finalmente abriram o caixão. A cada etapa, um perfume maravilhoso, misterioso se espalhava por toda a Igreja…(p.56)

Algum tempo depois, um pedido de canonização de Domingos foi apresentado pelo Bispo, pela universidade e a comunidade de Bolonha…a 3 de julho de 1234,..Gregório IX proclamou a santidade de Domingos. (p.56)

Bibliografia: São Domingos por Simon Tugwell. Editions Du signe.

Biografia de São Domingos de Gusmão pelo Vaticano

PAPA BENTO XVI

AUDIÊNCIA GERAL

Quarta-feira, 3 de Fevereiro de 2010

São Domingos de Gusmão

Caros irmãos e irmãs

Na semana passada apresentei a figura luminosa de Francisco de Assis, e hoje gostaria de vos falar de outro santo que, na mesma época, ofereceu uma contribuição fundamental para a renovação da Igreja do seu tempo. Trata-se de São Domingos, fundador da Ordem dos Pregadores, também conhecidos como Padres Pregadores.

O seu sucessor na orientação da Ordem, Beato Jordão da Saxónia, oferece um retrato completo de São Domingos no texto de uma oração famosa:  “Inflamado de zelo por Deus e de ardor sobrenatural, pela tua caridade sem confins e o fervor do espírito veemente, consagraste-te inteiramente com o voto da pobreza perpétua à observância apostólica e à pregação evangélica”. É ressaltada precisamente esta característica fundamental do testemunho de Domingos:  ele falava sempre com Deus e de Deus. Na vida dos santos, o amor pelo Senhor e pelo próximo, a busca da glória de Deus e da salvação das almas caminham sempre juntos.

Domingos nasceu em Caleruega, na Espanha, por volta de 1170. Pertencia a uma nobre família da Velha Castilha e, ajudado por um tio sacerdote, formou-se numa célebre escola de Palência. Distinguiu-se imediatamente pelo interesse no estudo da Sagrada Escritura e pelo amor aos pobres, a tal ponto que chegou a vender os livros, que na sua época constituíam um bem de grande valor, para socorrer com o lucro as vítimas de uma carestia.

Tendo sido ordenado sacerdote, foi eleito cónego do cabido da Catedral na sua Diocese de origem, Osma. Embora esta nomeação pudesse representar para ele algum motivo de prestígio na Igreja e na sociedade, ele não a interpretou como um privilégio pessoal, nem como o início de uma carreira eclesiástica brilhante, mas como um serviço a prestar com dedicação e humildade. Não é porventura uma tentação, a da carreira, do poder, uma tentação da qual não estão imunes nem sequer aqueles que desempenham um papel de animação e de governo na Igreja? Recordei-o há alguns meses, durante a consagração de alguns Bispos:  “Não procuremos o poder, o prestígio e a estima para nós mesmos… Sabemos como as coisas na sociedade civil e, com frequência, também na Igreja sofrem pelo facto de que muitos deles, aos quais foi conferida uma responsabilidade, trabalham para si mesmos e não para a comunidade” (Homilia durante a Capela Papal para a Ordenação episcopal de cinco Excelentíssimos Prelados, 12 de Setembro de 2009).

O Bispo de Osma, que se chamava Diogo, um pastor verdadeiro e zeloso, observou depressa as qualidades espirituais de Domingos, e quis valer-se da sua colaboração. Juntos, partiram para o Norte da Europa a fim de realizar missões diplomáticas que lhes eram confiadas pelo rei de Castilha. Viajando, Domingos descobriu dois desafios enormes para a Igreja do seu tempo:  a existência de povos ainda não evangelizados, nas extremidades setentrionais do continente europeu, e a laceração religiosa que debilitava a vida cristã no Sul da França, onde a acção de alguns grupos heréticos criava confusão e o afastamento da verdade da fé. A acção missionária a favor daqueles que não conheciam a luz do Evangelho e a obra de reevangelização das comunidades cristãs tornaram-se assim as metas apostólicas que Domingos se propôs alcançar.

O Papa, que o Bispo Diogo e Domingos visitaram para pedir conselho, pediu a este último que se dedicasse à pregação aos Albigenses, um grupo herético que defendia uma concepção dualista da realidade, ou seja, com dois princípios criadores igualmente poderosos, o Bem e o Mal. Por conseguinte, este grupo desprezava a matéria como proveniente do princípio do mal, rejeitando até o matrimónio, chegando mesmo a negar a encarnação de Cristo, os sacramentos em que o Senhor nos “toca” através da matéria, e a ressurreição dos corpos. Os Albigenses apreciavam a vida pobre e austera – neste sentido, eram também exemplares – e criticavam a riqueza do Clero daquela época. Domingos aceitou com entusiasmo esta missão, que realizou precisamente com o exemplo da sua existência pobre e austera, com a pregação do Evangelho e com debates públicos. A esta missão de pregar a Boa Nova ele dedicou o resto da sua vida. Os seus filhos teriam realizado inclusive os outros sonhos de São Domingos:  a missão ad gentes, ou seja, àqueles que ainda não conheciam Jesus, e a missão àqueles que viviam nas cidades, sobretudo nas universitárias, onde as novas tendências intelectuais eram um desafio para a fé dos cultos.

Este grande santo recorda-nos que no coração da Igreja deve sempre arder um fogo missionário, que impele incessantemente a fazer o primeiro anúncio do Evangelho e, onde for necessário, a uma nova evangelização:  com efeito, Cristo é o bem mais precioso que os homens e as mulheres de todos os tempos e lugares têm o direito de conhecer e de amar! E é consolador ver que até na Igreja de hoje são muitos – pastores e fiéis leigos, membros de antigas ordens religiosas e de novos movimentos eclesiais – que com alegria despendem a sua vida por este ideal supremo:  anunciar e testemunhar o Evangelho!

Depois, a Domingos de Gusmão uniram-se outros homens, atraídos pela mesma aspiração. Deste modo, progressivamente, da primeira fundação de Toulouse teve origem a Ordem dos Pregadores. Com efeito, Domingos em plena sintonia com as directrizes dos Papas do seu tempo, Inocêncio III, Honório III, adoptou a antiga Regra de Santo Agostinho, adaptando-a às exigências de vida apostólica que o levaram, bem como os seus companheiros, a pregar passando de um lugar para outro, mas depois voltando aos próprios conventos, lugares de estudo, oração e vida comunitária. De modo particular, Domingos quis dar relevo a dois valores considerados indispensáveis para o bom êxito da missão evangelizadora:  a vida comunitária na pobreza e o estudo.

Antes de tudo, Domingos e os Padres Pregadores apresentavam-se como mendicantes, isto é, sem vastas propriedades de terrenos para administrar. Este elemento tornava-os mais disponíveis ao estudo e à pregação itinerante, e constituía um testemunho concreto para as pessoas. O governo interno dos conventos e das províncias dominicanas estruturou-se segundo o sistema de cabidos, que elegiam os seus próprios Superiores, sucessivamente confirmados pelos Superiores maiores; portanto, uma organização que estimulava a vida fraterna e a responsabilidade de todos os membros da comunidade, exigindo fortes convicções pessoais. A escolha deste sistema nascia precisamente do facto que os Dominicanos, como pregadores da verdade de Deus, tinham que ser coerentes com quanto anunciavam. A verdade estudada e compartilhada na caridade com os irmãos constitui o fundamento mais profundo da alegria. O Beato Jordão da Saxónia diz de São Domingos:  “Ele acolhia cada homem no grande seio da caridade e, dado que amava todos, todos o amavam. Fez para si uma lei pessoal de se alegrar com as pessoas felizes e de chorar com aqueles que choravam” (Libellus de principiis Ordinis Praedicatorum autore Iordano de Saxonia, ed. H. C. Scheeben [Monumenta Historica Sancti Patris Nostri Dominici, Romae, 1935]).

Em segundo lugar, com um gesto intrépido, Domingos quis que os seus seguidores adquirissem uma formação teológica sólida e não hesitou em enviá-los às Universidades dessa época, embora não poucos eclesiásticos vissem com desconfiança estas instituições culturais. As Constituições da Ordem dos Pregadores atribuem muita importância ao estudo como preparação para o apostolado. Domingos queria que os seus Padres se dedicassem a isto sem poupar esforços, com diligência e piedade; um estudo fundado na alma de todo o saber teológico, ou seja, na Sagrada Escritura, e respeitador das interrogações formuladas pela razão. O desenvolvimento da cultura impõe àqueles que desempenham o ministério da Palavra, a vários níveis, que sejam bem preparados. Portanto exorto todos, pastores e leigos, a cultivar esta “dimensão cultural” da fé, a fim de que a beleza da verdade cristã possa ser melhor compreendida e a fé seja verdadeiramente alimentada, fortalecida e também defendida. Neste Ano sacerdotal, convido os seminaristas e os sacerdotes e estimar o valor espiritual do estudo. A qualidade do ministério sacerdotal depende também da generosidade com que se aplica ao estuo das verdades reveladas.

Domingos, que quis fundar uma Ordem religiosa de pregadores-teólogos, lembra-nos que a teologia tem uma dimensão espiritual e pastoral, que enriquece a alma e a vida. Os presbíteros, os consagrados e também todos os fiéis podem encontrar uma profunda “alegria interior” na contemplação da beleza da verdade que vem de Deus, verdade sempre actual e viva. O lema dos Padres Pregadores – contemplata aliis tradere – ajuda-nos a descobrir, além disso, um anseio pastoral no estudo contemplativo de tal verdade, pela exigência de comunicar aos outros o fruto da própria contemplação.

Quando Domingos faleceu, em 1221 em Bolonha, a cidade que o declarou padroeiro, a sua obra já tinha alcançado grande sucesso. A Ordem dos Pregadores, com o apoio da Santa Sé, difundiu-se em muitos países da Europa, em benefício da Igreja inteira. Domingos foi canonizado em 1234, e é ele mesmo que, com a sua santidade, nos indica dois meios indispensáveis a fim de que acção apostólica seja incisiva. Em primeiro lugar, a devoção mariana, que ele cultivou com ternura e deixou como herança preciosa aos seus filhos espirituais, que na história da Igreja tiveram o grande mérito de difundir a recitação do santo Rosário, tão querida ao povo cristão e tão rica de valores evangélicos, uma autêntica escola de fé e de piedade. Em segundo lugar Domingos, que assumiu o cuidado de alguns mosteiros femininos na França e em Roma, acreditou até ao fundo no valor da oração de intercessão pelo bom êxito do afã apostólico. Só no Paraíso compreenderemos quão eficazmente a oração das irmãs claustrais acompanham a obra apostólica! A cada uma delas dirijo o meu pensamento grato e carinhoso.

Estimados irmãos e irmãs, a vida de Domingos de Gusmão estimule todos nós a sermos fervorosos na oração, corajosos na vivência da fé e profundamente apaixonados por Jesus Cristo. Por sua intercessão, peçamos a Deus que enriqueça sempre a Igreja com autênticos pregadores do Evangelho.


Saudação

Amados peregrinos de língua portuguesa, uma cordial saudação de boas-vindas para todos, com votos de que a vossa visita ao lugar da Confissão de Pedro seja rica de graças e luzes do Alto, que vos ajude a ser sempre autênticas e incansáveis testemunhas de Cristo. Em seu Nome, dou-vos a minha Bênção, extensiva aos vossos familiares e comunidades cristãs.

Fonte: http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2010/documents/hf_ben-xvi_aud_20100203_po.html

PAPA BENTO XVI

AUDIÊNCIA GERAL

Quarta-feira, 13 de Janeiro de 2010

As Ordens Mendicantes

Caros irmãos e irmãs

No início do novo ano olhemos para a história do Cristianismo, para ver como se desenvolve uma história e como ela pode ser renovada. Nela podemos ver que os santos, guiados pela luz de Deus, são os autênticos reformadores da vida da Igreja e da sociedade. Mestres com a palavra e testemunhas com o exemplo, eles sabem promover uma renovação eclesial estável e profunda, porque eles mesmos são profundamente renovados, estão em contacto com a verdadeira novidade: a presença de Deus no mundo. Esta realidade consoladora, ou seja, que em cada geração nascem santos e trazem a criatividade da renovação, acompanha constantemente a história da Igreja no meio das tristezas e dos aspectos negativos do seu caminho. Com efeito, século após século vemos nascer também as forças da reforma e da renovação, porque a novidade de Deus é inexorável e dá sempre nova força para ir em frente. Assim aconteceu também no século XIII, com o nascimento e o desenvolvimento extraordinário das Ordens Mendicantes: um modelo de grande renovação numa nova época histórica. Elas foram chamadas assim, pela sua característica de “mendigar”, ou seja, de recorrer humildemente ao sustento económico das pessoas para viver o voto da pobreza e desempenhar a sua missão evangelizadora. Das Ordens Mendicantes que surgiram naquele período, as mais famosas e as mais importantes são os Frades Menores e os Padres Pregadores, conhecidos como Franciscanos e Dominicanos. Eles foram chamados assim pelo nome dos seus Fundadores, respectivamente Francisco de Assis e Domingos de Guzman. Estes dois grandes Santos tiveram a capacidade de ler com inteligência “os sinais dos tempos”, intuindo os desafios que a Igreja do seu tempo devia enfrentar.

Um primeiro desafio era representado pela expansão de vários grupos e movimentos de fiéis que, embora inspirados por um desejo legítimo de vida cristã autêntica, se punham com frequência fora da comunhão eclesial. Estavam em profunda oposição com a Igreja rica e bonita que se tinha desenvolvido precisamente com o florescimento do monaquismo. Nas recentes Catequeses reflecti sobre a comunidade monástica de Cluny, que atraía cada vez mais jovens e portanto forças vitais, assim como bens e riquezas. Logicamente, num primeiro momento desenvolveu-se assim uma Igreja rica de propriedades e inclusive de imóveis. A esta Igreja opôs-se a ideia de que Cristo veio à terra pobre e que a verdadeira Igreja deveria ser precisamente a Igreja dos pobres; assim, o desejo de uma verdadeira autenticidade cristã opôs-se à realidade da Igreja empírica. Trata-se dos chamados movimentos pauperistas da Idade Média. Eles contestavam asperamente o modo de viver dos sacerdotes e dos monges dessa época, acusados de ter traído o Evangelho e de não praticar a pobreza como os primeiros cristãos, e estes movimentos opuseram ao ministério dos Bispos uma sua “hierarquia paralela”. Além disso, para justificar as próprias escolhas, difundiram doutrinas incompatíveis com a fé católica. Por exemplo, o movimento dos Cátaros ou Albigenses voltou a propor antigas heresias, como a desvalorização e o desprezo do mundo material – a oposição contra a riqueza torna-se rapidamente oposição contra a realidade material enquanto tal – a negação da vontade livre, e depois o dualismo, a existência de um segundo princípio do mal equiparado com Deus. Estes movimentos tiveram sucesso, especialmente na França e na Itália, não só pela sua organização sólida, mas também porque denunciavam uma desordem real na Igreja, causada pelo comportamento pouco exemplar de vários representantes do clero.

Na esteira dos seus Fundadores, os Franciscanos e os Dominicanos mostraram, ao contrário, a verdade do Evangelho como tal, sem se separar da Igreja; mostraram que a Igreja permanece o verdadeiro e autêntico lugar do Evangelho e da Escritura. Aliás, Domingos e Francisco hauriram a força do seu testemunho precisamente da sua comunhão com a Igreja e com o papado. Com uma escolha totalmente original na história da vida consagrada, os Membros destas Ordens não só renunciavam à posse de bens pessoais, como faziam os mongens desde a antiguidade, mas nem sequer queriam que terrenos e bens imóveis passassem para o nome da comunidade. Assim tencionavam dar testemunho de uma vida extremamente sóbria, para ser solidários com os pobres e confiar apenas na Providência, viver todos os dias da Providência, da confiança de se colocar nas mãos de Deus. Este estilo pessoal e comunitário das Ordens Mendicantes, unido à adesão total ao ensinamento da Igreja e à sua autoridade, foi muito apreciado pelos Pontífices dessa época, como Inocêncio III e Honório III, que ofereceram o seu pleno apoio a estas novas experiências eclesiais, reconhecendo nelas a voz do Espírito. E os frutos não faltaram: os grupos pauperistas que se tinham separado da Igreja voltaram a entrar na comunhão eclesial ou, lentamente, redimensionaram-se até desaparecer. Também hoje, embora vivamos numa sociedade em que muitas vezes prevalece o “ter” sobre o “ser”, somos muito sensíveis aos exemplos de pobreza e de solidariedade, que os crentes oferecem com opções intrépidas. Também hoje não faltam iniciativas semelhantes: os movimentos, que começam realmente a partir da novidade do Evangelho e vivem-no com radicalidade no hoje, colocando-se nas mãos de Deus, para servir o próximo. O mundo, como recordava Paulo VI na Evangelii nuntiandi, ouve de bom grado os mestres, quando eles são também testemunhas. Trata-se de uma lição que nunca pode ser esquecida na obra de difusão do Evangelho: viver primeiro aquilo que se anuncia, ser espelho da caridade divina.

Franciscanos e Dominicanos foram testemunhas, mas inclusive mestres. Com efeito, outra exigência difundida na sua época era a da educação religiosa. Não poucos fiéis leigos, que habitavam nas cidades em vias de grande expansão, desejavam praticar uma vida cristã espiritualmente intensa. Portanto, procuravam aprofundar o conhecimento da fé e ser orientados no árduo mas entusiasmante caminho da santidade. Felizmente, as Ordens Mendicantes souberam ir ao encontro também desta necessidade: o anúncio do Evangelho na simplicidade e na sua profundidade e grandeza erra uma finalidade, talvez a finalidade principal deste movimento. Efectivamente, dedicaram-se à pregação com grande zelo. Os fiéis eram muito numerosos, com frequência verdadeiras multidões, que se congregavam para ouvir os pregadores nas igrejas e nos lugares ao ar livre, pensemos por exemplo em Santo Agostinho. Tratavam-se temas próximos da vida das pessoas, sobretudo a prática das virtudes teologais e morais, com exemplos concretos, facilmente compreensíveis. Além disso, ensinavam-se formas para alimentar a vida de oração e de piedade. Por exemplo, os Franciscanos difundiram muito a devoção à humanidade de Cristo, com o compromisso de imitar o Senhor. Então, não surpreende o facto de que os fiéis eram numerosos, homens e mulheres que escolhiam fazer-se acompanhar no caminho cristão por frades Franciscanos e Dominicanos, directores espirituais e confessores procurados e estimados. Assim nasceram associações de fiéis leigos que se inspiravam na espiritualidade de São Francisco e de São Domingos, adaptada à sua condição de vida. Trata-se da Terceira Ordem, tanto franciscana como dominicana. Por outros termos, a proposta de uma “santidade laica” conquistou muitas pessoas. Como recordou o Concílio Ecuménico Vaticano II, o chamamento à santidade não está reservado a alguns, mas é universal (cf. Lumen gentium, 40). Em todas as condições de vida, segundo as exigências de cada uma delas, encontra-se a possibilidade de viver o Evangelho. Também hoje cada cristão deve tender para a “medida alta da vida cristã”, seja qual for a condição de vida a que pertence!

A importância das Ordens Mendicantes aumentou tanto na Idade Média, que Instituições laicas, com as organizações do trabalho, as antigas corporações e as próprias autoridades civis recorriam com frequência aos conselhos espirituais dos Membros de tais Ordens para a redacção dos seus regulamentos e, às vezes, para a solução de contrastes internos ou externos. Os Franciscanos e os Dominicanos tornaram-se os animadores espirituais da cidade medieval. Com grande intuição, eles puseram em acção uma estratégia pastoral adequada às transformações da sociedade. Dado que muitas pessoas se transferiam dos campos para as cidades, eles construíram os seus conventos já não em áreas rurais, mas urbanas. Além disso, para desempenhar a sua actividade em benefício das almas, era necessário deslocar-se em conformidade com as exigências pastorais. Com outra escolha totalmente inovativa, as Ordens Mendicantes abandonaram o princípio de estabilidade, clássico do monaquismo antigo, para escolher outro modo. Menores e Pregadores viajavam de um lugar para outro, com fervor missionário. Por conseguinte, organizaram-se de modo diverso em relação à maior parte das Ordens monásticas. No lugar da autonomia tradicional de que gozava cada mosteiro, eles deram mais importância à Ordem enquanto tal e ao Superior-Geral, bem como à estrutura das províncias. Assim os Mendicantes estavam mais dispostos às exigências da Igreja Universal. Esta flexibilidade tornou possível o envio dos frades mais preparados para o cumprimento de missões específicas e as Ordens Mendicantes chegaram à África setentrional, ao Médio Oriente e ao Norte da Europa. Com esta flexibilidade, o dinamismo missionário foi renovado.

Outro grande desafio era representado pelas transformações culturais em curso naquele período. Novas questões estimularam o debate nas universidades, que nasceram no final do século XII. Menores e Pregadores não hesitaram em assumir também este compromisso e, como estudantes e professores, entraram nas universidades mais famosas dessa época, erigiram centros de estudos, produziram textos de grande valor, deram vida a verdadeiras escolas de pensamento, foram protagonistas da teologia escolástica no seu período melhor e incidiram significativamente no desenvolvimento do pensamento. Os maiores pensadores, S. Tomás de Aquino e São Boaventura, eram mendicantes e trabalharam precisamente com este dinamismo na nova evangelização, que renovou também a coragem do pensamento, do diálogo entre razão e fé. Também hoje existe uma “caridade da e na verdade”, uma “caridade intelectual” a exercer, para iluminar as inteligências e conjugar a fé com a cultura. Caros fiéis, o compromisso assumido pelos Franciscanos e pelos Dominicanos nas universidades medievais é um convite a tornar-se presente nos lugares de elaboração do saber, para propor, com respeito e convicção, a luz do Evangelho sobre as questões fundamentais que se referem ao homem, à sua dignidade e ao seu destino eterno. Pensando no papel dos Franciscanos e Dominicanos na Idade Média, na renovação espiritual que suscitaram, no sopro de vida nova que comunicaram no mundo, um monge disse: “Naquela época o mundo envelhecia. Surgiram duas Ordens na Igreja, cuja juventude renovaram, como a de uma águia” (Burchard d’Ursperg, Chronicon).

Estimados irmãos e irmãs, invoquemos precisamente no início deste ano o Espírito Santo, eterna juventude da Igreja: ele faça com que todos sintam a urgência de oferecer um testemunho coerente e corajoso do Evangelho, a fim de que nunca faltem santos, que façam resplandecer a Igreja como esposa sempre pura e bela, sem manchas nem rugas, capaz de atrair irresistivelmente o mundo para Cristo, para a sua salvação.


Saudação

Queridos peregrinos de língua portuguesa, possa o Espírito Santo suscitar no coração de cada um a urgência de oferecer ao mundo um testemunho coerente e corajoso do Evangelho. Que Deus abençoe cada um de vós e vossas famílias. Ide em Paz!

Fonte:http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2010/documents/hf_ben-xvi_aud_20100113_po.html

Maria, cetro da verdadeira fé

6. Além disto, consoante o louvor do mesmo Doutor, ela foi vigorosíssimo “cetro da verdadeira fé” (S. Cirilo de Alexandria, Homilia contra Nestorium), pelo contínuo cuidado que teve de manter firme, intacta e fecunda, entre os povos, a fé católica. E disto existem provas numerosíssimas e assaz conhecidas, confirmadas às vezes por acontecimentos prodigiosos. Sobretudo nas épocas e nas regiões em que se houve de deplorar a fé esmorecida por causa da indiferença, ou atacada pelo pernicioso contágio dos erros, foi que o clemente socorro da Virgem se fez particularmente sentir.

Foi então que, graças ao seu impulso e ao seu apoio, surgiram homens, eminentes por santidade e por zelo apostólico, prontos a repelir os ataques dos perversos, a reconduzir as almas à prática e ao fervor da vida cristã. Sozinho, mas poderoso como muitos juntos, Domingos de Gusmão consagrou-se a esta dupla tarefa, tendo posto com êxito a sua confiança no Rosário de Maria.

E ninguém poderá pôr em dúvida que grande parte tenha a Mãe de Deus nos serviços prestados pelos veneráveis Padres e Doutores da Igreja, que tão notavelmente trabalharam em defender e ilustrar a doutrina católica. De fato, é a ela, sede da divina sabedoria, que eles atribuem com gratidão a fecunda inspiração dos seus escritos; foi por obra da Virgem Santíssima, e não pelo mérito deles, conforme eles mesmos atestam, que a malícia dos erros foi debelada. Enfim, príncipes e Pontífices Romanos, guardas e defensores da fé tiveram o costume de recorrer sempre ao nome da divina Mãe: uns na direção das suas guerras sagradas, outros na promulgação dos seus solenes decretos; e sempre lhe experimentaram o poder e a proteção.

7. Por isto a Igreja e os Padres dirigem a Maria estas expressões não menos verdadeiras do que esplêndidas: “Ave, ó boca sempre eloqüente dos Apóstolos; ó sólido fundamento da fé; ó rocha inabalável da Igreja” (Do hino dos Gregos Theotokion). “Ave: por ti nós fomos computados entre os cidadãos da Igreja, una, santa, católica e apostólica” (S. João Damasceno, Oratio in Annunciatione Dei Genitricis, n. 9). “Ave, ó divina fonte da qual os rios da eterna sabedoria, correndo com as puríssimas e limpidíssimas águas da ortodoxia, prostram a multidão dos erros” (S. Germano Constantinopolitano, Oratione in Dei Praesentatione, n. 4). “Alegra-te, já que só tu conseguiste destruir todas as heresias no mundo inteiro!” (no Ofício da B. V. M.).

Fonte:http://www.vatican.va/holy_father/leo_xiii/encyclicals/documents/hf_l-xiii_enc_05091895_adiutricem_po.html

Louvava a Deus em todas as situações

Uma ocasião, antes da cruzada, ele e seu grupo se perderam pelo, quando se dirigiam a um debate público. Um herege (que pensavam ser católico), ofereceu-se para guiá-los. Maliciosamente, ele os conduziu através de espinhos e urtigas até que seus pés e pernas ficassem cobertos de sangue. Sem se desanimar, Domingos encorajava seus companheiros a louvar a Deus e a esperar a vitória no debate, precisamente quando seus pecados haviam sido lavados com seu próprio sangue. O herege comoveu-se tanto com sua atitude que confessou o que havia feito e renunciou à heresia, ali mesmo. (p.18)

São Domingos de Gusmão acreditava na conversão dos hereges

A segurança de sua sensibilidade aparecia numa admirável intervenção para salvar o membro de um grupo já conhecido à execução. Fitando seus olhos, ele diz: Eu sei, meu filho, ainda que tardiamente, você será um “bom homem” e um “santo”. O herege converteu-se após 25 anos, porém nunca se esqueceu de seu encontro com Domingos. Em 1236, de livre e espontânea vontade, dirigiu-se ao convento dominicano de Tolosa e pediu sua reconciliação com a Igreja. Inclusive ingressou na Ordem. Domingos falara em sua própria linguagem e agora, finalmente, compreendeu o que significa realmente ser “homem bom”.

A sabedoria de São Domingos de Gusmão

Conscientemente, Domingos procurou vencer os hereges com suas próprias armas. Se era a austeridade que eles valorizavam, mostrava e praticava uma austeridade que eles nunca poderiam imitar. Durante a quaresma, pediu hospedagem na casa de mulheres discípulas de hereges. Ele e seu companheiro jejuaram pão e água até a Páscoa. Recusaram as camas que lhes foram preparadas. Dormiram sobre estrados. Passavam a maior parte da noite em oração…Suas anfitriãs encheram-se de admiração e concluíram que..eram bons homens. (p.19)

…Mais de uma testemunha afirma que ele nunca dormiu na cama, mesmo quando enfermo. (p.19)

Rezava pelos doentes

Os doentes sentiam-se melhores logo que ele rezava por eles. Todos comentavam como chorava enquanto fazia oração. (p.19)

Novas conversões

Após um debate em Fanjeaux, um grupo de mulheres sentiu abalada a confiança que depositava dos hereges. Dirigiu-se a Domingos que estava rezando na igreja paroquial. Pediu-lhe que obtivesse de Deus a revelação da verdadeira fé com a qual pudessem salvar-se. O resultado de suas orações foi a visão que tiveram de um gato monstruoso, mostrando-lhes a quem tinha servido quando seguiam os albigenses. Todas essas mulheres voltaram para a Igreja Católica. Muitas dentre elas se tornaram monjas em Prouille. (p.19)

Tinha o costume de andar a pé

Deixando Paris, a pé, como de costume, Domingos tomou o caminho mais curto para Itália..(p.38)

Bibliografia: São Domingos por Simon Tugwell. Editions Du signe.

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